quinta-feira, 24 de maio de 2018

1973-05-00 - O Bolchevista Nº 15 - CM-L de P


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O PAPEL DA CONSCIÊNCIA BOLCHEVISTA NA LIGAÇÃO DO MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO AO MOVIMENTO OPERÁRIO
No desenrolar da História, a Filosofia sempre esteve inteiramente ao serviço da Política. É a concepção do Mundo de cada homem que determina, em ultima análise, o tipo de doutrina de que ele se serve ao elaborar ou apoiar à sua linha política. Apesar de uma certa parte das pessoas procuram esquecer, ou desconhecer, esta verdade, o facto é que se assiste hoje, em Portugal como em todo o Mundo capitalista, a uma luta sem tréguas entre duas "correntes, de pensamento" que afirmam lutar pelo socialismo. Esta luta opõe, de um lado as correntes que podemos designar por espontaneístas e praticistas (1) defendidas e propagadas por certas camadas descontentes da pequena burguesia, as quais procuram no Proletariado o apoio, a força e a coesão que sentem faltar-lhes para levar por diante as suas reivindicações, e se afirmam a, si próprias, por conseguinte, "defensores do Comunismo"; do outro lado os comunistas, representantes da vanguarda do Proletariado revolucionário os quais colocam por cima de tudo a Fidelidade aos princípios universais e absolutos do marxismo-leninismo, a necessidade da linha política justa, da organização do elemento consciente da classe, da disciplina e do centralismo democrático para que o Proletariado, possa vibrar verdadeiros golpes, decisivos e até ao fim contra o domínio de classe da burguesia nas suas diversas formas de exercício do Poder.

Os primeiros negam, se bem que a coberto dos mais variados disfarces de linguagem, o papel fundamental, indispensável do Partido Comunista, organização de vanguarda do Proletariado. Deturpando as lições de Marx, Engels, Lenine, Staline, Mao Tse Tung e Enver Hodja fazendo tábua rasa dos enriquecimentos trazidos ao marxismo-leninismo por estes chefes incontestado do Proletariado mundial dos longos anos de experiência e história da luta de classes que atestam justeza daqueles ensinamentosprocuram justificação para as suas aberrações na interpretação mecânica, anti-dialéctica da verdade científica de que como dizia o camarada Lenine: ponto de vista da vida, da prática, deve ser o ponto de vista primeiro, fundamental da teoria.
As posições de tais correntes, que nas suas múltiplas variantes tentam desesperadamente interferir no movimento operário, em concorrência com o revisionismo, não podem, a não ser por ingenuidade, sistematicamente explicar-se e justificar-se como o fazem alguns camaradas, por um "deficiente conhecimento teórico do materialismo dialéctico". Na prática, no terreno concreto da luta de classes, elas têm-se voltado e voltam-se, a médio e longo prazo, contra os superiores interesses do Proletariado, contra os seus interesses políticos e históricos de classe e estimulam os seus instintos imediatos e económicos individualistas resultantes da influência da ideologia burguesa. Dizia o camarada Staline a propósito do espontaneísmo:
Importa assinalar que, se se trata da difusão das ideias, a ideologia burguesa, isto é, a consciência 'trade-unionista’ (2) difunde se com muito mais facilidade e abarca muito mais amplamente o movimento operário espontâneo que a ideologia socialista que apenas dá os seus primeiros passos. Isto é tanto mais verdadeiro quanto o facto de que o movimento espontâneo - o movimento sem o socialismo - de todos os modos marcha precisamente para a sua subordinação à ideologia burguesa. (3) E a subordinação à ideologia burguesa significa o afastamento da ideologia socialista uma vez que saibas se negam reciprocamente.
Como - perguntar-nos-ão - acaso a classe operária não tende para o socialismo? Sim, tende para o socialismo. A não ser assim a actividade da social-democracia (4) seria infrutífera. Também é certo todavia que a esta tendência se opõe, criando-lhe obstáculos, outras tendências, a tendência para a ideologia burguesa.
Acabo de dizer que a nossa vida social está impregnada de ideias burguesas pelo que é muito mais fácil difundir a ideologia burguesa que a socialista. Não devemos esquecer que, ao mesmo tempo, os ideólogos burgueses não dormem, apresentam-se à sua maneira sob a cobertura socialista e, sem cessar, procuram subordinar a classe operária à ideologia burguesa. E se por cima disto, os social-democratas, a exemplo dos "economistas” olham para o ar e se colocam a reboque do movimento espontâneo (e o movimento operário é precisamente espontâneo quando a social-democracia se conduz deste modo) é fatal que o movimento operário espontâneo seguirá essa caminho trilhado e se subordinará A ideologia burguesa, até à hora em que à força de procurar, e sofrer se veja obrigado a romper as ligações que o unem à ideologia burguesa e a to mar a senda da revolução social.
Isto é precisamente o que se entende por tendência para a ideologia burguesa: (5)
Tentativas que são de introdução da ideologia burguesa no terreno da organização no movimento comunista, aquelas correntes vem de facto - e os factos são sempre obstinados - ecoar e reforçar a confusão gerada pela cisão e degeneração. O revisionista em toda a Vanguarda do Proletariado, inclusive até nas fileiras bolchevistas. Tem sido, e continua a ser, manifesta a perturbação e retardamento da consolidação do elemento consciente da classe, gerada por atitudes e concepções que se voltam constante e pertinazmente contra a linha justa de unificação dos marxistas-leninistas e de reorganização do Partido Comunista.  Eis a razão porque se torna cada vez mais premente a necessidade e o dever de todos os comunistas as combaterem, enquanto ideologia, tenazmente e sem quartel sejam quais forem os disfarces.
Espôntaneismo ou praticismo e revisionismo ou burocratismo sectário (na sua nova versão da unidade--unidade-unidade de a custo de seja o que for, constituem, sobre o terreno concreto da luta de classes, ao nível do económico como na superestrutura ideológica, as duas faces da moeda com que a burguesia procura pagar o traiçoeiro controle "por dentro" da classe operária e das largas massas exploradas.
A sua fuga às questões do método, traduzida num "desprezo" pelos fundamentos do materialismo dialéctico como por todas as questões filosóficas, traduz no fundo o desprezo pela própria ideologia comunista. Do mesmo modo, o seu gosto pelo "popularucho", pelo palavreado dito "proletário" (que contrapõem à linguagem marxista-leninista à qual classificam de "intelectual") traduz na justa medida, a própria falta de consciência das responsabilidades que se levantam perante os comunistas, reflecte apuradamente que tais pessoas não lutam para levar o Proletariado e o campesinato a tomar o Poder Político.
Jogando levianamente com o princípio de que "a classe operaria deve dirigir tudo" e reduzindo-o papel do Partido Comunista, órgão de direcção da classe operária, quase a uma formalidade, mergulham a pique no anarco-sindicalismo e colocam-se a reboque do movimento espontâneo. Na verdade, como pode a classe operária DIRIGIR antes da existência do seu Partido, se nos atemos aos princípios leninistas? A mais apressada consulta de "QUE FAZER?" basta para atirar de repente com, tais concepções para fora da ideologia do materialismo dialéctico.
"O Homem não pode adquirir imediatamente um conhecimento completo das coisas objectivas pois que, à parte do factor de classe, está limitado na prática social pelas contradições científicas e técnicas do tempo e pelo desenvolvimento do processo objectivo o do nível que esse processo manifestou. A prática, o conhecimento, depois novamente a prática e o conhecimento, esta forma cíclica não tem fim e além disso, em cada ciclo o conteúdo da prática e do conhecimento eleva-se a um nível superior. Tal é, no seu conjunto, a teoria materialista dialéctica do conhecimento, tal é a concepção que se faz do materialismo dialéctico da unidade do saber e da acção." A formação e o desenvolvimento das ideias correctas manifesta-se nesta "unidade histórica, concreta, do subjectivo e do objectivo, da teoria e da prática, do saber e da acção”. (6)
Verificamos assim, do ponto de vista do materialismo dialéctico, da verdade científica, que a dominante é "o saber" o consciente e não "a acção" ou, o inconsciente, uma vez que com uma informação e uma formação, sem um conhecimento anterior a acção que é introduzido DE FORA do movimento operário, espontâneo por tendência-conhecimento (consciência) que entra depois em contradição com as necessidades e a prática social (o ser) do homem este permaneceria sempre incapaz de se elevar a um nível superior de vida social, perpétuamente ignorante a merce das forças que se antagonizam à sua volta, indefeso perante as ma­quinações da classe dominante em cada estádio social. Limitar-se-ia quando, muito, a uma luta desgarrada e ineficaz onde as eventuais e pouco prováveis vitórias, sempre parciais jamais poderiam transformar-se em vitórias efectivas. É precisamente a partir da análise da função do consciente no movimento operário que Lenine frisa e desenvolve o papel do Partido e os seus princípios de organização como única forma capaz de acelerar o salto qualitativo desse mesmo movimento. Ensina-nos o camarada Mao que "A existência social dos homens determina o seu pensamento. E as ideias justas, próprias de uma classe de vanguarda tornam-se, uma vez que penetram as massas uma forca material capaz de transformar a sociedade e o mundo." (sublinhados nossos)
Os comunistas afirmam portanto que, resultado de uma pratica social prévia, no início de cada novo processo está o elemento consciente o Partido em relação à classe e nunca uma nova prática. Sustentar que é a repetição da prática antes da sua transformação no seu contrário dialéctico, a teoria, que levara as massas trabalhadoras a tomar consciência da necessidade do Partido Comunista, ou seja, do seu das massas elemento consciente e organizado e cair na posição "troglodita”, para utilizar uma expressão de Staline, é defender o preminente retorno às origens, a experimentação contínua, a análise sem síntese. É dar um passo à frente e dois atrás, negando em absoluto a função da teoria e o materialismo histórico.
Na unidade histórica do subjectivo e do objectivo, entre a teoria e a prática, entrego saber e a acção reside igualmente o gérmen da sua destruição, isto é, existe uma contradição constante que percorre esta unidade e arrasta cada um dos pólos a converter-se no outro em certas condições. Ora e propriamente na determinação destas condições que devemos buscar a distorção que a pequena burguesia radical na sua expressão, espontaneístas em especial, tenta imprimir ao marxismo-leninismo-maoismo: nega a tese criadora de que "o espírito se transforma sempre em matéria" e opõe-se ao papel dirigente quê a teoria exerce sobre a prática revolucionária subsequente.
"Esquecer os grandes princípios fundamentais perante os interesses passageiros do momento, lutar e tender ao sucesso momentâneo sem se preocupar com as consequências que dai derivam sacrificar o futuro do movimento pele presente do movimento, pode ser considerado louvável mas é, e há-de ser, oportunismo, e o oportunismo ‘louvável’ é certamente o pior de todos." (7)
Eis onde reside o ardil de tais teorias; ao negarem o primado da teoria na direcção proletária das lutas, não podem fugir à verdade inexorável da dialéctica: também eles defendera afinal - no próprio acto de o negarem - o primado do, elemento consciente. Com efeito, quem, senão eles, da à luz da tese oportunista e aberrante a "teoria" de que "deverão ser as massas através da prática a sentir (!) a necessidade do Partido"? Anti-leninista da cabeça aos pés esta não deixa de ser uma teoria a qual existe ANTERIORMENTE à acção a que se aplica (!) - a sua dita "agitação e propaganda" cuja qualidade e peso na luta de classes do País é, depois e enfim, bastante discutível. E assim temos que e efectivamente impossível fazer andar para trás a roda da História. O materialismo dialéctico, pese a tais pessoas, não deixa de regular o movimento e a vida como conjunto de leis que as regem.
Surge-nos então com maior evidência este outro aspecto da polémica: será que, no fim de contas, a divergência assenta tão somente na concepção de Partido, isto é, não tanto na necessidade do elemento consciente para a direcção da luta mas sim na da organização desse elemento consciente? Ainda aqui se estende a mesma esparrela. Prossigamos.
O que é afinal o elemento consciente? Uma coisa vaga, abstracta que existe acima e além da prática concreta da luta de classes?
"Tudo quanto seja rebaixar o papel do elemento consciente, o papel da social-democracia (4) equivale - em absoluto e independentemente de quem o faz e a fortalecer a influência da ideologia burguesa sobre os operários." (8)
O elemento consciente é pois, no plano teórico, geral, a própria ideologia do Comunismo, a superestrutura das leis científicas do movimento vital, seja, a concepção do mundo avançada da sociedade; no plano pratico, particular, e o conjunto organizado dos indivíduos que por virtude de determinadas condições objectivas (9) procederam a análises, descobriram leis, formularam teses e criaram subjectivamente ideias as mais avançadas era relação ao conjunto da sociedade. Sob o sistema capitalista, dadas as suas relações de produção e relações sociais específicas, os indivíduos com as concepções mais avançadas, capazes por tal motivo, de transformar as próprias condições objectivas descobrindo as soluções que o processo histórico encerra em cada situação logo que esta esgota o seu potencial criador, são os comunistas.
Retomando o fio deixado um pouco atrás: “O problema da relação entre o pensamento e a realidade apresenta ainda um outro aspecto: que relação existe entre os nossos pensamentos sobre o Mundo que nos rodeia e esse próprio Mundo? A nossa razão é capaz de conhecer o Mundo? É-nos possível reproduzir a imagem fiel da realidade das nossas representações e ideias sobre o Mundo?”. Estas são palavras de Engels que, após frisar a constante unidade entre o pensamento e a realidade constata que a grande maioria dos filósofos concluiu pela afirmativa”.
Afirmou por seu lado o camarada Staline que "não existem comunistas sem Partido" explicando muito claramente porquê sem organização, ideia que nasce a partir da própria divisão de trabalho e relações de produção da sociedade capitalista a qual Marx classifica de "pró-histórica”, é impossível TRANSFORMAR O MUNDO, o qual esta organizado, na base de leis internas e correlações dialécticas bem determinadas.
Esta capacidade de transformar o Mundo distingue precisamente o comunista do homem vulgar e do cientista burguês.
A organização é uma necessidade instintiva do homem desde o rebanho primitivo. E isto ninguém e capaz de vir negar, consequência natural que e do próprio instinto gregário da Humanidade.
Ora, se são os comunistas que se organizam que procuram a organização e não esta - que não existe sem ou independentemente dos homens - que procura os comunistas mostra-se com toda a evidência, que,
1º - O homem - o comunista neste caso - preexiste a organização e não o contrário;
2º - O grau de consciência política do homem determi­na o grau de consciência da organização, isto é, a concepção do Mundo de um indivíduo determina a linha que ele defende e aplica;
3º - A organização e sempre a expressão de uma prévia consciência expressa na linha política: consciência de um comrestrito, resultante do processo dialéctico histórico anterior para o total da massa;
4º - A actividade surge posteriormente à organização e é o resultado da passagem à prática da teoria - expressa na linha política - característica dessa consciência cujo primeiro gesto - prático - foi organizar-se segundo certos princípios científicos; o saber transforma-se no seu contrário, a acção; a teoria na prática; o subjectivo no objectivo; o pensamento no ser; o espírito em matéria, EM DADAS CONDIÇÕES que se realizaram na linha e na organização. Jaz desfeito o falso nó do problema: no início histórico de cada novo processo que avança da ignorância para o saber está a prática social. O ponto de vista da vida é portanto o fundamental da teoria do conhecimento. Mas o processo não pode reverter sobre os seus passos sem que isso represente "reacção”, a negação do saber adquirido e elaborado;
 - A consciência ao determinar-se, não resulta apenas da prática social anterior: reflecte a concepção do Mundo, DA CLASSE de quem a adquire cuja concepção lhe determina o seu grau e qualidade. Esta consciência - De CLASSE - transporta através do indivíduo aquela concepção para a linha política que elabora, condicionando assim - de uma forma profunda e principal que reflecte os seus interesses de classe em grau mais ou menos acentuado - a sua transformação em prática seu oposto dialéctico. Sempre que não corresponde à verdade científica - e isso sucede sempre que não é dialéctica, marxista-leninista-maoista - na passagem à acção dá-se um "choque" insucerável entre a consciência e a realidade tal qual é, em si e não tal quase concebeu. Tornamos a deparar com o princípio da qualidade do saber. A partir da mesma prática social anterior, não todos os tipos de consciência resultantes mas apenas um - o progressista, o dialéctico, o representante da classe revolucionária no momento histórico - consegue, ao defrontar-se de novo com a realidade tal qual é, superar o choque e provocar o salto qualitativo para um nível superior de consciência social.
Afirmar o contrário disto, significa negar o papel dinâmico da teoria revolucionária, pregar a identidade dos contrários, a sua unidade contra e isoladamente da sua permanente e simultânea contradição, contra a continua divisão em dois de tudo o que existe e se move, e não em relação dialéctica com ela. É esta a essência do idealismo subjectivo tão apregoada pelos paladinos triunfalistas da "vitalidade própria das massas" e do "primado da prática no movimento social", cuja significação distorcem ao serviço dos seus interesses. No "Resumo das Lições de História da Filosofia de Hegel" o camarada Lenine afirma que não é dialéctica apenas a passagem da matéria à consciência mas também da sensação ao pensamento etc, e no "Resumo da Ciência da Lógica" repete: "Da intuição viva ao pensamento abstracto, e dele à prática - tal é o caminho dialéctico do conhecimento do verdadeiro, do  conhecimento da realidade objectiva”.
Partir do princípio (se bem que raramente confessado) de que a consciência social é idêntica à existência social - única possível base filosófica justificativa de que o processo espontâneo do movimento de massas possa conduzir por si e na ausência do elemento consciente prévia e forçosamente organiza do à consciência-espontânea - desse mesmo movimento e retombar na aberração "machista" (10) que Lenine desmonta e destrói magistralmente em "Materialismo e Empiriocriticismo". É ainda repetir, em coro harmonioso com os novos revisionistas do tipo de Liu-Shao-Shi, que afirmar todas as realizações do homem são precedidas por ideias é uma posição idealista
De uma rápida análise dos cinco pontos anteriores podemos mesmo, sem necessidade de mais desenvolvimentos, concluir que, mau grado ou bom grado, por muito que desagrade aos campeões da "inutilidade das cúpulas" e da "democracia das bases", da "liberdade do acção espontânea”, do papel criador "em si” de seja qual for a prática social, em sejam quais forem as circunstâncias, (um pouco como os defensores da "liberdade da crítica" que, Lenine desmistifica em "Que Fazer?") eles acabam por não conseguir escapulir-se à lei da predominância do consciente sobre o inconsciente, o instintivo da teoria sobre a prática em todo o tipo de acção, da predominância do subjectivo da sua concepção do Mundo sobre o objectivo da realidade política do Proletariado e das largas massas trabalhadoras. E isto apenas pelo facto de existirem politicamente como correntes que se batem pela aplicação da sua linha política à luta de classes.
Podemos agora, com facilidade, dar ao problema as suas devidas dimensões: a oposição ao papel do elemento consciente, a redução da função dirigente do Partido Comunista a um contingente e hipotético resultado do, ainda por cima bastante "regional", "trabalho de massas" (11); a limitação ao papel escrito da aceitação da tese leninista da sua - do Partido Comunista - imprescindível necessidade para o desencadear de todo e qualquer processo revolucionário consequente, a fúria com que tais pessoas e correntes se encarniçam contra nós condensa-se com precisão num combate ao papel dirigente do Partido do Proletariado, da classe operária, na luta de todos os explorados contra o poder capitalista e imperialista da burguesia através da aliança com o campesinato e da Frente Popular. Este combate é inteligentemente dirigido não tanto contra a ideia de Partido (12) mas contra a sua estrutura leninista, o seu método de construção - do tapo pare a base e por escalões - o centralismo democrático e a disciplina férrea - estrutura essa que constitui por si só a única garantia de imunidade contra o vírus corruptor da ideologia burguesa que domina o movimento operário, única auto-defesa perante os assaltos das demais classes, assaltos feitos menos de cara descoberta do que através de dentro da "barriga" dos "novos cavalos de Tróia", os oportunistas. “É necessário saber combinar a grande doutrina de Marx, En­gels, Lenine e Staline com a firmeza stalinista no trabalho e na luta, com a inconciliabilidade stalinista de princípio para com o inimigo de classe e os desvios da linha do bolchevismo, com a intrepidez stalinis­ta perante as dificuldades, com o realismo revolucionário stalinista. (Aplausos)" (Ultimas palavras do Relatório de JORGE DIMITROV ao VII Congresso da Internacional Comunista. "Da Frente Anti-Fascista à Democracia Popular" Moscovo, 2 de Agosto de 1935)
Como é possível conceber-se, a não ser como provocação, que através de um trabalho de agitação entre as massas em nome afinal de nenhuma linha elaborada, (quando muito de meia dúzia de palavras de ordem desgarradas e na ausência dos instrumentos para as cumprir,) possa surgir nelas - as massas trabalhadoras - a consciência da necessidade de um Partido do Proletariado, DE UMA CLASSE, portanto, de uma parte das massas, para cumulo geralmente não tocada pela dita "agitação"? Em nome do bom senso poder-se-ia admitir - independentemente da circunstância real de não poder sair com efeito Partido de espécie nenhuma uma vez não existir tão pouco um Programa prévio - que se "criasse" a consciência da necessidade de um "Partido de massas"! E isto se, claro, a realidade não fosse como é mas como tais pessoas a imaginam. Chegamos portanto ao ponto de convergência entre revisionismo velho e novo - Movimento pelo movimento; o movimento é tudo, o objectivo final não é nada (Bernstein e os traidores da II Internacional); grande Partido Nacional (Álvaro Cunhal); ‘partido de todo o Povo’ (N. Kruschef) - e a outra face da mesma moeda falsa, o espontaneísmo e o praticismo - “Partido do Proletariado (no papel) e das largas massas, (na prática) o qual há-de surgir do movimento e por virtude do próprio movimento” e todas as de mais concepções de Partido que o não querem grande (em qualidade fundamentalmente) mas INCHADO. Como se fosse possível, uma batata ao apodrecer sob a terra transformar-se dialecticamente no mesmo que uma maça ao desfazer-se para dar origem a nova Árvore! Como se luta pelos seus objectivos imediatos, que são sempre económicos e não poem o poder directamente em causa, pudesse conduzir o Proletariado ou as largas massas exploradas a consciência politica das leis objectivas que regulam o movimento!
Por detrás, a espreitar, o vírus fapista a que alguns se limitaram a mudar o nome querendo aplicar antes da existência do Partido um programa que só adquire valor quando tiver a sustentá-lo o Partido próprio! Este "Partido" desejado, tão sebastiânico como o "levantamento nacional" não passará na verdade, se acaso realizado, de uma Frente, de uma nova FAP SEM PARTIDO, desta vez porém não apenas por falta de condições objectivas capazes de explicar erros de linha como os do CMLP-FAP, de resto autocriticados hoje. E querer deitar o leninismo, de mistura com toda a experiência concentrada da luta de classes até hoje, no saco do lixo das suas cabeças confusas ou vazias mas não menos anti-proletárias por tal motivo.
E assim, os nossos espontaneístas, os novos "campeões do movimento", os deturpadores de maoismo, de Lenine, Sta­line e Marx em nome de Lenine, Staline, Marx e Mao, na sua ânsia incontrolada de reconfirmar toda prática do marxismo-leninismo, tombam afinal sempre na confirmação dos erros e nunca no enriquecimento da prática social e da consciência social. É desta forma que todos os "esquerdismos" ao lado do revisionismo, servem efectivamente as forças da reacção. Para nós o seu papel resta quando muito reduzido ao de "professores pelo exemplo negativo".
Na "Dialéctica da Natureza", afirmava o camarada Engels: “Uma vez que a dialéctica, apoiando-se sobre os resultados adquiridos hoje pela nossa experiência científica da natureza, demonstrou que todas as posições polares, em geral, são determinadas pela acção recíproca dos, dois pólos opostos; que a separação e a oposição destes dois pólos não podem existir senão nos limites da sua conexão recíproca e da sua união; que, inversamente, a sua união reside apenas na sua separação e a sua conexão recíproca na sua oposição não podemos falar de ligação entre dois pólos sem falar da sua luta e divisibilidade, e concluímos facilmente que a divisão, no seu sentido revolucionário é uma boa e não uma má coisa. Ela auxilia a progressão da consciência ideológica do Homem, reforça a unidade dos revolucionários, favorece o desenvolvimento da cansa revolucionária do proletariado e faz progredir a sociedade”.
Tal como o traidor Kruschef perante a questão nuclear que afirmava ser o mundo uno e indivisível face à ameaça nuclear. Deste ponto de vista pertencesses todos à raça humana assim os actuais paladinos da "unidade frente ao revisionismo", como os revisionistas "frente ao fascismo" ou ao "fantasma atómico" vem pregar no fundo a comunhão de interesses entre classes diferentes afirmar que perante a situação objectiva pertencemos todos ao marxismo-leninismo independentemente da classe que se defende ou se ataca objectivamente e não nas intenções. A boa vontade não faz parte dos princípios: pode, se parte de um desejo sincero de servir o Povo e combater os próprios interesses individualistas, vir a auxiliar a tomada de posições correctas, auxiliar a defesa desses princípios. "Devemos atacar a doença para salvar o doente” como nos ensina o camarada Mao, porém, como cor rente ou ideologia, como organização, o doente e a doença identificam-se. Caso contrário, era possível transformar a burguesia em Proletariado... através da critica! Não é por parecer "louvável" que o oportunismo deixa de ser ainda mais perigoso. Defender o contrário significa sobrepor os factores subjectivos aos objectivos e levará conciliação de classes.
A sociedade está dividida em classes e não é possível agir à margem delas seja em que plano for da actividade humana. Alguns camaradas tombaram de certo modo naquela posição colocando as "boas intenções" e as "boas vontades" acima da realidade objectiva e do carácter absoluto da justeza dos princípios, o que constitui uma atitude não leninista de facto. Isso resultou do combate que se desenrola entre a concepção bolchevista de unidade no movimento comunista em Portugal baseado na “unidade-CRITICA-unidade” na “unidade na base e na acção” sobre o terreno concreto da luta contra o inimigo principal, e a concepção oportunista burocrática de “unidade-UNIDADE-unidade” que sobrestima o elemento consciente e o destaca do movimento operário raiz e instrumento do sectarismo e do dogmatismo.
Os defensores mais acérrimos do primado da prática por seu turno, colocaram-se contra a unidade do movimento comunista, precisamente por sobrestimarem o movimento operário espontâneo, destacando-o do elemento consciente. Quer no primeiro quer no segundo caso, encaradas como correntes, estas atitudes vão contra os interesses do Proletariado e servem objectivamente a burguesia.
Como temos vindo a constatar, a unidade e a contradição existente ao mesmo tempo entre o subjectivo e o objectivo como em todo o movimento das coisas, a própria luta de classes, geram constantemente duas linhas no movimento. Como tudo aquilo que é UNO, tende a dividir-se-constantemente em dois aspectos, cada um deles tendendo para se transformar no seu oposto, o choque entre as duas linhas na corrente marxista-leninista tem sido o "motor" da luta ideológica dentro desse movimento. Tal como a luta de classes é o motor da História, esta luta ideológica é predominantemente uma coisa boa e não uma coisa má.
Porém, o prolongamento desta luta e a própria evolução da relação de forças no Mundo, com a deslocação para a Ásia, África e América Latina da "zona das tempestades revolucionárias" tem provocado o afastamento progressivo da consciência do comunismo em relação ao movimento operário na Europa. É nosso dever combater esta tendência com todas as nossas forças o primeiro golpe sério desse combate passa pela construção do Partido Comunista de Portugal.

Notas:
1) Englobam-se nesta designação todas as tendências e correntes que irão desde o anarco-sindicalismo e o populismo ao "frentísmo", passando pelo trotsquismo mais ou menos envergonhado, o castrismo, o guevarismo, o activismo puro o simples, para resumir. As contradições entre elas não apresentam com efeito um carácter, que fosse ser ligado a questões de princípio.
2) Consciência estritamente ligada à luta económica pelas melhorias sociais. Sindicalíssimo, portanto, e também reformismo.
3) Lenine "Que fazer?"
4) Nome dado à corrente marxista-leninista em geral, como ideologia, e à organização comunista em particular àquela época e abandonado mais tarde face à traição da Segunda Internacional ter espalhado confusão a seu respeito,
5) "Notas rápidas sobre as divergências no Partido”, (1905)
6) Do grupo redactorial de vasta crítica revolucionária da Escola do Partido do Comité Central do Partido Comunista da China.
7) Engels, "Para a crítica do Projecto de Programa do Partido Social-Democrata".
8) Citado e sublinhado por Staline em "Notas breves sobre as divergências no Partido" de "Que Fazer?” de Lenine.
9) Ver a carta de Lenine que antecede este artigo.
10) De Ernst Mach.
11) Entende-se aqui por "trabalho de massas" a aplicação prática da linha política que vê na agitação e propaganda indiscriminada junto de certos sectores do Povo (estudantes, intelectuais anti-fascistas, pequena-burguesia do sector comercial e artesão, algum-pouco-semi-proletariado) a forma principal do trabalho de construção do Partido, ou, nalguns casos de reunião de condições para a ... Revolução Popular! O trabalho junto das massas varia na relação directa da linha política e jamais, como o pretendem os "maoistas" de pacotilha, é independente da linha. A deturpação dos ensinamentos do camarada Mao é uma outra variante da deturpação já citada do leninismo,
12) Pois correriam o perigo de serem rechaçados pela parte mais consciente do Proletariado e das largas massas veriam assim prejudicados os seus intentos. Noutros casos, porque a composição de classe de tais correntes lhes confere ainda um certo "tónus" leninista, auxiliado pela actual tendência principal do Mundo que é para a Revolução.







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