segunda-feira, 7 de maio de 2018

1973-05-07 - Reunião Geral de Alunos - Movimento Estudantil


Reunião Geral de Alunos
3ª feira 11h

Os últimos dias foram para os estudantes portugueses dias de grandes lutas e de desesperado terror repressivo, pois as autoridades não encontraram outra resposta às justas reivindicações estudantis que não fosse o terror com rajadas de metralhadora, cargas policiais, cercos e prisões. Em Lisboa a situação atingiu um ponto culminante deixando um estudante às portas da morte. Em Coimbra, aquando da distribuição de um comunicado a informar dos acontecimentos de Lisboa a polícia invadiu Ciências e prendeu um colega. No Porto foi o encerramento da Associação de Medicina, a ameaça de encerramento da Editorial Engenharia, as chamadas à Pide de estudantes e a presença da polícia nas escolas para impedir qualquer reunião. A acrescentar a tudo isto há a prisão do nosso colega Madeira Costa do 4º ano de Electrotecnia que se encontra em Caxias desde o 1º de Maio, preso em Lisboa aquando da viagem de estudo que este curso efectuou na semana passada.

Mais uma vez não foram as rajadas de metralhadora, nem outras formas repressivas que conseguiram calar os estudantes. Estes sabem que quando estar a comer numa cantina pode significar a morte ou quase, como aconteceu em Lisboa não há outra alternativa senão erguer bem alto a bandeira das suas reivindicações e caminhar decididamente para a frente, pois só assim se pode fazer recuar a repressão.
Por isso os estudantes de Lisboa, a seguir ao espingardeamento, fizeram greves na maioria das escolas, concentraram-se aos milhares e vieram para a rua mostrar o seu repúdio por aqueles que disparam balas assassinas.
Por isso também o 4º ano de Electrotecnia, face à prisão do nosso colega, não cruzou os braços, antes pelo contrário reuniu durante a própria, viagem, foi a Caxias e antecipou o seu regresso ao Porto para continuar a luta pela sua libertação. Hoje há uma reunião de curso para decidir quais as formas de luta a adoptar.
Os estudantes de Engenharia deram já provas que não estão dispostos a calarem-se, pelo contrário solidarizaram-se com os colegas vítimas da repressão e suspenderam algumas aulas no sábado, por sugestão dos piquetes informativos; só uma turma não aceitou a sugestão, havendo mesmo assim um aluno da mesma que se recusou a permanecer na aula.
Neste momento impõe-se que colectivamente tomemos as posições que obriguem as autoridades a libertar o nosso colega Madeira Costa que se encontra eu Caxias; que manifeste o nosso repúdio pelas rajadas de metralhadora sobre os nossos colegas de Lisboa e as invasões policiais das escolas de todo o país; que não permita que as autoridades encerrem a Editorial; que defina as normas de conseguir as nossas reivindicações pedagógicas imediatas, fim das aulas dia 9 de Junho, abolição do decreto das três inscrições.
Por isso todos à REUNIÃO GERAL DE ALUNOS, terça-feira, às 11 horas no anfiteatro grande.

FORA COM A POLICIA DA UNIVERSIDADE E CONTRA AS BALAS ASSASSINAS!
PELA LIBERTAÇÃO DO MADEIRA COSTA!
SOLIDARIEDADE COM OS ESTUDANTES DE LISBOA!
PELO FIM DAS AULAS NO DIA 9 DE JUNHO!
PELA ABOLIÇÃO DO DECRETO DAS TRÊS INSCRIÇÕES!

TODOS A REUNIÃO GERAL DE ALUNOS

Porto, 7 de Maio de 1973
A Direcção da Associação de Engenharia




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