segunda-feira, 21 de maio de 2018

1973-05-21 - Vivam os heróis do povo! - MRPP


Vivam os heróis do povo!

HONRA A RIBEIRO SANTOS

JOSINA TU MÃO MORRESTE
Josina tu não morreste porque assumimos as tuas preocupações e elas vivera em mim.
Não morreste porque os interesses fundamentais que defendias foram integralmente recebidos por nós, como herança.
Definitivamente te separaste de nós, e a arma e mochila que deixaste, esses teus instrumentos de trabalho, fazem agora parte da minha carga.
O sangue que deste é uma pequena gota no muito que já demos e temos ainda que dar.

A terra vive dos fertilizantes e quanto mais adubada ela é, melhor a árvore cresce, maior é a sua sombra frondosa, mais saborosos se tornam os frutos.
Do teu pensamento farei a enxada que envolve a terra rica do teu sangue.
E crescerão os frutos novos.
Que a revolução alimenta-se do sangue dos melhores que temos, daqueles que mais amamos.
Assim a missão do teu sangue: fazer dele exemplo vivo a ser assumido, misturá-lo profundamente com terra criadora, para que ela nunca seja inútil.
 A minha alegria é que como patriota o mulher morreste duplamente livre, neste tempo em que cresce o poder novo e a mulher nova.
Nos últimos sofrimentos pedias desculpas aos médicos de não os poder ajudar.
A maneira como aceitaste o sacrifício é uma fonte inesgotável de inspiração e coragem.
Quando um camarada assume tão intensamente os novos valores, ele ganha o nosso coração, torna-se nossa bandeira.
Por isso, mais que esposa, foste irmã, camarada, companheira de armas.
Como chorar um companheiro de armas, se não empunhando a arma caída e prosseguindo o combate.
As minhas lágrimas nascem na mesma fonte em que nasceu o nosso amor, a nossa vontade e vida revolucionárias.
Por isso as lágrimas são determinação e juramento de combate.
As flores que caem da árvore vêm preparar a terra para que novas o mais belas flores cresçam na estação seguinte.

A TUA VIDA CONTINUA NOS CONTINUADORES DA REVOLUÇÃO.

Samora Moisés Rachel
7 de Maio de 1971

Augusto N’gangula
HERÓI DO POVO ANGOLANO
No dia lº de Dezembro de 1968 AUGUSTO N’GANGUIA um menino de 12 anos de idade, foi feito prisioneiro por uma companhia de tropas coloniais fascistas portuguesas, quando dirigia da sua aldeia para a escola do MPLA, situada numa base de guerrilha próxima.
Todos os dias, Augusto N'Gangula, filho de camponeses pobres duma região semi-libertada, neto de camponeses explorados e oprimidos por 5 séculos de jugo colonial, bisneto de camponeses escravizados e vendidos pelos portugueses para as roças da morte de S. Tomé - todos os dias Augusto N’Gangula percorria duas vezes o itinerário de alguns quilómetros que separava a terra em que ele mesmo já trabalhava, da escola onde aprendia pela 1º vez a ler, a conhecer o seu país, a amar o heroísmo sem limites do seu povo, forjando com suas próprias mãos o seu destino de independência e liberdade nacionais.
Naquela altura, a sua arma era uma escola de pano contendo livro e cadernos escolares do MPLA. Os soldados colonialistas portugueses ameaçaram-no, bateram-lhe e torturaram-no. Mas da boca de N’Gangula não saiu um só queixume ou uma única informação. Ele jamais indicaria aos inimigos do seu povo o caminho que conduzia à base das guerrilhas.
Impotentes diante da firme consciência política da criança, derrotados face à sua invencível determinação, os monstruosos soldados colonialistas portugueses abateram-no a golpes de catanga. Nasceu mais 1 mártir do povo angolano, um novo herói da sua nobre, gloriosa e justa luta.
Em Portugal, a burguesia colonial imperialista que explora, oprime e humilha o povo português ao mesmo tempo que humilha, oprime e explora os povos heróicos de Angola, Guiné e Moçambique - instituiu o 1º Dezembro como o dia da juventude fascista. Esse é o dia dedicado pela ditadura da burguesia à exultação histérica do chauvinismo, do patrioteirismo nauseabundo, do racismo e do colonialismo; um dia destinado à exaltação da podre, decadente, moribunda ideologia reaccionária dos opressores e exploradores das amplas massas populares do nosso país e dos países coloniais.
Deformados na sua consciência de classe por uma tal ideologia reaccionária, incorporados à força e enquadrados pela escumalha de oficiais fascistas e mercenários, os soldados do exército cometem diariamente sobre os povos das colónias toda a casta de patifarias e de crimes os mais monstruosos - de que o cobarde assassinato do heróico patriota angolano Augusto N'Gangula é apenas um exemplo entre tantos. Um exemplo e um espelho.
O heroísmo de N'Gangula é o heroísmo do seu povo. Recusando-se a indicar ao inimigo o caminho da base de guerrilhas, N'Gangula apontou aos seus compatriotas - velhos e novos, homens e mulheres - o único caminho a seguir: o caminho da luta, da independência, da liberdade e da vitória!
Do 1º de Dezembro reaccionário, colonialista da juventude fascista nasceu par o povo de Angola, através do exemplo luminoso de N’Gangula ainda menino, um 1º de Dezembro novo, angolano e revolucionário.
Assim o interpretando o Comité director do MPLA proclamou aquela data o dia do pioneiro angolano. Essa é uma jornada em memória de N'Gangula e uma jornada de homenagem às crianças angolanas combatentes. Uma jornada de luta.
O exemplo do heroísmo do pioneiro Augusto N’Gangula foi seguido por milhares de outros pioneiros que se bateram e se batem de armas na mão contra as tropas colonialistas da burguesia portuguesa. Estes pioneiros, crianças verdadeiramente livres e responsáveis, participaram já em numerosos combates, defendendo as suas escolas nas regiões libertadas e atacando sem descanso o opressor estrangeiro. São a certeza de uma Angola independente!
Mas o heroísmo de Augusto N’Gaugula não é apenas um exemplo para o povo angolano - para o seu povo - Ele é um exemplo para a juventude de todos os países que aspiram à liberdade e à independência nacional.
Ele é também um exemplo e um motivo imperioso de reflexão para os filhos dos operários e camponeses e demais juventude progressista e revolucionária de Portugal. Amanhã - ou hoje mesmo - a camarilha marcelista chama-vos às fileiras do exército colonial fascista, veste-vos uma farda, mete-vos nas mãos uma espingarda. Seguidamente manda-vos matar e morrer em nome da classe dos patrões, na defesa dos interesses deles, dos capitais deles e do estado deles.
Vós deveis saber que por cada tiro saído da boca da vossa arma, em nome da classe dos patrões, se destina à vossa própria classe, aos vossos aliados, aos vossos próprios pais e aos vossos próprios irmãos. Em última análise se disparardes em nome da burguesia vós estareis a matar-vos uns aos outros para que ela se alimente e triunfe do vosso fratricídio. Isso, vós não fareis nunca.
Em nome do povo, em nome de todos os explorados e oprimidos, no vosso próprio nome, vós deveis segurar firmemente essa arma e jamais deixar que ela vos seja arrancada das mãos. Vós deveis recusar-vos a embarcar para as colónias, desertando sempre com essa arma.
Essa arma - que os patrões adquiriram com o vosso, próprio suor e agora vos entregam para que, com ela, vos mateis uns aos outros - vós deveis preservar como a menina dos vossos olhos e, chegado o momento oportuno virá-la resolutamente contra os patrões, as suas polícias, os seus exércitos, libertando inteiramente a vossa classe da escravidão assalariada, da exploração e da opressão.
Hoje e mais do que nunca, a burguesia sente-se obrigada a passar-nos para as mãos uma espingarda. Nós, operários, camponeses e demais revolucionários estamos obrigados a resolver, de acordo com os interesses do povo, as 3 questões seguintes:
COMO Usá-la?
QUANDO Usá-la?
CONTRA QUEM Usá-la?

"LUTA POPULAR", nº 9
Janeiro/Fevereiro

HOUANG KI-KOUANG
HERÓI  DO POVO CRIMES

Houng ki-Kouang nasceu em 1930, numa família de camponeses pobres da aldeia de HSINGFA, no distrito de Tchougkiang, província de Setchouan. O seu pai esmagado pelo trabalho que lhe impunha o proprietário das terras em casa de qual estava empregado adoeceu e foi despedido. Sem di­nheiro para se tratar morreu chorada por toda a família. A mãe ficou sozinha com muitos filhos para alimentar, vivia na miséria chorando muitas vezes às escondidas. Um dia, Houng Ki-KOUANG disse-lhe -”Mãe, não te preocupes irei guardar as vacas do dono das terras e assim terá menos uma boca para alimentar".
Houang KiKouang ainda não tinha 12 anos quando entrou como guardador de vacas em casas do proprietário das terras. Este não lhe dava tempo para respirar, mas não satisfeito com isso, batia-lhe, insultava-a e não lhe pagava Houang KiKoang teve que regressar a casa.
Um dia, quando pescava camarões na Ribeira com o seu irmãozito, um cão enraivecido atira-se a eles mostrando os dentes. Houang Ki-Kouang apressou-se a afastá-lo com uma vara de bambu. Nestas circunstâncias chegou Lou Tsouo-Fu, um vadio da aldeia, que matou o animal e, gritou satisfeito:
-"Desta vez, ao menos, vou-me consolar!"
 Este cão pertencia ao chefe da aldeia, Hou Che-Foung, que gozava dos seus poderes para oprimir os pobres. Este acorreu e, sem procurar explicações, agarrou Houang Ki-Kouang:
-"Ah! foste tu que mataste o meu cão”. Está bem! Vais dar a volta à aldeia levando-o às costas!"
A mãe de Houang Ki-Kouang apressou-se a vir discutir com Hou Che Poung. Mas, apoiado por Lou Tsoue-Fu, o vadio, o chefe da aldeia exigiu que Houang Ki-Kouang lhe pedisse perdão de joelhos. A criança respondeu:
"Eu não tenho nada que lhe pedir perdão, porque não fui eu quem matou o seu cão". Depois conseguiu escapar-se das mãos de Hou Che Poung e fugiu a toda a velocidade.
Foi debaixo deste regime que cresceu Houang Ki-Kouang. Não foi senão depois da sua libertação pelo Partido Comunista que as pessoas pobres do seu país natal se apoderaram e se tornaram senhores do seu destino. A sua família recebeu um bocado de terra e a sua sorte melhorava de dia para dia.
Em 1950, quando o imperialismo americano desencadeou a sua guerra de opressão na Coreia, para em seguida atacar a China, Houang Ki-Kouang, indignado, procurou juntar-se aos voluntários para defender a sua Pátria.
Pouco tempo depois, a boa notícia da sua entrada no exército foi-lhe transmitida. Louco de alegria, entrou a correr em casa para anuncia:
- "Mãe, estou alistado!" disse ele tomando-lhe as mãos. Sua mãe vendo-lhe os olhos cheios de lágrimas, disse-lhe com um sorriso:
- "Vê em que situação te vais meter.”
No dia da sua partida, todas as pessoas da aldeia escoltaram os novos recrutas até à saída da aldeia ao som de trombetas e de tambores. Antes de o deixar, a mãe de Houang Ki-Kouang disse ao filho:
- "Não te aflijas com a família, obedece aos teus chefes para dares duros golpes nos agressores americanos!" Houang Ki-Kouang respondeu:
- "Fica descansada, mãe recordar-me-ei de tudo o que me disseste e esforçar-me-ei ao máximo."
Houang Ki-Kouang chegou à Coreia com o exército. Cidades e aldeias tinham sido completamente destruídas pelos bombardeamentos. Muitos velhos mulheres e crianças tinham sido massacrados. Houang Ki-Kouang sentiu crescer em si a raiva. Furioso, exclamou:
- "É preciso vingar o povo da Coreia, fazer pagar aos imperialistas americanos todas as suas dívidas de sangue!"
Chegado à frente de combate, Houang Ki-Kouang foi designado como agente de ligação numa companhia.
Um dia, durante a batalha de SanKumrgung, Houang Ki-Kouang teve que acompanhar o seu chefe ao posto de comando para uma reunião; no caminho este perguntou-lhe:
- "Pequeno Houang, os combates não te assustam?". Ouvindo estas palavras, Houang Ki-Kouang pensou: "Há certamente uma nova tarefa mais importante!" e os seus olhos brilharam de alegria.
- "Eu não tenho medo." - diz ele. Para defender a minha Pátria e a paz no mundo, peço que me dêem uma tarefa mais perigosa!"
O chefe pôs-se a rir: "Eu tenho confiança em ti e espero que te distinguirás ao longo da batalha."
A batalha de SangKumrgung atingia o auge. A companhia de Houang Ki Kouang tinha por missão atacar quatro colinas. Os soldados desembaraçaram-se de um combate encarniçado com o inimigo e apoderaram-se depressa de três colinas. Mas tentando o assalto à quarta, viram-se de repente debaixo do fogo das metralhadoras que vinha de um abrigo blindado, escondido no flanco da colina e não podiam prosseguir.
Nesse momento, veio do Partido Comunista a ordem de ocupar esta colina antes da aurora. Ora, o tempo passava. O comandante, inquieto, pensava que para conseguir a vitória era preciso mandar alguém destruir o abrigo, mas quem?
-"Comandante, confiai-me esta tarefa eu prometo cumpri-la", gritou Houang Ki-Kouang.
-"Comandante, deixai-nos ir com ele”, disseram dois outros agentes de transmissões, Wou Lan-Yang e Tchou Hona-Yu.
-"Bom, concordou, o comandante já apertou a mão de Kouang Ki-Kouang dizendo: Vós sois bons soldados. Eu estou convencido que vós levais a salvo esta missão, Houang Ki-Kouang, vai aí com estes dois camaradas."
-"Comandante, eu cumprirei a missão que me pede a pátria, respondeu Houang Ki-Kouang. Esperai a notícia da nossa vitória!"
Depois ele partiu com os dois soldados.
Rastejaram para o abrigo. Como o inimigo atirasse, furiosamente na sua direcção tiveram de abrigar-se numa trincheira. Julgando-os mortos, o inimigo parou de disparar. Houang Ki-Kouang e os seus companheiros aproveitaram esta oportunidade para continuar a rastejar e esconderam-se numa outra trincheira.
Houang Ki-Kouang percorreu o terreno e depois ordenou a Wou Dan-Yang| para atrais o fogo do inimigo sobre si atirando com a sua pistola metralhadora, enquanto que Tchou houa-yu ele próprio continuava a avançar.
Na trincheira, Wou Lan-Wang não parou de disparar, mas depressa tinha os carregadores vazios. Sob o fogo denso do inimigo, ia lançar alguns cartuchos gastos; foi então que foi morto. O inimigo dirigiu imediatamente todas as suas metralhadoras sobre Houang Ki-Kouang e Tchou Houa Yu; este foi gravemente ferido.
Vendo os seus companheiros cair um após outro debaixo do fogo do inimigo, houang Ki-Kouang sentiu crescer em si uma cólera violenta. Resolveu liquidar à sua conta todos estes adversários, para vingar os seus companheiros.
Debaixo desta chuva de balas que fazia voar pedras e pedaços de terra à sua volta, houang Ki-kouang foi de repente atingido em três locais; o sangue jorrou das feridas e perdeu os sentidos.
As metralhadoras inimigas crepitavam sempre.
As dores fizeram Houang Ki-Kouang tomar consciência. O sibilar penetrante das balas continuavam. Juntou todas as forças e lançou a sua última granada; um grande estrondo retiniu; as metralhadoras inimigas apagaram-se. Com o impulso, Houang Ki-Kouang desmaiou novamente, as tropas começaram o assalto, mas para sua surpresa metralhadoras inimigas puseram-se a disparar de outro local.
Houang Ki-Kouang recobrou pouco a pouco os sentidos; quando viu que o fogo inimigo impedia ainda as tropas de avançar, a cólera invadiu-o. Serrando os dentes sujeito a dores atrozes, continuou a rastejar para o abrigo
Quando estava a poucos passos do abrigo levantou-se e dirigindo sobre o inimigo o olhar furioso, foi de salto obstruir a seteira com o seu corpo.
Obstruída a seteira, os nossos soldados carregaram imediatamente e a bandeira vermelha foi implantada nesta colina.
Quanto a Houang Ki-Kouang, encontramos nele sete feridas; tinha dado a sua vida pela pátria. A narrativa dos feitos heróicos de Houang Ki-Kouang, espalhou-se depressa por todo o país; esta foi uma magnífica lição para os soldados e as massas. Houang Ki-Kouang viverá para sempre no coração do povo.
VIVA A CULTURA POPULAR DA CHINA!
EM FRENTE POR UMA CULTURA DEMOCRÁTICA E POPULAR PORTUGUESA, CIENTIFICA, PATRIÓTICA E DE MASSAS!





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