quinta-feira, 20 de julho de 2017

1977-07-20 - A POLÍCIA DE HOJE É A POLÍCIA DO FASCISMO! - PCP(R)

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO)

A POLÍCIA DE HOJE É A POLÍCIA DO FASCISMO!

Luís Augusto Caracol era um jovem de 17 anos, operário metalúrgico, dirigente da UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA.
No dia 13 deste mês veio assistir ao julgamento de Rui Gomes, veio juntar a sua voz ao clamor popular de protesto contra a prisão e o julgamento-farsa daquele anti-fascista.
Por fazer isto, que milhares e milhares de pessoas já fizeram, incluindo todos os deputados da Assembleia da República, Luís Caracol foi perseguido e espancado pela polícia, como o foram outros anti-fascistas. Dos ferimentos veio a morrer no dia 18.

EM RESUMO: Luís Augusto foi assassinado pela polícia de intervenção, quando usava de um direito escrito na Constituição.
E é isto que a polícia vem negar. A PSP nega que no dia 13 tenha havido feridos e nega que Luís Augusto seja vítima da sua sanha assassina. E fá-lo com o argumento fundamental de que nenhum agredido foi apresentar queixa da agressão, isto e, à PSP, em particular, o assassinado não participou o seu assassínio.
São estas enormidades que o comando geral da PSP emite por intermédio dum ministério do Dr. Mário Soares.

QUEM PODE ACREDITAR NAS VERSÕES DA POLICIA E DESSE MINISTÉRIO?
Os comunicados mentirosos são desmascarados pelas fotografias publicadas em alguns jornais. Mas não desistem. Como controlam em grande parte, os jornais, a rádio e a TV, esperam envenenar o povo com a sua versão única.
Mas é difícil enganar eternamente todo o povo. O povo do Porto viu a PSP carregar sobre manifestações pacifistas de estudantes no processo do curso de Psicologia e viu-a contra toda a evidência começar por negar a brutalidade da sua intervenção; o povo viu a PSP apoiar meninos nazis da FOZ disparar contra anti-fascistas no Liceu Garcia de Orta e viu-a afirmar que disparara para o ar enquanto um estudante dava entrada no hospital com uma perna atravessada por uma bala.
Os factos ai estão para tornar clara qual é a verdade, que confiança nos merecem os comunicados oficiais da PSP!
A polícia de hoje é a polícia do fascismo, é uma verdade que os comunistas sempre defenderam. E a vida não fez mais do que nos dar tragicamente razão.
A actuação das polícias, coberta pelo governo do Dr. Soares e por Eanes, é um indicador da avançada das forças reaccionárias, das forças negras do fascismo.
De facto, a PSP e a GNR têm vindo a reprimir violentamente a luta pela liberdade e pelo pão, pelos direitos mais elementares do povo.
A GNR agride os trabalhadores de Mora - Alentejo em luta pelo pão, assim como defende as entregas de terra aos latifundiários parasitas em todo o Alentejo.
A PSP agride trabalhadores da hotelaria e outros em luta pelo pão, na Madeira; agride estudantes em luta pelo ensino e liberdade, no Porto; ocupa com aparato bélico uma oficina, em Coimbra, para expulsar os trabalhadores e entregar os frutos do seu trabalho ao patrão sabotador; despeja com violência pobres de sua casa em todo o país; ataca anti-fascistas que defendem a liberdade de Rui Gomes, em Lisboa.
Soares e Eanes armaram, ainda melhor, as polícias do fascismo, enviaram-nas a treinar com os assassinos da CODI - polícia do Brasil dos generais fascistas e as ordens de ministros e governantes civis de Soares que elas actuam, contra a liberdade e a democracia, em defesa da política de direita do governo.
Quando a GNR reprime no Alentejo, quando a PSP reprime a propaganda contra a Lei Barreto, no Porto, e para fazer aplicar a política contra-revolucionária para os campos, dirigida por Barreto; quando a PSP reprime estudantes e para fazer aplicar a política obscurantista do Cardia, etc.
Esta é a realidade, embora Soares procure virá-la de pernas para o ar, embora Soares se proclame socialista, defensor dos direitos do homem, da liberdade, da democracia.
Esta e a realidade, embora Eanes se autodenomine garante da Constituição, enquanto macaqueia Tomás e Salazar nos beijinhos as criancinhas pelo país.
Cabe perguntar a Soares e a Eanes, porque é que as suas polícias são tão lentas a prender criminosos fascistas, bombistas e é tão rápida a reprimir an­ti-fascistas e o povo?
Quem e responsável por tanta repressão?
E quem e responsável, por que se engana o povo com comunicados mentirosos?
E quem é responsável por que se proíbam cartazes denunciando os crimes da repressão, retirando-os mesmo da fachada da sede União Democrática Popular?
Os explorados, os oprimidos deste país não se deixará enganar.
A morte de Luís Caracol e um crime intolerável.
Todos os anti-fascistas e democratas devem unir-se num movimento de milhões que exija apuramento dos responsáveis por este crime, e o seu castigo exemplar. Mas não podemos ficar só por aí, é necessário redobrar de esforços e levantar uma muralha que impeça o regresso do fascismo.
Nenhum democrata, nenhum anti-fascista pode tolerar que os homens e as armas que no passado assassinavam os mais firmes lutadores da liberdade continuem hoje a fazê-lo; exijamos a dissolução dessa organização do crime que é a polícia de choque.
O C.R.E.V. do PCP(R) saúda militantemente a valorosa UJCR, juntando-se a sua dor e a sua indignação e chama todos os militantes do Partido a denunciar sem descanso junto das massas populares este crime da repressão, de modo a unir o povo na exigência do castigo exemplar, para os assassinos de Luís Caracol.

- POR CADA CAMARADA MORTO, MIL SE LEVANTAM!
- DISSOLUÇÃO DA POLÍCIA DE CHOQUE ASSASSINA!
- CASTIGO EXEMPLAR PARA OS ASSASSINOS DE LUÍS CARACOL!
- LIBERDADE PARA RUI GOMES!
- MORTE AO FASCISMO!

Porto, 20/7/77

O Comité Regional ESTRELA VERMELHA do PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO)

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