quinta-feira, 13 de julho de 2017

1977-07-13 - CONTRA A TRAIÇÃO! VIVA A REFORMA AGRÁRIA CAMPONESA! - PCTP/MRPP

PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES (PCTP/MRPP)

CONTRA A TRAIÇÃO!
VIVA A REFORMA AGRÁRIA CAMPONESA!

À CLASSE OPERARIA E A TUDO O POVO DO CONCELHO DE VILA FRANCA DE XIRA.

Uma das maiores conquistas conseguidas pelo nosso Povo, após o golpe e Estado, de 25 de Abril, foi sem dúvida a alcançada pelos Camponeses a nossa Pátria, Batalha árdua e difícil, composta por mil combates diários. Ferozmente explorados durante séculos, os assalariados rurais e camponeses pobres do nosso país (especialmente do Alentejo e Ribatejo), dispostos a remover montanhas, lançaram-se como um turbilhão, na conquista daquilo que sempre almejaram e almejam, isto é, a Terra. Essa Terra que sempre regaram o seu suor e o seu sangue essa Terra fonte de riqueza dos parasitas latifundiários, essa Terra em grande parte por cultivar, não podia ficar por mais tempo nas mãos de tais canalhas.

Os camponeses no entanto, apesar de temperados na luta contra a G.N.R., os latifundiários e os seus lacaios, não sabiam que o seu pior inimigo se encontrava no seu seio. Mais esperto este falso amigo, que dispunha e dispõe de grande influência nestas zonas do nosso País, fingiu desde o início apoiar esta Heróica luta, para melhor atrair e desviar dos seus justos objectivos.
Nesse sentido, quando os camponeses ameaçavam ocupar todos os latifúndios e expulsar todos os latifundiários o P”C”P, no governo do "companheiro" Vasco faz aprovar uma lei, a chamada lei da Reforma Agrária. Baseada nos 50.000 pontos, em que os latifundiários têm "direito" novamente à terra entre 50 e 700 ha, caso seja regadio ou sequeiro, existe o direito de reserva permitindo aos latifundiários escolher a melhor terra além das chorudas indemnizações pelas expropriações. E esta a lei do P"C"P.
Acoitados nos sindicatos dos trabalhadores rurais, nas direcções da maioria das UCPs, assim como nos chamados centros da Reforma Agrária, estes vendidos tudo fizeram para que não houvessem mais ocupações. Os camponeses não desarmaram continuaram com as ocupações desfazendo assim, o sonho dos revisionistas.
Com a tomada posse do 1º Governo Constitucional, do Partido dito Socialista do Poltrão Soares, a burguesia viu criadas as condições para um contra-ataque de grande envergadura. Abrindo caminho pela brecha apontada pelo partido social-fascista, e baseando-se na "Constituição mais progressista do Mundo" e na lei social-fascista, começam as desocupações. Os camponeses resistem valentemente, enquanto os sindicatos controlados pelos traidores, dizem que o melhor é dar a terra e respeitar a “lei", pois as outras propriedades acima de 700 ha seriam ocupadas. E nesta situação que aparece a chamada lei Barreto que visa subir a "quota" para 70.000 pontos. Em cima da traição, traição e meia.
Barreto e seus comparsas não estão satisfeitos com os bons serviços prestados já ao capital durante este curto reinado. Paus-mandados dos fascistas e social-fascistas, não se cansam de fabricar medidas, leis e decretos contra o Povo como seja, a lei anti-greve, cabaz da fome, lei dos despedimentos e tantas outras.
Lutar decididamente contra tais leis e tal Governo, é o caminho a seguir.
Será no entanto correcto lutar sob a direcção de um Partido que à mesa do orçamento se quer igualmente banquetear à custa da exploração do Povo? — É evidente que não. Os Partidos do capital do P"C"P à U"D"P, passando pelo partido do governo PS"D" a C”D”S, nada podem dar ao Povo além de mais fome, mais miséria, e paleio em S. Bento.
Lutar contra a chamada "lei Barreto", e todas as leis do Governo reaccionário do Dr. Soares, é uma tarefa diária e urgente de toda a classe operária, dos camponeses e de todo o Povo sob uma direcção justa — a direcção do P.C.T.P. Os camponeses devem resistir às desocupações e continuar a ocupar as terras dos latifundiários, salvaguardando a terra dos pequenos e médios camponeses seareiros e rendeiros.
Todo o Povo deve apoiar a sua luta em especial os operários, forjando na prática e na luta, aliança operária-camponesa, questão fundamental para a vitória.
O Povo do Concelho de Vila Franca e a sua classe Operária, devem repudiar a chamada concentração para Quinta-Feira, dia 14, porque ela é mais uma manobra do P”C”P que vise, arregimentar as massas para impor ao Governo P"S" a partilha do poleiro.
Acaso os operários viram alguns frutos da manifestação do dia 22 do mês passado em Lisboa?
Fingir combater a "lei Barreto" para defender a sua mãe - a lei do P"C"P — igualmente contra os camponeses é coisa que o Povo, os Camponeses e os Operários não farão.

CONTRA A REFORMA AGRÁRIA SOCIAL-FASCISTA!
VIVA A REFORMA AGRÁRIA CAMPONESA!
CONTRA A LEI BARRETO!
A TERRA A QUEM A TRABALHA!
VIVA A ALIANÇA OPERARIA-CAMPONESA!
VIVA O PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES

V.F. Xira, 13/7/77

O Comité do Concelho de V. F. Xira do PCTP/MRPP

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