segunda-feira, 14 de maio de 2018

1978-05-00 - O Cone Nº 03 - MES


O CONE Nº 3 MAIO 78
JORNAL DO MES PARA O SECTOR TÊXTIL 

Façamos do II CONGRESSO uma arma contra a miséria e o desemprego
Realiza-se de 19 a 21 de Maio, na Covilhã, região com grandes tradições de luta no Sector, o II Congresso dos Trabalhadores Têxteis. Esta é uma realização que vem demonstrar que não foram em vão os grandes passos dados no sentido da UNIDADE, com o encontro de Ofir em 1975 e o I Congresso em 1976, no Porto (onde a reacção paga pelos patrões pôs uma bomba) e donde resultou a união de todos os sindicatos do sector numa só Federação.
É preciso pois que o II Congresso reforce a nossa unidade e seja uma arma contra a miséria e o desemprego que os patrões e o Governo PS/CDS nos querem impor.

PACOTE A PACOTE CADA VEZ PIOR
Na realidade o nosso Congresso vai decorrer numa altura em que o Governo PS/CDS cede às exigências do imperialismo através do FMI nos está já impondo o 3º pacote de medidas que são altamente prejudiciais para os trabalhadores pois fazem subir o custo de vida (alimentação, transportes, etc.) de modo escandaloso e arruínam a maior parte das pequenas e medias empresas aumentando ainda mais o desemprego ao mesmo tempo que aprovam um Orçamento onde aumentam também os impostos e diminuem as despesas em sectores como a educação e a saúde que são necessidades essenciais como.

ERGUER A RESISTÊNCIA POPULAR ACTIVA
Contra o Governo PS/CDS, contra o aumento do custo de vida, contra a política dos pacotes só erguendo uma forte RESISTÊNCIA POPULAR ACTIVA poderão os trabalhadores fazer frente à ofensiva do Governo e de toda a direita reaccionária que o apoia ou ainda quereria que ele fosse pior.
Só deste modo poderemos criar as condições que permitam parar a ofensiva da direita, inverter a relação de forças a impor um GOVERNO DE UNIDADE POPULAR que defenda e aprofunde as conquistas alcançadas após o 25 de Abril.
Até agora os trabalhadores não têm estado parados. Muitas lutas dentro e fora do nosso sector se desenvolveram nos últimos tempos: Punção Pública, Professores, jornada de luta da Madeira e muitas empresas em luta. Mas é preciso reforçar este e caminho. Também a criação da CNA - Confederação Nacional de Agricultura é um grande passo na organização dos pequenos e médios camponeses de todo o País e por isso o PSD e o CDS vieram logo a dizer mal (eles gostam é da CAP - do Casqueiro e do 25 de Novembro) Mas é preciso reforçar este movimento e unifica-lo na JORNADA NACIONAL DE LUTA já aprovada no plenário de sindicatos da CGTP-IN!

PATRÕES E GOVERNO AUMENTAM DESEMPREGO
No sector têxtil o problema mais grave é o do desemprego. No espaço de menos de 2 meses temos os seguintes casos: Oriental (Lisboa e Porto) 600 trabalhadores, há ano e meio que o patrão fechou a empresa, Fextex (Porto) - 430 trabalhadores vendem stoks para sobreviver, Arnaldo Abreu (Santo Tirso) 69 despedimentos e 26 suspensões invocando incêndio, Soares Correia & Soares (Lisboa) faliu - 70 trabalhadores; Têxtil Progresso de Covas (Guimarães) faliu - 187 trabalhadores; Mondarel (Coimbra) 42 despedimentos depois do regresso do patrão, António Elisiáno (Covilhã) despedidos 19 dos 22 trabalhadores; Riopele (Famalicão) 8 despedidos (depois de 7 no ano passado); Algot (Povoa de Varzim), vendida a uma empresa Holandesa, 1.200 trabalhadores parados; nos Chapeleiros de S. João da Madeira faliram quatro empresas - 184 trabalhadores; Félix e Ferreira - 9 suspensões sem prazo e sem salário; Arrentela - 2 despedidos; Moscavide - 5 empresas em perigo de falir - 3750 trabalhadores.
Pois face a este panorama grave o Governo aceita subir a taxa de juro (o credito da Banca fica impossível) e desvalorizar o escudo (as matérias primas ficam mais caras) em vez de pensar em apoiar o sector e fazer uma reconversão que garanta os postos de trabalho!

SOBEM OS PREÇOS!
E OS SALÁRIOS?
O nosso II Congresso tem por isso de aparecer um programa concreto, que não seja para ficar no papel de luta contra o desemprego e por melhores salários, para conquistarmos o COTUV! Na realidade o que vemos é que apesar de com a nossa luta termos conquistado o ano passado aumentos (médios) de 22$, eles são ainda tão baixos que os mínimos do sector (5.000$00) que a Portaria estabeleceu, já foram ultrapassados pelo recente aumento do salário mínimo para 5 700$00, o qual também já está a ser comido pelos aumentos do Cabaz e outros! Quase metade dos trabalhadores do sector ganha pelo salário mínimo (ou menos...) Por isso temos de lutar contra o congelamento de 20% que o Governo pretende impor e defender que as lutas por melhores salários nos diversos sectores sejam unificadas pelos sindicatos e a CGTP-IN, pois só assim conseguiremos vencer na actual situação.


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