quarta-feira, 9 de maio de 2018

1978-05-00 - Resposta Nº 01

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A REVISTA QUE TEMOS NA IDEIA

Resposta, Revista Cultural?
Que Revista? E que Cultura?
Uma Cultura que se mede pelo lugar que nela desempenha o Homem, pelos fins e pela maneira como são utilizados os conhecimentos, pela apropriação que dela fizerem as massas populares.
Uma Cultura que é feita do saber, do conhecimento científico, que pressente os valores da beleza, na natureza como nas artes — e que se exprime sobremaneira no sentimento de solidariedade, não apenas de cada um com os da sua família, da sua aldeia, da sua pátria — mas solidariedade do homem com os outros homens e povos do mundo.

E Cultura para quem?
Colocamos o acento tónico na apropriação que da Cultura é feita pelo povo trabalhador "visando despertar a alma colectiva das massas”, na expressão de Bento de Jesus Caraça (1), remetendo assim as elites intelectuais para o seu papel próprio, necessário mas limitado, no caminho do progresso. Uma Cultura colocada nas mãos das classes que dela farão um instrumento libertador e não de mistificação.
Uma Cultura que não esquece, tão pouco, que a condição primeira para a usufruir é que o homem seja económica e socialmente livre; daí que a Cultura se ligue estreitamente à luta de cada povo pela liberdade e pelo pão, contra todas as formas de opressão e de exploração.
Mas a Cultura em que estamos a pensar situa o homem na sua relação com a natureza, com o trabalho - daí que a sua concepção se forme no modo como encontra resposta para as suas necessidades concretas em cada momento (2) (como se alimenta, como se defende, como se veste, como constrói as suas aldeias, como manifesta a sua alegria, etc.)
E que revista temos na ideia?
Resposta dará preferência aos temas que mais têm a ver com as necessidades do progresso da sociedade e deverá dirigir-se não apenas aos sectores intelectuais no seu sentido tradicional mas aos sectores mais largos de trabalhadores avançados que pretendem formar-se na compreensão mais profunda dos fenómenos.
Os temas serão divididos de acordo com algumas das disciplinas tradicionais do saber e da cultura. Mas a realidade é una. Por isso, desenvolveremos acções pluri-disciplinares sempre que, e à medida que a Revista para tal tiver capacidade.
Procuramos privilegiar a qualidade e o rigor dos trabalhos publicados sem prejuízo de utilizar uma linguagem clara. Pretendemos aliar os textos de análise com a procura de respostas para os problemas concretos da vida que se colocam ao nível do quotidiano.
Não pretendemos para a Revista um tom monocórdico. Sendo a sua plataforma bem definida e sem ambiguidades, a sua força residirá também na vontade de enfrentar o terreno da polémica e da luta de ideias. Não há avanço sem luta e nós buscamos esse terreno, preferindo, às análises intelectualizantes e rebuscadas, as que se centram nas necessidades prioritárias do avanço da sociedade.
A Redacção procurará ser lata na publicação de textos que se integrem neste espírito, reservando-se o direito de fazer acompanhar alguns artigos da sua própria posição, ou promover os debates ou polémica organizados.
No âmbito da sua actividade cultural, Resposta anuncia desde já o lançamento dos Jogos Florais a realizar-se nos próximos meses e que com satisfação apresentamos aos nossos leitores e amigos.
Esta é a Revista que temos na ideia, o projecto que a FAPIR coloca nas mãos do colectivo de redacção da Resposta. É este o desafio.

NOTAS
  (1)    Bento de Jesus Caraça (Conferências, 1931; 1933)
  (2)    Reunião Nacional de Cultura (Maputo, 1977)



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