quinta-feira, 3 de agosto de 2017

1977-08-03 - Bandeira Vermelha Nº 081 - PCP(R)

Editorial
PELA LIBERDADE! CONTRA A REPRESSÃO!
EM DEFESA DAS CONQUISTAS DE ABRIL

O crescente avanço da direita reaccionária no nosso país é um facto característico do actual panorama político. Materializa-se na liquidação jurídica das conquistas populares através das leis aprovadas na Assembleia da República, numa crescente intervenção militarista nos assuntos nacionais, na onda repressiva efectuada pelas polícias visando asfixiar e restringir as liberdades democráticas, no agravamento da ofensiva patronal contra o movimento operário e popular. Traduz a submissão crescente dos sectores burgueses reformistas no governo às exigências do grande capital e do imperialismo. Como previa a Resolução do II Congresso do nosso Partido, o governo soarista e os sectores sociais que representa, ao tentarem "pôr de pé a economia capitalista no quadro de um regime idêntico aos da Europa ocidental (...) acentuam a tendência para passar a uma política abertamente reaccionária ou mesmo fascizante".

Neste contexto, surge como oportuna a recente convocação por diversas estruturas e personalidades antifascistas de um comício a favor das liberdades para o próximo dia 5 em Lisboa, coincidindo assim com a data prevista para a sessão final do julgamento do antifascista Rui Gomes. Esta convocação reveste-se portanto de um importante carácter de luta pela liberdade, contra a reacção e a fascização do país, em defesa das conquistas alcançadas.
O decorrer do julgamento do jovem antifascista Rui Gomes e o desmoronar progressivo de toda a acusação têm posto a nu a grande farsa judicial preparada por altas patentes militares e os seus reais objectivos. De dia para dia, os trabalhadores e a opinião pública apercebem-se que o que está em causa não é apenas a justiça de um caso individual mas uma batalha contra a arbitrariedade institucionalizada e tudo o que ela pode representar para o futuro do país. Por isso o caso Rui Gomes diz respeito a todos os homens livres, às forças antifascistas e patrióticas no seu conjunto. Por isso ele surge como uma componente significativa do ascenso das forças reaccionárias e do combate que lhes é preciso travar.
Ao manter nas cadeias um jovem antifascista durante vinte e um longos meses sem culpa formada, a justiça militar abriu um grave precedente de arbitrariedade que, como prevíamos na altura, abriu o caminho a toda a série de ilegalidades que as polícias e os militares vêm multiplicando nas últimas semanas.
Ao fazer recair esta detenção odiosa sobre um jovem de passado antifascista comprovado e ao montar contra ele uma acusação provocatória e ardilosa, enquanto mantém na mais escandalosa impunidade criminosos fascistas pública e comprovadamente reconhecidos, as autoridades militares mostraram à evidência que preparavam, por detrás dum pretenso processo judicial, um ataque de grandes proporções contra as forças antifascistas e patrióticas.
Mas a farsa provocatória desmoronou-se aos olhos de todos de forma escandalosa. Ficou comprovado que o processo Rui Gomes é mais uma forma de que se reveste a recuperação da direita, uma variante dos ataques ao movimento operário e popular antifascista.
E ao fazer recuar as autoridades militares, obrigando-as a iniciar publicamente um julgamento cuja realização se dizia imprevisível, o movimento de massas a favor de Rui Gomes (de que sobressaiu à sua greve da fome) apontou o único caminho seguro para enfrentar e vencer as forças da reacção e os seus manejos.
Por tudo isto, é particularmente significativo que o comício agora organizado levante as bandeiras da liberdade e das conquistas alcançadas e aí se encontrem presentes membros de Comissões de Trabalhadores e de Cooperativas Agrícolas, de Associações de Estudantes, etc.

Por tudo isto ele constitui um pólo de conjugação das mais diversas correntes progressistas que compreendem o enorme alcance hoje adquirido pela sua unidade e pela sua luta. Por tudo isto se trata de uma iniciativa oportuna e necessária que merece o apoio dos comunistas e de todos os antifascistas.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo