domingo, 6 de maio de 2018

1972-05-06 - 1º de MAIO no Porto - Comités Operários - OCMLP


1º de MAIO no Porto
informação

Desde o dia 10 de Abril que a ORGANIZAÇÃO COMUNISTA MARXISTA LENINISTA PORTUGUESA (O GRITO DO POVO) e os COMITÉS OPERÁRIOS tinham lançado ma grande campanha de agitação e propaganda com vista à mobilização das massas trabalhadoras para a comemoração do DIA 1° do MAIO - DIA MUNDIAL DO TRABALHO - numa manifestação na Praça da Liberdade pelas 19 horas.
Durante cata campanha foram distribuídos cerca do 100.000 panfletos convocatórios, feitas centenas de pichagens (inscrições), afixados centenas de cartazes e de selos autocolantes nas fábricas, bairros operários e populares, quartéis e zonas rurais doa arredores da cidade.

Desde o início deste ano que a classe operária e as massas trabalhadoras se tinham mostrado na disposição de lutar cada voz com mais determinação contra a exploração capitalista, contra a guerra colonial assassina, por aumento do salários, pela revolução Popular e pelo Socialismo assim na região do Porto, logo no princípio do ano os Pescadores do Arrasto entram em greve por nova matrícula (contrato colectivo) e durante 23 dias mantém-se unidos e organizados até que os patrões se comprometam a ceder a partir do 1 de Abril, esta greve acaba vitoriosa pois os armadores são obrigados a ceder em quase tudo os descarregadores do peixe de Matosinhos fazem greve não descarregando o peixe durante dois dias por aumento de salários e por um horário do trabalho fixo; a seguir são os pescadores de traineira que a partir do dia 1 de Abril entram em greve por nova matrícula e ainda neste momento continham a sua luta unidos como um só, até que os patrões cedam. Esta luta irá acabar com mais uma vitória para os pescadores! Quando lutamos unidos e organizados os patrões recuam! Na Sepsa os operários concentram-se em frente do gabinete do mais directo representante dos patrões (o canalha Carlos Ribeiro) e entram em greve pelo feriado a que têm direito gritando "Não às comissões" "Queremos feriado", esta luta continua pois ainda não obtivemos e feriado. Mas ele é certo se continuarmos a lutar unidos e organizados! Todos sabemos que só nós podemos conquistar o feriado a que temos direito, já que os “compromissos" o "negociatas" patrões “sindicato" em nada nos favorecem. Os operários da Alumínia que em fins de Março se concentraram em número de cem no INTP voltando a exigir o pagamento das "broas" de Natal e a normalização dos turnos, agitam-se de novo em torno destas reivindicações ainda não satisfeitas, pois como do costume quer e INTP quer o "Sindicato" nada resolvem e só atrasam resoluções para que nós nos esqueçamos.
Entretanto a agitação crescia a medida que a propaganda da O.C.M.L.P. (O GRITO DO POVO) e dos Cs. Os. ia consecutivamente sendo distribuída. Nem as ameaças da burguesia aumentando todas as formas de intimidação - operações stop, rusgas de identificação, indo até ao ponto de avisar que quem se deslocasse entre as 3h a as 7h da manhã nas ruas da cidade poderia ser revistado, aumentando as patrulhas de carro, a pé, de motorizada e com cães nas zonas fabris e populares - nem com tudo isto conseguiram que a Organização mobilizasse as largas massas trabalhadoras.
O medo dos burgueses crescia o assim no dia 30 de Abril é distribuído um "comunicado pela Pide-D.G.S. em como de costume se proibiam as manifestações ameaçando quem nelas tomasse parte de ser preso pela Pide-D.G.S., e no qual principalmente tentavam fazer crer que toda agitação e propaganda (e porque não também as lutas atrás referidas?!!) era obra do chamado "movimento estudantil"!!! É verdade que também os estudantes revolucionários se tinham manifestado violentamente contra a propaganda racista do chamado "Festival de Coros Universitários", mas daí até dizer que a mobilização das largas massas trabalhadoras tivesse alguma coisa a ver com isto, é pura “charlatanice" da Pide que desta vez não engana ninguém, pois fica muito atrás dos “vendedores-de-banha-de-cobra"!
A greve na Sepsa, a luta na Alumínia e as greves dos Pescadores têm alguma coisa a ver com os estudantes? Quem engole semelhante patranha?
Apesar de todo aparato da P.S.P., G.N.R, Pide-D.G.S., e demais forças repressivas na noite de 30 de Abril para 1º de Maio, foram espalhadas pela cidade pequenas bandeirolas vermelhas com os dizeres "1º Maio" e no cimo do Monte Caulino de S. Gens foi hasteada uma grande Bandeira Vermelha da Organização Comunista Marxista Leninista Português (Grito do Povo) que desfraldando ao vento durante toda a manhã do Dia lº do Maio dava as saudações comunistas a milhares de trabalhadores que a observaram das zonas fabris vizinhas e muitos outros que aí se deslocavam propositadamente para observarem emocionados, no seu dia 1º do Maio a sua Bandeira Vermelha flutuar no céu de Portugal!
A tarde na “baixa" milhares de trabalhadores concentraram-se nas imediações da Praça respondendo assim ao apelo lançado pela O.C.M.L.P. e os Cs.Os.
A partir das 18 h, cortando o trânsito e impedindo quem quer que fosse de entrar na Praça, a polícia fortemente concentrada nos locais de acesso, manda dispersar, não permitindo a concentração que se iniciava. Ao fazer isto a Policia mostrou ter medo das massas quando organizadas e dispostas à luta. Senão vejamos, quando é que, no Porto, a Polícia impedira uma concentração cerca de uma hora antes para o início da manifestação? Nunca! A táctica usada pelas forças repressivas era deixar juntar, concentrar o Povo e depois carregar sobre os manifestantes. Como se vê, foi a certeza de que as massas concentrar-se-iam e arrancariam numa grande manifestação que levou Polícia a impedir tal concentração, com o fito de dividir as massas e assim tudo acabar em nada ou apenas com algumas cacetetadas.
O inimigo de classe conseguiu em parte os seus objectivos não permitindo aos operários e demais trabalhadores que se deslocaram à "baixa" respondendo ao apelo da O.C.M.L.P. (O Grito do Povo), dos Comités Operários e dos CREC's (Comités Revolucionários De Estudantes Comunistas) que se concentrassem.
Era evidente o medo da Burguesia!
Desta vez não tinham sido (como no ano passado também já não foram) os revisionistas do Partido "Comunista" Português (que do Comunista só tem o nome) nem os estudantes trotskistas, nem os "homens das bombas, apesar de certo fogo-de-artifício de uns e doutros que se serviu para que a repressão mais paleio utilizasse para tentar assustar o Povo, desta vez, a única Organização a convocar a manifestação do 1º de Maio para a Praça da Liberdade às 19 h foi a O.C.M.L.P. (O Grito do Povo) e os Comités Operários!
Não era a tal ”meia dúzia das bombas"!
Não era o tal “movimento associativo, estudantil"!
Era a Organização de Vanguarda do Proletariado que durante 20 dias consecutivos, arrojando com todas as dificuldades e rompendo todas as barreiras que o inimigo de classe, a Burguesia, com as suas forças repressivas tinha levantado, distribuindo nas fábricas, nos bairros, nos quartéis, nos campos e nas ruas as convocatórias que o Povo Trabalhador leu o apoiou.
Os milhares de trabalhadores que a partir das 18 h do Dia 1º de Maio começaram a chegar à "baixa", eram outros tantos manifestantes decididos, que como já não pudessem entrar na Praça, se concentraram em vários pontos de acesso à mesma.
Não arrancamos com uma grande manifestação de massas. Ainda não foi este ano que conseguimos mostrar-nos suficientemente organizados para vencermos todos os obstáculos que o inimigo amedrontado nos criou ao impedir que nos concentrámos-mos.
Apesar de tudo os militantes que verificaram ser impossível de momento arrancar com uma manifestação de massas na Praça, lançaram uma manifestação em Carlos Alberto!
Cerca de uma centena de operários, trabalhadores e estudantes agitando bandeiras vermelhas pintam a tinta vermelha a foice e o martelo e a estrela de cinco pontas (símbolo comunista que representa a aliança operário-camponesa na luta do classes) o "Abaixo a Guerra Colonial Assassina" no sopé do monumento ao soldado desconhecido, gritando bom alto "VIVA O 1º DE MAIO", seguindo, perante o contentamento e o apoio das massas, por Cedofeita engarrafando o trânsito! Alguns muitos depois em Júlio Dinis novo grupo de simpatizantes, operários, trabalhadores e estudantes, com uma bandeira vermelha à frente apedrejaram as montras dos bancos Totta & Açores, Português do Atlântico o Nacional Ultramarino, ao mesmo tempo que gritavam bem alto "VIVA O 1º DE MAIO".
É também importante noticiar a resistência violenta das massas, noutros pontos, à polícia, constituindo-se assim vários focos de luta dispersos por uma grande área, onde se concentravam para cima de 20.000 trabalhadores.
É importante verificar até que ponto a repressão e os falsos "amigos do povo”, reformistas, revisionistas, trotskistas e toda a gama de oportunistas conseguiu opor-se às massas trabalhadoras quer tentando dividi-las e confundi-las, dizendo "que se lute" sem dizer hora nem local, quer usando "bombas" sabendo muito bem que as massas se vão afastando de tais actos. Assim mais uma vez aprendemos com os nossos erros e insuficiências. Mas temos a certeza que a próxima vez será melhor. No ano passado fomos 8.000, este ano éramos já cerca de 20.000. No ano passado não só passou de uma concentração com empurrões. Este ano arrancou-se com uma manifestação em Carlos Alberto iludindo por completo todo o aparelho repressivo que apesar de muito próximo nada pode contra os manifestantes unidos o organizados. A manifestação em Carlos Alberto deu confiança às massas trabalhadoras que pela primeira vez viram bandeiras vermelhas numa manifestação pública do 1º de MAIO apoiando vivamente o grupo iniciador. Em Júlio Diniz, os populares que passavam, apoiaram o grupo que apedrejou as montras. O inimigo sentindo-se impotente, pois nem uma única baixa nos causou, e vendo-se enganado quando conseguiu chegar a Carlos Alberto e a Júlio Diniz, procurou descarregar o seu ódio sobre as massas, batendo indiscriminadamente em quem quer que fosse. Ficou provado que se massas foram para a rua dispostas a lutar contra a exploração capitalista. Temos a certeza que no próximo 1º DE MAIO será mais uma gloriosa jornada de luta e de confraternização dos operários e restantes massas trabalhadoras.
Mas o 1º DE MAIO é apenas uma entre muitas outras das nossas lutas. Não é só no 1º DE MAIO, mas também e principalmente nas fabricas, nos campos nos quartéis e nos bairros que a nossa luta deve continuar todos os dias. Impõe-se pois que o trabalho de reforço da organização e de ligação às massas continuar e que cada vez mais avançarmos decididamente para a construção do PARTIDO que há-de conduzir as massas à vitória final!

abaixo o exploração capitalista
abaixo os traidores reformistas, revisionistas, trotskistas, e demais canalha oportunista
abaixo a guerra colonial assassina
viva a classe operária
viva a aliança operário-camponesa
viva ajusta luta dos povos das colónias
viva o internacionalismo proletário
viva o 1º de MAIO
EM FRENTE PELA REVOLUÇÃO POPULAR
Pelo socialismo e o comunismo

comité pró-partido do Porto da Organização Comunista Marxista Leninista Portuguesa
(o grito do povo)
os comités operários

6-3-73


Sem comentários:

Enviar um comentário