terça-feira, 8 de agosto de 2017

1977-08-00 - AOS TRABALHADORES RURAIS! - PCP(R)

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO)

AOS TRABALHADORES RURAIS!
EM DEFESA DA REFORMA AGRÁRIA EM LUTA POR UM GOVERNO DO 25 DE ABRIL DO POVO

   1. Mais uma vez o Partido Comunista Português (Reconstruído) se dirige aos trabalhadores do Alentejo para lhes dirigir um alerta: nos próximos meses vão travar-se duras batalhas em defesa da Reforma Agrária.
O governo soarista fez aprovar a lei Barreto, a lei da fome e do desemprego, aliando-se aos fascistas do PPD, à direita mais reaccionária e aos militares do 24 de Abril. O PCP(R), através do deputado da UDP, apresentou uma lei em defesa da Reforma Agrária que foi derrotada. Os trabalhadores tiram esta lição: os órgãos do poder burguês nunca poderão defender as conquistas revolucionárias dos trabalhadores.

O PCP(R) afirma que uma coisa é a aprovação da lei Barreto, e outra muito diferente é a sua aplicação. O governo vai tentar aplicar a lei pela força da repressão da GNR fascista. Mas os trabalhadores, reforçando a sua unidade, a sua organização e a sua luta, têm força suficiente para impedir a aplicação da lei nas herdades, cooperativas e UCPs. A lei Barreto não passará nos campos do Alentejo.
    2. Que fazer para impedir a aplicação da lei Barreto e defender a Reforma Agrária, o Pão e o Trabalho?
    — Nas UCPs e cooperativas é preciso fortalecer a unidade e a organização. Todos os trabalhadores têm o direito a ser informados e a decidirem sobre os problemas das UCPs e cooperativas. Tem de se acabar, com a falta de democracia, com os novos patrões que estão à frente de muitas Comissões Directivas e não respeitam os trabalhadores.

AOS TRABALHADORES UNIDOS
—  No Sindicato é preciso pôr a funcionar todas as direcções de freguesia abandonadas, eleger delegados sindicais de confiança, onde não os há. É preciso haver reuniões de herdade e freguesia para discutir a resposta à lei Barreto, é preciso exigir plenários concelhios e distrital para aprovar formas de luta. Há que pôr fim à política de recuos e cedências da actual direcção do Sindicato que não se tem mostrado à altura.
—  Nem mais uma reserva pode ser entregue. Quando for marcada qualquer reserva na UCP onde trabalhamos, devemos seguir o exemplo dos trabalhadores de Mora aplicando a palavra de ordem "cooperativa e UCP atacada não pode ficar isolada". Há que chamar ao local todos os trabalhadores das herdades em redor e aí, resistir e fazer recuar a GNR e os agrários.
—  O PCP(R) aponta também a necessidade de serem convocadas nos próximos meses manifestações de luta dos trabalhadores rurais.
    3. Para a Reforma Agrária avançar precisa de um governo que a apoie. Não pode ser um governo de arranjos com os partidos burgueses, tem de ser um governo verdadeiramente antifascista de unidade popular, um governo do 25 de Abril do povo.
O PCP(R) e a UDP sempre se opuseram ao governo soarista e chamaram à luta contra a sua política. Não foi essa a posição dos falsos comunistas de Cunhal que durante um ano andaram a tentar meter medo aos trabalhadores, a dizer-lhes para não lutarem contra o governo porque senão vinha um pior. Ainda no dia 22 de Junho em Beja certos dirigentes sindicais desse partido disseram o mesmo, e agora querem fazê-lo esquecer. Essa política dos falsos comunistas é que deu força ao governo para apresentar a lei Barreto. Os trabalhadores podem ver que o PCP(R) e a UDP sempre defenderam as posições justas.
Os falsos comunistas de Cunhal dizem agora que se deve lutar por novas eleições. Qual o trabalhador que acredita que são novas eleições que vão resolver os seus problemas? Cunhal quer meter os trabalhadores por falsos caminhos, não tem outra proposta senão negociar com os partidos burgueses e com o reaccionário Eanes para entrar no governo.
O PCP(R) diz que eleições não vão resolver nada. O que é preciso é levantar a luta no Alentejo e no resto do país, levantar uma luta sem tréguas contra os fascistas e contra a política reaccionária do governo, golpeá-los sem descanso. O PCP(R) diz que será só com esta luta que os fascistas e burgueses recuarão e os trabalhadores avançarão. A força da unidade popular acabará mais tarde ou mais cedo por levar a um novo avanço revolucionário, como tínhamos antes do 25 de Novembro, e conquistar um governo do 25 de Abril do povo, que faça avançar a Reforma Agrária.
    4. O Comité Regional "Catarina Eufémia" do PCP(R) chama todos os trabalhadores revolucionários e, em primeiro lugar, os militantes e organismos do nosso Partido, a darem todos os esforços para a unidade dos trabalhadores, para a defesa da Reforma Agrária, para o chamamento à luta pelo 25 de Abril do povo; a reforçarem a participação nas estruturas sindicais e outras formas de organização, defendendo com o seu exemplo o caminho da luta decidida.
Há que promover pequenas e grandes reuniões de trabalhadores para debate e esclarecimento.
O Comité Regional "Catarina Eufémia” chama todos os trabalhadores e em especial os que ainda têm dúvidas sobre a política dos falsos comunistas de Cunhal, a discutirem com os nossos militantes as posições revolucionárias do Partido Comunista Português (Reconstruído) acerca da situação actual e da Reforma Agrária.

A LEI BARRETO NÃO SERÁ APLICADA!
A REFORMA AGRÁRIA AVANÇARÁ!
NÃO À GNR! NÃO À REPRESSÃO!
A TERRA A QUEM A TRABALHA!
LUTEMOS POR UM GOVERNO QUE APOIE A REFORMA AGRÁRIA, UM GOVERNO DO 25 DE ABRIL DO POVO!

Agosto de 1977
O Comité Regional "Catarina Eufémia" do Partido Comunista Português (Reconstruído)


Comp. e Mont.: Coop. Gráf. 25 de Abril SCARL Impressão: Grua Artes Gráficas Lda 7500 ex 8-77

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