quarta-feira, 2 de maio de 2018

1978-05-02 - DE PÉ CONTRA A POLÍTICA SELECTIVA DO MEC! - UJCR



UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA

DE PÉ CONTRA A POLÍTICA SELECTIVA DO MEC!

O GOVERNO PS-CDS INTENSIFICA A SUA POLÍTICA ANTIPOPULAR!
Desde a sua tomada de posse que o actual governo não tem cessado de tomar medidas, como o aumento do custo de vida, de que é exemplo o pacote 3, a convivência com o avanço do fascismo, nomeadamente com os bombistas e os separatistas, e a submissão às exigências do FMI. Esta política visa tornar os ricos cada vez mais ricos, e fazer pagar ao povo a crise através de uma vida de fome e de miséria.

No ensino, o MEC, submetendo-se servilmente às exigências do FMI, intensifica a sua política selectiva que visa transformar o ensino num privilégio para os filhos dos ricos. O direito ao ensino proclamado na Constituição é letra morta para o Dr. Cardia. As suas recentes medidas, como a exigência de exames finais no final do 29 ano do Magistério Primário, que é o primeiro passo para a reinstauração dos famigerados exames do estado do tempo do fascismo, a criação de exames no 9o ano unificado em contradição aberta com os objectivos para que foi criado o ensino unificado, as tentativas de reestruturações reaccionárias dos cursos do ensino superior e a criação do 12° ano de escolaridade visam agudizar a selecção. Estas medidas vêm no seguimento de outras já tomadas pelo anterior Ministério de Cardia, como o ano propedêutico, os exames de aptidão, os 'numerus clausus', o ensino superior curto e a abolição das dispensas de exame do ensino secundário.
A política de Cardia, com o apoio firme do CDS, partido do 24 de Abril, não visa pois a dignificação do ensino como ele tanto apregoa.
A política reaccionária do MEC leva a que milhares e milhares de jovens se vejam privados do elementar direito ao ensino e se vejam lançados no desemprego sem quaisquer perspectivas de futuro. Os estudantes não estão mais dispostos a suportar esta política ruinosa para o ensino!
Após as medidas impostas por Cardia no final do ano passado e no início deste ano (na luta das cantinas), que lançaram a desmobilização em muitos estudantes, assistimos hoje a novas movimentações estudantis. A resposta dada pelos estudantes da Faculdade de Ciências ao atentado terrorista que destruiu a sua escola foi um primeiro passo que demonstrou a vontade dos estudantes irem para a luta.
Hoje cresce em todo o lado uma maior resistência à política anti-estudantil do MEC.
-  São os estudantes do Magistério Primário que irão levar a cabo uma greve nacional para o próximo dia 4, conforme aprovado no ENDAMP do passado dia 22, para demonstrarem a sua vontade inequívoca de mandarem os exames do 2° ano para o caixote do lixo.
-  São os estudantes do ensino secundário que se organizam para lançar uma ofensiva a nível nacional contra a drástica política selectiva no ensino secundário. Os estudantes do ensino secundário, fartos da demagogia dos fascistas, lançam-se em número cada vez maior na luta pela defesa das liberdades, contra os bandos nazis e contra política selectiva do MEC.
-  São os estudantes do propedêutico que, a par de lutarem contra os exames de aptidão, 'numerus clausus' e contra o próprio ano propedêutico, exigem a saída das notas antes de pagarem as propinas para o segundo semestre.
-  São os estudantes do ensino superior que lutam por saídas profissionais, que se opõem ao ensino superior curto, às reestruturações reaccionárias e selectivas do MEC, os aumentos dos ritmos de trabalho e contra os métodos de avaliação de conhecimentos selectivos.
-  São os trabalhadores-estudantes que exigem condições para poderem continuar os seus estudos e se opõem à política global do MEC.
Importantes sectores de estudantes estão em luta. É necessário transformar todas as pequenas lutas numa grande corrente, que englobe milhares e milhares de estudantes na luta contra o reaccionarismo do Governo e as exigências dos imperialistas.

CONSTRUIR A UNIDADE DOS ESTUDANTES NA LUTA CONTRA A POLÍTICA DO MEC É UM FACTOR DECISIVO PARA A VITÓRIA!
É necessário transformar o grande descontentamento que se apodera de amplos sectores de estudantes em luta aberta contra o Ministério. É necessário que se tragam para a luta novos e maiores sectores de estudantes. A política do MEC é abertamente anti-estudantil. A esmagadora maioria dos estudantes não a apoia. É preciso pois, transformar revolta surda dos estudantes em grandes acções de massas e, assim, construir uma forte unidade para a luta. Nos processos eleitorais que se avizinham é necessário dar corpo organizado a essa unidade e constituir listas progressistas e de unidade que defendam os interesses dos estudantes e lutem firmemente contra a política reaccionária do Cardia.
O Conselho Nacional da União da Juventude Comunista Revolucionária saúda todos os estudantes em luta e em particular os estudantes dos Magistérios Primários e reafirme a sua vontade inquebrantável de lutar contra o MEC reaccionário de Cardia, contra o fascismo e pela unidade e reforço do Movimento Estudantil.

Lisboa, 2 de Maio de 1978
O Conselho Nacional da União da Juventude Comunista Revolucionária



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