quarta-feira, 11 de abril de 2018

1978-04-11 - O Comunista Nº 07 - PC (ml) P

EDITORIAL
Um 1.° de Maio de unidade e luta pelo Caderno Reivindicativo dos trabalhadores


Apenas três semanas nos separam do 1.º de Maio. Data histórica que a classe operária, os camponeses pobres e os restantes trabalhadores portugueses têm celebrado como um dia tradicional de luta revolucionária e democrática pelos seus direitos.

Reunida a Comissão Politica do Comité Central do Partido Comunista (marxista-leninista) Português para análise das actividades partidárias no 1° de Maio, o Partido foi chamado a pôr em tensão todas as forças na organização de uma jornada de luta em defesa das Conquistas Populares de Abril, claramente demarcada politicamente das realizações que este ano o Secretariado da CGTP-IN, afecto ao falso PC, irá levar a cabo por todo o país, com o apoio dos dirigentes da «UDP/PCP(R)», da UEDS e demais «esquerdistas» pequeno-burgueses.

Para o nosso Partido, as comemorações revolucionárias do 1° de Maio que se venham a desenrolar no país, em oposição às da Intersindical, deverão subordinar-se, este ano, ao tema central de exigência ao Governo dos capitalistas do cumprimento das reivindicações imediatas inseridas num autêntico Caderno Reivindicativo dos trabalhadores portugueses.

O projecto de Caderno Reivindicativo apresentado à USAM pelo Sindicato dos Metalúrgicos e Ofícios Correlativos do Distrito do Funchal encerra essas condições, pelo que o nosso Partido lhe dá todo o apoio, e mobilizará os seus militantes para a sua divulgação em todo o pais aos trabalhadores e ao Movimento Sindical.

Em virtude do único caderno reivindicativo de âmbito nacional que existe ser o apresentado pelo Secretariado da Inter no plenário de 4 de Fevereiro onde foi aprovado, o Sindicato dos Metalúrgicos do Funchal decidiu apresentar um Caderno Reivindicativo de âmbito nacional, cuja primeira e fundamental reivindicação é a defesa das Conquistas Populares de Abril.

No momento actual, defender as Conquistas Populares de Abril é o único critério político correcto para que os trabalhadores portugueses e o Movimento Sindical se unam e estabeleçam as suas reivindicações de classe imediatas.

Trata-se de exigir do Governo dos capitalistas o cumprimento de todos os direitos e conquistas económicas, sociais e políticas já alcançadas após o 25 de Abril de 1974.

Por essa razão, estão claramente em confronto duas propostas antagónicas - a do caderno de traição às Conquistas Populares e de compromisso com o Governo PS/CDS, apresentada pelo Secretariado da Inter; e a do Caderno Reivindicativo dos trabalhadores portugueses apresentada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Funchal. Todos os activistas sindicais e do movimento popular têm de escolher em relação ao 1° de Maio:

— A unidade dos trabalhadores e do movimento revolucionário em torno da defesa das conquistas alcançadas,

— ou a unidade debaixo da batuta dos dirigentes da Inter pela defesa das reivindicações da burguesia burocrática, que em nada aproveitam aos trabalhadores, sacrificando em troca as conquistas populares, aceitando os salários de miséria propostos pela Inter e aceites pelo Governo PS/CDS.

O Dia Mundial dos Trabalhadores deverá ser uma jornada de Unidade e Luta em torno da defesa e consolidação das Conquistas Populares de Abril, jornada que mantenha em aberto e contribua para a concretização da Revolução Socialista a que anseiam os milhões de explorados e oprimidos do nosso país.

Jornada de Unidade na acção de todos os activistas revolucionários, de todos os anti-social-fascistas e antifascistas, de todos quantos querem conquistar para o nosso povo o Pão, a Terra, a Paz, a Liberdade, a Independência Nacional e o Socialismo.

Jornada de Unidade para combater com vigor a dominação dos dirigentes sindicais afectos ao partido social-fascista na CGTP-IN, principais responsáveis pela cisão no movimento sindical português, bem como as manobras de forças sindicais empenhadas em criar Sindicatos paralelos e centrais fantoches com a finalidade de dar cobertura à política anti-popular do Governo PS/CDS.

Jornada de Luta pela conquista das principais reivindicações económicas e sociais imediatas; pela defesa das conquistas democráticas alcançadas, contra os inimigos da Liberdade, contra a fascização do aparelho de Estado e contra as ameaças do social-fascismo e do fascismo; pela defesa da Independência e unidade nacionais e da Paz mundial, pela saída de Portugal da NATO e por um não-alinhamento activo em relação aos dois blocos militares imperialistas.

Jornada de Luta que terá como objectivo a defesa das Conquistas Populares de Abril, contra a miséria e o desemprego, contra a política reaccionária dos Governos de direita, contra o social-fascismo e o fascismo, contra o social-imperialismo, o imperialismo e a guerra imperialista.

Jornada de Luta que levante bem alto as palavras de ordem de combate - contra a miséria e o desemprego: Pão e Trabalho!; os ricos que paguem a crise, o povo não pagará!; revogação imediata das leis anti-operárias!; não ao aumento do custo de vida!; direito à habitação!; a terra a quem a trabalha!; revogação imediata da Lei Barreto!; nem um tostão para os monopolistas e latifundiários!; apoio às Cooperativas e empresas em autogestão!; a luta continua, Governos de direita para a rua!; não aos atentados terroristas, prisão para os bombistas!; morte ao separatismo, unidade nacional!; morte ao social-fascismo, ao fascismo e a quem os apoiar!; nem Brejnev, nem Carter, Independência nacional!; abaixo o capitalismo, em frente pelo socialismo!

A Jornada do 1.° de Maio deve ser encarada como um passo na batalha pela conquista do Caderno Reivindicativo dos trabalhadores. A luta não acabará nesse dia. Continuará até à conquista integral dessas reivindicações. É preciso afirmar claramente que a sua conquista é possível. Unidos e organizados, determinados e em massa, os trabalhadores vencerão.

O exemplo de determinação revolucionária vem-nos da Madeira. Os sindicalistas revolucionários avançaram com um Caderno Reivindicativo correcto. Mobilizaram os trabalhadores para a defesa das Conquistas Populares de Abril. Incutem nos operários e nos camponeses o espírito de determinação na luta e de unidade da classe. Indicam aos activistas do movimento popular o caminho de organizar acções de massas progressivamente mais amplas e avançadas, que poderão ir até à greve geral, única forma de luta capaz de impor aos Governos de direita a satisfação das reivindicações imediatas da classe trabalhadora.

O exemplo da Madeira deve ser propagandeado por todo o país. Confiando nas massas, os activistas revolucionários mostraram ao Governo de direita do Arquipélago que o movimento de massas está vivo. 2500 trabalhadores gritaram bem alto no Funchal, em 9 de Março, numa jornada de luta organizada pela USAM; abaixo o capitalismo, em frente pelo socialismo!; os ricos que paguem 8 crise!; Continente e Ilhas, um só povo, uma só luta!, operários e camponeses, unidos vencerão!.

É possível, também, levantar este movimento no Continente. Para isso é necessário educar as massas na compreensão da política anti-operária, antidemocrática e anti-nacional do Secretariado da CGTP-IN; conduzi-las a rejeitarem o caderno de traição e compromisso aprovado no plenário de 4 de Fevereiro e a retirarem a confiança ao Secretariado da CGTP-IN para a negociação com o Governo em nome dos trabalhadores portugueses. Para isso é necessário demonstrar aos activistas e às massas enganados pela demagogia «anti-revisionista» dos dirigentes da «UDP/ PCP(R)» que foram eles que os conduziram à defesa em absoluto de uma Constituição - que agora passa dois anos - que no fundamental é a lei que consagra a exploração capitalista vigente; à defesa de um Caderno Reivindicativo - o da Inter - que quanto às reivindicações económico-sociais era uma farsa destinada a ser aceite pelo Governo de direita, e que quanto ao essencial defenda as reivindicações social-fascistas sobre a gestão do sector empresarial do Estado e das UCP's; à defesa de uma política que orienta o movimento popular apenas contra a direita tradicional e o imperialismo ocidental, deixando  o flanco aberto ao revisionismo social-fascista e ao imperialismo soviético.

O nosso Partido apoiará todas as realizações que se enquadrem nestes objectivos.

O PC(m-l)P apela a todos os activistas revolucionários, a todos os anti-social-fascistas e antifascistas, a todos os trabalhadores, a participarem activamente na preparação e organização desta Jornada de Luta.





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