quinta-feira, 10 de maio de 2018

1978-05-10 - MANIFESTO ELEITORAL VOTA A - Sindicato das Telecomunicações

SINDICATO DAS TELECOMUNICAÇÕES

MANIFESTO ELEITORAL
VOTA A

Os trabalhadores sócios do Sindicato das Telecomunicações, vão ser chamados a escolher um programa e uma direcção para o nosso Sindicato. 
A LISTA A esteve à cabeça da luta dos trabalhadores das telecomunicações, contra a decisão arbitrária dos actuais corpos gerentes afectos à lista B, pela defesa dos direitos de mais de 400 sócios, que eram impedidos de exercer o seu direito de voto e de beneficiar da assistência do Sindicato para onde descontavam; era uma luta contra o princípio dos Sindicatos corporativo-fascistas dos "sócios que pagam e têm direitos” e "os sócios que pagam e não tem direitos"; era uma luta contra as forças reaccionárias que visam liquidar a democracia e a organização sindical dos trabalhadores, e pela defesa da democracia e dos Sindicatos nas mãos dos trabalhadores,

Esta vitória da LISTA A e dos trabalhadores das Telecomunicações e a derrota da linha e dos intentos dos actuais corpos gerentes do Sindicato, tem como primeira consequência a imposição da candidatura "LUTA-UNIDADE-VITÓRIA", e a imposição do direito de voto de todos os trabalhadores que pagam as suas quotas, independentemente de qualquer inscrição formal, cuja falta alias, deve ser imputada à actual Direcção.
Assim, os trabalhadores terão o direito de escolher o programa que melhor os serve o que no nosso entender é aquele que apresentamos à classe.

POR UM SINDICATO NAS MÃOS DOS TRABALHADORES
Vão estas eleições realizar-se num momento agudo da luta de classes no nosso país, decorrente de uma série de medidas antioperárias e antipopulares que o Governo PS/CDS tem feito abater sobre os trabalhadores, e que constituem um instrumento de agravamento das condições de vida do povo. Apresentadas como medidas para superar a crise, elas são na realidade uma forma do capital sair da crise em que se encontra à custa de quem trabalha.
Há uma revolta generalizada dos trabalhadores contra as medidas do Governo e que tem inteira justificação.
Porém a maioria dos trabalhadores portugueses, nestes 4 anos após o ”25 de Abril", tem visto por experiência própria que os seus justos anseios e aspirações imediatas e mais profundas, têm sido debeladas quer pelos vários Governos, quer pelos partidos políticos em que confiaram o seu voto, quer inclusivamente pelos seus organismos de classe (grande parte dos Sindicatos e CTs.) que embora aparentem estar contra as medidas dos Governos, o certo é que esses organismos (em especial a Intersindical e a Carta Aberta) têm sido as primeiras a dar o aval à política dos governantes, fazendo apenas fingidos protestos.
Hoje que o mais recente Governo da "ordem democrática" do "25 de Abril" acaba de lançar um agravamento de cerca de 25 por cento dos bens de 1ª necessidade, e eleva a desvalorização dos salários a mais de 50 por cento no espaço de um ano; que aumenta a electricidade em 35 por cento e o gás em 50 por cento; que se anuncia já nova desvalorização do escudo com a consequente subida dos preços e a desvalorização dos salários; que se decreta a proibição dos aumentos salariais para além dos 20 por cento durante todo o ano; que os patrões e o Governo se dispõem a aplicar sem tibiezas o decreto dos despedimentos (o 372A de 16 de Julho de 1975), defendido pela Intersindical e assinado por Vasco Gonçalves, apresentado em nome dos "legítimos anseios das organizações sindicais” e da “generalidade do povo trabalhador” e da "necessidade de institucionalizar o controlo da produção pelas organizações representativas dos trabalhadores" e no qual se prevê entre outras coisas, a legitimidade dos despedimentos pela simples "necessidade de extinção do posto de trabalho”, pela "não aptidão do trabalhador para as modificações tecnológicas, que afectem o posto de trabalho" (artº 14 nº 3).

PERANTE TUDO ISTO QUE FAZ A INTERSINDICAL?
Festeja como "grande vitória", o salário mínimo de 5.700$00 (e de 4.600$00 para os trabalhadores rurais) reivindicava 4.100$00 e 2.700$00) de subsídio de desemprego (excluindo ela própria os desempregados à procura do 1º emprego) e o Governo do grande capital pôde colocar-se à sua esquerda decretando 4.200$00 e 3.200$00; reivindicava o congelamento da contratação por 12 meses, medida que o Governo PS/CDS considerou sensata e adequada às circunstâncias e aos seus planos; não achou oportuno reivindicar, mas respeita e defende, os limites de aumentos de salários até ao máximo de 20 por cento e convocam manifestações para "protestar contra a carestia de vida" que no entanto acham e dizem ser "indispensável" e tentam desviar o descontentamento do povo, apresentando como "primeira e fundamental reivindicação a exigência do respeito pela Constituição”, à sombra da qual se mantém e aplica a lei dos despedimentos e se decretam os cabazes e a carestia.
Que cada trabalhador, retire as conclusões e veja de que lado está a sua classe, a defesa dos seus interesses e a lista e o programa que os defende.

PELA CONTRATAÇÃO COLECTIVA
Quando nós defendemos a fixação dos preços e a melhoria dos salários, defendem os patrões e o Governo a subida dos preços e a fixação dos salários.
Se nós lutamos pela redução de horários de trabalho ou pela defesa dos existentes, os patrões e o Governo pretendem aumentá-los.
Se nós pretendemos melhoria das condições de vida das classes mais desfavorecidas os patrões e o Governo levam à prática aumentos só para chefes.
Se nós pretendemos aumentos gerais iguais para todos, os patrões e o Governo vêm propor-nos aumentos em percentagem.
Contra a pretensão dos patrões e do seu Governo de imporem as suas condições de exploração opressão e miséria aos trabalhadores, através das portarias governamentais, com o apoio descarado da Intersindical e das Direcções vendidas, defendemos que os trabalhadores devem impor, através do Contrato Colectivo, as condições em que prestarão o seu trabalho.

ASSIM PROPOMO-NOS:
      1 - Defender, negociar e impor a celebração de CCTs ACTs que sejam uma arma na luta contra a carestia de vida, contra o desemprego, e pelo reforço da unidade dos trabalhadores.
Na Marconi os ACTs tem demorado muitos meses em negociações acabando o ultimo numa arbitragem que prejudicou os trabalhadores, e o ACT em negociação neste momento, não avança ficando em suspenso todas as cláusulas importantes, num momento em que a ADM pretende retirar grande parte das regalias conquistadas, e depois de um aumento só para chefes, pretende agora um aumento em percentagem que dá cerca de 800$00 para o escalão mais baixo e cerca de 3.900$00 para os administradores.
2 - Lutar com firmeza contra os despedimentos.
3 - A conquista da semana das 40 horas e de­fesa de horários inferiores já em práti­ca.
4 - Defender intransigentemente o direito à greve sem outras condições que não sejam as decididas pelos trabalhadores.
5 - Rever todos os CCTs ACTs que tenham sido assinados sem o acordo dos trabalhadores.
6 - Lutar pela garantia de protecção, segurança e higiene no trabalho.

PELO CONGRESSO DOS TRABALHADORES DAS TELECOMUNICAÇÕES
A LISTA A propõe-se lutar pela realização do Congresso dos Trabalhadores das Telecomunicações. Muito embora o processo deva ser conduzido pelas Comissões de Trabalhadores das várias empresas do sector, pensamos que a realização do Congresso não poderá nunca ser alheia aos Sindicatos, que nele deverão ter um papel activo de mobilização e apoio.
A importância deste Congresso, em cuja preparação já se realizaram 2 Encontros de Trabalhadores das Telecomunicações, estando neste momento o Secretariado Provisório a organizar um 3º Encontro preparatório, está bem patente nos pontos que irão ser objecto de discussão com vista a encontrar-se uma solução que sirva os trabalhadores:
Reestruturação do Sector.
- Controlo Operário.
- Intervenção Estatal, nesta indústria tendo em conta as multinacionais no campo da produção.
- Restrição as importações desnecessárias.
- Horário de trabalho para o sector.
- Organização sindical e organização das Comissões de Trabalhadores.
- Outras questões importantes.
Pensa a LISTA A que é da competência do Secretariado Provisório, constituído pelas CTs da AEP, ITT-Standard, SINTEL (CTT) SNTCT (CTT), Marconi, Cel-Cat, Cabos Avila, e TLP-Lx, levar por diante a concretização do Congresso, que é uma exigência dos trabalhadores do sector, que as circunstâncias actuais tornam urgente.
No caso de sermos eleitos daremos todo o apoio a esta justa iniciativa em curso, pois estamos cientes que os trabalhadores das telecomunicações podem vencer a crise que se abate sobre o sector.
É com confiança de que este programa, sendo em tudo distinto dos restantes, representa o caminho justo em defesa dos interesses dos trabalhadores das telecomunicações e da unidade do movimento sindical, que o apresentamos à discussão e votação de todos os trabalhadores.
POR UM SINDICATO NAS MÃOS DOS TRABALHADORES!
PELA CONTRATAÇÃO COLECTIVA!
PELO CONGRESSO DOS TRABALHADORES DAS TELECOMUNICAÇÕES!

VOTA LISTA A
LUTA UNIDADE VITÓRIA

COMPOSIÇÃO DA LISTA

DIRECÇÃO
Maria Umbelina Miranda das Neves Marcelino Alves de Sousa - Sócia nº 890 - 25 anos - Operadora de Telex e Telefone - C.P.R. Marconi DELEGADA SINDICAL
José Augusto da Silva Marques - Sócio nº 1255 - 49 anos - Técnico de Telecomunicações Standard Eléctrica - DELEGADO SINDICAL - MEMBRO DA CUT E DO SECRETARIADO PROVISÓRIO DO CONGRESSO DOS TRABALHADORES DAS TELECOMUNICAÇÕES.
António da Costa Carvalho - Sócio nº 1608 – 46 anos Técnico de Electrónica - RTP/Porto
Joaquim Rodrigues Cordeiro de Sousa Prata sócio nº 133 - 54 anos - operador Radiotelegrafista - CPR Marconi
Maria Fernanda Maciel Teixeira - sócia nº 675 - 32 anos - Anotadora - RTP/Lisboa
Jorge Barroso Alves de Sousa - Sócio nº 2488 - 26 anos - Empregado de Escritório - CPR Marconi - DELEGADO SINDICAL
Joaquim Costa Cordeiro de Oliveira - Sócio nº 1457 - 31 anos - Técnico de Telecomunicações - AEP/Plessey
Alberto da Silva Correia Lacerda - Sócio nº 1419 - 29 anos - Continuo - CPR Marconi - DELEGADO SINDICAL
António José Correia Lopes - Sócio nº 436 - 30 anos - Ass. Técnico - CPR Marconi
Carlos Alberto Saraiva Coelho - Sócio nº 1325 - 41 anos Técnico de Telecomunicações Standard Eléctrica
António Maria da S. Cardadeiro - Sócio nº 1403 - 33 anos Assistente Técnico - C.P.R. Marconi
Maria Manuela Monteiro Barbosa Ferreira da Silva Sócia nº 1992 - 26 anos - Operadora de Telex e Telefone - CPR Marconi
Luís Henriques Marques Salgueiro - sócio nº 2298 - 36 anos - Técnico de Electrónica - RTP/Porto Director da Delegação do Norte do Sindicato.
Armando Agostinho Baptista Rodrigues sócio nº 1990 - 34 anos - Técnico de Telecomunicações - AEP/Plessey
João Luís Teixeira da Silva sócio nº 2519 - 40 anos - Mec. Motores combustão interna CPR Marconi

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Amálio Guilherme Moreira Martins - sócio nº 1463 - 30 anos - Técnico de Telecomunicações Standard Eléctrica - DELEGADO SINDICAL SUPLENTE
António da Silva Monteiro - sócio 1866 - 47 anos - Técnico de Electrónica RTP/Porto
Ana Maria Gaspar Santiago - sócio nº 2512 - 24 anos - Operadora de Telex e Telefone CPR Marconi - DELEGADA SINDICAL
Joaquim João - sócio nº 1423 - 32 anos Mecânico de Aparelhagem Telegráfica CPR Marconi

SUPLENTES
Augusto Fernando Lobato Rocha - sócio nº 1510 - 31 anos - Operador Radio Telegrafista - CPR Marconi
Valério Alves - sócio nº 2048 CPR Marconi




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