quinta-feira, 10 de maio de 2018

1978-05-10 - NÚCLEO P.S. NOS T.L.P - PS


PARTIDO SOCIALISTA
NÚCLEO P.S. NOS T.L.P

COMUNICADO
Camaradas,
No dia 4/5/78, na Voz do Operário, realizou-se a Assembleia Geral do Sindicato dos Telefonistas de Lisboa, para discussão e aprovação dos Estatutos.
O local escolhido e o modo como decorreu a Assembleia, leva os militantes socialistas a formular:
PORQUE?
- Porque foi marcada a Assembleia para a Voz do Operário, cuja capacidade da sala tem somente 912 lugares sentados?
- Será que a Direcção entendeu que aquela sala fosse suficiente para obter o quorum (795 presenças) necessário e isso lhe bastasse?
- Porque não foi marcado o Pavilhão dos Desportos?
- Será que o prazo de 15 dias que a Assembleia de 20.4.78 lhe deu não foi o suficiente para o fazer?
- Porque não foram admitidas para discussão (ao menos para discussão), as inúmeras propostas de alteração apresentadas pelos sócios da linha sindical democrática, oposta à linha totalitária da Direcção?
- Será que os Associados a quem não foi permitida a discussão estarão na disposição de serem TAMBÉM LACAIOS DA DIRECÇÃO?
- Porque é que, uma proposta rejeitada pela Assembleia, voltou a ser submetida à votação só porque à Direcção interessava?
- Porque é que, quando uma proposta apoiada pela Direcção, era posta à votação, logo um conhecido "maestro" de cabelos brancos (qualquer relação com outra pessoa é pura coincidência) se colocava de pé, virado para a Assembleia, de braço erguido, a dirigir os "seus correlegionários", como se eles não tivessem consciência do que estavam a fazer?
Dispensámo-nos de comentar mais factos passados na Assembleia. Os sócios e os trabalhadores em geral no seu conjunto os julgarão.
Os Estatutos que a Direcção propôs e que os seus correligionários aprovaram (impuseram) sem permitir alterações é um documento totalitário de cariz fascista e que estes não teriam qualquer problema em rubricar.
Senão vejamos:
"O Sindicato como afirmação concreta dos princípios enunciados adere à Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional e, consequentemente às suas estruturas locais e regionais" - Artº. 12º. Quer isto dizer que automaticamente o Sindicato fica dependente do principal Centro de Trabalho do PCP (Intersindical). Será isto a defesa das liberdades democráticas e dos interesses dos trabalhadores como enunciam no Artº. 10º, se nem sequer deixaram os sócios escolher?
"Formular as críticas que tiver por convenientes à actuação e às decisões dos diversos órgãos do Sindicato, mas sempre no seu seio sem prejuízo da obrigação de respeitar as decisões democraticamente tomadas". Será isto a defesa das liberdades e dos interesses dos trabalhadores não poderem criticar os órgãos do Sindicato.
Será defesa das liberdades e dos interesses dos trabalhadores os artº s. 24º, 25º e 26º em que a Direcção fica com plenos poderes disciplinares, para expulsar os sócios que não façam a propaganda da Intersindical? Será que estes "senhores" querem-nos impor no Sindicato a disciplina totalitária que é utilizada no partido deles?
A alínea i) do artº. 51º. diz-nos: "Admitir, suspender e demitir os empregados do Sindicato bem como fixar as suas remunerações de harmonia com as disposições legais aplicáveis". Quer isto dizer que a Direcção irá continuar a admitir todos os seus "amigos"?
Além do atrás referido, verificamos ainda que a Direcção pode "muito democraticamente" baseada no artº. 72º. manobrar o dinheiro do Sindicato conforme queira e lhe apeteça (ou entregando-o a outros trabalhadores ou encaminhando-o para outros fins desde que de acordo com os objectivos do Sindicato), não seria muito mais correcto que esse dinheiro fosse para o fundo de greve?
"Não é permitido o voto por procuração e por correspondência" (aliena b) do artº. 93º.). - Porque será que os sócios que estejam doentes não podem votar? Porque será que os sócios que não trabalhem em Lisboa terão que gastar em transportes Esc. 100$00 ou mais para vir votar?
Com estes Estatutos, pretende a actual Direcção fechar todas as portas do Sindicato à maioria dos associados, para assim se apoderar de todo o aparelho sindical e colocá-lo na órbita da CGTP-Intersindical.
Camaradas, um Sindicato assim NUNCA defenderá os interesses dos trabalhadores.
Daqui se conclui que estes Estatutos comparados com os do "tempo de fascismo" são muito mais "fascistas".

NÃO À DITADURA SINDICAL
SIM À DEMOCRACIA SINDICAL

O Secretariado do Núcleo PS - TLP
Lisboa, 10 de Maio de 1978



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