sexta-feira, 13 de abril de 2018

1978-04-13 - Unidade Popular Nº 156 - PCP(ml)

Ingerência intolerável

Brejnev está com medo. No Pravda de 9 de Abril os novos czares do Kremlin ameaçaram o governo português com o corte de relações diplomáticas, caso não proibisse a realização da Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Imperialista Russa. O Pravda dizia concretamente que a Conferência «é um acto inamistoso destinado a prejudicar as relações luso-soviéticas». A desinformação social-imperialista lançava as habituais calúnias ao classificar os promotores da Conferência como «um grupo de aventureiros políticos conhecido pelas suas ligações com os centros neofascistas nacionais e  estrangeiros».

A violenta e agressiva ameaça do Pravda de Moscovo apareceu apenas três dias depois de o Pravda de Lisboa - O Diário da manhã - lançar uma séria de provocações e intimar o governo português a proibir a Conferência de Lisboa. Os Pravdas de Moscovo e de Lisboa estão sintonizados exactamente na mesma onda. O Diário chamava à Conferência «uma comissão de fanáticos da extrema-direita», produtores de «anticomunismo», «grosseira provocação», diz que a iniciativa «começou a ser preparada há meses fora de Portugal em reuniões promovidas por conhecidas organizações fascistas internacionais», etc., etc., etc.
A linguagem agressiva - contrastando com as habituais referências pseudo-humorísticas com que o Pravda em português costumava brindar a Conferência de Lisboa - visava mais que a provocação. Visava a intimidação.
Pretende colocar Mário Soares com «problemas de consciência» e até aconselha o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sá Machado a pôr «um basta oficial» à Conferencia de Lisboa, isto é, intimida o Governo a proibir a sua realização com a ameaça de que se tal não acontecer, o social-imperialismo cortará as relações diplomáticas com Portugal. Esta é a linguagem típica do imperialismo sob a capa da defesa das «relações de amizade» com um país «socialista».
Nem o Pravda de Moscovo nem o Pravda publicado em Lisboa provam uma palavra do que afirmam, porque sabem que não podem fazê-lo. Limitam-se à calúnia, à ameaça, e, no caso do pasquim russo, à intolerável ingerência nos assuntos internos de Portugal. Portugal é um país independente. Nem o povo português nem o Governo precisam dos «conselhos» da superpotên­cia social-imperialista.
Com as suas provocações e intimidações, os novos czares e seus lacaios não vão conseguir intimidar os patriotas e democratas europeus que se empunham nesta iniciativa corajosa sem precedentes.
Não vão conseguir criar com plexos de direita - porque os organizadores da Conferência de Lisboa e as forças patrióticas e democráticas que as apoiam sabem que a extrema-direita fascista dos nossos dias é a camarilha dirigente social-imperialista e as suas quintas-colunas.
Os escarros fascistas do Pravda e d'O Diário são disso uma prova. Como é uma prova de que os sociais-imperialistas estão desesperados perante a denúncia e o desmascaramento lúcido e real que a Conferência de Lisboa sobre a Ameaça Imperialista Russa fez e fará quando se realizar em Maio próximo.




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