sexta-feira, 28 de julho de 2017

1977-07-28 - Comunicado Assalto à Sede da A.I.L. - Associação dos Inquilinos Lisbonenses

Associação dos Inquilinos Lisbonenses
(SOCIEDADE COOPERATIVA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA)
um lar para cada família

Lisboa, 28 de Julho de 1977

Comunicado
Assalto à Sede da A.I.L.
A A.I.L. recebeu em várias ocasiões cartas e telefonemas anónimos de senhorios e grupos fascistas ameaçando colocar bombas. A impunidade dos bombistas faz-nos temer que a ameaça seja posta em execução.
Na madrugada de 23 de Julho uma força da PSP protegeu um grupo que veio arrancar e roubar um grande pano, posto sobre a frontaria da sede desta associação e que constituía os seguintes dizeres, pelos vistos subversivos "CASAS SIM, BARRACAS NÃO; NÃO AO AUMENTO DAS RENDAS; NÃO AOS DESPEJOS; OBRAS SIM; RUÍNAS NÃO; - POR UMA HABITAÇÃO DIGNA!

Porquê este assalto? Porquê um assalto à hora furtiva em que as quadrilhas assaltam para roubar? A PSP substituiu agora a Pide e a Legião, arrancadora de cartazes?
Para além de tudo esta acção mostra bem os interesses que estão em causa. Fala-se tanto em Estado de Direito, em respeito de Leis.
Que leis permitem o assalto às 2 horas da madrugada e o roubo dos panos? Fala-se tanto de propriedade privada, mas está visto que só interessam a dos capitalistas, porque a sede da A.I.L. é sua propriedade e os zeladores da ordem e da Propriedade cobriram o assalto.
A A.I.L. já protestou junto do MAI contra este atentado à Lei exigindo a reposição do pano e o castigo dos responsáveis, estando disposta a levar a questão para Tribunal se não for reparada do atentado cometido contra os seus direitos.
A habitação dos trabalhadores está em perigo. E quando isto acontece também a organização dos trabalhadores, que se bate pelos seus direitos está em perigo.
A A.I.L. não aceitará o avanço do fascismo sem se bater contra ele e contra as manifestações, nítida entre fascistas, mesmo quando o poder se diz democrático.
A A.I.L. lança um apelo à mobilização dos trabalhadores para impedir por toda a parte a reinstalação do fascismo em Portugal.


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