sexta-feira, 4 de agosto de 2017

1972-08-00 - O Grito do Povo Nº 06 - OCMLP

VIVA A JUSTA LUTA DO POVO PALESTINIANO

À volta da acção guerrilheira de "Setembro Negro" em Munique, o imperialismo e seus lacaios, desencadearam uma campanha histérica de propaganda contra a luta armada do povo palestiniano e a luta de libertação no mundo inteiro.
Em Portugal, os jornais, a Rádio e sobretudo a TV, não deixaram de mostrar mais uma vez, o seu papel de porcos esbirros do imperialismo.
Apenas dois programas de Radio (suspensos em seguida pela Radio Renascença); e um ou dois jornais, colocaram os problemas com um mínimo de seriedade.
Este jornal informa os trabalhadores portugueses leitores, de alguns aspectos da luta revolucionária de libertação do povo palestiniano.
Numa terra vivia um povo. Em liberdade? Não. Apenas o nosso século com o advento da gloriosa revolução socialista de Outubro de 1917 e as revoluções e lutas dos proletários e povos oprimidos do mundo inteiro, que se seguiram, viu o capitalismo crescente transformar-se em capitalismo agonizante, e abriu a grande era da libertação dos povos.
Na Palestina vivia o povo palestiniano, oprimido pela dominação imperialista britânica, entre outras. Debaixo da pata imperialista, a Resistência Popular Palestiniana fez sempre ouvir a sua voz, mas sempre encabeçada por dirigentes burgueses incapazes de conduzirem as massas populares à revolução libertadora. A influência religiosa maometana, as traições multiplicadas, não permitiram ao povo palestiniano varrer da sua terra os imperialistas e seus lacaios.
Com o fim da segunda grande guerra mundial, o imperialismo com o intuito de colocar uma ponta de lança imperialista em terra árabe, e de conluio com o movimento racista sionista dos burgueses de raça judaica espalhados pelo mundo, decidiu que o povo palestiniano não tinha mais direito à sua terra e decidiu empreender uma grandiosa manobra para a expulsão dos palestinianos e a ocupação da terra por seus lacaios fiéis, capazes de avançarem de mãos dadas com o imperialismo.
Aproveitando o pretexto da perseguição aos judeus por parte dos nazis, trataram de criar o chamado estado de Israel, inventando à volta disso todo o tipo de mentiras e manobras demagógicas, tentando fazer acreditar os povos do mundo que se tratava de um empreendimento progressista e não de uma manobra imperialista como era na realidade.
O "estado" de Israel, formado na terra palestiniana, com milhões de habitantes expulsos pela força e terror das armas imperialistas desde o início que não esconde os seus intuitos expansionistas, o de alargar as fronteiras e dominar os povos árabes, conforme as próprias declarações do seu primeiro "presidente" são demonstração clara ao afirmar o propósito de aumentar os seus territórios "estendendo as fronteiras para lá da Cisjordânia”.
O expansionismo sionista arrancando a terra e expulsando mais de 1 milhão de palestinianos não atacava apenas o povo palestiniano como ameaçava gravemente os povos árabes. E não só os povos, como as burguesias nacionais dos países árabes, se viram ameaçadas pelo expansionismo sionista de Israel, dirigido e alimentado pelo imperialismo.
A luta do povo palestiniano, a pressão crescente dos povos árabes, a ameaça aos privilégios de classe das burguesias nacionais árabes no poder, obrigou estas a tomarem uma atitude na luta contra o sionismo e o imperialismo.
Em 1967, o regime militar de Israel a soldo do imperialismo norte-americano, e os povos árabes dirigidos pelas burguesias nacionais, empreendem uma guerra de tipo clássico em que o vencedor, foi evidentemente, Israel, foi o país que instaurando um regime militar e recebendo todo o apoio da máquina de guerra do imperialismo norte-americano, era mais forte no tipo de guerra que teve lugar.
Em vez de opor à guerra de agressão imperialista um guerra popular, os árabes, dominados pelas burguesias nacionais, sofreram uma dura derrota.
O expansionismo sionista, dando livre curso aos seus desígnios, tratou de alargar as suas fronteiras, apoderando-se de uma parte do território árabe e submetendo a sua população a uma ditadura terrorista fascista estrangeira.
Mas o povo palestiniano, compreendeu que para si, não havia, não podia haver tréguas. Nada tinha como nada tem a perder, a não ser as barracas dos campos de refugiados. O povo palestiniano, e a sua vanguarda» foram compreendendo que a luta contra o expansionismo sionista não eliminava a luta de classes contra as burguesias árabes. E não só o povo palestiniano foi compreendendo esta verdade, como também os povos dos países árabes oprimidos pelas burguesias nacionais. E também as burguesias compreenderam, que o avanço da luta armada do povo palestiniano era para si, um pau de dois bicos: joga a seu favor na medida em que os palestinianos se prestassem a combater pelos interesses das classes dominantes árabes, joga contra si, na medida em que avançando na luta, na força e na organização se dispunham a lutar por uma libertação total da sua terra não só contra o imperialismo como contra as próprias burguesias instaladas no poder.
De uma maneira geral, as posições das burguesias árabes para com a Resistência Palestiniana, movimento de vanguarda do povo palestiniano, são conforme este jogo com o pau de dois bicos: apoio à Resistência Palestiniana na medida em que esta os auxilie pela defesa dos seus interesses nacionais contra o imperialismo e na medida em que os povos dos seus próprios países o reivindicam, traição à Resistência na medida em que a luta revolucionária dos Palestinianos ameace o seu poder e privilégios de classe exploradora.
A questão de uma nova guerra do tipo de 1967, é outro elemento do pau de dois bicos da política das burguesias árabes: por um lado sim à guerra de libertação nacional contra o expansionismo sionista; por outro lado, não à entrega das armas ao povo e às consequências que daí viriam, no novo ambiente da luta de classes nos países árabes, 5 anos depois do desastre militar. As burguesias árabes, poderão preferir, como algumas delas têm feito, a "paz" com o sionismo e o imperialismo que se apoderou dos seus territórios sem vez do "fantasma vermelho" do poder popular revolucionário.

O SETEMBRO NEGRO - 1970
O jogo com o pau de dois bicos por parte das burguesias, tomou proporções inacreditáveis, para os ingénuos, com o "reizinho" Hussein da Jordânia.
Hussein, depois da derrota de 1967 com parte do território ocupado pelos sionistas, obrigado pelo contexto árabe e pelos povos jordano e palestiniano a fazer concessões cada vez maiores às forças populares palestinianas, viu ameaçado o seu poder tirânico no país pela resistência, fortalecimento e crescimento das forças armadas revolucionárias dos Palestinianos. Viu que a luta palestiniana contra Israel ameaçava o seu lugar e dos seus capangas da classe exploradora e não teve hesitações em se aliar objectivamente com o sionismo e o imperialismo.
Depois de várias tentativas de aniquilamento da Resistência, aterrorizado pelos sucessos, força e prestígio crescente da Resistência Palestiniana contra Israel, vendo crescer a simpatia do povo jordano pela causa da libertação, no início de Setembro de 1970, os beduínos do exército de Hussein, cercaram a cidade de Amã, bombardearam com napalm e fósforo os bairros populares dessa cidade, não deixando pedra sobre pedra. Destruíram completamente outras cidades do Norte do país. Se num prédio suspeitavam haver gente hostil, arrasavam-no. Mataram homens, mulheres e crianças, tudo quanto se mexesse no meio das ruínas; mataram os feridos dentro dos hospitais. De pouco valeu a heróica resistência dos guerrilheiros palestinianos. Todos os erros estavam já feitos; só restava morrer a combater. Também não valeram de nada os pedidos de ajuda aos outros países árabes que se diziam amigos dos palestinianos. As burguesias árabes viraram-lhes as costas. O único país árabe que deu a sua ajuda foi a Síria mas até esta ajuda foi proibida pelos traidores revisionistas russos que também viam na causa palestiniana um empecilho para as suas práticas traidoras e social-imperialistas.
Foi o SETEMBRO NEGRO para o povo palestiniano!
Os erros já dados, foram os causadores desta tremenda derrota do povo palestiniano, desta dura derrota que se cifrou em dezenas de milhares de palestinianos assassinados por Hussein.
A Frente Popular Democrática de Libertação da Palestina (FPDLP), organização marxista-leninista-maoista, a seguir à derrota, tomou a iniciativa de desencadear no seio do movimento da Resistência um processo de estudo dos erros cometidos, que permitisse ao povo palestiniano e aos povos do mundo tirar as ensinamentos desta enorme derrota.
Antes do Setembro de 1970, a Resistência era formada por várias Organizações todas elas de tendências diversas. A maioria, entre elas a mais forte, AL FATH, foram incapazes e tornaram a Resistência incapaz de resolver um problema fundamental para qualquer revolução popular:
Quem são os amigos do povo, quem são os seus inimigos.
Erradamente, estas Organizações dominadas por ideias das burguesias árabes e do social-imperialismo russo definiram que apenas o Estado de Israel e os que o apoiavam eram inimigos do povo palestiniano, sendo as "possíveis" contradições entre a Resistência e as burguesias árabes, de carácter secundário e que se poderiam desprezar. Estas Organizações, afastadas do marxismo-leninismo e dominadas pelas ideologias burguesas, aliaram-se cada vez mais às burguesias árabes de tal forma que não podiam viver sem elas. Não compreenderam o princípio revolucionário fundamental de "se apoiarem sobre as suas próprias forças”. Em vez de se apoiarem nas massas populares, repetiram os compromissos, gastando dinheiro a rodos e levando alguns dirigentes a viverem à rica. Gerou-se um comodismo e uma incapacidade de se apoiarem sobre as suas próprias forças.
Em Setembro de 1970, com as bur­guesias árabes a fazerem manguito à Resistência, o preço da aliança com os "ricos" árabes, pagou-se bem caro.
Se as organizações mais poderosas da Resistência se apoiavam nas burguesias árabes, era, como foi dito, porque definiam-nas como suas amigas, era porque achavam que com elas só havia contradições sem importância.
E por causa de assim pensarem e assim agirem, não se prepararam para a defesa contra as operações de aniquilamento da Resistência que as burguesias tinham na manga para porem em acção quando o poder popular as ameaçasse e a situação lhes fosse favorável.
O ataque assassino de Hussein, surpreendeu os principais dirigentes da Resistência, e apanhou-a nu ma guerra aberta, de tipo clássico, da qual só Hussein poderia tirar vantagem. A Resistência esperou em vão a deserção das tropas de infantaria de Hussein para o seu lado. Estas nunca vieram.
O tipo de guerra que interessava à Resistência era, exactamente, a Guerra Popular feita a partir da mobilização das massas jordano-palestinianas, nunca uma guerra em que a artilharia pesada de Hussein impunha todo o poder militar.
A Resistência, por não ter sabido definir que a contradição entre o povo palestiniano e Hussein er­a uma importante contradição que se poderia tornar a principal a todo o momento, em virtude dos ataques de que os palestinianos eram vítimas por parte do rei foi ao ponto de baixar a crista quando o "reizinho" Huseeir lhes disse para não fazerem trabalho revolucionários junto do povo jordano para se limitarem aos palestinianos.
O estudo destes erros, é não só condição para o avanço na luta palestiniana como é extremamente importante para os outros povos. Desmascarar os falsos amigos do povo, os que lado mas nos momentos decisivos os traem, é condição para o avanço da luta pela liberdade do povo.
Em todos os países, os falsos amigos proliferam. O revisionismo, o reformismo, a pactuação com os irredutíveis inimigos de classe, a subordinação aos interesses da burguesia, são também em Portugal, vermes infiltradas nas fileiras populares que têm de ser reduzidos à impotência.

ABAIXO O REVISIONISMO!
VIVA O MARXISMO-LENINISMO!
VIVA A JUSTA LUTA DO POVO PALESTINIANO
VIVA A JUSTA  REVOLUCIONARIA DOS POVOS ÁRABES

PROLETÁRIOS E POVOS OPRIMIDOS DO MUNDO INTEIRO: UNI–VOS!

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