terça-feira, 15 de maio de 2018

1978-05-15 - AOS TRABALHADORES DOS TLP - UDP


AOS TRABALHADORES DOS TLP

Unamo-nos contra os ataques da direita!
Defendamos a unidade sindical!
Lutemos por uma CT unitária e anti-fascista|

ADERE À UDP! REFORÇA a LUTA ANTI-FASCISTA nos TLP! 

CAMARADAS:
Foram recentemente distribuídas em comunicado, as conclusões do ENCONTRO NACIONAL UDP CTT/TLP. Dizíamos então que a Reestruturação que o C.A. tenta impor na empresa, não é mais do que a aplicação concreta da política de direita do governo. Igualmente denunciávamos as consequências que daí viriam para os trabalhadores.

Hoje, perante dados concretos, verifica-se que era justa a análise que então fazíamos.
Nas recentes promoções é nomeado por exemplo, um ex-saneado (ligações com a PIDE e LEGIÃO) - o JERÓNIMO FERREIRA e é promovido o Chefe de Repartição o ex-professor da Pide CASTANHEIRA FRANCISCO.
Qual o critério destas promoções? Será que estes indivíduos tem qualidades humanas para o respectivo cargo? Evidentemente que não. O que está em causa e que são acima de tudo homens da confiança da administração, dispostos a atacar as conquistas dos trabalhadores, dispostos a servir a Direita como sempre fizeram.
Mas os ataques aos trabalhadores dos TLP, não ficam por aqui e é a vez dessa reaccionária que dá pelo nome de VERA LAGOA vir insultar os trabalhadores através do seu jornal fascista "O DIABO". Num recente artigo, diz as mais miseráveis mentiras como por exemplo que um vulgar aspirante ganha 20.600$00, que um T.T.C. por fazer serviço de noite recebe quatro vezes o seu ordenado, tirando 31 000$00 acabando por dizer que os trabalhadores dos TLP são uns parasitas e que antes do 25 de Abril é que isto estava bom.
É pois evidente que existe um ataque organizado por parte da direita contra as nossas conquistas, dentro a fora da empresa. Perante esta situação, a UDP aponta como fundamental a UNIDADE dos trabalhadores orientada para a defesa consequente das nossas conquistas. Este papel cabe fundamentalmente aos sindicatos e CT e aqui, face a sua actuação, temos forçosamente que criticá-los.
Em comunicado de 6 de Abril de 1978 (já lá vai um mês) face a REESTRUTURAÇÃO diziam os ORT (órgãos representativos dos trabalhadores) ter tomado as seguintes decisões:
- Exigir da Administração e Direcção todos os documentos referentes à Reestruturação para fazer uma análise pormenorizada das suas consequências.
- Realização de uma conferência de imprensa para denunciar ao povo português o que se está a passar nos TLP.
- Preparar a realização de um plenário geral, efectuando para isso uma ampla mobilização dos trabalhadores dos TLP, para decisão sobre a Reestruturação. (sublinhado nosso)
- Criar uma Comissão Executiva, como órgão coordenador de todo o processo de luta.
Este comunicado era subscrito pelos seguintes sindicatos: Telefonistas de Lisboa, Telefonistas do Norte, Técnicos de Desenho (Lisboa e Porto) Cobradores, Electricistas, Metalúrgicos, Escritórios, Gráficos, Engenheiros Técnicos e ainda a CT de Lisboa e a Comissão de Quadros (Lisboa).
Passado um mês, e quando a Administração já começa a levar a prática torna-se oportuno perguntar o que fizeram os órgãos acima citados depois da saída do comunicado. Onde está a ampla mobilização dos trabalhadores dos TLP que tinham a obrigação de promover?
Em relação a estes órgãos, torna-se oportuno transcrever a pergunta de um delegado sindical feita na última reunião do Sindicato dos Telefonistas:
"Quantas vezes a Direcção deste sindicato pediu a ajuda dos trabalhadores para impor o que quer que fosse à administração?"
Camaradas:
Perante esta realidade, será injusto dizermos que estes órgãos atreves do seu burocratismo, estão a colaborar com a Administração!
Pensamos que não, e os trabalhadores não podem permitir esta prática por parte de quem elegeram para os defender.
É inadmissível a actuação de um membro da Direcção do Sindicato dos Telefonistas, que na Conservação de Cabos, depois de os trabalhadores terem votado contra a promoção de um electrotécnico a assistente, o referido dirigente sindical, contou as abstenções como votos favoráveis a promoção, em total desrespeito pelas normas mais elementares da Democracia.

CAMARADAS:
O avanço do fascismo, o ataque às nossas conquistas, não são uma coisa inevitável. Só acontece se os trabalhadores não estiverem unidos, organizados e dispostos a lutar.
É necessário exigir aos órgãos representativos dos trabalha dores, que cumpram o seu dever de defender os interesses dos trabalhadores, há que impedir as promoções atrás citadas, há que dar uma resposta consequente aos fascistas do DIABO, há que lutar contra a Reestruturação que não serve os nossos interesses.
HÁ QUE EXIGIR AOS ORT QUE LEVEM À PRATICA A REALIZAÇÃO DE UM PLENÁRIO GERAL:

OS REVOLUCIONÁRIOS EM DEFESA DA UNIDADE SINDICAL
A UDP saúda os 5 delegados sindicais dos Telefonistas, que souberam contribuir para a unidade dos trabalhadores, contra os estatutos divisionistas "Luta Unidade Vitória".
Estes camaradas, apresentando alterações a artigos incorrectos do projecto da Direcção, souberam quebrar o sectarismo existente, defendendo a entrada na CGTP e pondo claramente que a actuação dos revolucionários no seio da CGTP não será de apoio a conciliação com o governo mas sim de lutar pelo cumprimento de decisões já tomadas em alguns plenários como a JORNADA DE LUTA NACIONAL, com paralização, contra o Governo de Direita, em defesa das Conquistas de Abril.
Queremos saudar as largas centenas de trabalhadores que acorreram à Voz do Operário, tendo aí mostrado a sua firme oposição àqueles que nos querem dividir.
Queremos também criticar a direcção do Sindicato em não ter arranjado uma melhor instalação sonora, o que desmobilizou muitos trabalhadores que não compreendiam o que os oradores diziam. Isto no futuro não se pode repetir. Pensamos também que a discussão anterior ao plenário foi insuficiente e a Direcção tem o dever de esclarecer os trabalhadores sobre as decisões tomadas, através de reuniões nos locais de trabalho.

POR UMA CT DE UNIDADE ANTIFASCISTA
Um dos órgãos fundamentais para a Unidade dos trabalhadores divididos por vários sindicatos, são as CTs. É assim que nos TLP a CT tem um importante trabalho a desenvolver. Mas para que isto seja levado à prática, torna-se indispensável a substituição dos seus actuais elementos por trabalhadores que se oponham verdadeiramente ao avanço da Direita, que se ergam em defesa das nossas conquistas.
As centenas de assinaturas recolhidas a exigir um plenário para destituição da actual CT, mostra que o processo tem o apoio dos trabalhadores.
Neste sentido, a UDP que desde o início apoiou a iniciativa de um grupo de camaradas antifascistas, reafirma a necessidade de rapidamente se avançar com o processo.
Pensamos que o Grupo Dinamizador do processo, se deve apoiar nos locais de trabalho, dando aí a conhecer aos trabalhadores a sua a actividade.

ADERIR À UDP É REFORÇAR A LUTA ANTIFASCISTA NA NOSSA EMPRESA
Camaradas e Amigos:
A campanha dos 10 000 novos aderentes já foi ultrapassada
Na nossa empresa preparamo-nos para atingir e ultrapassar o objectivo fixado de 100 novos aderentes. Quantos mais formos, melhor travaremos o avanço da direita. Melhor conseguiremos contribuir para a unidade dos trabalhadores em defesa das CONQUISTAS DE ABRIL.
É neste sentido que nós te dizemos, camarada antifascista: “ADERE À UDP” Organizado na UDP, tens mais força para defender os teus direitos, organizado na UDP tens mais força para defender o 25 de Abril que os fascistas querem destruir.

POR UMA ESQUERDA MAIS FORTE!
ADERE À UDP!

POR UM NOVO ACT.- CONTRA O AUMENTO DO CUSTO DE VIDA

 CAMARADAS:
Seguindo a sua política contra os trabalhadores o governo CDS/PS, decretou recentemente aumentos dos bens essenciais, que vieram agravar ainda mais as condições de vida dos trabalhadores. Os ordenados, o os subsídios que hoje ganhamos já não nos dão para nada.
Os trabalhadores dos TLP devem relembrar o processo ao ACT, e voltar a ler o comunicado da UDP, distribuído após terem terminado as negociações. Aí fazemos um balanço das posições e tomamos durante o processo, Hoje os factos comprovam a justeza das nossas posições.
Os trabalhadores devem igualmente pedir contas aqueles que andaram a dizer que o ACT foi uma grande vitória, e que, alguns deles, já andam oportunisticamente a falar no caderno reivindicativo.
Devemos pois, desde já exigir que as direcções sindicais comecem a elaborar um novo ACT em conjunto com os delegados e trabalhadores.

LEVANTEMO-NOS CONTRA O REGRESSO DO FASCISTA TOMÁS
O Povo Português recebeu com indignação, a notícia de que o Presidente da República, convidou o alto responsável do regime fascista, Américo Tomás, para regressar a Portugal.
Quando se aproxima a negra data do 28 de Maio ”golpe de 28/5/26”, que implantou o fascismo em Portugal, o avanço da arrogância das actividades fascistas, o convite de Tomás, feito por Eanes é uma verdadeira afronta ao 25 de Abril.
O secretariado do núcleo UDP dos TLP, considera que todos os trabalhadores, todos os democratas da nossa empresa, se devem unir num movimento de repúdio a par duma tomada de posição firme dos nossos órgãos e do movimento sindical, contra o regresso desta sinistra figura.

Lisboa, 15 de Maio 1978
O secretariado do núcleo UDP dos TLP



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