quarta-feira, 9 de maio de 2018

1973-05-09 - GREVE ÀS AULAS - Movimento Estudantil


GREVE ÀS AULAS
5ª feira - todo o dia
6ª feira - das 10 às 13h

Os estudantes de Engenharia sabem que a agudização da repressão só se pode responder reforçando a luta contra ela e pelos objectivos que a mesma procura pôr em causa, por isso reuniram-se e decidiram fazer greve às aulas como cedida de solidariedade para com a luta dos estudantes de Lisboa contra a presença da polícia e dos vigilantes (gorilas) nas escolas; contra o encerramento da Associação de Medicina do Porto, suspensões, multas e processos disciplinares; pela libertação dos colegas presos e, mais ainda, como medida de defesa da Editorial de Engenharia ameaçada de encerramento.

Os últimos acontecimentos mostram que o governo não desarma na sua sanha repressiva e está disposto a alegrá-la se não encontrar una barreira que o obrigue a paralisar e a recuar nos seus processos e acções repressivas.
A proibição da Reunião dos Professores do Técnico, a prisão de mais de 70 estudantes na Faculdade de Ciências e Economia, na 3ª feira, uma vez mais ocupadas pela Polícia que impediu a realização duma R.G.A. de Economia, a ocupação policial a partir das 13h.30n uma vez mais da Fac. de Ciências, a introdução de novo dos gorilas da Faculdade de Letras de Lisboa, a prisão de mais onze estudantes do Técnico, etc são a expressão correcta do carácter terrorista da ofensiva governamental contra a luta dos estudantes portugueses.
Mas, se nos últimos dias a repressão se tem agudizado a luta dos estudantes Portugueses tem manifestado um vigor que reflectir os profundos anseios progressistas dos estudantes e a compreensão que eles têm da hora que passa. A hora que passa é hora de luta!
A concentração de 1 000 estudantes do Técnico junto do Director a protestar contra o encerramento do Instituto, contra a proibição duma reunião, e contra a nota de 30 de Abril da Pide, as greves parciais decretadas até 5ª feira nas R.G.A. do Técnico e Medicina, a greve da Faculdade de Letras de Lisboa contra os gorilas desde terça feira da semana passada, o sova no Pide que se introduziu na Associação de Medicina de Lisboa a greve decidida ontem nas R.G.A. do Liceu D. Manuel II e da nossa Faculdade comprovam a disposição dos estudantes enfrentarem firme e colectivamente a política de calúnia e de matraca contra eles dirigida pelo Governo para desse modo destruir o seu movimento, que dia a dia se reforça na defesa dos interesses dos estudantes e se solidariza com a luta do Povo Português.
Com a última nota publicada pela Pide o governo tenta isolar o Movimento Associativo da população abrindo caminho para uma "justificação" perante ela da ofensiva repressiva que preparara e está tentando levar a cabo. Reafirmar e divulgar o sentido da nossa luta junto do povo português, deve ser a forma de neutralizar as calúnias do Governo.

QUE OS ESTUDANTES DE ENGENHARIA COMPAREÇAM NA FACULDADE E PARTICIPEM ACTIVAMENTE NA GREVE!
A lenda que o governo vai propalando, através dos meios de informação de que detém o monopólio, de que afinal os milhares de estudantes que nas escolas lutam na defesa dos seus interesses e contra a política reaccionária e anti-democrática de ensino não passam de "meia dúzia de agitadores e ainda por cima cabeludos e drogados" deve uma vez mais ser desmentida.
Por isso estamos certos de que os estudantes de Engenharia revelarão na 2ª e na 6ª feira a nossa clara disposição de lutar comparecendo na Faculdade, participando nas acções que irão ser levadas a cabo para fazer cumprir as decisões adoptadas na R.G.A., discutindo os seus problemas em sessões que para tal se venham a realizar e estreitando os laços de amizade e camaradagem que nestes dias se reforçam.
A nossa greve deve permitir-nos a consolidação e o reforço da nossa organização para que possamos empreender uma batalha contra a intensificação do carácter selectivo do ensino, nomeadamente contra o decreto que limita a três o número de matrículas a qualquer cadeira, o decreto que limita a duas as cadeiras atrasadas por semestre para passar de ano e pelo fim das aulas no dia 4 de Junho.
Para que assim seja é imperiosa a presença de estudantes na Faculdade.
Erguer uma barreira à repressão significa neste momento construir um amplo movimento de protesto contra a actual situação e ao mesmo tempo intensificar a luta pelas reivindicações mais sentidas pelos estudantes.
POLICIA FORA DA UNIVERSIDADE E DAS ESCOLAS!
CONTRA AS BALAS ASSASSINAS!
SOLIDARIEDADE COM A LUTA DOS ESTUDANTES DE LISBOA!
PELO FIM DAS AULAS NO DIA 9 DE JUNHO! PELA ABOLIÇÃO DO DECRETO DAS 3 INSCRIÇÕES!
TODOS NA FACULDADE NA 5ª E 6ª FEIRA!
PARTICIPA NOS PIQUETES DE GREVE!

PORTO, 9 de Maio de 1973
A direcção da Associação de Engenharia



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