terça-feira, 22 de maio de 2018

1978-05-00 - CONTRA A DESINTERVENÇÃO EM FRENTE PELA NACIONALIZAÇÃO! - PCTP/MRPP



Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

AOS OPERÁRIOS DA LUSALITE E AO POVO DA CRUZ QUEBRADA


CONTRA A DESINTERVENÇÃO EM FRENTE PELA NACIONALIZAÇÃO!


Entendeu a C.T. da LUSALITE, por sua decisão de 23/5, marcar para o dia 3/6, as eleições para a sua substituição.

Os operários da LUSALITE devem interrogar-se sobre as razões por que estas coisas ”acontecem” e como "acontecem”, relacionando o que se está e irá passar na sua empresa com o que foi a actividade e o comportamento da C.T. agora demissionária, sobretudo no que respeita à condução da luta contra o regresso do patrão sabotador.

Os operários da LUSALITE devem compreender que não é por acaso que a C.T. anuncia a sua demissão (ou, o que vem a dar no mesmo, a sua substituição) ao mesmo tempo que informa que se vai discutir no Concelho de Ministros o problema da desintervenção da LUSALITE.

Numa altura em que o partido revisionista de Barreirinhas Cunhal (que controlou a "Comissão ” demissionária e controlará a sua sucessora agora introduzida por lista única) - numa altura em que esse partido traidor mostra a sua verdadeira face de partido vende-operários, provando que nunca esteve contra os patrões, antes andou ao longo destes meses a preparar o seu regresso em ”paz” e ”segurança” - é numa altura assim que a C.T. entendeu retirar-se da cena, para colocar em seu lugar uma "Comissão" que, passando por ser "nova", tem, no entanto, sobre si o peso e a responsabilidade de todas as traições da sua antecessora. E isto porque desta se não distingue quer pela cor quer pelo passado com prometido dos seus elementos componentes.

Os operários da LUSALITE devem saber que o processo de desintervenção da LUSALITE (juntamente com os da Maiombe, da Grão-Pará, do Grupo Prainha, da Navotel, do Grupo Touring Club e da Maal-Mármores do Algarve) foi uma das últimas medidas anti-operárias aprovadas pelo Governo Burguês do Dr. Soares e devem interrogar-se sobre as razões por que o partido revisionista de Barreirinhas Cunhal e seus caciques, que sabem muito bem como, onde e quando estas coisas são feitas, nem uma palavra de protesto e indignação soltaram.

Os operários da LUSALITE devem saber que a sua situação e o seu futuro não estão desligados da situação e do futuro dos operários de outras empresas intervencionadas, como a J. Pimenta e a Grão Pará, nem da situação política actual e do futuro da Revolução no nosso país.

Os operários da LUSALITE não podem esquecer que ao grande alarido e demagogia do P"C"P "contra a recuperação capitalista e o regresso dos patrões" se sucedeu a traição revisionista na Mampril dos Santos Batalha, na Marrott, na Auto Reconstrutora do Barreiro e tantas outras onde os esbirros da PSP e da GNR, "convertidas” e "democratizadas" pelos Governos do companheiro Vasco, investiram com fúria assassina contra os operários em luta.

Os operários da LUSALITE sabem, alias, que o chamado Secretariado das "Comissões de Trabalhadores” das empresas com intervenção do Estado, de que a C.T. da LUSALITE tem participado, não fala já a impedir a devolução das empresas aos patrões, e trabalha afanosamente em negociar a sua entrega mediante acordo que se traduzirá numa partilha entre os velhos patrões sabotadores e os novos patrões parasitas e burocratas dessas "Comissões”. Não é outro o significado da solução de EMPRESA MISTA de que falam esses senhores nos seus comunicados acerca da Grão-Pará”, da J. Pimenta, da Fundição de Oeiras, etc. Deixar metade do capital para os "pequenos" e "médios" accionistas não é senão um ardil que consiste em criar uma seita de testas-de-ferro e mandatários dos monopolistas, que se retirarão para lhes dar um lugar na altura oportuna. Ademais, os "pequenos” e "médios" accionistas, vítimas da concorrência própria do sistema, não tardariam em ceder às pressões dos monopolistas que tenderiam a ocupar as suas posições, directamente ou por interpostas pessoas, por força da lei da concentração capitalista.

Os trabalhadores das empresas intervencionadas, ameaçados de despedimentos em massa, sabem - porque o aprenderam ã própria custa traduzida num extenso rol de traições e ataques feitos aos seus mais elementares direitos e conquistas - que a política das desintervenções, prosseguida pelo Governo do P”S” desde que se alcandorou ao poleiro, é a política do regresso dos patrões, dos fascistas e sabotadores.

Os trabalhadores destas empresas sabem igualmente que a política do P”C"P é a verdadeira e única responsável pela situação que se está a criar quanto às empresas intervencionadas:

Primeiro, porque se opôs à nacionalização dessas empresas, quando estava no Governo, designadamente nos estrangeiro, quarto e quinto Governos Provisórios de Vasco Gonçalves;

Segundo, porque tomou de assalto a administração da maioria das empresas intervencionadas, servindo-se do apoio do MFA e do COPCON, e catapultando para as cadeiras dos administradores os caciques social-fascistas, agentes de Barreirinhas Cunhal;

Terceiro, porque malbaratou e, em muitos casos, desviou em proveito próprio os dinheiros e fundos dessas empresas, deixando-as numa situação de banca rota económica e financeira;

Quarto, porque a administração social-fascista da maioria dessas em presas, de mãos dadas com algumas Comissões de Trabalhadores oportunistas, ou com alguns elementos oportunistas de certas Comissões de Trabalhadores, oprimem e Perseguem os trabalhadores de muitas das empresas intervencionadas, indo ao ponto de despedir e lançar no desemprego aqueles trabalhadores que mais firmemente se levantavam e levantam contra o jugo dos revisionistas do P"C"P e seus satélites;

Quinto, porque divide os trabalhadores, para sobre eles poder mais facilmente reinar, fazendo-os perder a confiança nas suas próprias forças e na capacidade da classe operária para resolver, ela própria, a crise à sua maneira;

Sexto, porque o chamado Secretariado das empresas intervencionadas é uma organização traidora, montada pelos social-fascistas nas costas dos trabalhadores e contra eles, que pratica uma política oportunista de duas caras: aos trabalhadores, diz que está contra as desintervenções, e ao Governo diz que concorda com elas em nome do "pacto social".

Os trabalhadores das empresas intervencionadas sabem perfeitamente que não serve aos seus interesses de trabalhadores nem a política da desintervenção, nem a política da intervenção sob controlo dos social-fascistas.

Os trabalhadores das empresas intervencionadas devem exigir a continuação da intervenção, mas sob controlo dos próprios trabalhadores e das suas Comissões de Trabalhadores democráticas, representativas e dispostas a lutar até ao fim em defesa dos direitos do Trabalho Contra o Capital.

Os trabalhadores das empresas intervencionadas devem opor à política Governamental da desintervenção a política operária da nacionalização dessas empresas e do controlo, da produção e do consumo pelos trabalhadores.

Os operários e demais trabalhadores da LUSALITE devem preparasse para o combate, reforçar a sua organização, expulsar os agentes do inimigo,- do seu seio, e persistir na luta pela escolha; de uma: Comissão de Trabalhadores democrática, constituída pelos operários e outros trabalhadores quer se distingam pelas suas posições de intransigentes defensores da classe e que jamais virem a cara à luta, já que não restam dúvidas que a Comissão hoje "eleita” (se o chegar a ser...) nunca será uma Comissão para os defender. Uma Comissão nascida da traição não terá para oferecer aos operários mais do que derrotas e traições.

Unindo-se aos trabalhadores em luta nas restantes empresas interven­cionadas, os operários e demais trabalhadores da LUSALITE devem preparar-se para a luta, reforçar as suas organizações limpando-a dos agentes do inimigo aí infiltrados, demitir o actual Secretariado social-fascista, e escolher um novo Secretariado, representativo e defensor da sua vontade.

A organização do PCTP/MRPP na CRUZ QUEBRADA, ao mesmo tempo que exorta os operários da LUSALITE a lutarem arduamente em defesa do seu pão e do pão de suas mulheres e de seus filhos, conclama o Povo desta zona a manifestar o seu apoio e solidariedade activa, cerrando fileiras em torno da justa luta dos operários da LUSALITE. CONTRA O REGRESSO DO PATRÃO E PELA NACIONALIZAÇÃO DA EMPRESA.


 A CÉLULA DO PCTP/MRPP – C. QUEBRADA.




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