sexta-feira, 14 de julho de 2017

1977-07-14 - COMUNICADO AOS TRABALHADORES DA LISNAVE - PCP

COMUNICADO AOS TRABALHADORES DA LISNAVE

Camaradas e amigos!
Vive-se na Lisnave nos últimos dias um clima que em nada beneficia os trabalhadores, pelo contrário os confunde e divide, isto é, abre o caminho para que a reacção possa actuar.
Mas se analisarmos a situação actual do nosso País, verificamos que este clima é criado pelas forças negras do fascismo para atingir determinados objectivos.
Por um lado, verifica-se a tentativa desesperada das forças reaccionárias (PPD/ CDS/ CIP/ MRPP) a nível nacional que pretendem destruir as conquistas da revolução, isto é, retirar aos trabalhadores tudo aquilo que conseguiram alcançar depois do 25 de Abril, tentando assim conseguir os privilégios de anteriormente.

Paralelamente aparece o governo de cúpula do PS com uma política de recuperação capitalista imperialista e agrária, uma política de cedências às forças reaccionárias, apresentando e tentando fazer aprovar na Assembleia da República, legislação anti-operária, anti-popular, anti-constitucional, legislação criminosa como a lei da greve, lei que limita a actuação das Comissões de Trabalhadores, o criminoso projecto Barreto, etc., que traem os interesses dos trabalhadores e lesam profundamente a economia nacional.
Por outro lado, aparecem as forças ultra-esquerdistas (PCP(R) — UDP — GDUP) — tentando manipular, confundir e dividir os trabalhadores e usando da calúnia e da mentira tentam virar estes contra os seus órgãos representativos com o fim de atingir os seus objectivos divisionistas desviando os trabalhadores dos seus objectivos fundamentais.
A Célula da Lisnave do Partido Comunista Português consciente da situação difícil que a nossa Revolução atravessa, desde já, alerta todos os trabalhadores da Lisnave que é necessário, mais do que nunca reforçar a sua unidade em torno dos seus órgãos representativos por forma a poderem fazer frente a todas as ofensivas lançadas contra os trabalhadores, isto é, contra as conquistas da Revolução.
O reforço da unidade dos trabalhadores consegue-se não usando a calúnia, não usando a mentira, não tentando dividir os trabalhadores, não permitindo a confusão, mas sim, fazendo com que os trabalhadores discutam, compreendam e participem na resolução dos seus problemas por forma a que possam ficar integrados na situação real, não permitindo assim, infiltração das forças que pretendem destruir a sua unidade.
A Célula da Lisnave do Partido Comunista Português, não pretende dar resposta aos comunicados que diariamente envenenam as ideias dos trabalhadores. Ao divulgar este comunicado a nossa Célula tem apenas como objectivo alertar todos os camaradas de trabalho da Lisnave, para as manobras de meia dúzia de pseudo-revolucionários, e outros que, dizendo-se socialistas se desmascaram a si próprios, quando apoiam a política dos Barretos, Portas e C.a, sobejamente conhecidas pela sua política de defesa dos latifundistas e capitalistas. Estes, nem sequer nos mereciam qualquer referência, se não tivéssemos a certeza de haver socialistas honestos entre os trabalhadores da Lisnave, que como nós repudiam os que por oportunismo militam ou militaram no Partido Socialista para melhor defender os seus interesses e os dos patrões a quem servem como lacaios.
A Célula da Lisnave do Partido Comunista Português procura alertar todos os camaradas de trabalho para as manobras levadas a cabo pelos reaccionários que diariamente lançam comunicados, sobre as lutas actuais que se travam na empresa, em que procuram confundir os trabalhadores da Lisnave.
No caso concreto das reivindicações em curso, a proposta aprovada em Assembleia Geral de Delegados dos trabalhadores e dos Delegados Sindicais de levar à prática Assembleias Gerais de Sector para discussão do «Leque» é a mais adequada para a situação actual.
Por um lado, o grupo de leque pode expor junto dos trabalhadores o ponto da situação das negociações, informar com clareza tudo aquilo que os trabalhadores beneficiam com as reivindicações acordadas e consequentemente pode o grupo esclarecer todas as dúvidas que forem postas pelos trabalhadores.
Por outro lado, faz com que os trabalhadores participem efectivamente na discussão dos seus problemas, ficando esclarecidos de toda a situação não permitindo a infiltração das forças que nos pretendem dividir usando a calúnia, a mentira e a demagogia, mas pelo contrário, permite-lhes isolar essas mesmas forças divisionistas.
A participação e discussão dos trabalhadores permite-lhes que possam decidir em A.G.T. aquilo que melhor sirva os seus interesses, não dando oportunidade de serem manipulados, a aprovar propostas irrealistas que em nada beneficiam os trabalhadores.
Damos como exemplo as reivindicações dos trabalhadores, visto ser na base destas que muitas forças têm tentado criar o clima de divisão e confusão no seio dos trabalhadores.
No entanto, a Célula da Lisnave do Partido Comunista Português consciente que o aumento do custo de vida é uma realidade E QUE É NECESSÁRIO AUMENTAR O SALÁRIO REAL DE TODOS OS TRABALHADORES DA EMPRESA, independentemente de serem directa ou indirectamente produtivos, não pode, no entanto, deixar de alertar todos os trabalhadores da Lisnave, que as lutas não podem revestir-se apenas de um carácter salarial mas, em especial de um carácter político.
Há vários problemas internos na Lisnave que carecem de resolução urgente:
— Consideramos fundamental a resolução do problema da Divisão de Novas Construções;
— Consideramos fundamental para os trabalhadores da Lisnave, que sejam remodelados os Serviços Comerciais da Empresa;
— Consideramos fundamental que o governo assuma as suas responsabilidades na Empresa, como o apon­ta a proposta aprovada pelos trabalhadores da Lis­nave em A.G.T., por forma a que a Lisnave se submeta à política da Indústria Naval Portuguesa, isto é, ao serviço dos trabalhadores e da Economia Nacional.
— Consideramos fundamental a não reeleição do José Manuel de Mello para presidente do Conselho de Administração.
Se apontamos como fundamental a resolução dos problemas atrás referidos é no sentido de garantir o emprego a todos quantos na Lisnave trabalham e se encontram em perigo de perderem os seus postos de trabalho como consequência da crise da Indústria Naval, da qual a Divisão das Novas Construções é um exemplo muito concreto.
Considera a Célula da Lisnave do Partido Comunista Português referenciar alguns aspectos da crise do Sector da Indústria Naval a nível internacional:
— No mundo capitalista a crise tem-se resolvido com despedimentos em massa (exemplo: Europa Ocidental — 60 000 trabalhadores, no Japão — 120 000 trabalhadores, etc.);
— No nosso País devido às transformações económicas, políticas e sociais que se verificaram depois do 25 de Abril e que temos incondicionalmente que garantir, não permitem que em Portugal se actue dessa maneira;
— Na Suécia, Holanda e França fecharam os maiores estaleiros de construções — por outro lado — parte desses estaleiros estão a ser reconvertidos em estaleiros de Reparações o que a curto prazo, os torna concorrentes da Lisnave, no mercado internacional;
— Os estaleiros concorrentes aumentaram o número de docas secas com o fim de conseguirem sobreviver, tornando mais feroz a concorrência internacional.
Tudo isto traz dificuldades para a Lisnave e por outro lado consequências para o mercado internacional, como seja, a agudização da crise no campo das reparações.
Ao apresentarmos estas situações reais, estamos convictos que as forças divisionistas (UDP — PCP(R) — GDUP e outras) vão mais uma vez acusar-nos de manipular os trabalhadores, agitando o fantasma da crise e do desemprego.
Os comunistas da Lisnave estão plenamente conscientes de que os trabalhadores sabem distinguir as realidades das demagogias, isto é, sabem distinguir quem defende os seus legítimos interesses e quem os tenta levar para becos sem saída, como aconteceu nos casos da TIMEX, Rádio Renascença, TAP, TLP e outros tantos, que em vez de fazerem avançar o processo revolucionário apenas o têm feito retroceder em prejuízo dos trabalhadores e em benefício do capital.
No entanto, se bem que a situação da crise é um facto, existem no nosso país condições que possibilitam a superação da crise sem pôr em causa o emprego dos trabalhadores.
Para tal, são condições fundamentais a garantia da unidade dos trabalhadores da Lisnave em torno dos seus órgãos representativos e o combate ao divisionismo, e são tarefas fundamentais a resolução dos problemas internos na base das propostas alternativas que os trabalhadores têm vindo a apresentar.
Simultaneamente devem os trabalhadores da Lisnave porem em prática algumas das medidas enunciadas pelo nosso Partido, nomeadamente as soluções apresentadas para a resolução da crise da Indústria Naval na Conferência Económica do Partido.
Só unidos em torno dos seus órgãos representativos na empresa e os seus órgãos nacionais nomeadamente a C.G.T.P. Intersindical Nacional no sentido de combater todas as ofensivas lançadas contra os trabalhadores, seria possível manter as conquistas já alcançadas.
Reforma Agrária, Controlo Operário, Nacionalizações, isto é, a Revolução Portuguesa.

— Unidos e Organizados Venceremos!
— Pelo Controlo Operário!
— Pela Reforma Agrária!
— Pelas Nacionalizações!
— Viva a Classe Operária!
— Viva o Partido Comunista Português!

Margueira, 14 de Julho de 1977

A CÉLULA DA LISNAVE DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

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