quarta-feira, 11 de abril de 2018

1978-04-11 - CONTRA O CABAZ DA FOME! - PCTP/MRPP

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

CONTRA O CABAZ DA FOME!
SÓ OS TRABALHADORES PODEM VENCER A CRISE!

aos Trabalhadores da Previdência e SMS

Acaba o Governo social-centrista, actualmente no poder, de decretar um conjunto de medidas anti-populares que constituem um agravamento sem precedentes nas condições de vida das massas trabalhadoras.
Tais medidas, que representam a primeira fase da "receita" imposta pe­lo FMI e a respeito das quais todos os sectores da burguesia estão mais ou menos de acordo, só discordando quanto ao facto de não participarem directamente na sua aplicação - casos do P"C"P e PPD, e de que as suaves críticas feitas pelos respectivos porta vozes parlamentares à lei do Plano e Orçamento apresentada pelo Governo, são a prova evidente - traduzem-se num aumento generalizado de todos os bens e serviços essenciais, e constituem uma tentativa desesperada da burguesia de resolver a crise do capital à custa de uma exploração e opressão sem limites sobre o povo trabalhador.

Assim, os Transportes sofreram um aumento entre os 30 e os 50 por cento, o Gás - 50 por cento, a Electricidade - 35 por cento; os produtos que integram o "Cabaz da Fome" foram aumentados em cerca de 25 por cento, enquanto outros foram dele retirados, passando a preço livre. Prepara-se entretanto uma desvalorização do escudo em 16 por cento, que irá traduzir-se a curto prazo em novos aumentos; o aumento dos impostos, sobretudo o imposto profissional e complementar; a restrição do crédito bancário com a consequente falência em série das pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que se congelam os salários ao nível dos 20 por cento, e os reformados "beneficiam" de miseráveis aumentos das suas pensões de reforma.
Enquanto isto, o Governo e a Intersindical-P"C"P chegam a acordo quanto à fixação do valor do salário mínimo e do subsídio de desemprego, medida que recebeu os mais rasgados elogios da imprensa social-fascista, o que mostra uma vez mais a descarada traição do P"C"P e o seu papel de exímio agente da política do capital.
No limiar de uma profunda crise em que a contra-revolução no seu conjunto e em particular o sector ligado ao grande capital privado procura limpar o caminho para fazer abater sobre o povo a sua sanha, coloca-se a todos os trabalhadores a questão de saber que caminho seguir, que solução para a crise e quem a poderá aplicar.
A situação que hoje se vive, as medidas presentemente postas em prática, não seriam possíveis sem a activa colaboração daqueles que sempre procuraram desviar os trabalhadores do seu caminho autónomo, do caminho da Revolução; que se meteram nas suas lutas apenas para as trair e servir-se delas para a sua política contra-revolucionária, isto é, sem O papel de lacaios do capital desempenhado pelos revisionistas do P"C"P. Nomeadamente em relação à luta dos trabalhadores da Previdência e SMS pela revisão do seu CCT, foram os revisionistas acoitados na maioria das direcções Sindicais, CS e CTs os melhores representantes da política do MAS.
Sem os trabalhadores compreender em, com clareza esta questão, sem afastar os oportunistas dos seus órgãos de classe, não será possível avançar, não será possível lutar contra as medidas do Governo, não será enfim possível libertarem-se desta situação de exploração e de miséria.
Existirá pois uma solução para vencer a crise a favor dos trabalhadores? Nós dizemos que essa solução existe, A solução da classe operária e do povo contra a solução da burguesia. E a solução que passa pela destruição do capitalismo e do seu Estado. A solução dos trabalhadores para a crise, pelo controlo operário sobre toda a produção e consumo, pela liquidação dos monopólios, pela expulsão do imperialismo e do social-imperialismo, pela reforma agrária camponesa; o Programa que aponta na via da Revolução Democrática e Popular, da Ditadura Democrática e Popular rumo ao Socialismo e ao Comunismo.
Também aos trabalhadores da Previdência e SMS, que para além de sofrerem igualmente as consequências das medidas anti-populares do Governo são no presente momento objecto de um ataque de grande envergadura que visa privá-los da liberdade de negociação das suas relações de trabalho e sujeitá-los a um Estatuto repressivo, como condição para a aplicação de uma lei orgânica que irá inclusive pôr em causa os seus empregos, se coloca com particular acuidade a questão de saber qual o caminho a seguir. E que só poderá ser o caminho de unidade e de luta desde sempre apontado pelo nosso Partido; e que passa antes de mais pelo reforço dos seus órgãos de classe, pela criação do seu Sindicato único e vertical, pelo desmascaramento dos revisionistas e seus apêndices, principais responsáveis pela situação em que se encontra a luta pela revisão do CCT, e finalmente pelo reforço da sua unidade com os demais trabalhadores na defesa do programa e da política do controlo operário sobre a Previdência.
- CONTRA O CABAZ DA FOME! SÓ OS TRABALHADORES PODEM VENCER A CRISE!
- CONTRA AS MEDIDAS ANTI-POPULARES DO GOVERNO!
POR UM GOVERNO POPULAR!
- CONTRA O FMI! IMPERIALISTAS E SOCIAL-IMPERIALISTAS FORA DE PORTUGAL! INDEPENDÊNCIA NACIONAL!
- VIVA O POVO! VIVA O PCTP/MRPP

Lisboa, 11 de Abril de 1978
A ORGANIZAÇÃO DO PCTP/MRPP PARA OS TRABALHADORES DA PREVIDÊNCIA E SMS.


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