quinta-feira, 31 de maio de 2018

1973-05-00 - OS GORILAS SAÍRAM DE LETRAS - UEC


OS GORILAS SAÍRAM DE LETRAS
GRANDE VITÓRIA DOS ESTUDANTES DE LETRAS
GRANDE VITÓRIA DOS ESTUDANTES PORTUGUESES

O governo fascista de Caetano tentou mais um passo para travar a luta estudantil - instalar os "gorilas" em Letras de Lisboa. Não o conseguiu pois mais uma vez a combatividade e unidade de largas massas estudantis, neste caso em estreita ligação com professores, fizeram recuar a repressão.
Lutando pela expulsão dos "gorilas" e pela libertação dos colegas presos, os estudantes de Lisboa desencadearam poderosas acções. Manifestações de rua (Sete Rios, Graça o Moscavide), greves gerais e intermitentes (Letras, Técnico, Económicas e Direito), numerosas Reuniões Gerais algumas massivas (1.500 no Técnico, 800 em Letras), meetings, sessões informativas, intervenções nos cursos e em reuniões, distribuição de comunicados a população, etc..

Os estudantes do Porto e Coimbra solidarizaram-se com os seus colegas e em Engenharia e no Liceu D. Manuel II realizaram-se greves.
Com ESTAS numerosas acções os estudantes forçaram o governo fascista de Caetano a recuar, retirando os assassinos colonialistas - "gorilas” de Letras e libertando grande parte dos estudantes presos.

BRUTAL VAGA REPRESSIVA
Marcelo Caetano disse no Congresso da ANP que "onde a autoridade académica deixar de ser respeitada ou se mostre ineficaz, outra autoridade terá de se pôr". Com isto quis dar cobertura e justificar a brutal violência que ao mesmo tempo o fascismo estava a usar contra os estudantes. Tiros foram disparados provocando numerosos feridos e colocando um estudante às portas da morte, dezenas de prisões, intervenção policial em recintos universitários (em Letras de Lisboa e Economia e Letras do Porto e em Coimbra), ocupação várias vezes da Cidade Universitária, polícias de choque armados com granadas do gás lacrimogéneo, cães polícias, multas e até rusgas em recintos escolares (Porto), provocações e assaltos a AA.EE. (Medicina de Lisboa e Porto e Técnico). O Técnico Letras e a Cantina da Cidade Universitária estiveram encerradas.
Quais as razões da extrema violência a que está a recorrer o governo fascista?
Antes do mais o ascenso da luta estudantil. E a prová-lo está até a combatividade com que esta a ser enfrentada esta terrorista vaga repressiva.
Mas também porque as lutas estudantis são o principal entrave à política de ensino do governo, visando colocar o ensino cada vez mais estritamente ao serviço dos monopólios.
E ainda porque o M.E. é hoje um combativo destacamento da luta popular contra o fascismo, a guerra colonial e pela democracia e o socialismo.

INTENSIFICAR A VIGILÂNCIA REVOLUCIONARIA
Conjugada com a investida do governo contra o movimento estudantil, os aventureiros provocadores desencadearam também a sua acção de sabotagem, de provocação e de calúnia. Uma vez mais coincidiram não só objectiva mas subjectivamente com o fascismo. Coincidiram objectivamente quando sabotaram a acção e a desviaram dos seus objectivos imediatos, com uma aparente politização e radicalização, que conduz à inacção, à aventura e abro caminho à repressão.
Coincidiram subjectivamente quando retomaram as mesmas acusações contra a vanguarda e até por vezes com a mesma linguagem que o fascismo. Chegaram ao ponto de afirmar: "o combate à peçonha revisionista e neo-revisionista do P"C”P e do C”ML"P, respectivamente, é o mais importante nesta fase de luta" (FEML-MRPP)!!!
Há que impedir que a actividade destes aventureiros provocadores crie entraves à luta contra o fascismo, mas é também necessário intensificar a vigilância revolucionária. O ascenso da luta estudantil exige que sejam isolados, combatidos e que as suas provocações não passem em branco, mas sejam desmascarados e levados ao conhecimento das massas.

AVANTE NA LUTA CONTRA A REPRESSÃO
O movimento estudantil está a enfrentar uma brutal investida repressiva nas três academias, soube fazer-lhe frente a conseguiu travar a repressão fascista e expulsar os "gorilas" de Letras.
As numerosas acções até hoje travadas mostram-nos a justeza da orientação da UEC ao chamar os estudantes à luta em torno de objectivos concretos a imediatos em defesa do direito de reunião e pela expulsão da polícia e "gorilas" das escolas e ao afirmar que o movimente estudantil tem força para, em ligação com a luta popular, fazer recuar a repressão. Essas acções indicam-nos também o caminho a prosseguir.
- Intensificar a luta em defesa do direito de reunião, pela expulsão dos "gorilas" e polícia das escolas, pela libertação de todos os estudantes presos, contra as reformas fascistas e pela Reforma Geral e Democrática do Ensino, encontrando em cada momento as formas de luta adequadas, sabendo variá-las, substituí-las ou adaptá-las a uma maior mobilização.
- Reforçar a unidade estudantil na acção e para a acção e o combate ao divisionismo e aqueles pretendam apenas servir os seus interesses de grupo.
- Reforçar a cooperação entre as escolas de cada academia e a cooperação nacional dos estudantes portugueses (o que continua a ser uma das maiores debilidades do M.E.) e intensificar a colaboração com sectores progressistas do corpo docente.
- Inserir mais profundamente a luta estudantil na luta popular e trazer novas camadas de estudantes à luta em torno dos grandes objectivos do povo português pelas liberdades democráticas, contra a guerra colonial, contra o imperialismo.
Na análise que faz da situação nacional afirma a Comissão Política do Comité Central do PCP no seu documento de Março: "o regime debate-se em contradições e dificuldades crescentes. Desenha-se um novo fluxo da luta popular. Desenha-se também um novo surto da luta estudantil, pois os estudantes portugueses têm força para arrancarem novas conquistas ao fascismo.

FORA COM A POLÍCIA E "GORILAS" DA UNIVERSIDADE!
LIBERDADE PARA OS ESTUDANTES PRESOS!
VIVA A UNIDADE NA ACÇÃO DAS MASSAS ESTUDANTIS

Maio do 1973
A Comissão Central da UNIÃO DOS ESTUDANTES COMUNISTAS




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