quarta-feira, 2 de agosto de 2017

1972-08-00 - Luta Popular Nº 008 - MRPP

EDITORIAL
A TEMPESTADE REVOLUCIONARIA RONDA PORTUGAL.

A tempestade revolucionária ronda Portugal. A cada dia que passa são mais numerosas as massas que, não podendo por mais tempo suportar a opressão, a exploração, a guerra, a miséria, a doença, ousam levantar-se em luta contra a camarilha marcelista e todos os seus lacaios, agentes da burguesia exploradora odiada. Este facto, absolutamente decisivo para caracterizar a actual fase da luta do povo pela Paz, pelo Pão, pela Terra, pela Liberdade, pela Democracia e pela Independência Nacional, engrossa constantemente as fileiras da Revolução e isola progressivamente as da contra-revolução. A fase actual da luta pela Revolução Democrática Popular em Portugal, é, portanto, aquela em que o povo, com o proletariado à cabeça, vê as suas tropas aumentarem todos os dias, e em que a reacção, com a burguesia monopolista e colonialista à frente - e cuja retaguarda é fechada pelos revisionistas do PCP e restantes oportunistas que se dizem marxistas para mais eficazmente tentarem sabotar a Revolução, se vê cada vez mais isolada. Este processo é irreversível.

Porque é que o povo se revolta? O povo revolta-se porque a burguesa para continuar a explorar, tem que explorar mais, tem que refinar e intensificar os mecanismos de roubo que sugam à classe operária e às diversas classes e camadas populares. Para manter o seu domínio de classe parasita, a burguesia tem que lançar continuamente mais trabalhadores no desemprego, tem que diminuir permanentemente o valor real dos salários que impõem nas suas fábricas, oficinas, campos, etc., tornados verdadeiros salários de fome, tem que obrigar massas do povo em número crescente a emigrar para os países da Europa ocidental onde, com o suor do seu trabalho de escravos, engordam os capitalistas franceses, alemães, holandeses e outros.
O povo revolta-se porque, para perpetuar o seu domínio parasita, a burguesia tem que prosseguir a sua odiosa guerra colonial-imperialista e massacre contra os heróicos povos da Guiné, Moçambique e Angola, e cometer no decurso dessas guerras contra-revolucionárias crimes cada vez mais hediondos contra os povos das colónias em luta, e contra o povo português aliado indefectível daqueles povos irmãos e gloriosos. Para continuar a oprimir, a burguesia exploradora tem de intensificar as mortandades e as sangueiras sobre os povos das colónias, cujas vitórias sucessivas enfurecem de impotência o Capital "nacional” e os seus patrões imperialista tem que procurar atiçar a criminosa utilização do povo português como carne para canhão da burguesia assassina no combate odioso que esta move sem sucesso há onze anos contra os patriotas africanos em armas.
O povo revolta-se porque, para manter o seu bárbaro poder sobre as massas, a burguesia colonialista, militarista e monopolista lança com pressente furor contra as classes populares, bandos de mercenários, de torcionários, de bufos, de informadores, de espiões, de polícias a seu soldo. Amedrontada pelas arremetidas populares, a burguesia arma as suas forças armadas fascistas, as suas polícias criminosas, de que se destaca a sinistra PIDE, as suas organizações militarizadas fascistas, como é o caso da Legião Portuguesa, e atira-se contra o povo! Massacra-o, oprime-o provoca-o, tenta com cega raiva deter as suas lutas invencíveis. Com isso pretende sem êxito evitar a consciencialização, organização a mobilização para o combate das grandes massas do povo - por isso se revolta o povo com irresistível ímpeto!
O povo revolta-se porque, na intenção do preservar a situação actual em que a classe burguesa exploradora goza de todos os direitos e o povo não goza de nenhum, o aparelho de Estado fascista, lacaio dos capitalistas "nacionais" e estrangeiros, extingue as organizações democráticas, promulga leis odiadas, agride ideológica e culturalmente o povo. Para manter a actual situação a actual relação de classes no que respeita ao fundamental (burguesia monopolista e colonialista oprimindo as largas camadas populares), a burguesia encerrou arbitrariamente, associações de estudantes e cooperativas, promulgou o "Estado de Subversão", fez sair a repressiva lei de imprensa, deu à luz o abjecto decreto sobre o congelamento de salários que só serve os patrões, os industriais e os banqueiros e faz alastrar a miséria entre as massas.
O povo revolta-se porque, na vã tentativa de o amordaçar e manter os seus lucros principescos, a burguesia faz incessantemente aumentar os preços das subsistências essenciais e diminuir o poder de contra às classes trabalhadoras. Para defender o seu escandaloso luxo de nababos, os capitalistas; os donos das fábricas e dos bancos, fazem a carestia de vida crescer sempre e sempre.
Por isso se revolta o povo! Por isso e porque está farto de ser atacado em silêncio, humilha do sem resposta - está farto de ser enganado pelos revisionistas do P"C"P, cuja aliança com a camarilha marcelista e a burguesia reaccionária é agora evidente a seus olhos. O povo já não pode suportar tanta miséria, tanta opressão, tantas provocações! Aceitou o repto que a classe dos exploradores lhe tem lançado impunemente até há pouco e brilhantes vitórias o esperam a partir de agora, até à conquista do Poder pelas classes revolucionária sob a chefia do proletariado e à instituição da sociedade de democracia nova, primeiro passo na direcção da sociedade socialista a ditadura do proletariado!
E como se revolta o povo? Luta na rua contra a burguesia exploradora e seus esbirros, manifesta orgulhosamente a sua determinação de combater e combate mesmo! Prepara-se para os decisivos enfrentamentos do futuro na dura e gloriosa experiência da luta, na rua, na fábrica, na universidade, no campo, nos quartéis, por toda a parte onde é preciso combater o inimigo e desalojá-lo às posições de poder que ele ocupa! É unicamente desta maneira, lutando, que as massas se podem armar, ideológica, organizativa e politicamente para os combates que estão para vir: elas assimilaram e continuam a assimilar a justa concepção de que é na luta contra o inimigo de classe que o proletariado e todo o povo adquirem por completo a qualidade revolucionaria que lhes pertence de acordo com a visão materialista histórica de evolução das sociedades. Aprende-se a fazer a Revolução, fazendo-a!
Assim, a 15 de Abril, mais de 10.000 manifestantes protestaram violentamente, no Porto, contra a carestia de vida, o aumento dos preços da carne, dos transportes, das rendas de casa, e contra a odiosa ordem do Capital. A 13 de Maio em Coimbra, os estudantes e a população destroçaram as reaccionárias celebrações da chamada "Queima das Fitas". A 11, a 16 e a 17 de Maio, em Lisboa, estudantes, cooperativistas e a população que se incorporou maciçamente no movimento, manifestaram corajosamente o seu repúdio à guerra colonial fascista de massacre dos gloriosos povos da Guiné, de Angola e Moçambique, o seu apoio entusiástico à Revolução Democrática Popular, à ditadura do proletariado; à classe operária, à justa luta dos povos oprimidos do mundo, a sua determinação de combater a repressão fascista e a traição revisionista e de fazer vingar os direitos democráticos das associações de estudantes, das cooperativas e de todas as organizações que sirvam o povo. A polícia fascista, que investiu selvaticamente no Porto a 15 de Abril, e invadiu com extremo barbarismo o IST e o ISCEF em 16 de Maio, provocando numerosos feridos, alguns deles graves, não conseguiu interceptar qualquer das manifestações de rua em Lisboa, apesar dos desesperados esforços nesse sentido. Os manifestantes puderam surpreender a polícia fascista e, por entre o aplauso e a alegria da população, que se incorporava em quantidades significativas, exprimiram o seu justo protesto contra a repressão burguesa, pela PAZ, PÃO, TERRA, LIBERDADE, DEMOCRACIA e INDEPENDÊNCIA NACIONAL. Nas emergências em que se deu a confrontação directa, no Porto, no IST, no ISCEF, a polícia fascista teve de pagar caro, com sangue, as suas tropelias de gangsters.
Esses esbirros do Capital não mais poderão matracar e humilhar a seu bel-prazer o povo, toda a "façanha” desses bandidos há-de custar-lhes caríssimo, cada vez mais caro!
A 26 de Maio, o MRPP convocou, no Largo do Rato, uma grande manifestação popular que foi o corolário e a consagração de todas estas lutas. Apesar do aparato repressivo dos polícias fascistas, antes e na altura da manifestação, e da sabotagem que os revisionistas do PCP e os neo-revisionistas de uns tantos grupúsculos que vegetam por aí ergueram em conluio com a camarilha marcelista contra a justa manifestação das massas pelas suas liberdades democráticas, duas mil pessoas juntaram-se à hora marcada no Rato. Por determinadas razões ligadas a erros na condução de campo da manifestação e à falta de experiência das massas perante processos de luta a que não estão habituadas, a concentração, ainda que numerosa, não arrancou. Certamente que precisamos de observar criteriosamente os nossos erros políticos e técnicos que concorreram para esse não arranque, mas não é justo sobrevalorizar tal facto. Conseguimos, contra todo e contra todos juntar duas mil pessoas para protestarem organizadamente contra o Capital assassino e a sua camarilha. Isto é o principal e é uma vitória. A lógica do povo é - falhar uma vez, falhar duas, falhar três e finalmente vencer; pelo contrário os reaccionários podem vencer uma, duas, três vezes, mas finalmente serão esmagados. E não se pode aprender a lutar, senão lutando!
A vaga de indignação popular e a decisão de ousar lutar e ousar vencer, não abrandam! Nós temos não só a possibilidade mas o indeclinável dever político de conduzir e apoiar com todas as forças as várias frentes de luta que se têm evidenciado, desde os estudantes aos cooperativistas. Estas lutas populares pela conquista ou defesa dos direitos democráticos, que não são operárias pelo respectivo conteúdo estrita e proveniência de classe dos seus intervenientes, interessam no entanto muitíssimo, ao proletariado, à Revolução Democrática Popular, e à Revolução Socialista. Elas isolam o inimigo, acusam-no, retiram-lhe brutalmente bases de sustentação em que ele queria desesperadamente apoiar-se e vê passar para a banda do povo. Elas combatem consequentemente pelos objectivos da Revolução Democrática Popular, cimentam a unidade militante das várias camadas e classes em que o povo se constitui nas actuais circunstâncias da Revolução e conseguem vitórias que encorajam vivamente o proletariado, a sua vanguarda e todo o vasto campo dos explorados e oprimidos em Portugal. Em suma, elas fazem aproximar a vitória final sobre a classe exploradora e seus lacaios.
Mas o proletariado não pode limitar-se a acompanha e dar algum apoio a essas lutas de camadas e classes não proletárias que poem seriamente em causa o Estado fascista e fazem tremer a burguesia exploradora e colonialista. O proletariado tem de colocar-se à frente dessas lutas e dirigi-la: O proletariado é a classe mais revolucionai a do nosso tempo, a vanguarda de todas as Revoluções autênticas da nossa época, mesmo as que não são ainda socialistas. É radicalmente errado pensar-se que o proletariado só deve dirigir as reivindicações especificamente operárias e os combates exclusivamente operários, limitando-se a ajudar de fora as restantes movimentações populares revolucionárias da sociedade. Esta concepção é idealista, mecanicista e reaccionária.
Assim como o proletariado tem a sua vanguarda, que é em cada país, o Partido ou Movimento marxista-leninista-maoista, o povo, conjunto das classes e camadas revolucionárias que inclui além da classe operária o semi-proletariado, o campesinato, os intelectuais revolucionários e a pequena burguesia urbana - tem também uma vanguarda, e essa vanguarda é o proletariado. Como vanguarda de todas as classes populares em luta contra a exploração e opressão burguesas, o proletariado é o farol e o guia de toda a guerra de classes, o general em chefe de todas as frentes, e não apenas o condutor de uma ou duas batalhas, ainda que sejam as mais importantes. A luta de classes deve ter um só centro por parte do povo, da mesma forma que tem só um por parte do inimigo do povo, a burguesia assassina e opressora: o aparelho de Estado fascista. Contra o seu inimigo mortal, o povo tem que ter um comando, uma voz, uma bandeira! São o comando do proletariado, a voz do proletariado, a bandeira do proletariado!
Na medida em que os movimentos democráticos pelas liberdades e contra a repressão colonial-fascista se inserem na gloriosa Revolução Democrática Popular, fazendo-a dar importantes passos em frente, a direcção política da luta, no seu conjunto e em coordenação com as diversas frentes de combate, cabe necessariamente à vanguarda do proletariado organizada, ao embrião do Partido do Proletariado. De outro modo, assistiríamos a avanços significativos mas efémeros, desligados; inconsequentes. É a condução política pelo proletariado, a classe mais conscientemente revolucionária da actualidade, e pelo embrião do seu Partido, a vanguarda da classe operária que une a verdade universal do marxismo-leninista-maoismo com a realidade concreta de cada país, que garantem que os passos em frente do povo, as migalhas de milhares de pequenas vitoriarias não se esfarelarão e aumentarão sempre a força e a determinação das massas até ao derrubamento do inimigo.
O MRPP agiu pois justamente ao apoiar com todas as suas forças as lutas de Maio e ao colar-se à sua frente não para as asfixiar ou impor-lhes burocraticamente os "seus" objectivos partidários, e sim para as coordenar politicamente de acordo com os anseios gerais do povo nesta fase da Revolução, para evitar que reformistas e revisionistas vendessem os interesses das massas por meio prato de lentilhas, nas costas das mesmas massas, no próprio benefício das largas maiorias de estudantes e cooperativistas. Pôr-se à frente do povo, não é obrigá-lo a lutar ou lutar em vez dele, é assinalar-lhe justos objectivos de luta e de vitória corrigir-lhe os erros e os desvios, esmagar os oportunistas que procuram enganá-lo, e deixá-lo depois lutar por si, vencer por si. Dirigir não é mandar -ninguém "manda" nas massas, muito menos os revolucionários! Dirigir é convencer, a cada momento da luta, estribado na superioridade das suas palavras de ordem, que são as únicas revolucionárias. Dirigir é lutar à frente das massas e sem tibiezas pelas soluções e pelos caminhos que servem o povo e contra as ervas daninhas que molestam a sua marcha irresistível para a vitória!
As massas já não suportam mais os vexames e as misérias com que a burguesia lhes escarra em cima há gerações e gerações! Elas compreenderam que é justo revoltar-se contra a exploração e a opressão burguesas, contra a tirania do Capital! Daqui até à vitória final do povo sobre os exploradores será uma marcha triunfal, com altos e baixos, fluxos e refluxos, enormes sacrifícios a despender pelos seus filhos, mas de sentido irresistivelmente ascendente e finalmente vitorioso! O povo quer lutar, está a lutar, e a burguesia decadente já não poderá, daqui para a frente, senão para arreganhar cada vez mais ameaçadoramente os seus dentes descamados de sugador do sangue do povo - os seus últimos ataques serão os mais violentos, estejamos preparados, pois já não estão muito longínquos.
Neste momento as condições da Revolução são excelentes e tendem a melhorar, as da contra-revolução são más e tendem a deteriorar-se progressivamente. Esta verdade científica em todo o mundo de hoje, é particularmente correcta e sentida pelas massas em Portugal. Por toda a parte irrompem lutas, por toda a parte o povo se organiza, resiste, obriga o inimigo a recuar. O proletariado, e a sua vanguarda têm que estar, e estarão à frente dessas escaramuças gloriosas, precursoras das batalhas decisivas que estão para vir! Essas lutas são importantes jornadas revolucionárias da grande Revolução Democrática Popular no nosso país, e servem o proletariado, servem todo o povo, Servem a Revolução! Outras jornadas, outras lutas se vão seguir sempre mais duras, sempre mais encarniçadas! Massas cada vez mais numerosas participarão nelas!
Saibamos ser dignos da esperança ilimitada que todas as classes e camadas populares depositam no proletariado revolucionário e na sua vanguarda! O nosso lugar é na primeira trincheira da Revolução, cara a cara com o inimigo; não abandonemos jamais esse lugar!
E não nos esqueçamos que o instrumento principal da luta de todo o povo contra os exploradores, o Partido do Proletariado, ainda não está criado - sem ele, o povo, a classe operária, não poderão dar substanciais passos em frente, não conseguirão fazer a Revolução, mau grado os grandes sacrifícios dos seus filhos e os recuos momentâneo da revolução. Sem o     Partido do Proletariado este não poderá vencer, com o seu Partido, apoiado no invencível marxismo-leninismo-maoismo, o proletariado vencerá todos os inimigos, todos os oportunismos, todas as traições, libertará e povo da exploração do homem pelo homem, instalará a grande ditadura das classes revolucionárias, depois a gloriosa ditadura do proletariado e caminhará para o comunismo!
Vivam as lutas do povo português contra a burguesia exploradora, pela PAZ, pelo PÃO, pela TERRA, pela LIBERDADE, pela DEMOCRACIA e pela INDEPENDÊNCIA NACIONAL!

VIVA A GLORIOSA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA POPULAR!
VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!
VIVA A DIRECÇÃO DE TOPAS AS LUTAS POPULARES PELO PROLETARIADO REVOLUCIONÁRIO!

VIVA O MRPP!

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