segunda-feira, 7 de maio de 2018

1973-05-07 - EM APOIO DOS ESTUDANTES EM LUTA UM AMPLO MOVIMENTO DE SOLIDARIEDADE - PCP


AO POVO DE LISBOA
EM APOIO DOS ESTUDANTES EM LUTA UM AMPLO MOVIMENTO DE SOLIDARIEDADE

Na Quinta feira, 3 de Maio, as forças repressivas fascistas voltaram a carregar sobre os estudantes de Lisboa com determinação assassina.
Foi com o propósito deliberado de matar que as forças de choque da PSP varreram com rajadas de metralhadora os estudantes refugiados na cantina da Cidade Universitária, depois de lhes terem movido um primeiro ataque com granadas de gás lacrimogéneo e cargas de bastão. Cinco estudantes caíram atingidos pelas balas e um deles, José Manuel Casinhas Simões, aluno da Faculdade de Medicina, debate-se entre a vida e a morte no Hospital do Santa Maria.

Mais de 50 estudantes de Lisboa estão presos nas cadeias da PIDE-DGS.
Diferentes forças policiais - PIDE-DGS, "gorilas“-vigilantes, agentes de choque da PSP - investem em locais académicos onde procuram fazer reinar o terror. Os estudantes enfrentam as forças repressivas e vem no seguimento de outros golpes repressivos com que o governo do M. Caetano tem procurado paralisar e dominar a luta estudantil. A 12 de Outubro foi assassinado pela PIDE-DGS um estudante de Económicas. A 28 do Março já as brigadas de choque da PSP tinham aberto fogo sobre estudantes na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa. A 4 de Abril uma aparatosa força da PSP apoiada por uma coluna do Exército investiu contra um "meeting" de 700 estudantes do Porto espancando, ferindo e prendendo mais de 300.

M. CAETANO FOMENTA E JUSTIFICA O TERROR
A violência, a brutalidade, o terror, a sanha assassina de que as forças repressivas estão a fazer uso contra os estudantes obedece claramente a um plano elaborado a nível de governo e sob a inspiração directa de M. Caetano.
No discurso de ontem afirmou ele: “onde a autoridade académica deixar de ser respeitada ou se mostre ineficaz, outra autoridade terá de se impor".
Pela boca do seu pupilo, Augusto Ataíde, declarara dias antes: “Não tem na verdade fundamento algum qualquer complexo que pudesse tolher as medidas de disciplina e ordem exigidas...” incluindo o assassinato, precisamos nós. Pois não afirmou M. Caetano, no mesmo discurso do ontem, que:
"a força que age sob o comando instaurado legitimamente e com mandado regular, essa força não é violência."
Isto significa que toda a brutalidade, toda a selvajaria cometidas pelas forças policiais estão, para o teórico do "Estado do direito", antecipadamente justificadas. M. Caetano dá carta branca aos sádicos criminosos da PIDE-DGS, aos assassinos boçais da policia de choque. Tal a grande inovação que o Congresso da ANP trouxe ao povo português.

A CRISE UNIVERSITÁRIA APROFUNDA-SE
Não são "as minorias revolucionárias atrevidas", nem "os comunizados movimentos associativos", nem os "sovietes estudantis" que M. Caetano inventa o invoca que fomentam a crise em que estão mergulhadas, desde há anos, as universidades portuguesas.
A crise universitária tem as suas origens profundas no abismo que separa a universidade que os estudantes querem da universidade que o fascismo quer impor-lhes.
Os estudantes lutam por um ensino moderno, democrático, que sirva o país e o povo. O fascismo quer impor-lhes um ensino retrógrado, selectivo, cada vez mais estreitamente ao serviço dos monopólios.
Os estudantes lutam pela conservação e alargamento das suas conquistas democráticas, nomeadamente, em defesa das suas Associações. O fascismo procura abater pelo terror o movimento estudantil visa enfraquecer a luta popular e democrática, no seu conjunto.
Nas lutas de fins de Março, os estudantes de Direito do Lisboa procuraram reconquistar a época de exames de Outubro que uma recente reforma fascista suprimiu, o que significa para os estudantes menores possibilidades de passagem e maiores probabilidades de se verem atirados para a guerra colonial antes de concluírem os seus cursos.
As lutas presentes iniciaram-se com um protesto dos estudantes e assistentes da Faculdade do Letras de Lisboa contra a introdução dos "gorilas"-vigilantes na sua escola.
Os "gorilas" são um corpo do polícia especial criado pelo governo para a repressão aos estudantes nas instalações académicas. O seu recrutamento é feito entre ex-comandos do exército colonial, particularmente entre aqueles que se destacaram pela desumanidade e acções criminosas contra os povos das colónias. Introduzidos há meses na Faculdade do Direito de Lisboa, onde são já cerca de uns 30, não desempenham qualquer outra tarefa que não seja espiar, provocar, agredir os estudantes.
É o governo que fomente a crise universitária.
A operação assassina de 3 de Maio agudizou a tensão a um ponto extremo. Os estudantes de várias faculdades estão em greve. A indignação e a repulsa estende-se a toda a Academia de Lisboa. A luta vai continuar. Os estudantes não estão intimidados.

HÁ QUE APOIAR OS ESTUDANTES EM LUTA!
A DORL do PCP saúda do modo particular a União dos Estudantes Comunistas (UEC), todos os seus militantes e simpatizantes que uma vez mais, nas difíceis condições presentes, se afirmam como a autêntica vanguarda revolucionária dos estudantes o assegura-lhes o apoio político de todas as organizações sob o seu controle.
A DORL do PCP chama a classe operária e demais trabalhadores da região de Lisboa, chama a intelectualidade e os militares progressistas da Capital à acção solidária com os estudantes em luta.
A DORL do PCP apela para a solidariedade activa do movimento democrático, das organizações democráticas autónomas, de todos os antifascistas.
A. DORL do PCP exorta o povo da Capital a apoiar os estudantes.

7 de Maio de 1973
A Direcção de Organização Regional de Lisboa do Partido Comunista Português


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