segunda-feira, 7 de maio de 2018

1973-05-07 - PROPOSTAS para a R.G.A. - Movimento Estudantil


PROPOSTAS para a RGA

CONSIDERANDO QUE:
- Assistem os estudantes e vários exemplos, alguns recentes (ver o exemplo recente do 1º de Maio) de repressão brutal sobre movimentações populares, e em geral, sobre movimentações que de algum modo se opõem à política do governo.

- O governo, fiel defensor dos interesses dos donos dos bancos e fábricas e dos grandes proprietários de terras, tenta assim enfrentar, pela repressão, uma situação de agudização dos problemas que se põem à classe minoritária, parasitária e exploradora que representa.


- Sabe o governo que, cada vez mais vêm os estudantes a esclarecer-se e a tomar posições progressistas sobre problemas fundamentais da sociedade portuguesa como por exemplo a exploração e opressão dos trabalhadores portugueses e das colónias.
- Verificando o governo que o movimento associativo, ao englobar as largas massas de estudantes na abordagem dos seus problemas, contribui, pelo seu funcionamento democrático e pela possibilidade de livre expressão e confronto de ideias, para esse esclarecimento e consequente desenvolvimento de lutas, também em relação ao ensino e a quem ele serve, a reforma do ensino como visando adaptá-lo as novas necessidades dos industriais, sempre ambicionou o governo aniquilar esse movimento incómodo.

- Na presente situação, a actuação repressiva do governo face ao mov. dos estudantes consiste em tentar aniquilar mesmo as formas mais fracas de movimentação (veja-se a recente introdução de "gorilas” em Letras num período de certa desmobilização) sempre que lhe parece não ter a recear grande reacção dos estudantes, e em efectuar uma repressão selectiva sobre os estudantes mais activos, directamente (veja-se as prisões de estudantes nas vésperas do 1º de Maio) ou através de uma repressão “a ferro e fogo" sobre as lutas mais avançadas. (matracada e granadas lacrimogéneas sobre os estudantes concentrados a porta de Letras, prisão de alguns; resposta a tiro, na Cantina, ao justo correctivo aplicado aos "gorilas”).

- Tenta o governo, com os recentes decretos sobre as incorporações, eliminar os estudantes mais activos, enfraquecer o movimento associativo; tenta o gov. com a repressão terrorista (vários feridos, alguns a tiro) espalhar o terror entre a grande maioria dos estudantes, demover muitos de participar nessa luta; tenta o gov. com uma campanha de calunias sobre o MA (veja-se a nota da DGS de 1 de Maio) afastar desse movimento os estudantes, isolá-lo perante a população, assim "preparada" para aceitar futuras medidas repressivas.


CONSIDERANDO AINDA QUE

- A resposta a esta escalada repressiva tem de passar, em cada escola, por uma ampla mobilização de massas, fundada no esclarecimento destas atitudes do governo e de seu significado, base de uma necessária resposta federativa, consequente e prolongada (realização de meetings e Plenários de luta, elaboração de um comunicado a distribuir a população, etc.) contra esta constante actuação repressiva do governo sobre o MA, que se consubstancia, neste momento, na luta PELA LIBERTAÇÃO DOS ESTUDANTES PRESOS, e PELA EXPULSÃO DOS “GORILAS”-VIGILANTES:

Os estudantes do TÉCNICO em RGA de 7/5/73, decidem:


PROPOSTA:

1 - Não permitir o normal funcionamento das actividades escolares enquanto colegas seus permaneçam presos, quer pela sua presença na concentração em Letras (no cumprimento da decisão de uma RGA anterior sobre a realização de uma concentração dos estudantes de Lisboa na escola em que se verifique a introdução dos “gorilas") quer, como mera medida preventiva (ver nota da DGS) para a qual contribuiu a sua actuação destacada no movimento dos estudantes.

2 - Utilizar grande parte do horário de aulas para reuniões de curso, concentrações nas aulas dos professores catedráticos, a transformar em meetings e reuniões de discussão sobre a actual situação repressiva e seus objectivos o conteúdo da informação à população, outras questões sobre a continuação da luta, quer a nível interno, quer a nível federativo.


Propomos desde já:

- CONCENTRAÇÃO à porta do gabinete do director no fim desta RGA para lhe exigir uma posição face à nota da DGS e a situação dos estudantes preses.

Propomos para já como temas de discussão nos meetings e concentrações;

- Significado e objectivos da nota da DGS.

- Os recentes decretos (incorporações, proibição das actividades culturais não censuradas) e as implicações que tem no movimento dos estudantes.
- A actuação recente de provocadores no seio dos estudantes, necessidade e processos de os combater.

3 - Realizar nova RGA, 4ª feira às 10 horas, para discutir e aprovar um comunicado à população a apresentar ao Plenário e para se debruçar sobre a continuação da luta.

4 - Comparecer no Plenário dos estudantes de Lisboa, 5ª feira, durante o qual se realizará greve geral no IST.


UM GRUPO DE COLABORADORES

7/5/73




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