segunda-feira, 17 de julho de 2017

1977-07-17 - A TODOS OS TRABALHADORES DOS CTT - PCP(R)

A TODOS OS TRABALHADORES DOS CTT

1. O Comité 17 de Junho do Partido Comunista Português (Reconstruído), por diversas vezes, tornou públicas críticas à actuação do actual SN do SNTCT, o qual tem, na opinião dos comunistas e de largas camadas de trabalhadores dos CTT, cometido claras traições aos nossos interesses, às nossas conquistas e à nossa luta por uma vida melhor. Esta actuação da maioria do SIM torna-se ainda mais grave no momento em que se antevê a saída duma Portaria, que está muito longe daquilo por que todos lutámos, não se vislumbrando qualquer esforço autocrítico do SN, por forma a que os trabalhadores dos CTT ganhem de novo confiança na sua força, na sua razão e encontrem na luta o caminho para a conquista dos seus direitos.

Sempre que se apresentam críticas severas à actuação do SN, logo alguns dos seus membros agitam o espantalho de que os querem derrubar. Esta atitude por parte de quem muitas vezes ouviu primeiro os ministros para depois nos levar para becos sem saída, para factos consumados, é reveladora de que o SN, na sua maioria, pouco ou nada tem a ver com os nossos interesses.
Uma vez mais a história se repetiu. Quando no Conselho Nacional, o Secretariado Regional de Braga, apresentou uma moção onde, ponto por ponto, eram detectadas as traições cometidas pelo SN, este, em vez de considerar a justeza dessas críticas, seguiu o caminho da chantagem, ameaçou demitir-se e jogou com a Portaria. Mais uma vez o SN fugiu às responsabilidades: não lhe bastou ter-nos levado à derrota, quanto ao trabalho ao sábado; não lhe bastou ter mantido a Portaria no esquecimento, durante todo este tempo, correndo agora de ministério em ministério, dizendo que a coisa está má, sem mexer uma palha para mobilizar os trabalhadores; não lhe basta continuar no maior dos silêncios quanto às inspecções. O SN julga-se intocável e acima de qualquer crítica.
Tal actuação revela, quanto a nós comunistas, o maior desprezo pelas conquistas e anseios dos trabalhadores dos CTT.
   2. A manter-se este tipo de actuação por parte do SN, a Portaria será aquilo que nos quiserem dar e quando muito bem entenderem.
E com a Portaria não estarão em causa apenas as regalias sociais e os nossos salários. O nosso direito à greve será decerto ameaçado. Não é por acaso que a Portaria só sairá após votação da Lei da Greve pela Assembleia da República, a qual impede os trabalhadores dos CTT de recorrerem à greve o que é contra o consignado na Constituição. E que faz o SN? Positivamente nada. Será isto, ou não pactuar com a actuação do governo? Onde está a defesa dos nossos interesses?
Quem será então o responsável pela limitação à luta dos trabalhadores dos CTT no futuro? O governo e os partidos, que votarem a favor desta Lei Anti-Greve, é certo, no entanto o SN tem responsabilidades iguais e nunca melhores.
Nesta matéria, os comunistas, através do deputado da UDP, apresentaram o seu próprio projecto de Lei da Greve, o qual não punha qualquer limitação à luta dos talhadores portugueses, fossem de que sector fossem, enquanto os revisionistas retiraram projecto de Lei que tinham apresentado, apoiando o do Governo. Mais uma vez os revisionistas sé declararam contra a luta dos trabalhadores do nosso país e em particular retiraram aos trabalhadores dos CTT o direito à greve.
Sabemos também que muitas outras cláusulas da Portaria serão remetidas para a lei, regalias sociais há que nos serão retiradas, não haverá mais creches nos CTT e até feriados nos querem retirar.
Nestas circunstâncias era dever do SN não descansar um só momento na defesa dos nossos interesses, mobilizando-nos desde já. Mas nada disto se passa: Serenamente há que aguardar, eis o que na prática nos recomenda o SN.
Corremos pois o risco de se repetir o que aconteceu aquando da abertura ao sábado. E mais uma vez o SN cometerá uma grave traição não só aos nossos mais legítimos direitos, mas até à nossa unidade e ao SNTCT.
   3. Esta política de "braços cruzados" por parte do SN do SNTCT, chega ao ponto de nada fazer quanto aos interrogatórios pidescos a que estamos a ser sujeitos nas inspecções.
De nada este SN quer saber. Por isso o Governo actua à rédea solta quanto à Portaria, enquanto o CA a vai aplicando aos poucos, retirando-nos regalias, sujeitando-nos a interrogatórios e à repressão.
O Comité 17 de Junho do PCP(R) tinha alertado, no seu último comunicado, para o facto dos interrogatórios não se circunscreverem a Lisboa, acabando por se estenderem a todo o país.
É o que se passa neste momento.
Em alguns pontos do país as inspecções procuram os camaradas mais activos e querem saber quais são os trabalhadores que militam na UDP.
No Porto, ao contrário de Lisboa e Coimbra, ainda não foram aplicadas multas nem feitos interrogatórios, o que significa da parte do CA a procura de métodos mais refinados de repressão.
Todos estes factos se prendem com a repressão que está a ser dirigida contra os trabalhadores portugueses.
Através da sua actuação, o SN, não só se põe ao lado das inspecções, como abre o caminho à actuação repressiva do governo nos CTT.
A manter-se o caminho seguido pelo SN, não temos dúvida em dizer que ele próprio actua como um agente do CA e do governo no seio dos trabalhadores.
4. É dentro deste quadro que terá lugar o próximo Plenário Nacional, onde se discutirá a forma como o SN geriu e gerirá o dinheiro dos trabalhadores. A gestão financeira do SNTCT está directamente relacionada com a nossa capacidade de luta e todo o dinheiro mal gasto ou desperdiçado representa um golpe na nossa força e na nossa autonomia.
Por isto, o Comité 17 de Junho do PCP(R) apela a todos os trabalhadores dos CTT a participarem em largo número neste Plenário.
5. Teve o Comité 17 de Junho conhecimento da morte do camarada Costa do Secretariado Regional de Leiria. Prestamos daqui a nossa homenagem a um camarada que sempre se bateu na defesa dos nossos interesses e soube nas alturas difíceis assumir atitudes firmes e revolucionárias. Estamos certos que será o exemplo de luta que frutificará entre nós, enquanto aqueles que nos traem cada vez mais serão isolados.

PELA DEFESA DOS NOSSOS DIREITOS E CONQUISTAS! NAS INSPECÇÕES NINGUÉM FALA!
CTT A LUTA CONTINUA!

O Comité 17 de Junho do PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (RECONSTRUÍDO)
Lisboa, Julho de 1977

Sem comentários:

Enviar um comentário

Arquivo