terça-feira, 1 de maio de 2018

1978-05-01 - 1.° de Maio 1886-1978 - Anarquistas


1.° de Maio 1886-1978

Faz hoje mais um ano que o proletariado universal acordou na luta pelas 8 horas de trabalho, por proposta dos Anarquistas, que por esse «crime» atraíram sobre si todo o ódio da burguesia esclavagista. A pretexto de um forjado atentado bombista — que depois se verificou ter sido uma provocação patronal — foram presos e condenados à morte 8 (oito) companheiros nossos. Depois, a três deles, foi comutada a pena de morte por largos anos de presídio. Os restantes: A. SPIES, L. LINGG, A. FISCHER, R. PARSONS, J. ENGEL, enfrentando a morte com grande bravura — enquanto o exército mantinha na impotência o povo enfurecido — foram enforcados em Chicago, no dia 11 de Novembro de 1887. Faz hoje 91 anos e 195 dias! Jamais esquecer, Companheiros!!!
Foi, precisamente, o mesmo que aconteceu aos anarquistas Nicolas Sacco e Bartolomeu Vanzetti, 41 anos depois, assassinados na cadeira eléctrica, no Estado americano de Massasuchets. Digno é de recordar que a viúva de Nicolas Sacco conseguiu formar um filho advogado, que foi aos U.S.A. exigir a revisão do processo que levou o seu pai à cadeira eléctrica e conseguiu provar que os anarquistas Sacco e Vanzetti estavam inocentes das infâmiaS de que eram acusados!!!!!
Os anarco-sindicalistas e trabalhadores revolucionários tinham resolvido fazer do Primeiro de Maio o símbolo da luta pela libertação do trabalho e de toda a Humanidade. Mas os partidos políticos do marxismo, congregados na 2.ª Internacional Socialista, reunidos em Londres, no ano de 1896, depois de terem expulso os delegados sindicais anarquistas, assim como personalidades como Pedro Kropotkine e Henrique Malatesta, resolveram desvirtuar o sentido revolucionário histórico do 1.º de Maio, dado pelos anarquistas, para fazer desse dia trágico para todos os trabalhadores, O DIA DA FESTA DO TRABALHO, de carácter reformista, politiqueiro, burguês e contra-revolucionário.
Depois da 2.ª Internacional marxista, já social-democrata, completamente recuperada pela burguesia parlamentar, aparece-nos a 3.ª Internacional Bolchevista, também marxista, politicante e totalitária, nascida do desvio ditatorial da Revolução Russa, que também dá ao 1.º de Maio uma interpretação muito festiva e reformista. Assim, nas chamadas democracias da 2.ª Internacional marxista, festeja-se o Dia do Trabalho com grandes paramentos e charangas e, na mesma altura, desfilam na Praça Vermelha moscovita, engalanada, as grandes máquinas de guerra, que servem em todo o Mundo, em primeiro lugar, para esmagar as aspirações manumissoras do povo trabalhador e de todos os amantes da Liberdade.
É assim como os partidos e governos, ditos socialistas, sociais-democratas, burgueses liberais, comunistas mesmo, têm conseguido fazer do l.º de Maio revolucionário aquela efeméride festiva, folclórica e carnavalesca a que chamam A FESTA DO TRABALHO. Neste dia, os políticos e os trabalhadores alienados que os seguem enchem as grandes praças gesticulando e vociferando, de punhos no ar, descarregando impotência e alienação, desfraldando bandeiras, bandei­rolas e galhardetes, até os chefes dizerem que são horas de irem para casa, «com a consciência do dever cumprido», até ao ano seguinte de festanças carnestolendas.
Hoje, muitas das reivindicações propostas pelos anarquistas, como a jornada de 8 horas, as lutas por mais umas migalhas de pão para os trabalhadores, a maior segurança e higiene no trabalho, a defesa das crianças e das mulheres lactantes, felizmente, já estão bastante ultrapassadas; outras motivações reclamam dos anarquistas a sua atenção, porque o anarquismo não é um ideal duma classe qualquer, é património da Humanidade inteira. Se alguma vez os anarquistas deram a liberdade e a vida pela classe trabalhadora era porque ela tinha e continua a ter razão. Mas se um dia esta classe sofredora, manipulada pelos políticos, pretendesse impor a sua suposta ditadura, encontrará pela sua frente a acção Justiceira do Anarquismo, tal como acontece hoje à burguesia e aos governantes, todos eles demagogos.
A luta pelo aumento dos salários, o dito SALÁRIO JUSTO, que Marx procurava, está ultrapassada e, em certa medida, é completamente contra-revolucionária. Se os trabalhadores ainda aspiram ao verdadeiro Socialismo, devem em primeiro lugar travar a luta pelo abaratamento do custo de vida e pela abolição revolucionária de todo o tipo de salários. O Socialismo só poderá ser implantado quando ninguém trabalhar por conta alheia e se tenha abolido a economia de mercados; quando os géneros de primeira necessidade tenham o valor das areias das praias, mesmo ao pé das baixas-marés e só sirvam para o consumo público.
Os anarquistas nunca contemplaram os Primeiros de Maio como um rodopiar de efemérides de natureza religiosa e lutuosa, como mais um soluço pelos nossos mortos recordados. Para nós, cada l.º de Maio, representa a necessidade de vir para a rua manifestar o nosso descontentamento e dar cumprimento ao acordo do Maio Revolucionário dos Mártires de Chicago e todos quantos têm caído pelo caminho. Mas, precisamos de estar atentos aos desgastes dos conceitos e das tácticas, porque a mudança dos tempos e das circunstâncias tudo desgasta e corrompe, e se os anarquistas não acompanhassem todas as evoluções, deixariam de ser revolucionários e guias de um futuro Libertário.
A tarefa imediata que se propuseram os MÁRTIRES DE CHICAGO foi a implantação da Jornada de 8 horas. Morreram eles — e dezenas de milhões — sem verem esta conquista generalizada, mas hoje, está ultrapassada, porque já há monopólios da burguesia capitalista que aconselha universalizar a jornada de 6 horas. No fim do século passado, quando se deram os acontecimentos trágicos de Chicago, quando o marxismo foi alinhavado, era de natureza económica a problemática social, com horários de trabalho de 12 a 14 horas (e mais!!!) com criancinhas a trabalharem nas fábricas e nas minas. Hoje, a muito custo, estamos vencendo essa etapa e as aspirações populares já se encaminham, decididamente, para as conquistas morais, a dignidade e a Liberdade para todos.
A COOPERATIVA CULTURAL EDITORA FOMENTO ACRATA, vem neste Primeiro de Maio - 78 reafirmar com maior firmeza a sua total confiança na eficiência dos métodos Libertários dos anarquistas para a solução de todos os problemas sócio-económicos nas relações humanas. Sabemos que ao Homem lhe convém ser justo e fraternal com o seu semelhante, mesmo que sejam duvidosas as qualidades das suas origens. Admite a filosofia anarquista que o Homem nasce puro e que é o convívio com a maldade que o torna pior. Mas, ao fim e ao cabo, importa-nos muito pouco se o Homem nasce bom ou mau. O que muito importa é o tipo de sociedade que pretendemos implantar, porque sendo fortes, justas e humanitárias as suas estruturas moral, fraternal, serviçal e libertário será o Homem que daí advenha, tal como as guias que orientam em pequenas o futuro das grandes árvores.

MUITA ATENÇÃO TRABALHADORES!!!!!
Este nosso l.º DE MAIO, não é o Europeu folclórico e tradicional MÊS DAS FLORES, AQUELE QUE HÁ-DE VIR DEPOIS DE ABRIL, em que se canta, «se emborca e se dança; em que os oirados, doirados e chafolenias, bem polidas, vêm para a rua como que a desafiar o brilho do próprio sol. Assim, ao som de timbales e pandeiros, com amêndoas, figos e aguardente, o bom povo ATACA O MAIO».
O Nosso Maio é o MAIO das lutas reivindicativas da classe trabalhadora, das provocações patronais, das cargas policiais, das prisões em massa, das forcas ao alto, do assassínio de 5 do Vossos companheiros anarquistas, de outros condenados a presídio por toda a vida. Este dia de LUTA, que há 111 anos vem mandando, em todo o Mundo, para a Morte, para as cadeias, para os hospitais e para os desterros, centenas de milhares de heróicos lutadores!!!!!
Se os vossos chefes, manipuladores do sindicalismo partidário, profissionais da política eleitoreira, pretenderem distrair-vos com circos, charangas, cabeçudos e «slogans»... respondei, Companheiros Trabalhadores, com: 1 MINUTO DE RESPEITOSO SILÊNCIO, PARA OS MÁRTIRES DE CHICAGO, E, JÁ!!!!!

C.C E.F.A.

— LEDE OS PERIÓDICOS E REVISTAS ANARQUISTAS E LIBERTARIAS: A Batalha, Acção Directa, Voz Anarquista, Ideia, Satanaz, Apoio Mútuo, Pasquim, Combate, A Acção, Sabotagem, Agitação, Guerra Social


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