quarta-feira, 2 de agosto de 2017

1977-08-00 - CONTRA AS REPROVAÇÕES MASSIVAS! - Movimento Estudantil

CONTRA AS REPROVAÇÕES MASSIVAS! TODOS ÀS REUNIÕES! APLIQUEMOS A PLATAFORMA DE LUTA!

AOS ESTUDANTES
AOS FAMILIARES
AO POVO EM GERAL

É no momento em que uma aguda crise abala toda a sociedade portuguesa, é no momento em que o Povo português vê o custo de vida subir como uma flecha disparada por um poderoso arco e que irá inevitavelmente cravar-se nas costas desse mesmo Povo, que os estudantes fazem os seus exames.
Estes exames preparados com objectivo de chumbar o maior número de estudantes possível tem características específicas que é bom que analisemos:

Primeiro que tudo a sua extensão. Sendo a nível nacional (duas disciplinas no Curso Geral e todas na Curso Complementar) vai resultar na influência marcante da irregularidade de ritmos com que foram dadas as matérias, da disparidade do início das aulas (algumas disciplinas começaram no último período) e da falta da colocação de professores. Tudo isto, da exclusiva responsabilidade do Ministério, resultou como é evidente, num elevado número de reprovações.
Segundo, podemos considerar como muito influente nos resultados dos exames o conteúdo dos pontos. Estes, no caso de Português e Filosofia, apresentavam perguntas extremamente vagas que permitiriam uma infinidade de respostas, em vez de serem estes pontos, aproveitados para avaliar da capacidade de raciocínio e aplicação de conhecimentos de uma forma criativa, não pelo contrário serviram de armadilha onde muitos estudantes caíram como provam os resultados.
Por fim a táctica do MEIC de centrar as reprovações em algumas disciplinas (Português, Filosofia, Matemática e inglês) resulte em que chumbando a uma reprova-se de imediato a todo o ano.
Foi este género de exames com todas as suas ratoeiras e labirintos que os estudantes do Ensino Secundário tiveram de enfrentar, com os resultados elucidativos que a seguir apresentamos:
Escola I.M. Castro
C. Complementar
Química — 100%      rep.
T.G. Máquinas — 91%  “
F. Química — 100%    “
C. Geral
Francês — 92 %       “

L.R.D. Leonor
C. Complementar
Matemática — 40% rep.
Física — 32 %     “
Português —33%   “
Inglês — 56%     "
C. Geral
Letras — 22%     “

L.D.J. Castro     
C. Complementar
Filosofia — 58% rep.
Matemática - 49% “
Inglês — 69%     "
C. Geral
Letras - 53%     "

L.D. Dinis
C. Compl.
Mat. - 83%  Rep.                   
Fran. - 52%  "                     
C. Geral                                 
Ingl. - 67%  "                     
Letras - 37% "
                                   
Estes números, que falam por si, merecem no entanto algumas considerações da nossa parte sobre as suas consequências.
Estes exames têm dois objectivos extremamente importantes:
O primeiro e o de "solucionar" a crise do ensino, sacrificando como sempre os estudantes e as suas famílias, e muito particularmente os filhos dos trabalhadores.
Segundo e o de ajudar a "solucionar" a crise mais geral de toda a sociedade, aumentando com o número de estudantes reprovados o já volumoso número de desempregados.
Assim também o MEIC utiliza a táctica que este governo e todos os anteriores utilizavam, para tentar solucionar a crise do sistema.
Há que notar que estas não são medidas isoladas. Estes exames, no que respeita ao Curso Complementar são ainda completados pela reaparição do exame da aptidão e mesmo depois deste, ainda existe um número limite de acesso à Universidade, que vai fazer, com que dos 22 mil candidatos apenas tres mil possam iniciar o seu curso Superior.
É assim que, como sempre, é ao Povo e aos seus filhos que estas medidas vão atingir.
Quantos não são, aqueles que só conseguem estudar à custa dos sacrifícios por parte dos seus pais e dos seus familiares, os quais trabalhadores,duramente pagam as propinas, os livros e os transportes, necessários aos seus estudos a que embora na sua maior parte deficientes, são cada ano mais caros e menos acessíveis.
Apesar de cerca de 1/3 da população portuguesa ser analfabeta, apesar de haver 20 milhões de contos parados na Caixa Geral de Depósitos, os estudantes são lançados para fora das escolas.
Esses estudantes que as medidas do MEIC visam atingir, ao serem empurrados para a procura de empregos, situação que já se encontram 600 mil pessoas na sua maioria chefes de família, iriam vender a sua força de trabalho por um preço necessariamente inferior ao daqueles que têm uma família e uma casa para sustentar. Isto iria, em parte, permitir, os patrões e os seus representantes no governo continuassem a fazer os seus lautos banquetes, a passear nos seus confortáveis carros e a viajar em cómodos aviões, enquanto falam à boca cheia de "austeridade" e de "apertar o cinto" o que, como sabemos, é só para o Povo.
Estes exames fazem parte de um ataque mais geral contra o Povo, de que fazem parte toda uma serie de medidas anti-populares como as desocupações, a lei Barreto, a lei anti-greve, o cabaz da fome etc.
É porque os problemas dos estudantes são problemas do Povo, e os problemas do Povo são problemas dos estudantes, que apelamos a ambos que, em amplas reuniões, discutam conjuntamente os seus problemas.
Conscientes de que é necessário apresentar soluções concretas para os problemas dos estudantes, as Associações de Estudantes e estruturas estudantis abaixo assinadas convocam uma reunião com todo o Povo onde apresentam a seguinte proposta que deverá ser o centro de mobilização para os exames em Setembro.
1. Realização de uma segunda época plena, em Setembro, com exames elaborados por escola a que se possam candidatar todos os estudantes, independentemente do número de cadeiras que lhes faltam para acabar os seus cursos.
2. Participação das estruturas representativas dos estudantes (Direcções de Associações, Comissões de Luta, Comissões de Delegados de Turma) nos júris de avaliação das provas de exame.
3. Participação dessas estruturas e dos estudantes nas revisões de provas de exame de todos aqueles que as requeiram.

CONTRA OS EXAMES NACIONAIS EXAMES POR ESCOLA!
ESTUDANTES AO LADO DO POVO E SOB A DIRECÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA!

DAE Afonso Domingues
DAE Luísa de Gusmão (noite)
Comissão de Luta E.C.V. Beirão

Comissão de Luta E. Sec. Portela

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