sexta-feira, 11 de maio de 2018

1978-05-11 - NÃO À VOLTA DO FASCISTA TOMÁS! - PC(ml)P


PARTIDO COMUNISTA (marxista-leninista) PORTUGUÊS
COMISSÃO DE IMPRENSA DO COMITÉ CENTRAL

Comunicado de Imprensa
NÃO À VOLTA DO FASCISTA TOMÁS!

O povo português recebeu profundamente chocado o comunicado emitido pela Presidência da Republica considerando que não existem impedimentos para que o ultimo presidente da ditadura fascista, Américo Tomás, fixe residência no país em plena liberdade de direitos.
O PC(m-l)P, PARTIDO COMUNISTA (marxista-leninista) PORTUGUÊS, Partido que vêm da Resistência Anti-fascista, e que comunga com o nosso povo a mais viva repulsa e ódio pelos 48 anos de violência reaccionária, crimes, arbitrariedades e prepotências da sanguinária ditadura fascista, protesta energicamente contra esta decisão da Presidência da República.

O PC(m-l)P considera grave e atentatório do passado de luta anti-fascista do nosso povo, o facto da Presidência da República ter considerado que não foi encontrada “matéria discriminatória" de um dos cabecilhas principais do fascismo português, quando todo o passado do fascista Tomás é um rol de responsabilidades pelos inumeráveis crimes do fascismo e do colonialismo português.
O PC(m-l)P considera inadmissível a invocação por parte da Presidência da República de "razões humanitárias" para um dos carrascos do nosso povo, para um dos" chefes fascistas responsáveis pelo assassinato de centenas de anti-fascistas portugueses, em que se contam dirigentes e militantes do nosso Partido (então denominado Partido Comunista Português), e pela guerra colonial contra os movimentos patriotas das ex-colónias africanas é um vexame falar de "razões humanitárias" a quem foi um dos cabecilhas de um regime que espezinhou as mais elementares liberdades democráticas,
O PC(m-l)P considera indigna da dignidade nacional a "ponderação" por parte da Presidência da República de "outras circunstâncias", a que não são certamente alheias as pressões dos fascistas brasileiros, dos caciques das colónias portuguesas imigrados naquele país, e de que vinham fazendo eco o jornal da direita tradicional "O Tempo" e os pasquins fascistas "O Retornado e A Rua", a pouco tempo da visita programada por Ramalho Eanes aquele país. Consideramos uma grave capitulação a pressões estrangeiras e uma cedência vexatória aos fascistas do antigo regime derrubado pelo 25 de Abril.
Na apreciação da questão referente à situação dos dirigentes fascistas fugidos do país, o PC(m-l)P considera que as razões de natureza política são as fundamentais. Considera que os fascistas do antigo regime, tanto dos postos dirigentes da ditadura, como os ex-monopolistas e latifundiários que fugiram não devem meter o pé no nosso país. Dizemos claramente NÃO à volta de Tomás e companhia, e apelei mos ao povo português a manifestar-se activamente contra, por todos os meios de acção. A vinda de Tomás é um precedente, é uma porta aberta para a vinda de todos os outros carrascos do fascismo. Não o permitamos. Em relação aos dirigentes fascistas no país, que cá estejam ou venham a estar, o PC(m-l)P entende que devem ser encarcerados, julgados publicamente e severamente punidos pelos seus crimes, concretizando uma justa reivindicação do movimento operário e popular apôs o 25 de Abril.
Esta decisão da Presidência da Republica, bem como a decisão de descongelar os bens do fascista Tomás, são graves cedências ao fascismo tradicional, permitindo-lhe recuperar posições perdidas, liberdade de acção e haveres, fruto duma política anti-popular e anti-nacional de conciliação com o fascismo tradicional e o social-fascismo cunhalista/gonçalvista da parte dos dirigentes do país.
Nesta ocasião o PC(m-l)P considera novamente que a política que os actuais dirigentes seguem não vai ao encontro dos interesses da classe operaria, das massas trabalhadoras e democratas e patriotas, que aspiram a uma política autenticamente de esquerda, que faça pagar aos ricos a crise capitalista, defenda as Liberdades Democráticas, reprimindo as actividades do fascismo e do social-fascismo, que defenda a Independência Nacional opondo-se aos imperialistas russos e americanos, batendo-se pela Paz, pelo não-alinhamento activo e pela solidariedade com a luta dos Povos e Países em luta contra o imperialismo, e em particular contra o hegemonismo,
Nesta ocasião o PC(m-l)P renova o seu apelo a unidade de todos os democratas e patriotas anti-fascistas e anti-social-fascistas, em particular ao movimento operário e sindical, de todos os que dizem NÃO a volta dos antigos ditadores e dos novos ditadores gonçalvistas/cunhalistas, de todos os que se batem em defesa das Conquistas Populares de Abril, pelo Pão, a Paz, a Terra e a Liberdade,

Lisboa, 11 de Maio de 1978
A Comissão de Imprensa do CC do PC (m-l) P




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