sexta-feira, 14 de julho de 2017

1977-07-14 - Não à repressão Liberdade para Rui Gomes - Rui Gomes

Não à repressão
Liberdade para Rui Gomes

BOLETIM DA COMISSÃO DE LUTA PELA LIBERTAÇÃO DE RUI GOMES - N° 11 - 14 de Julho

Ontem, 13 de Julho começou o julgamento do antifascista Rui Gomes. E enquanto no tribunal se tornava evidente a fragilidade de um processo da acusação, que a defesa justamente requereu que fosse declarado nulo, na rua centenas de elementos da polícia de choque (que com a democracia tomou o nome de polícia de intervenção) levaram a cabo uma vasta acção repressiva sobre o povo que pretendia assistir ao julgamento de Rui Gomes.

POLÍCIA DE CHOQUE FASCISTA CONTINUA VIVA
Várias horas antes do começo da audiência, uma força militar em grande aparato isolou completamente num raio superior a 100 metros a zona do tribunal de Santa Clara, impedindo assim o acesso ao julgamento de centenas de populares que se foram concen­trando junto das barreiras montadas. Deste modo, os populares concentrados deslocaram-se em direcção ao Hospital da Marinha, onde foram alvo de uma brutal carga policial; a polícia carregou indiscriminadamente sobre crianças, pessoas idosas e inclusivamente as pessoas que se encontravam à porta de suas casas. Mas esta foi apenas a primeira carga policial, que se prolongou de Santa Apolónia ao Terreiro do Paço, originando logo vários feridos. Durante a tarde repetiram-se as cargas da polícia de choque. Na zona da Graça invadiram estabelecimentos comerciais, penetraram num eléctrico detendo o próprio condutor. Mais tarde na zona de Sapadores, foi deliberada a sua acção de tentar deter o maior número possível de pessoas. Na baixa mais de três horas após o início da repressão, a polícia voltou a espancar concentrações de populares que nos Restauradores e no Rossio discutiam o julgamento de Rui Gomes. O ódio e a fúria da polícia de choque não pouparam aqueles que se dirigiam para casa; a estação do Rossio, nomeadamente, foi invadida pelos profissionais da repressão que espancaram indiscriminadamente. Ao fim do dia o balanço da repressão é o seguinte: várias dezenas de feridos (dos quais não se conhece ainda a gravidade dos espancamentos embora já se saiba que estão em vários hospitais); quanto a detidos, só no Governo Civil, estão oito — excluindo a possibilidade de haver mais em esquadras.

“ELES TÊM MEDO DA VERDADE"
Esta era uma frase que se ouvia em muitas bocas. A brutalidade policial de ontem é a prova de que as autoridades (tendo à cabeça o governador civil de Lisboa, candidato a novo Manchueta de má memória) temem o apoio popular que se tem desenvolvido à volta de Rui Gomes.
Foi o apoio popular que já obrigou a que o julgamento começasse.
Será o apoio popular a garantia da vitória da corajosa luta que Rui Gomes trava pela sua libertação.

A PRIMEIRA SESSÃO DO JULGAMENTO
Nesta 1a sessão do julgamento público, Rui Gomes soube defender intransigentemente a sua condição de lutador antifascista e bater-se pela sua inocência. A fragilidade do processo, as contradições que foram emergindo estão a pôr a claro que não é de um processo criminal que se trata, mas antes uma grosseira provocação política que levou Rui Gomes ao banco dos réus.
Aquilo que vínhamos afirmando ficou ontem claro para com todos os presentes.

ALERTA PARA AS PRÓXIMAS SESSÕES DO JULGAMENTO DE RUI GOMES!
A Comissão de Luta pela Libertação de Rui Gomes apela a todo o povo para que continue vigilante. Por detrás da criminosa repressão policial está o avanço do fascismo. Há que levar a todo o povo, nos locais de trabalho e de grande concentração, o que ontem se passou em torno do julgamento de Rui Gomes. Há que multiplicar as sessões de esclarecimento. Há que organizar o apoio a Rui Gomes. A liberdade de Rui Gomes é a nossa própria liberdade!


PRÓXIMAS SESSÕES DO TRIBUNAL: 6a 15, 4a 20, 6a 22, 4a 27

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