domingo, 16 de julho de 2017

1977-07-16 - Pelo direito à Habitação! - UCRP(ml)

Pelo direito à Habitação!

AOS MORADORES POBRES DE ERMESINDE
A política anti-popular do governo de Soares, a crise e a miséria engendrados pelo capitalismo, tomam cada vez mais difícil a vida daqueles que trabalham e nada mais têm de seu. Os preços dos géneros sobem, o desemprego aumenta, a habitação falta. Aquilo que muitos, para enganar o Povo, chamaram de "revolução” do 25 de Abril, só nos trouxe, para além das conquistas das liberdades democráticas, que são um bem precioso, a miséria, a insegurança e a demagogia.
Para muitos dos trabalhadores isto deve-se a que, agora é a direita que avança, a esquerda perdeu força e estamos prestes a voltar ao tempo de antes do 25 de Abril. Isto, camaradas, tudo isto são ideias falsas, com que enganam os trabalhadores muitos dos que nos batem nas costas e compram os votos com palavras de amizade. Atentemos na questão da habitação:
As rendas das casas sobem, os bairros sociais não aparecem, famílias que o ocuparam habitações há muito tempo vazias são postas fora, casas construídas pelos trabalhadores são arrasadas com a protecção da GNR, famílias pobres são despejadas sem terem para onde ir, tudo isto ao abrigo das leis do Capital.

Os trabalhadores tem razão ao culpar o actual Governo e a sua política de desocupações e despejos. Em muitos sítios, os moradores pobres de barracas sem as mínimas condições, ocuparam prédios abandonados para poderem ter um lar decente. Furiosos com isto, todos os chupistas e exploradores pagaram bem à polícia de choque para, à força de cacetada, pôr na rua o Povo pobre.
Mas, se o actual decreto permite isso, porque será que não prevê a punição para todos os senhorios capitalistas que destruíram furiosamente prédios habitáveis com o único fim de os tomar inúteis?! É que todos eles são da mesma família burguesa de "revolucionários” que fizeram o 25 de Abril (ou não é verdade que o Chanpalimaud apareceu rápido depois disso?).
Se o decreto de Soares é mau, não devemos contudo, esquecer-nos de que ele é apenas um "melhoramento" do decreto anterior, o 198-A/75 do "companheiro" Vasco no IV Governo, promulgado a 14 de Abril, o qual, amandando-se contra as ocupações, dizia, a certo ponto:
"Por outro lado impõe-se obstar de maneira definitiva e muito firme, a que situações semelhantes venham a criar-se no futuro” e no Artigo 8º:
"Será punido com pena de prisão até 2 anos aquele que ocupar qualquer fogo destinado a habitação, assim como qualquer loja, armazém ou dependência de qualquer prédio, ainda que em construção".
 Como vemos, camaradas, afinal, no tempo do Vasco, quem estava no poleiro, já era a reacção!
Um caso que desmascara por completo estes "democratas" e a atitude recentemente tomada por um canalha sem escrúpulos de nome Coutinho, senhorio e militante social-fascista do "PCP", que moveu uma acção de despejo contra uma pobre mulher e filha vivendo numa casa em frente à antiga, Feira Popular de Ermesinde e que pretendia com isso, concerteza, atirar com elas para a, miséria e a vergonha. Atitude bem digna de tal partido (que se diz comunista e admite senhorios) e que não espanta a quem os conheça bem.
Enlameando o nome sagrado do Comunismo, esses bandidos, progressistas só em palavras mas fascistas nos actos, servem-se apenas dos trabalhadores como tropa que os leve sozinhos ao poleiro, após o que reinstaurariam o fascismo, agora à moda de Moscovo.
Por isso, a U.C.R.P.(m-l) aponta ao Povo que os verdadeiros comunistas não podem confundir-se com essa corja, que de comunista não tem nada, pois o "PCP" actual é já muito diferente do verdadeiro PCP de há 20 anos, que foi um Partido dos trabalhadores, dos pobres, sempre em luta na conquista de melhores condições de vida e da democracia, e que os comunistas hão-de em breve levantar outra vez.
A U.C.R.P.(m-l) apela também a todo o Povo que se una para impedir os despejos e que denuncie em cartazes, pinturas e de todas as maneiras, os inimigos dos trabalhadores; que os querem privar do direito ao Pão, ao Trabalha e à Habitação e a contactarem com a U.C.R.P.(m-l) para o CENTRO DE TRABALHO DO PORTO DA U.C.R.P(m-l), Rua da Alegria, 627, lº.
A nossa política deve ser uma política de luta sempre pelo interesse da Classe Operaria e do Povo, e, por isso, todos os simpatizantes sinceros e honestos do Comunismo devem averiguar da verdade do que aqui afirmamos e tirar por si as devidas conclusões.
- PÃO, TRABALHO, HABITAÇÃO!
- NEM FASCISMO NEM SOCIAL-FASCISMO, LIBERDADE PARA O POVO!
- VIVA O COMUNISMO!

Ermesinde, 16 de Julho de 1977
A Célula Armando Ramos da UNIÃO COMUNISTA PARA A RECONSTITUIÇÃO DO PARTIDO (marxista-leninista)

Camarada, apoia O Comunista

jornal da UCRP (m-l)

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