segunda-feira, 7 de agosto de 2017

1977-08-07 - Democracia CDS 76 Nº 20

EDITORIAL
O terceiro aniversário do CDS

Três anos passaram sobre a fundação do Partido do Centro Democrático Social. Três anos em que abundaram os momentos de sofrimento, mas que acabaram também por fornecer sobejos motivos de alegria.
A coragem, a firmeza, a linearidade, a coerência são sempre pagantes e o CDS que soube manter a cabeça levantada e a espinha direita, sem recorrer a qualquer subido «complexo de esquerda» que o «absolvesse» perante os «revolucionários», atravessou a tempestade sem abrir rombos no casco e pode hoje, com dignidade, espraiar-se serenamente pela bonança.

É evidente que ainda haverá momentos difíceis e que muitos passos importa ainda dar, na defesa do nosso ideário e no esclarecimento dos portugueses, para que Portugal tenha o Governo centrista e personalista que de há muito merece. Mas quem se recorda do que foi o 4 de Novembro, do boicote ao I Congresso do CDS, das destruições e dos assaltos às nossas sedes, das perseguições, das prisões e dos saneamentos — quem se recorda de tudo isto e de muito mais, não pode deixar de sorrir quando se lhe pede um esforço suplementar e decisivo. Os militantes do CDS foram forjados no combate político, bem duro por vezes, vencendo o medo com a serenidade da sua razão, saltando obstáculos com a determinação da sua coerência. Por isso, aos militantes do CDS não oferece qualquer dificuldade o já pequeno, mas ainda decisivo, esforço que falta, para que o CDS se torne no maior partido português e para que a democracia-cristã possa reconstruir Portugal, como reconstruir a Europa depois da 2a Grande Guerra. As dificuldades que ainda possam ter de suportar-se, o trabalho que ainda falta fazer, são brincadeiras de criança quando nos recordamos do que foram os difíceis momentos do gonçalvismo.
Os militantes do CDS, que jamais desfaleceram quando eram poucos e havia razões poderosas para desmoralizar, não irão agora hesitar, nem cruzar os braços, quando já são muitos e há razões poderosas para crer que a vitória está cada vez mais próxima. Tal como não nos deixámos arrastar para a esquerda, tão-pouco hoje conseguirão fazer-nos rastejar para a direita. A nossa lição é a lição da coerência e da verticalidade, de quem sabe possuir a razão do seu lado e que, por isso, não hesita em afirmar e defender permanentemente o seu ideário e o seu programa, tirando a sua força da sua própria consciência e não cedendo a quaisquer modas enganadoras e flutuantes, que agitam mitos onde não têm verdade e preparam violência onde não conhecem a serenidade.

Essa é a prova que o nosso terceiro aniversário claramente traduz. Por todo o País, em tempo de férias e de relativa saturação da política, em Portimão, no Funchal, em Sintra, no Porto, em Matosinhos, em Lisboa em Benfica, em Portalegre, em Braga, em Lamego — por todo o lado, milhares e milhares de militantes do CDS exibiram entusiasticamente a imensa alegria de uma família imensa, que soube sofrer e resistir, que sabe esperar e porfiar, que saberá sempre cumprir a sua palavra e concretizar o anseio que nos tem unido e animado: paz e progresso para Portugal, no equilíbrio do centrismo e no empenhamento social do personalismo cristão!

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