segunda-feira, 28 de maio de 2018

1973-05-00 - A LUTA DOS ESTUDANTES - FEML


A LUTA DOS ESTUDANTES


Logo após as gloriosas jornadas do primeiro do Maio, os estudantes da Universidade de Lisboa, desencadearam uma corajosa luta contra a repressão e a presença de gorilas nas faculdades. A presença destes cães de guarda nas escolas é uma vã tentativa da burguesia fascista para impedir que um número cada vez maior de estudantes una as suas lutas à luta mais geral do nosso povo, lute na rua lado a lado com as massas trabalhadoras e populares sob a direcção do proletariado.

No dia 3 de Maio, durante um Meeting em Letras no qual os estudantes da escola decidiram a expulsão da gorilaria, um grupo de outros 100 provenientes de outras escolas que apoiavam os primeiros à entrada, foi agredido por uma granada de gás lançada pelo capitão Maltês. Como resposta trava-se renhida luta, tendo sido danificadas 2 viaturas policiais bem como alguns chuis (um com fractura exposta numa perna). Daqui é movida organizada perseguição aos estudantes resistentes, que por desconhecimento do terreno, são imobilizados de armas apontadas ao peito num canil, pelas bestas de choque.


Segue-se a mobilização da cantina que é barricada - a fúria das bestas abre fogo de metralhadora e pistola - é o atirar para tudo que mexe como quem caça coelhos, isto até à hora da retirada da polícia em que os 5 feridos têm finalmente a possibilidade de serem socorridos. Os estudantes decidem imediatamente em ir para a rua e manifestam-se da Praça do Chile ao Martin Moniz lançando palavras de ordem políticas correctas, respondendo taco a taco à repressão e propagandeando os seus métodos.

Na semana seguinte perante a proibição do plenário convocado para o átrio do Hospital Santa Maria, nova palavra de ordem é lançada para uma manifestação no Cais do Sodré e para outra, o que lançou certa confusão para Sete Rios à mesma hora.

Partiu a primeira do interior da estação dos comboios com bandeiras e dísticos, lançando as pessoas com grande entusiasmo o slogan, muito bem recebido pela população: ”Pão, Paz, Terra, Liberdade, Democracia e Independência Nacional”, bem como ou­tros. Nesta manifestação percorreu o Conde Barão o chegou perto do S. Bento onde se auto dispersou. A outra que arrancou de Sete Rios, apesar de não ter uma direcção consequente lançou gritos, justos que no entanto o eram devido às "massas" que nela participaram já estarem decididamente habituadas a este género de slogans.

Entretanto, nos dias que se seguiram e durante um meeting em Letras, as bestas de choque e os gorilas atacam selvaticamente os estudantes com paus pregados, cães e todo o género de "armamento apropriado" (25 estudantes feridos).

Novamente se marca o plenário para o dia 26 à tarde. Da interdição do mesmo resultara três manifestações. Uma que da Praça José Fontana (onde se encontra o ministério da educação nacional) partiu com slogans, cartazes e bandeiras contra a visita do fascista Médici, presidente do Brasil, aos fascistas portugueses. As outras duas, um a na zona da Graça e a outra já muito mais tarde em Moscavide (ao que parece), foram de condução mais ou menos expontaneista e confusa.

Este balanço provisório das lutas que se travam nas faculdades do nosso país deixam adivinhar que novas e maiores lutas ali se desenvolverão, quaisquer que sejam os métodos repressivos utilizados pela burguesia colonial-fascista.

Vendo com esperança que as forças autenticamente revolucionárias afrontam com decisão e coragem os esbirros fascistas de uma maneira organizada, que elas deixam para trás todos os traidores e oportunistas que colaboram com os exploradores ao procurarem canalizar as lutas populares no beco sem saída do pacifismo e da resignação ou que se escondem atrás do uma ”teoria do protecção dos quadros”, o Povo português Manifesta o seu apoio activo às vítimas da repressão e a sua determinação a continuar a luta.


- VIVA A LUTA DOS ESTUDANTES

- VIVA A FEML!

- ABAIXO A REPRESSÃO FASCISTA!



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