sexta-feira, 13 de abril de 2018

1978-04-13 - Luta Popular Nº 591 - PCTP/MRPP

EDITORIAL
1.º DE MAIO VERMELHO: A RESPOSTA OPERÁRIA

A situação em que as diversas classes se preparam este ano para assinalar (ou não) o 1.º de Maio é mais favorável do que nunca para que os operários bem se apercebam do quem realmente têm na sua barricada, e de quem povoa a do inimigo no decurso do grande confronto de classe cujas primeiras escaramuças se começam já a dar. E compreende-lo é indispensável, para que o sector mais avançado e combativo da classe possa fazer do 1º de Maio uma jornada de reforço da consciência política e da unidade das largas massas em torno duma resposta autónoma,  proletária, às medidas de exploração, de opressão de fome e de miséria que a santa aliança de todos os sectores da contra-revolução sobre ela já começou a abater. Para que o 1.º de Maio seja Vermelho, de luta contra a ditadura do capital e o seu programa antipopular, e não amarelo e de traição, de desmobilização, de capitulação ante tal programa, como pregam e pretendem os revisio­nistas.

O grande capital no seu conjunto tenta ultimar os preparativos para entrar directamente em cena contra o movimento operário e popular. Após ter feito aprovar, no ano transacto, por todos os seus partidos na A.R., um vasto programa legislativo contra-revolucionário — o enquadramento legal de um tal ataque —, apresta-se agora para o levar à prática e à sua solução para tentar sobreviver à crise, nomeadamente através da execução das sinistras medidas previstas no Plano e Orçamento ora em discussão no Parlamento. Para tal afastou do caminho, pelo menos de facto, o pusilânime, impotente e já inútil governo «socialista», limpou as forças armadas dos últimos abencerragens abrilistas do MFA que lhe serviram de cobertura até aqui, e celebrou — ponto de fulcral importância — um acordo político (expresso ou tácito é indiferente) no seu seio entre o centro da contra-revolução ligado ao imperialismo e o representante dos interesses do social-imperialismo revisionista soviético. Mediante tal contrato, salvaguarda-se sob a pata do P«C»P o domínio de centros vitais da economia como sejam a chamada zona da «reforma agrária» e certos sectores das empresas nacionalizadas, bem como se permite a intervenção do partido social-fascista em certas esferas do poder, nomeadamente nos órgãos de «informação». Em contrapartida, os revisionistas assumem a tarefa de bombeiros da luta de classes, não atacando a política reacionária do Governo, mas somente este ou aquele aspecto parcial, este ou aquele ministro; travando as greves, desarticulando-as em pequenas paralisações a conta-gotas ou impondo-lhes quer objectivos reaccionários e facilmente recuperáveis pelo capital, quer vergonhosas capitulações; tomando a cargo, muito em especial, a defesa das medidas do Plano e do Orçamento — cabaz da fome, carestia, corte do crédito e falências, desemprego, etc,... — e a apologia da sujeição ao «diktat» do FMI. Ou seja, abafando e reprimindo a todo o transe o levantamento do povo trabalhador contra a cabazada de fome e de miséria que contra ele se vai abater. Ser a almofada protectora e, quando necessário, o bufão e o cacete da sua aplicação contra as massas, e participar na partilha dos réditos do saque — eis o essencial do acordo do P«C»P com o Governo P«S»/CDS.
Em vésperas do 1.º de Maio, a contra-revolução une-se como um todo num esforço desesperado para esmagar a Revolução.
A nenhum trabalhador consciente tal situação passa despercebida. A verdadeira sabotagem em curso das greves dos funcionários públicos e dos professores, visando  utiliza-los como instrumento de pressão do P«C»P junto de ministros que lhe não agradam no elenco governamental e impedir a explosão e a luta desses sectores oprimidos da pequena burguesia, as infames cedências impostas às greves da Aguieira, da SNS e outras, a tentativa de sabotar a todo o transe a unificação sectorial ou regional do movimento grevista principalmente dos operários, a política de reprimir desesperadamente toda e qualquer greve geral esvaindo-as em pequenas paralisações — tudo isso mostra que a política do P«C»P é a de tentar apagar as chamas da luta e da revolta, ao mesmo tempo que as reduz àquele limite indispensável a poderem servir de ariete e tropa de choque à partilha do poder em favor do P«C»P.
Se dúvidas houvesse, o próprio P«C»P se encarregou de as desfazer; abrindo caminho e colaborando solícita e activamente na aplicação do Plano e Orçamento do FMI, ouvimos serem os seus melhores advogados os dirigentes do P«C»P e da sua Intersindical. Apodando de «grandes vitórias» a demagogia do aumento de 20% no salário mínimo para esconder que os preços em geral aumentarão acima dos 30%, celebrando na A.R. os «importantes aspectos positivos», do Plano e do Orçamento e finalmente — pela boca do próprio Barreirinhas — considerando ser «indispensável» o acordo com o FMI e oferecendo a «colaboração» do P«C»P ao Governo.
É a expressão de tal «colaboração» que visa ser o 1.º de Maio amarelo da iniciativa do P«C»P/Intersindical e demais grupelhos seus lacaios. É o amarrar da classe operária e do povo, da sua revolta, da sua luta e das suas esperanças ao carro de tal conluio contra-revolucionário que se pretende com o 1.º de Maio dos revisionistas, neo-revisionistas e demais oportunistas. Primeiro de Maio esse que, a despeito de organizado pelo P«C»P, é, do ponto de vista da política e da ideologia que encerra, encomendado a este partido pelo conjunto da contra-revolução.
Sob o pretexto reaccionário de defender a Constituição — lei geral da burguesia à sombra e em nome da qual o grande capital se reforçou, legislou e se dotou dos instrumentos políticos, económicos e militares indispensáveis para cair sobre o povo (e que agora se prepara já para dispensar como imprestável...) — e com o chamariz da «luta contra o aumento do custo de vida», o que o 1.º de Maio amarelo revisionista visa é levar a cabo a grande festarola da traição, da capitulação e da derrota ante as exigências do FMI, o cabaz da fome, e as medidas de carestia, de desemprego e da intensificação da exploração. O que ele prepara é o ambiente para o lançamento duma nova «batalha da produção» cujos créditos serão escrupulosamente partilhados por imperialistas e social-imperialistas. É o 1.º de Maio das «negociações indispensáveis» com o FMI, das «grandes vitórias» do cabaz da fome e seus salários mínimos, da traição do movimento grevista — o 1.º de Maio da solução do grande capital para a crise. Como pode aliás algum elemento do povo, por iludido que esteja, aceitar a coerência de um tal 1.º de Maio «contra os aumentos», se os seus promotores celebram como «magnífica conquista» a adopção do novo salário mínimo, certamente porque acham que ele pode fazer face aos aumentos e ao cabaz?
Não admira portanto que os demais partidos e sectores da burguesia se tenham abstido de qualquer demagogia ou celebração sobre o assunto — nomeadamente os «socialistas» — entregando a tarefa do 1.º de Maio mordaça, do 1.º de Maio do cabaz e do FMI ao partido mais capaz de a levar a cabo: ao partido burguês para os operários, ao partido revisionista. Mais do que nunca, neste 1.º de Maio, toda a contra-revolução e seus lacaios estão abraçados numa única e mesma festa de traição!
Poderão os operários ficar de mãos atadas nesta situação? É evidente que não!
Uma grande onda de indignação e de descontentamento contra as medidas do Governo e os seus cúmplices e executores do P«C»P, percorre as massas populares. O povo aprendeu com 4 anos de traição e de mentira, aquilo que não queria: a política da burguesia, a política dos partidos da democracia burguesa e do seu regime. Esse é um passo indispensável para vir a compreender que existe uma alternativa autónoma e revolucionária para tal situação, para vencer a crise: a de atacar as causas profundas da crise, a de adoptar a política e as medidas que permitam aos operários e camponesas rechaçar a solução do capital e tomar consciência da necessidade de marchar à tomada do poder político. O 1.º de Maio Vermelho, o 1.º de Maio que o PCTP convoca em unidade com todos os trabalhadores democratas e forças populares, tem de ser a voz, a espada e a luz duma tal revolta! Para que ela, a despeito da sua intensidade, não seja vã, não marche para a derrota, sem rumo e sem direcção,
O 1.º de Maio Vermelho, contra o 1.º de Maio amarelo da contra-revolução, deve ser a tribuna e a arma na via da Revolução Democrática e Popular, do Socialismo e do Comunismo!
O 1.º de Maio Vermelho, contra o 1.º de Maio amarelo do FMI, do cabaz da fome, das medidas antipopulares de miséria e desemprego do Governo e do P«C»P, contra a solução do capital para a crise, deve ser a tribuna e a arma da luta contra a exploração imperialista e social-imperialista, contra a carestia, contra os despedimentos, contra o regresso dos patrões e as desnacionalizações, contra o abaixamento e o congelamento salarial, contra o aumento do horário e o agravamento dos ritmos de trabalho, contra a repressão e a legislação antioperária — pela Solução dos Trabalhadores para a Crise, pelo Governo Popular!
O 1.º de Maio Vermelho, contra o 1.º de Maio amarelo da traição revisionista, deve ser a tribuna e a arma do reforço da unidade dos trabalhadores no seio das suas organizações próprias e autónomas como condição indispensável para responder e contra-atacar à política do capital: varrendo os revisionistas das organizações onde se acoitam, erguendo novas organizações de massas onde não existam ou contra as que existem apodrecidas pelo revisionismo, edificando no calor da luta de classes o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses!
O 1.º de Maio Vermelho, de norte a sul do país, em cada fábrica, escola, aldeia, cidade, deve ousar erguer a sua bandeira de luta e de protesto, deve ousar ser a resposta operária e popular à bota do capital estrangeiro, dos monopólios e dos latifundiários; deve ousar ir contra a corrente das ilusões, das desilusões e da mentira não temendo nunca estar em minoria, deve ousar ser a luz da esperança e a força dirigente para o vulcão da revolta popular.






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