segunda-feira, 21 de maio de 2018

1973-05-00 - O Grito do Povo Nº 13 - OCMLP


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EDITORIAL

- NA VIA DA RECONSTRUÇÃO DO PARTIDO;
- O LANÇAMENTO DOS COMITÉS PRÓ-PARTIDO
A reconstrução do Partido é a tarefa central dos marxistas-leninistas portugueses. Sem Partido Comunista Marxista Leninista que esteja à cabeça do Proletariado e de todo o Povo revolucionário não há Revolução.
Na sociedade de classes em que vivemos, a luta fundamental é travada entre o Proletariado e a Burguesia. Para unir o Proletariado de todo o país e todas as suas lutas no mesmo movimento, para o orientar na luta e levá-lo à vitória final, o Proletariado necessita de uma vanguarda dirigente bem organizada e disciplinada que saiba dar as palavras de ordem apropriadas nas diferentes situações.
A VANGUARDA ORGANIZADA DA CLASSE OPERARIA E DAS MASSAS TRABALHADORAS É O SEU PARTIDO MARXISTA LENINISTA.

A TRAIÇÃO REVISIONISTA
A traição revisionista da clique de Cunhal que se apoderou da Direcção do Partido Comunista Português em 1956 destruiu a vanguarda organizada do Proletariado Português. O revisionismo é a arma que a Burguesia utiliza para tentar esmagar "pacificamente" a classe operária.
A Burguesia Portuguesa, apoiando-se principalmente nos super-lucros da exploração colonial, criou uma camada minoritária de "aristocratas do operariado", ou seja, indivíduos a quem a Burguesia paga salários muito superiores aos da maioria da classe operária, destacando-os e corrompendo-os; esta "aristocracia operária", encarregados, técnicos especializados com altas remunerações e dirigentes sindicais, tentam levar a classe a uma via reformista de luta, tentam fazer com que a classe operária abdique dos seus objectivos políticos em troca de "benefícios" imediatos, de reformas económicas. O reformismo é um veneno que destrói por dentro o ânimo da classe, quando o proletariado não está vigilante e organizado. A Burguesia, ao conseguir que a Direcção da Classe Operária caísse temporariamente nas mãos dos oportunistas em 1956, procurou prolongar a sua criminosa ditadura.´

TENTATIVA DE RECONSTRUÇÃO DO PARTIDO EM 1964-1966
A partir de então a Classe Operária procurou reorganizar a sua vanguarda, reconstruir o seu Partido. A primeira tentativa foi feita em 1964-1966, em que militantes do P"C"P se desligaram e procuraram através da reorganização dos militantes que na altura se mostravam dispostos a prosseguir na linha marxista-leninista, criar um núcleo inicial do Partido reconstruído. Essa tentativa acaba por fracassar. Este fracasso em 1966 foi no entanto, uma experiência extraordinariamente rica para os marxistas-leninistas dos nossos dias. Em 1966 esse núcleo, o Comité Marxista Leninista Português (C.M.L.P.), foi totalmente destruído pelo inimigo de classe. Os principais dirigentes foram presos depois de o "Avante", jornal do P"C"P, ter denunciado na primeira página a sua permanência clandestina em Portu­gal. O seu maior erro foi não terem compreendido o real papel do Proletariado na luta de classes: a de ser o campo de recrutamento dos verdadeiros quadros comunistas, de ser da vanguarda do Proletariado que saem os elementos que reorganizarão o Partido Comunista.

A RECONSTRUÇÃO DO PARTIDO
O Partido nasce do trabalho comunista realizado no seio das massas, nasce das lutas de massas quando os militantes comunistas sabem enquadrar e dirigir a luta para os objectivos políticos, que interessam ao Proletariado, e que são os do marxismo-leninismo.
O Partido não se forma por decreto ou por que na cabeça de alguns "revolucionários" haja necessidade dele. O Partido forma-se na luta de classes com os combatentes mais destemidos e conscientes do Proletariado, com os melhores filhos do Povo. O Partido forma-se na prática de luta de massas, essencialmente nas grandes fábricas, mas não só. O Partido forma-se quando a consciencialização e determinação política das grandes massas principalmente do Proletariado destacam a sua vanguarda organizada. Edificar o Partido e fazer corresponder a cada avanço da luta de massas um avanço organizativo (prático e teórico) e ideológico. Reorganizar o Partido é ligar-se mais e mais as massas sabendo colher delas os elementos que pela sua determinação e experiência de luta sejam os quadros comunistas do futuro.
A (re)construção do Partido é semelhante à construção de um edifício. Um edifício começa a construir-se depois de se ter escolhido o local — o terreno em que o queremos construir. A primeira fase da construção são os alicerces. É não só a primeira fase como a mais importante. Quanto mais fortes e profundos forem os alicerces mais forte e seguro será o edifício se, evidentemente, não nos descuidarmos no resto da construção. Quais os materiais que devemos escolher para a construção? São aqueles que nos garantem a maior solidez do edifício. O Partido é construído sobre as massas ligado profundamente a elas, tendo os seus alicerces bem implantados nas massas. Onde vamos buscar. Os quadros comunistas, os militantes do Partido? Só podemos ir buscá-los às massas. Só com bons alicerces e bons elementos o Partido pode cumprir a sua função: levar a classe operária e as massas trabalhadoras à vitória sobre a exploração capitalista, a Revolução Popular ao Socialismo, ao Comunismo!
O avanço da luta de massas leva a avanços organizativos na medida em que a organização marxista-leninista esteja implantada nas massas. Actualmente a luta de massas vem avançando, assim é consequentemente a Organização tem que criar novos esquemas organizativos para enquadrar e dirigir essa luta. É a fase de construir os alicerces. Nesta fase o aumento da luta de massas ditou-nos um avanço organizativo.

O MOMENTO DO LANÇAMENTO DOS COMI­TÉS PRÓ-PARTIDO
Qual o motivo porque pela primeira vez surge um documento assinado pelo Comité pró-Partido do Porto da OCMLP?
Os Comités pró-Partido formam-se quando a luta de massas e o trabalho comunista feito no seu seio o exigem ou melhor, quando a Organização marxista-leninista, que não sendo Partido, tem, no entanto, o papel de vanguarda dirigente da luta de massas em determinada zona, atinge um nível político capaz de unir o proletariado de uma região e de o dirigir no cumprimento das tarefas revolucionárias da estratégia marxista-leninista. Formam-se quando dispõem de um número suficientemente elevado de militantes e simpatizantes que, pelo seu trabalho no seio das massas, as levam a processos de luta cuja complexidade das situações criadas exigem um organismo dirigente local que possa rápida e cientificamente actuar de acordo com a estratégia geral da Organização, ou seja, transformar em acção das massas a linha marxista-leninista.
A complexidade das situações criadas no decorrer de um processo de luta de massas, a multiplicidade de aspectos em cada situação não permitem que seja um só militante, por muito capaz que seja, a dirigir tal processo.
A necessidade de direcção da luta de massas numa região pela Vanguarda Organizada, e da aplicação por essa Vanguarda da estratégia e da táctica geral da Organização; a necessidade de que a Direcção Central da Organização esteja perfeitamente informada e que se possa apoiar num organismo formado pelos melhores e mais experientes militantes da região, exigem que se formem os Comités pró-Partido. Como vemos é um conjunto de dados concretos e objectivos que nos levam à criação do Comité pró-Partido. Estes aspectos determinam que a Organização avance em novos esquemas que, não sendo ainda de Partido são, sem dúvida uma das últimas etapas para a construção do Partido.
Impõe-se pois que avancemos à medida que a luta de massas avança, mas para isso é preciso que a pró­pria Organização esteja implantada nas massas e o próprio avanço da luta de massas seja um fruto do trabalho da Organização comunista no seu seio.

AS CONDIÇÕES INDISPENSÁVEIS PREENCHIDAS PARA O LANÇAMENTO DO COMITÉ PRÓ-PARTIDO DO PORTO
O trabalho organizativo iniciou-se no Porto há cerca de 4 anos. Durante este período de tempo a Organização desenvolveu-se em dois sentidos fundamentais:
- Formação de quadros comunistas.
- Ligação às massas trabalhadoras,
É evidente que estes dois aspectos não podem ser analisados como dois aspectos desligados, eles estão ligados dialecticamente, pois a organização (formação dos quadros)  só pode desenvolver-se se estiver fortemente ligada às massas. Foi o trabalho diário, ao longo de 4 anos que ensinou aos militantes muito do que os fez transformarem-se em quadros comunistas. Foi por outro lado com esse trabalho diário que os militantes foram lenta mas seguramente consciencializando a classe operária e as massas trabalhadoras. A tarefa fundamental nesta fase foi chegar a todos os sítios onda estavam as massas e aí viver e aprender com elas para as ensinar e organizar. Foi este trabalho lento, por vezes relativamente vagaroso, nas contínuo que permitiu a Organização elevar o nível político dos seus militantes e recrutar novos elementos. Foram estes 4 anos de lutas, vitórias e derrotas, que nos ensinaram a compreender cada vez melhor as tarefas necessárias à reconstrução do Partido e a realizá-las.
Todo este trabalho de 4 anos permitiu que, na actual fase de luta, o avanço para o Comité pró-Partido não fosse uma manifestação de espontaneísmo. Forma-se o Comité pró-Partido porque é a fase da luta de massas é o processo de reconstrução do Partido que o exigem e porque a nível local a Organização dispõe de quadros comunistas em quem deposita confiança.
Como vemos estas duas condições encontram-se nesta fase preenchidas.
A Organização dispõe a nível local de número suficiente de quadros, e a classe operária e as massas trabalhadoras estão cada vez mais dispostas a lutar pela Revolução Popular e pelo Socialismo quando se sentem devidamente dirigidas pela Organização comunista, ou seja, pela sua Vanguarda Organizada.

O ASPECTO PROVISÓRIO DOS COMITÉS PRÓ-PARTIDO
Os Comités pró-Partido têm, como não podia deixar de ser, um carácter provisório. Na mesma medida em que estes Comités forem criados nas diversas regiões do país avançamos no caminho da construção do Partido. Estes são escolas dos futuros Comités do Partido.
No desempenho das funções que competem aos Comités pró-Partido estes enriquecerão cada vez mais a sua experiência e terão uma cada vez maior capacidade de análise correcta da realidade e da sua consequente transformação.
Quando vários Comités pró-Partido estiverem consolidados nas diversas regiões então terá finalmente lugar o aparecimento do Partido e dos Comités do Partido.
SÓ COM UM PARTIDO FORTE E DISCIPLINADO, TEMPERADO NA LUTA DE CLASSES, É POSSÍVEL LEVAR O PROLETARIADO E O POVO REVOLUCIONÁRIO À VITÓRIA SOBRE OS EXPLORADORES, À INSTAURAÇÃO DA DEMOCRACIA POPULAR, À CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO E DO COMUNISMO!
AVANCEMOS DECIDIDA E CORAJOSAMENTE NA CONSTRUÇÃO DO PARTIDO, GUIADOS PELO MARXISMO-LENINISMO E O PENSAMENTO MAO TSE TUNG, E ORIENTADOS PARA A DEFESA INTRANSIGENTE DOS INTERESSES DO PROLETARIADO E DAS MASSAS OPRIMIDAS DA CIDADE E DO CAMPO!
VIVA O COMUNISMO!





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