sexta-feira, 11 de maio de 2018

1978-05-11 - O Comunista Nº 09 - PC(ml)P


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EDITORIAL
Unidade sindical quem a defende e quem a combate

Este 1.° de Maio de 1978 colocou em foco o problema da unidade sindical. Sobre a criação dos sindicatos e centrais paralelas já o nosso Partido tomou uma posição clara denunciando as manobras de personalidades e forças políticas da burguesia tradicional e do imperialismo ocidental que encabeçam tais formações fantoches, destinadas a dividir o movimento sindical, a sujeitarem os trabalhadores à política antioperária e antipopular da burguesia tradicional e no Governo, a favorecerem o descrédito entre as massas e o enfraquecimento da oposição anti-social-fascista no movimento sindical.
Os revisionistas que hoje dominam largamente a direcção do movimento sindical português são falsos defensores da Unidade Sindical. Contudo, servem-se dessa palavra tão cara aos trabalhadores para sujeitarem o movimento sindical e os trabalhadores à sua tutela, para amordaçarem a voz dos sindicalistas revolucionários caluniando-os de «divisionistas» por estes defenderem uma linha politico-sindical antagónica à sua.
Esta política de traição tem sido decididamente denunciada pelos sindicalistas revolucionários nos sindicatos, ao mesmo tempo que estes apresentam alternativas para o movimento sindical, visando unir e organizar os trabalhadores na luta para obrigarem os ricos a pagarem a crise e para defenderem com firmeza as suas conquistas. Esses ataques provêm sobretudo dos social-fascistas que contam nesta tarefa com o apoio dos pseudo-revolucionários da UDP/«PCP(R)» e de outros agrupamentos da pequena burguesia radical.
Alcançar a unidade orgânica do movimento sindical constitui um dos principais objectivos dos sindicalistas revolucionários. Por isso se opõem às tentativas de formação de sindicatos e centrais paralelas. O movimento sindical está ainda hoje extremamente dividido, mantendo a mesma estrutura corporativa herdada do fascismo. Os que mais gritam pela «Unidade» são aqueles que mais se lhe opõem. Quatro anos depois do 25 de Abril, os social-fascistas que dominam o movimento nada fizeram de concreto pela sua verdadeira reestruturação e verticalização. Hoje existem mais sindicatos que aqueles que existiam então. Combater o pluralismo sindical herdado do fascismo e a proliferação de novos sindicatos paralelos; defender a reestruturação do movimento sindical são tarefas que os sindicalistas revolucionários tomam em mãos e que são fundamentais para que se consiga a Unidade Sindical, a qual não poderá ser alcançada sem um combate decidido para expulsar os revisionistas das direcções sindicais. Os pseudo-revolucionários da UDP/«PCP(R)» que se ocupam a clamar histericamente contra o «pluralismo sindical» proporcionado pela actuação dos reformistas nada têm feito afinal para combater os principais responsáveis pela divisão do movimento sindical que são precisamente os dirigentes sindicais afectos ao partido de Cunhal.
A Unidade Sindical tem de ser alcançada na luta de classes. Para isso é preciso que os trabalhadores sejam mobilizados em torno das suas próprias reivindicações contra a burguesia privada e burocrática empenhada em esmagá-los com o peso da crise. Para isso usa habilmente os seus agentes no seio dos trabalhadores que urge escorraçar. Os caciques sindicais cunhalistas, com o seu palavreado «unitário» e pseudo-socialista, constituem os mais perigosos inimigos, no seio do movimento sindical e são os principais responsáveis pela sua divisão. Devemos traçar uma clara linha de demarcação em relação a tais inimigos e empenhar-nos decididamente na luta por uma direcção revolucionária de classe no movimento sindical. Nesta tarefa não devemos temer os ataques dos caluniadores de profissão. Devemos partir do princípio de que «ser atacado pelo inimigo não é uma coisa má, mas sim uma coisa boa». Devemos saber distinguir claramente os social-fascistas das largas massas que estes enganam, as quais devemos ganhar através de um trabalho paciente para as nossas posições.
Na luta pela Unidade Sindical é fundamental que os sindicalistas revolucionários saibam usar métodos correctos na resolução das contradições no seio dos trabalhadores, as quais devem ser resolvidas pela discussão aberta dos diversos pontos de vista até uma solução dos problemas. Devemos distinguir os trabalhadores que defendem pontos de vista erróneos, mas que aspiram a justas reivindicações, e resolver com eles as nossas divergências pela persuasão, daquele punhado de elementos oportunistas e vendidos que devemos isolar e combater com decisão.
Na luta sindical, os revolucionários distinguem-se claramente dos social-fascistas e seus lacaios, seja nos objectivos a alcançar, seja pelos próprios métodos de actuação.
A unidade porque lutam será a unidade sólida da classe operária, do povo trabalhador e do movimento sindical contra todos os seus inimigos. Essa unidade será alcançada apesar da acção reaccionária dos agentes da burguesia, e em particular dos falsos pregadores da «unidade» ao serviço do social-fascismo e da divisão.

AOS LEITORES

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