sexta-feira, 4 de maio de 2018

1978-05-04 - O Povo de Guimarães Nº 010

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O POVO DE GUIMARÃES
veio para a rua reviver o 25 de Abril

Reviver o 25 de Abril de 1974, reviver a Unidade Antifascista, reviver a Unidade dos trabalhadores que vieram para a rua encurralar o fascismo e conquistar sucessivas liberdades, é reviver a alegria, a luta sem grandes oratórias, sem demagogia. Por isso o 25 D'ABRIL será sempre um marco histórico para o Povo Português, para os trabalhadores.
O 25 D'ABRIL foi uma grande festa do Povo. Não apenas - uma festa ritual romaria como tantas outras - mas sim uma festa libertadora e transformadora, em que o Povo na rua - como sujeito e não como objecto - derrubou o fascismo, aniquilou manobras reaccionárias, clarificou antagonismos e deu um grande empurrão para que os Trabalhadores encontrassem a sua identidade de classe e se distanciassem dos seus inimigos. E... qualquer acto libertador é uma festa, uma festa inteira.

Apesar dos obreiros do 25 D’ABRIL se encontrarem amordaçados, apesar de certas conquistas populares estarem ameaçadas - consequência de erros cometidos e dos acontecimentos contra revolucionários de Novembro de 1975 - o 25 D’ABRIL continua bem vivo; e comemorá-lo é dizer NÃO ao avanço das forças da Direita, é dizer NÃO ao fascismo. Comemorá-lo é dizer SIM a um Portugal justo, é dizer SIM a um Portugal independente, é dizer Sim a um Portugal Socialista.
Durante cinco dias, foi comemorado em Guimarães o 25 D'ABRIL - DIA DA LIBERDADE.
As comemorações foram constituídas por sessões de cinema infantil e representação duma pequena peça de teatro alusiva ao 25 D'ABRIL por todo o Concelho, e ainda um Concerto de Guitarra Clássica seguido de uma sessão de Cinema de Intervenção no Largo da Oliveira. Após esta ultima sessão de cinema, poucos minutos restavam para a meia-noite do dia 24. E à 12.ª badalada rebentaram algumas dúzias de foguetes anunciando a ALVORADA DE ABRIL. A essa hora já o Povo se havia concentrado no Largo do Toural para ouvir e reviver a transmissão da gravação sonora do Arranque vitorioso dos Capitães D'ABRIL. Foi um ponto alto nestas comemorações. E viu-se um Povo, misturando a emoção e a alegria, decidido a não esquecer «seu» 25 D’ABRIL e a levar ainda mais para a frente a determinação de jamais permitir que Portugal regresse ao que era dantes. Ouviu-se um Povo gritar a plenos pulmões: «FASCISMO NUNCA MAIS!» e «25 D’ABRIL SEMPRE!». Apesar do tempo «não estar» com o 25 D’ABRIL as massas populares continuaram noite fora, e à sua maneira, a demonstrar que o 25 D’ABRIL está bem vivo.
Às nove da manhã, os foguetes estalaram novamente como que para relembrar que este glorioso dia, mesmo chuvoso, continuava a ser festejado. Marcada para as dez horas a Pintura infantil, mural, não se efectuou, registando-se aqui a primeira vitória da chuva, impedindo também que a Fanfarra do CRCA percorresse as ruas da cidade para fazer ver aos inimigos do 25 D'ABRIL que este não morreu.
Ainda durante a manhã procedeu-se ao içar da Bandeira Nacional com a presença da Fanfarra dos BVG.
De tarde, por volta das 14h30, as ruas da cidade animaram-se com a passagem de crianças e jovens que levaram a efeito a Prova Pedestre 25 D’ABRIL que, iniciada no quartel dos Bombeiros, terminou no Estádio. Aqui, estavam já concentradas muitas pessoas para se integrarem na manifestação popular que, mais uma vez, iria trazer para a rua a sua Liberdade.
Porém, o tempo, agora mais se­vero, não permitiu que tal mani­festação se realizasse.
Mais tarde, o Povo Trabalhador concentrou-se no Largo da Oliveira onde, depois de se terem distribuído as lembranças «25 D'ABRIL» aos participantes na Prova Pedestre, foram lidas intervenções da Comissão Organizadora das Comemorações, de Comissões de Moradores, do Movimento Sindical e das Associações Culturais, relacionadas com o 25 D’ABRIL e a situação actual. Seguidamente actuaram ranchos folclóricos, um Grupo de Canto Popular e um outro de Teatro de Intervenção.
Durante estas comemorações, e apesar das más condições atmosféricas, o Povo não foi mero assistente, mas sim participante activo, revivendo entusiasticamente este dia e gritou, com ânimo:
VIVA O 25 D'ABRIL!
- Durante os cinco dias de comemorações esteve instalada permanentemente no Largo do Tou­ral uma cabine sonora que difundiu música revolucionária e popular.
- Durante todo o dia de 25 de Abril um camião alusivo ao 25 de Abril (com figuras vivas) percorreu as artérias da cidade.

João Macedo

José Casimiro

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