sábado, 5 de maio de 2018

1973-05-05 - PELA LIBERTAÇÃO DOS ESTUDANTES PRESOS - Movimento Estudantil


PELA LIBERTAÇÃO DOS ESTUDANTES PRESOS

A força continua a ser o sustentáculo mais importante dum regime cujo carácter anti-democrático dia a dia se acentua.
Neste momento, o Movimento Estudantil é vítima duma enorme vaga repressiva que atinge todo o país;
- A POLÍCIA OCUPA O INSTITUTO COMERCIAL DE LISBOA; ocupa as aulas, prende, persegue, e expulsa.
- Também no Comercial ENCONTRAM-SE SUSPENSOS 13 ALUNOS aos quais a PIDE identificou e ameaçou.
- NAS CADEIAS DA PIDE ENCONTRAM-SE DETIDOS 23 ESTUDANTES, dos quais, 17 presos nos últimos meses, para além de outros recentemente libertos.

-  Entretanto, OS ESTUDANTES PRESOS CONTINUAM A SER TORTURADOS.
-  Anteontem, dia 3, FOI PRESO COLEGA FERNANDO CARLOS, do 5º ano de direito!
Além destas acções que visam particularmente os estudantes, a repressão atinge todos os sectores populares e democráticos.
Às mais elementares exigências do nosso povo, nas fábricas, nas ruas, nas escolas, responde o governo com a mais brutal repressão. Assim:
Para além dos já conhecidos casos da LISNAVE, COVIMA e UNHAIS da SERRA, são flagrantes os últimos acontecimentos do 1º de MAIO, nomeadamente:
- Em VILA FRANCA de XIRA, onde a carregou com metralhadoras e cavalos, sobre centenas de manifestantes, fazendo cerca de 30 presos (que neste momento devido ao movimento de solidariedade, se encontram quase todos em liberdade). Entretanto, a PIDE persegue alguns elementos da C.D.E. local.
- Em MOSCAVIDE após os recontros do 1º de Maio, a G.N.R. prendeu cerca de uma dezena de pessoas, entre as quais o ex-candidato pela C.D.E. de Lisboa, JOSÉ GOUVEIA.
- No BARREIRO foram presas, após o 1º de MAIO, 8 pessoas, entre as quais um ex-candidato da C.D.E. de Setúbal; entretanto, numa manifestação de solidariedade aos presos, a G.N.R. carregou sobre a multidão, com cães, cavalos e metralhadoras fazendo feridos e mais vinte prisões!
No entanto, as prisões são apenas um das armas repressivas de que o regime se serve para manter todo um sistema que na UNIVERSIDADE se manifesta particularmente no acesso ao ENSINO, no seu conteúdo e finalidade numa constante repressão cultural e que assenta na exploração económica do povo português.
O governo de Marcelo Caetano, tentando adaptar a máquina do ESTADO às exigências de momento dos monopólios, persiste numa política de ENSINO anti-democrática e anti-científica, de obscurantismo e repressão das liberdades fundamentais.
Nestas circunstâncias, a luta pela libertação dos estudantes presos, sendo a da conquista de liberdades democráticas, está indissoluvelmente ligada à luta por uma Universidade do povo, à luta mais geral pela transformação das estruturas da sociedade portuguesa.
A vaga de repressão desencadeada nos últimos meses sobre o Movimento Estudantil encontrou desde logo, a resistência dos estudantes de Lisboa que se organizaram em COMISSÕES DE APOIO AOS ESTUDANTES PRESOS (C.A.E.P.) em diversas escolas.
Estas comissões propõem-se desenvolver uma acção de informação e organização capaz de unir os estudantes num movimento de solidariedade pela libertação dos colegas presos„
Ontem, 2ª-feira, realizou-se um MEETING na CANTINA da Cidade Univ. onde 300 estudantes decidiram:
1) Reforçar as comissões existentes e criar outras
2) REALIZAR NOVO MEETING NA CANTINA 5ª feira às 13.30

Contacta a tua Comissão de Escola e vai ao MEETING.
LIBERDADE PARA OS ESTUDANTES PRESOS! 
ABAIXO A REPRESSÃO! AMNISTIA! FIM DA PIDE/DGS!





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