quinta-feira, 31 de maio de 2018

1973-05-31 - FPL no Estrangeiro Nº 07 - FPL


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Até quando
PORTUGAL PAÍS DE PUTEDO?

Eu vou explicar o que entendo por putedo. Uma mulher, serve-se de seus encantos físicos, de sua utilidade passageira e, em troca de dinheiro ou de outras conveniências, dá seu corpo; é uma puta. Um homem é burro, mas filho de rico. Vai estudar para Lisboa ou Coimbra e não consegue passar nos exames. Não importa. O pai tem dinheiro, dá presentes a este e àquele, e o filho passa a ser inteligente e acaba em doutor ou, como usa dizer-se, "força viva da Nação". Uma puta!

Um homem é ambicioso e invejoso, isto é, pequeno; incapaz, de ser Homem; fraco, vicioso, reles. Não tem carácter, nem inteligência nem virtude. Não importa. O Governo manda suas mulheres do soalheiro (padres, regedores, professores, bufas, oficiais da policia ou exercito) investigar e escolher. E fá-los agentes da Pide. Eles aceitam logo. Para que serviriam eles? São homens dispostos a tudo; vendem-se em troca de protecção e de um osso. Mais uma puta... Um homem faz-se padre. O evangelho diz-lhe que deve ser pobre e amar os pobres; casto e amar os castos humilde e amar os humildes; que, sendo todos "filhos de Deus", não deve haver no mundo mais do que uma classe: a dos que trabalhem e vivem de seu esforço. Mas depressa ele se dá conta que para comer, dormir e viver bem, sem nada ou muito fazer, é pregar o que deve e fazer o que não deve. Que quem faz bispos, constrói igrejas, paga seminários, dá distinções sociais e pre­bendas; é quem tem poder e dinheiro. E quem tem poder e dinheiro é, fatalmente, anti-cristão. Pois bem; ele faz-se com essa gente corrupta "tão simpática" e, em nome dos céus, passa a compreender as bacanais da opressão; vende-se. Mais uma puta. Um homem é operário; um insonso, um analfabeto, imbecil mas manhoso, sedento de dinheiro, como uma vaca, com o cio, é sedenta de macho. Vê o futuro, sem futuro. Desesperado, pede ajuda ao céu. E o céu envia-lhe um padre, um sargento, um polícia e diz-lhe: - tu podes ser um homem!
- Eu ser um homem?, responde o insonso. - Sim, meu filho! Vais trabalhar para casa do professor Cintra, fazer de homem para toda a colher: arrotear a horta, alindar o jardim, ir aos recados, apertar parafusos de cadeiras, dizer ao professor "nosso senhor o guarde", quando ele arrotar... - Só isso?, diz o espertalhão do saloio. - Exacto! Apenas, mas um pequenito pormenor: queremos saber quem ele recebe, o que lê, o que pensa, o que come, o que bebe, o que diz. Em troca, terás Uma casa da Previdência e mais quinhentos mil reis por mês!
- Oh meu Deus! Que fiz eu para merecer tamanhos benefícios? diz o saloio.
Pois bem: é uma puta...
Um homem forma-se em medicina e é perito em futebologia e pitologia. Abre escritório; os clientes não aparecem. Ele já tem dois carros; um, para a semana de quando ninguém o vê; outro para o domingo, quando todos se embasbacam, vendo passar o "senhor doutor”. Ora, é preciso não só parecer, mas ser rico. Que quem não parece e é rico, não é ninguém, em Portugal... Parece-se rico, assinando letras; é-se rico, pagando-as pontualmente. O tipo é um homem sem escrúpulos; a Pide sabe disso e manda-lhe um amigalhaço de Coimbra;
- Ó Ranheta! Ora tu, por estas terras do demo, perdendo ingloriamente teus talentos! Tu, um génio! Ouve lá, não pertences à ANP? Oh! é um crime não pertencer a esta organização, percebes? Aquilo ali, é democracia pura... e enfim, arranjam-se conhecimentos, cunhas, lugares etc. e tal percebes?
O dr. Ranheta faz-se membro da ANP. E passadas semanas, é nomeado especialista nas Caixas de Previdência Social, onde tem oportunidade de fazer engolir seu génio a todo o desgraçado que vai lá chorar sua doença. Uma puta...
Um homem tem um jornal; é alguém. Todo o mundo, pensa ele, olha para Lisboa, a ver o que ele vai parir. Mas o público não compra; é um país de analfabetos e de pelintras. Mas ele tem “deveres” sociais? deve pôr "categoria" em todos seus passos, mesmo quando vai urinar . Enfim, ele gosta de dar seu arroto calmamente e seu pontapé no cu dum redactor atrevido, que, sabendo escrever, ousa ser atrevido! Ele necessita de máquinas novas; de mudar de amante e de fato. Um dia, o nosso homem recebe a visita do ministro Bibi.
- Ouve lá! Bibi, tu tens um talento dos diabos, necessário à Nação. A nação precisa do ti e de teu jornal. E olha que o mundo, agora, é dos caetanudos. Ouve lá: sê republicano e até maçónico, se assim o queres; ninguém te dirá nada; mas, Bibi sê gentil, sê realista, compõe-te! Caetano manda, gostes ou não. Compreende-nos e tudo será mais simples para ti. Sabes uma coisa? O Tomaz pensa dar-te uma condecoração! E depois, precisas disto ou daquilo? Enfim, é só dizeres! E continuas a ser livre, é claro… livre, é claro, clarinho...
O homem em questão é director do "Século”, do "Diário de Noticias", do "Diário Popular", da "Época"? Pois bem: puta!
Eles defendem Salazar e os seus. Intransigentemente. Mais tarde, o porco morre. Vem outro, de falinhas mansas; é conveniente mudar do tom; admitir injustiças e abusitos, para tirar uma arma das mãos dos revolucionários; enfim, para fingir que todo o mundo é pela bondade e pelo amor. Pois bem: eles desdizem o que ontem disseram. São putas!
Um homem tinha sonhos. Queria botar figura nos jornalecos da Parvónia, que "todo o mundo admira". Comedor de papel, declamador de palavras caras e de citações, vai ver-se ao espelho das retretes de Lisboa "à beira-mar plantada" e fica gago de espanto: então não era evidente o luzir do génio nos seus olhos murchos? Mas quê! Oportunidades do grilo! Ninguém dava por ele… Ninguém dava por ele? Oh não. Um porco tinha falecido e outro tinha chegado, de óculos, bonitaço, sorridente, ainda que borrado de cuecas só de ler um Manuel Rio qualquer.
- Oh António Alçada Batista! Até parece impossível que ninguém te visse homem, durante tantos anos! Tu és um génio, segundo me diz o Gaspar Simões, fabricante. Ouve lá: o que eu preciso é de liberais como tu. Eu já disse ao nosso amigalhaço do "Século” que tu eras um católico às direitas.
- Verdade?
- Claro, homem! Bota palavra na "Vida Mundial”, como o Saraiva. A nação precisa de ti para esclarecer o "rebanho". Diz que tudo mudou ou vai mudar de camisa e de soutien; que a partir de hoje, tudo se passará entre manos, hein?
O Batista, assim fez, dando graças a Deus pela sua infinita bondade. Que puta!
Mas havia um outro “democrata", filosofo, cientista, lá para as bandas de Paris; exilado, o pobre! Exilado, embora o    irmão chegasse a ministro do Salazar e ele burguês bem nutrido. Mas enfim, era necessário exilar-se em Paris, para ganhar uma certa “patine” ou classe e ser democrata dos quatro costados. Exilado, dizia ele, por causa do porco falecido. Chega outro porco do curral do regime, elevado na porcaria da porquei­ra nacional, mas bonitão, de derrear as mulheres. E vai dai, telefona a Paris: - Ó senhor doutor Saraiva? Como vai v. Excelência? Ouça lá: porque gosta de viver em Paris? Homem, venha-se embora, que isto não é nenhuma terra de bandidos! A patriazinha precisa de si. Venha-se. Os seus livros? O porquito do Salazar não o deixava publicar seus génios? Mas eu deixo. E o “Século”, a "Vida Mundial", as rádios e televisões estão à espera para lhe divulgarem os talentos...
- Mas... responde o Saraiva (ele pensou-o mas não o disse,  o finório!) porque, não decreta vossa excelência uma amnistia geral, liberdade de imprensa e de reunião, eleições livres para todos? – Mau! Ouça lá, ó Saraiva, isto tem que ir devagar que estes "carneiros" por aqui não são saraivas. Não se vai abrir sem mais nem quê, as portas a toda a gente! Seria o fim da nossa Sucia-dade! Enfim, da civilização cristã e ultramarina! Mas você venha-se, homem! Venha-se!
E o senhor doutor Saraiva, com o livrito de Mao-Tse-Tung debaixo das brilhas, foi-se. E uma voz na capital do mundo dos génios, à beira Tejo, confiou, aos jornais embasbacados, suas asneiras, suas cobardias, suas pequenezas. O Chiado ouviu e disse: -Oh! Vê-se logo que viveu em Sciat Germain de Près e no quartier Latin! Oh! Enfim, uma puta...
O homem é bispo. Queria que lhe dessem o antigo palácio dos bispos. Não deram. Queria, que o fizessem cardeal. Não fizeram. Queria desatrapalhar a Igreja, comprometida até aos cutanos, com a ditadura de seu compadre, o chulo do Estado Novo. Em 1958, há um terramoto politico em Portugal, com o herói general Delgado. A coisa, vai, não vai; a revolução era capaz de vir... A cortesã, de cruz de oiro ao peito, vem à janela e vê a onda ameaçadora, a onda popular... E zás, foge para dentro, põe de lado as habilidades de velha puta da viela, agarra no Evangelho e vai ao bispo do Porto:
- António, ataca o porco. Se ele perder, estamos safos. Se ele ganhar, encomenda-te à divina Providência! Que ela te proteja dos maus olhados.
O António atacou. O porco, ganhou. O António, porque era bispo (e só por isso) pode fugir em paz para um dourado exílio. Entretanto, morre o porco e vem outro, engordado no mesmo curral mas de focinho mais lavado, cagão mas sorridente. E diz-lhe: - António, os tempos mudaram. Eu quero tornar isto mais moderno, para que não se riam muito de nós. Ajuda-me e serás um homem livre; ajuda-me a salvar esta civilização crista ocidental.
O António voltou à patriazin­ha, amada e disse: - presto homenagem ao senhor presidente do Conselho, que me paro e um homem digno, animado das melhores boas vontades... etc.
O António foi assim reintegrado na sua, diocese. Que grande puta, não é?
Um homem já velho, apaixonado por nosso Senhor, pelos pneus Mabor e pelo Banco de Portugal é um plebeu, um primário intelectual. Mas estudou em Coimbra, a "maior universidade da Europa”. Era amigo do porco do Salazar. O porco disse-lhe: - Manel, eu te faço cardeal e te simplificarei tudo, desde que te não ocupes de política, isto é, desde que finjas que não vês e que não ouves. Que te ocupes, quando te vierem assobiaria à janela, apenas do "reino dos céus"! O Manel pensou achou correcto. E, quando lhe iam bater à porta homens aflitos sem trabalho; resistentes aflitos perseguidos; filhos de presos torturados; trabalhadores sem protecção nem segurança, o Manel cardeal benzia-se, olhava o céu em êxtase e dizia:
- o meu reino não é deste mundo!
Era ou não uma puta?
Um homem era um medricas, antigo frade, pobre de capacidades mas rico de torvas ambições. Não reparavam nele; ou se reparavam, era para o apodar de “Lagriminha”. Emigra para Paris e faz-se do contra. Vira socialista e anarquista para que o vejam. Um dia, o embaixador convida-o para almoçar:
- Ouça lá, doutor Silva Martins! Porque é você do contra?
- Bem... eu sou sou do contra e não sou. Isto é, eu sou do contra, porque não sou a favor; mas se for a favor, deixo de ser do contra... Enfim, depende!
- Pois claro! Continue a ser do contra; mas ajude-nos, homem! Seja patriota! A naçãozinha precisa de si. Você pode ser útil, chamando ao “bom caminho“ os outros do contra. Você pôde ser um homem chave no nosso xadrez, Paris pulula de revolucionários e descontentes. Martins, Portugal necessita imenso de si. O Martins não hesitou já sabia que não poderiam prescindir dele! E pronto, fez-se puta!
Um homem é, por vezes, mulher! Escritora célebre, do Minho Pequim. Exilou-se. Era do contra, mas femininamente pacifista. Sua profissão: fazer, com outros, abaixo assinados pela democracia! O porco morre e outro reco, do mesmo curral, mas modernaço, rabo torcido, focinho contente, barriga atestada, se instala como chefe de Pide-lândia. E manda um pide a Paris!
Ouça lá, Maria Lamas! Você por aqui? Por aqui a perder-se, mulher? Não tem saudades do verde tinto? Porque não volta para Portugal? 
A mulher ficou radiante: até que enfim que a compreendiam! - A pátria vinha ao seu encontro, ao encontro de seus méritos. E disse:
- Eh! "Eu sou do contra, hein ? Eu não vou mudar agora com esta idade, hein? Mas, ouço lá, seu Pide, isto de voltar é de lei, isto é, para todos, ou só para mim?
O pide não sabia que responder. Era superior às suas faculdades. E telefonou para o patrão, para saber que resposta der aquele diabo de mulher tão... tão inteligente. E depois de ouvir o assassino do Silva Pais, condecorado pelo Espírito Santo (isto é, pelo Papa Paulo VI), voltou à presença da senhora dona Maria Lamas:
- Minha senhora, disse o pide, o convite só foi feito à senhora e a outros, como e senhora; gente de valor, injustamente afastada da Nação... Enfim, a dona Maria, que gosta de falar que nem uma metralhadora, pode voltar para dizer suas coisas; a ”Vida Mundial" etc. lá estarão para comunicar aos mundos abastados as suas declarações. Compreende que nem tudo pode voltar e que não se trata duma lei, mas… como dizer? duma atenção ao seu emérito valor!
- Está bem, senhor pide, disse Maria Lamas. Sabe uma coisa? Julgava que os pides eram feios, estúpidos, maus, assassinos e vejo que nem todos… Enfim, há fascistas e fascistas, não é? Como há comunistas e comunistas, não é mesmo? Não é senhor pidito?
- E Maria Lamas voltou. Vendeu-se. Uma puta! Ontem, fugiu para o exílio. Hoje volta à patriazinha. Onde está a coerência? Porque fugiu ontem? Porque voltou hoje? Ou já não existe fascismo, já não há ditadura no Portugal caetanudo? Se existe, não fez sentido voltar. Se não existe, porque se fala nele?
Uma cantora cantava, como cantam milhares e menos bem que cantam dezenas. Amava o luxo, o champagne, o perfume, o triunfo social. Um dia, ajoelhou diante do nossa Senhora de Fátima o, chorando, disse: - Mãezinha, ajuda-me a ser alguém e dou-te quantas velas houver na loja da esquina. A "mãezinha", segundo ela, disse-lhe: Minha filha, vivemos numa sociedade cristã, como sabes. Por isso mesmo, tens que ir à missa e ser boa menina com os que a "Providência” colocou à frente deste Reino. Eles é que podem fazer e desfazer, minha filha. Agarre-te aos directores de Bancos, embebeda-te e dorme com eles, mas nunca te esqueças (isso é o importante!) de rezar a tua avé-mariezita antes de fazer amor. Faz-te salazarista, que Salazar foi escolhido por Deus, meu filho. O que Salazar fizer na terra, será feito no céu; o que Salazar desfizer na terra, será desfeito no céu. Canta, sê puta e boa cristã portuguesa. Dá esmolas e contribuí para a construção de novas igrejas. E deixa-te proteger pela santa Pide (antigamente chamada santa Inquisição!).
A mulher, igual a dezenas de outras que existem em Portugal, e são "vedetas internacionais", seguiu o conselho de Nossa Senhora. E tanto assim que, pondo-se, de repente, a recitar Marx, foi convidada a ir cantar o faduncho em Moscovo e Leninegrado, em 1969! Fruto de seu "internacionalismo” de vedeta ou de macabras combinações? Nossa Senhora o poderá dizer. O certo é que, a Amália, que vai escrever suas memórias por intermédio de um dos "maiores escritores, de língua portuguesa" (Portugal Popular, Maio 1973) cresceu, em graça e em fama. Chorou o fado dos outros. Chorou, entre arrotes de champagne um dia, a Pide disse-lhe: - Amália Rodrigues, a Nação precisa de ti. Anda pelos Brasis, o valdevinos ateu e não comunista do general Humberto Delgado. Aquele homem é um perigo para a Nação e apoiara o partido comunista português. Se ele não morre, acaba por conquistar, o poder, com o apoio de mais de 70% da população. E se ele o conquista nós vamos fora e o partido deixa de o conquistar só para ele, como é seu desejo. Ora nós, tal como o partido, somos os únicos detentores da Verdade revelada; nós, da verdade do Cristo (do tacho); eles, da verdade do Lenine! Por isso, Amáliazinha, és capaz de nos liquidar o general? Enfias-te no restaurante que ele costuma frequentar, cantas-lhe um fado, fazes o teu "marido” oferecer-lhe 1.000 contos para “libertar Portugal” e depois, com sorrisos, e peidinhos penetras na cozinha do restaurante para "preparar um menu especial para,... o nosso, querido general" e… zás é tal como o Bórgia tinha o habito de fazer, deitas no bolo, estes “pozinhos santos" e o general estica a bota, em quatro tempos. O resto, abranjamos nós! Até o partido, todo contente, esfregará os olhos, em cebolas, para chorar publicamente a morte do “grande anti-fascista”!
A cantora compreendeu. Ela sempre compreendeu. Por isso é célebre e nada lhe falta. Por isso sempre foi puta. Seria por isso que ela foi a Moscovo por indicação do glorioso PCP?
Chegados ao fim deste artigo evocativo da triste realidade nacional que explicam, no fundo, a longevidade do fascismo, preguntemo-nos: - O que entendemos por puta o putedo? Normalmente, esses vocábulos entendem-se no sentido físico da mulher que, em troca de dinheiro, vende sua integridade física, ou seja seu sexo, ou seja uma das forças fundamentais do homem. E, é frequente também, mesmo nos meios populares, adoptar-se tal classificação para aqueles ou aquelas que, em troca de dinheiro, situações, favores especiais, não devidos nem por lei nem por força dos que os desejam, vendem sua integridade moral, que é o equivalente da integridade sexual. Farta de miséria ou sedenta de prazeres, e facilidades, a mulher vende-se é puta. Farto de exílio, de humilhação, farto da luta contra o mal ou sequioso de glória e prazeres, um homem mostra-se compreensiva com os violadores da integridade moral e intelectual; descrente da luta, descrente do povo que diz querer servir, o individuo aceita o piscar de olhos da Pide e cede à volta. Acaso pensou ele que o simples facto de regressar é um acto positivo de propaganda a favor do regime fascista? Acaso pensou que volta, não por força da lei soberana, igual para todos os cidadãos, mas por favor, por especial atenção do regime? Sem dúvida que pensou. Mas a natureza é fraca e, no fundo, que fizeram todos esses lutadores cansados, para abater o chulo do Governo, que transformou um país de antigos heróis em rebanho amorfo, de putas?
Deixamos isto à apreciação: de nossos militantes e leitores. Aguardamos que nos escrevam, dando-nos sua opinião sobre este tema.

Manuel RIO.







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