quinta-feira, 20 de julho de 2017

1977-07-20 - Bandeira Vermelha Nº 079 - PCP(R)

EDITORIAL
A VIA DA REVOLUÇÃO E DO SOCIALISMO CONTRA A VIA DA CAPITULAÇÃO

Os grandes debates sobre os problemas vitais do marxismo-leninismo e da revolução têm sempre a particularidade de trazer para plano de destaque, na atenção dos revolucionários e mesmo das massas, os ensinamentos dos quatro mestres do proletariado e as experiências mais ricas do movimento revolucionário. O combate que nestas condições se trava contra as deturpações do marxismo-leninismo traduz-se sempre num reforço dos princípios, numa divulgação mais ampla das ideias do socialismo, num aumento da experiência política do proletariado, e, em certas circunstâncias, em enriquecimentos históricos do marxismo-leninismo. Foi o que aconteceu desde que Marx e Engels construíram o socialismo científico contra as concepções não científicas da revolução; foi o que se verificou no combate travado por Lenine contra as traições dos revisionistas da sua época; foi o que resultou da luta de Staline contra o trotsquismo; foi enfim, o que aconteceu com a grande polémica contra o revisionismo kruchoviano.

O marxismo-leninismo sai sempre engrandecido e reforçado de cada grande combate que é levado a travar.
Sucede assim porque cada grande debate entre o marxismo-leninismo e as versões que o procuram deturpar, abre sempre um campo de discussão mais vasto e mais profundo do que o simples afrontamento de teorias contrárias ou de ideias divergentes. Não só a contestação e a derrota das posições erradas obriga a um estudo consciencioso e a uma argumentação fundamentada, como leva forçosamente a investigar as causas que estão na base das deturpações e desvios surgidos, as quais, em última análise, explicam o porquê da violação dos princípios. Foi assim que o marxismo-leninismo pôde descobrir a transformação dos velhos partidos social-democratas em partidos burgueses chauvinistas, no tempo de Lenine, e que, mais recentemente, o revisionismo kruchoviano pôde ser explicado pela degeneração do PCUS e pela restauração do capitalismo na URSS.
Perante um debate em que estejam em causa princípios fundamentais do marxismo-leninismo, todas as tentativas de simplificar os problemas são, assim, prejudiciais à sua adequada resolução.
O editorial do "Zeri I Popullit" fornece-nos uma argumentação sólida, marxista-leninista, baseada nos ensinamentos de Lenine e de Staline, contra as deturpações da chamada "teoria dos três mundos". Aí se encontram os elementos de estudo que nos permitem formular uma ideia clara sobre a análise marxista-leninista do mundo de hoje, sobre a necessidade de rebater as teses oportunistas da "teoria dos três mundos" e que, simultaneamente, nos indicam a profundidade dos problemas em debate.
A oposição que existe entre os princípios revolucionários do marxismo-leninismo e a chamada "teoria dos três mundos", é o espelho da contradição entre uma posição de firme defesa da revolução e do socialismo e uma atitude de capitulação ante a reacção, o imperialismo e o social-imperialismo. A experiência política adquirida pelo nosso Partido e pelas massas operárias e populares no nosso país, durante os últimos anos, permitiram constatar, de uma forma prática, viva, irrefutável, o que representa a capitulação perante a reacção, a submissão a interesses alheios aos do proletariado, a ilusão nas falsas vias oferecidas pela burguesia. Ficou comprovado, no decorrer da acção das massas impulsionadas pela onda de uma crise revolucionária, o que representa tentar praticar uma política contrária aos mais profundos anseios dos trabalhadores. Os grupos e grupelhos que o fizeram, esmagaram-se contra a muralha das massas em luta ou então buscaram a protecção da burguesia reaccionária à qual passaram a servir incondicionalmente. Este é o destino de todos os que descrêem da capacidade revolucionária das massas e que, à falta de confiança revolucionária, pensam poder substituir a organização e a educação marxista-leninista do proletariado por palavreado e práticas oportunistas com que pretendem fazer adiar o desenvolvimento das forças da revolução.
A certeza de que é preciso defender de forma activa o marxismo-leninismo naquilo que ele tem de essencial — a ideologia do proletariado revolucionário — juntamo-la nós à experiência adquirida na luta de massas. Os problemas que agora se põem exigem um esforço redobrado quer no plano do esclarecimento ideológico, quer no da acção de massas. Colocar no seu devido pé as verdades básicas do marxismo-leninismo se é, em essência, um problema ideológico, não se limita porém ao debate de ideias — implica a justa aplicação, na acção política concreta, dos princípios que têm orientado a actividade do Partido. O esclarecimento dos militantes, dos simpatizantes do marxismo-leninismo, dos amigos da revolução, impõe-nos a tarefa prática e concreta de subtraí-los às provocações e ao aproveitamento que os revisionistas — os principais inimigos no seio do movimento operário — não deixarão de fazer.
A resolução agora aprovada pelo Comité Central na sua II Reunião Plenária constitui a base que orientará a discussão no seio do Partido. O editorial publicado pelo "Zeri I Popullit" e esta resolução permitirão conduzir em termos metódicos o esclarecimento sobre os problemas em debate, orientando a discussão nas direcções fundamentais, situando-a numa sólida base de princípios.

Estamos perante um debate que vai pôr à prova o nível ideológico e a capacidade de acção prática do Partido. O PCP(R) tem responsabilidades perante o proletariado português e perante o movimento marxista-leninista às quais terá de responder como tem feito até hoje. A bandeira da revolução e do socialismo, a bandeira da unidade do movimento comunista pertence aos marxistas-leninistas.

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