quarta-feira, 2 de maio de 2018

1973-05-00 - AOS ESTUDANTES DO 3º ANO - Movimento Estudantil


AOS ESTUDANTES DO 3º ANO

A MILITARIZAÇÃO DA CADEIRA DE TPDE
Importado de Paris há dois anos o prof. Alfredo de Sousa é uma das armas com que as autoridades academias contam para impor em Económicas as suas sucessivas reformas.
Nestes dois anos, ainda que com alguns processos desenvolvidos pelos estudantes, o prof. Sousa, tem saído vitorioso, impingindo o seu entulho cultural pretensamente científico, impondo os métodos mais autoritários com vista à submissão total dos estudantes ao ensino do “desenvolvimento" económico que procura ocultar a exploração a que os povos da África, da Ásia e da América Latina estão sujeitos por parte das grandes potências imperialistas: EUA, URSS, Japão, Alemanha, Inglaterra, indicando supostos processos técnicos e modelos de desenvolvimento, que na realidade só conduzem à acentuação da dependência e da opressão desses países explorados.

70/71 - A APRESENTAÇÃO DO PRODUTO
No primeiro ano em que foi lançado em Portugal, não só ao nível do ensino como nos diferentes tachos, bancos, etc., o prof. Sousa trouxe consigo um programa todo pluralista, "aberto à discussão e ao debate", com propostas dignas dos melhores lacaios da burguesia francesa que nas escolas procuram utilizar os métodos subtis para enquadrar as fortes e amplas movimentações estudantis em França.
A par de um programa para as aulas teóricas em que se fazia como introdução à apresentação do desenvolvimento das diferentes regiões do mundo nos últimos séculos, seguida das diferentes concepções explicativas desses processos de desenvolvimento, o prof. Sousa propôs aos estudantes aulas práticas para estudo da evolução dos diferentes países. Por exemplo EUA, e Brasil, URSS e Japão, etc., é mesmo o caso português (bom, desde que não se falasse nas colónias!)
Foi breve este "ar primaveril" do prof. Sousa. É que a França não é Portugal e há que adaptar-se à situação de lacaio do fascismo.
Quando os estudantes põem em causa o conteúdo de classe burguês do ensino ministrado, quando desmascaram que para estudar o "desenvolvimento e desenvolvimento"  necessário conhecer as causas que conduziram à situação de desigualdade entre os países e não ficar apenas pela constatação de dados indicativos do estado de desenvolvimento, quando os estudantes mostraram que a situação actual de miséria e fome em que vive a maioria da população do globo se deve à exploração e rapina imperialistas de um punhado de nações capitalistas, o prof. Sousa faz uma viragem de 180 graus na sua política liberaloide.
Tentou afastar das aulas práticas a discussão da matéria numa perspectiva científica, levar os estudantes a desistirem dos trabalhos de grupo que encetaram lançando o sistema dos testes, impondo limitações de datas para a sua entrega e exigindo que os trabalhos abrangessem na íntegra o "seu" programa. Com uma forte movimentação no início os estudantes só saíram derrotados devido a insuficiências organizativas e principalmente às linhas oportunistas que na altura campeavam ao nível da direcção do M.A. em Económicas. Cerca de um terço do curso que forçou o prof. Sousa a aceitar os seus trabalhos e a discuti-los acabou no entanto, por ser remetido para exame final onde a maior parte chumbava.

71/72 - A MILITARIZAÇÃO DA CADEIRA DE TPDE
Para este ano enriquecido com a difícil experiência anterior, o prof. Sousa mostrou a sua verdadeira face desde o começo, tentando transformar as suas aulas e a cadeira num quartel. Tal, como os operários nas fábricas, os soldados nas casernas, os estudantes nas escolas teriam que ser docilizados para serem manejados a belo prazer dos seus patrões. De certo modo, A. Sousa falhou este projecto no ano anterior.
Em 3 aulas um caderno para as práticas e um capítulo da teórica, relatórios ao fim de dois cadernos e dois capítulos, aulas de exposição sem interrupção, relatórios com questões obrigatórias, nada de quaisquer trabalhos com perspectivas diferentes das que apresentava.
Resultado: relatórios para quem conseguiu aguentar a difícil maratona e as centenas de folhas de papel, desistência de grande parte do curso e, para os sobreviventes ainda esperançados o terror do exame final onde mais de 80% reprovou.
Com fins eleitoralistas foi iniciado um processo na cadeira que pela sua natureza acabou por cair bem cedo. Alfredo de Sousa com a passividade da direcção reformista da Associação mandou como quis.

72/73 – O APERFEIÇOAMENTO DA MÁQUINA TPDE
Com alguns retoques, inchado pelo sucesso 71/72 A. Sousa logo no início do ano pôs a rolar a máquina aperfeiçoada que é a cadeira de TPDE, a funcionar mais ou menos nos moldes do ano passado.
Mas a máquina começa já a emperrar.
Os estudantes estão já a ver que a situação é bem simples. Ou se aguenta o ritmo das aulas e da avaliação, se entregam os relatórios obedientemente segundo os cadernos da prática e as folhas da teórica, no prazo fixo e sem qualquer contestação ou se é enviado para exame final onde o chumbo está à espera. Esta é a chantagem de A. Sousa com tudo o que traz de autoritarismo, selecção e submissão ideológica, que é característico da universidade ao serviço do capital.
Quanto à "dignidade" do ensino que o prof. Sousa diz defender sabemos bem o que representa. A "dignidade" da escola burguesa é formar bens quadros para as empresas e oficiais para a tropa colonialista. É o que Alfredo de Sousa pretende fazer de nós. A sua preocupação de assegurar o "mínimo de preparação técnica é profissional" dos estudantes está bem patente quando diz que sumário afixado equivale a matéria dada. Além da chantagem vem a farsa!
Nas aulas teóricas e nas práticas os estudantes começaram já a discutir e a organizar-se para fazer face à militarização da cadeira e à veiculação da ideologia burguesa.

A NOSSA TAREFA É ORGANIZARMO-NOS PARA COMBATER O PROF. SOUSA E O ENSINO QUE REPRESENTA
À volta de reivindicações concretas, nós estudantes do 3º ano de Economia devemos unir-nos numa sólida organização de curso para impedir mais um massacre à Alfredo de Sousa e fazer recuar um dos principais pilares da selecção e de todo o ensino em Económicas.
Em primeiro lugar, não podemos permitir que enquanto nas teóricas o prof. Sousa vomite a matéria a velocidade supersónica, nos impinja mais matéria teórica disfarçada de cadernos para as aulas práticas. Estes cadernos não são mais do que uma forma de dar matéria teórica, exigível para avaliação de conhecimentos, sem dele ter sido feita qualquer exposição. Devemos exigir que o prof. Sousa tornar os cadernos objecto de avaliação de conhecimentos, que os exponha nas aulas teóricas e que as práticas sejam efectivamente utilizadas para trabalhos práticos.
Em segundo lugar devemos impor a possibilidade de discutir a matéria que está a ser dada e combater o seu conteúdo errado e reaccionário. Isto tem imediata aplicação também nos relatórios ou trabalhos. No sentido da militarização da cadeira A. Sousa exige respostas num relatório sobre questões bem precisas e limitadas que não permitem o desenvolvimento da capacidade de análise e exposição dos estudantes, sobre terias tão vastos como o comércio internacional, os clássicos, Marx. Pretende submeter os estudantes aos limites da ideologia que veicula nas aulas e a ideologia burguesa colonialista-racista.
Por isso não podemos permitir a entrega dos relatórios ou testes para 5 de Maio ou mesmo para 10. Não são mais 5 dias que vem resolver o problema de TPDE. Sob a forma como a matéria tem sido dada e da necessidade de os cadernos serem dados na teórica ou não serem exigíveis para avaliação de conhecimentos devemos discutir imediatamente nas aulas práticas, como deve ser feita a avaliação e a entrega de trabalhos, relatórios, testes, etc., não esquecendo de defender que só poderá ser objecto de avaliação de conhecimentos a matéria exposta nas aulas teóricas.
Ao entulho cultural alfredino oponhamos o estudo em bases científicas do desenvolvimento histórico das sociedades, estudando a sua evolução e as relações entre os diferentes países nas diferentes épocas históricas. Discutamos em grupos de estudo e de divulgação as concepções científicas, o materialismo dialéctico e histórico.
Devemos mobilizar-nos em força para impedir que A. Sousa transforme TPDE num quartel. Nas práticas digamos não à divisão que o ano anterior conseguiu lançar entre os estudantes.
Forte unidade, sólida organização, participação de todos os estudantes, são garantia da vitória.
Na tua turma prática ou teórica discute estas questões. Comparece às reuniões de curso e participa nos grupos de trabalho que forem formados.
Propomos concretamente
- REUNIÃO DE CURSO - TPDE – 4ª feira, 2 de MAIO às 18 horas.
- REUNIÃO 6ª feira- 27/4 - 18 horas - Grupo de trabalho para organização da discussão o informação nas turmas. Lançamento do Trabalho pedagógico-cultural.
- CONTRA O AUTORITARISMO E A MILITARIZAÇÃO DE TPDE!!
- CONTRA A VEICULAÇÃO DA IDEOLOGIA BURGUESA!
- PELO CONHECIMENTO CIENTIFICO AO SERVIÇO DAS MASSAS TRABALHADORAS!
- QUE NINGUÉM ENTREGUE RELATÓRIOS NO 5 (10) DE MAIO SEM DISCUSSÃO EM REUNIÃO DE CURSO
- FORTE UNIDADE, SÓLIDA ORGANIZAÇÃO, PARTICIPAÇÃO ACTIVA NO TRABALHO DE CURSO DE TODOS OS ESTUDANTES!

ESTAR NA LUTA




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