quarta-feira, 12 de julho de 2017

1977-07-12 - MAIS UMA MANOBRA NAS COSTAS DOS TRABALHADORES NO SINDICATO DAS ARTES GRÁFICAS DO SUL E ILHAS - FUG - Sindicato Artes Gráficas

F.U.G. - Frente Unitária Gráfica
Rua da Estrela, 71 - LISBOA

Exmos. Srs.:
Agradecemos que divulguem no v/ órgão informativo o comunicado que junto vos enviamos.
Avançando desde já os nossos agradecimentos, despedimo-nos com as mais cordiais saudações sindicais revolucionárias. 
F.U.G. - FRENTE UNITÁRIA GRÁFICA
Rafael Cação Gomêz
BI 0240870

MAIS UMA MANOBRA NAS COSTAS DOS TRABALHADORES NO SINDICATO DAS ARTES GRÁFICAS DO SUL E ILHAS
Há algumas semanas atrás, informou a direcção, através dum seu elemento numa reunião de delegados, que estava em discussão no Movimento Sindical uma proposta para que os Sindicatos passassem a descontar, além dos 6% que já descontam para a Inter, mais 1 ou 2% para as "Uniões". Informou ainda esse elemento que na "União” de Santarém já tinha sido aprovado 1% e em Setúbal 2% e que em relação a Lisboa o problema teria de ser discutido. Entretanto como perderam muito tempo a preparar a "jogada" do passado dia 22 e depois disso a descansar sobre os "louros" colhidos, não mais puseram a questão à consideração dos trabalhadores e apenas três dias antes do plenário da "União" que iria deliberar sobre o assunto se propuseram falar nisso numa reunião de delegados. Mas como se isso não bastasse, vieram a admitir nessa reunião, que os delegados que lhes fazem o jogo fizessem aprovar uma proposta, no sentido de ali se deliberar se se concordava ou não em canalizar mais 1% das verbas do Sindicato para as "Uniões".
Claro que ao consentirem essa proposta, estavam conscientes que a decisão iria ser afirmativa, em vez que mantém total domínio sobre as delegados, isto apesar da insistência de um dos delegados, que lutou contra a proposta e tentou chamar a atenção para o seu carácter anti-democrático.
O desconto de mais 1% para as "Uniões" como seria de esperar, veio a ser aprovado, mas com quase metade dos votos contra, entre os vinte e poucos delegados presentes.
Quer isto dizer que são mais umas dezenas largas de contos que vão sair todos os meses dos cofres do nosso Sindicato, para subsidiar as "Uniões", que em vez de utilizarem esse dinheiro em defesa dos verdadeiros interesses dos trabalhadores, o utilizam para as suas manobras de traição ao serviço das forças políticas que as dominam. Além disso mais uma vez uma decisão foi tomada nas costas dos trabalhadores e, anti-estatutariamente já que o orçamento aprovado para 77 não previa tal verba que passa a ter um carácter permanente e efectivo.
Será que os trabalhadores já não têm direito a decidir sobre o seu próprio dinheiro?
No tempo do corporativismo, também as decisões no Sindicato eram tomadas sem o nosso consentimento.
Não serão os métodos utilizados hoje pelas forças políticas que dominam o nosso Sindicato idênticos ao do fascismo?
- EXIJAMOS CONTAS A ACTUAL DIRECÇÃO DA SUA ATITUDE!
- DESMASCAREMOS OS FALSOS "DEFENSORES DOS TRABALHADORES"!
- EM FRENTE COM A FUG, POR UM SINDICATO ÚNICO, DEMOCRÁTICO E DE CLASSE!

O "PROJECTO ROQUE LINO" É UMA AMEAÇA A MANUTENÇÃO DOS POSTOS DE TRABALHO!
Englobado na política da burguesia, de mandar para cima das costas dos trabalhadores a crise do sistema capitalista (2.200 trabalhadores para o desemprego) o "projecto Roque Lino" visa, ainda através da redução de efectivos, diminuir o deficit constante da imprensa estatizada. E a partir daí, poder manter sem grandes problemas dois ou três jornais, como porta-vozes efectivos do governo, e ainda, como compensação, poder subsidiar os órgãos que ficarem subordinados às outras facções da burguesia.
Não pretendemos intrometer-nos na partilha da Informação pela burguesia.
Não somos defensores da visão estreita, de que ao estado compete manter a actual situação que lhe acarreta milhares de contos de prejuízo mensal, subtraídos ao erário público, que numa sociedade capitalista o mesmo será dizer: que de um modo ou de outro, terão de ser sempre os explorados e os oprimidos a suportar, esse prejuízo.
No entanto somos pela defesa intransigente dos postos de trabalho e por tal entendemos que os trabalhares se devem mobilizar, exigindo do governo medidas que não ponham em causa o nosso direito ao Trabalho e ao Pão.
Não é nosso objectivo levar os trabalhadores a resolverem a crise que a própria burguesia engendrou, mas perante a perspectiva de desemprego, e apenas numa situação de compromisso, é correcto que sejam os trabalhadores a apresentar a alternativa que mais lhes convenha. Embora partindo sempre da análise concreta de que as soluções serão passageiras já que o desemprego é uma constante das sociedades capitalistas.
No que diz respeito à indústria gráfica e à qual nós achamos no direito de apresentar a nossa perspectiva, diremos como já o dissemos antes: que a reestruturação da Imprensa terá de ser parte integrante da reestruturação do sector gráfico.
Conscientes da situação do nosso sector, do problema que nele representa a Imprensa diária e, perante o caso concreto da "alternativa" da burguesia para o solucionar, achamos que é imperioso e urgente que     os trabalhadores se debrucem sobre este problema, que não diz apenas respeito aos gráficos da Imprensa diária, mas a todos os gráficos em geral e a todos os profissionais da Imprensa.

QUAL O PAPEL DA DIRECÇÃO DOS GRÁFICOS DE LISBOA DEPOIS DE TER CONHECIMENTO DO "PROJECTO"?
A F.U.G. vem desde há muito apontando para a verdadeira realidade do nosso sector e perspectivando o perigo de a curto ou médio prazo poder surgir o desemprego em massa.
Em contrapartida, tem sido também uma constante das forças politicas que dominam o nosso Sindicato, ocultar a realidade aos trabalhadores, pois que se encontram mais interessados em se servir de nós como meio de pressão perante as outras forças burguesas, do que em resolver os nossos problemas concretos. E o facto é que ainda na passada reunião de delegados, do dia 5, nem sequer abordaram o problema e, ao serem interpelados sobre o assunto, responderam apenas que andava um dirigente a debruçar-se sobre o assunto, como se para resolver tão delicado problema bastasse a "omnipotência" de um qualquer dirigente.
Em compensação, trataram nessa reunião, de criar grupos "dinamizadores" para realizar uma "jornada" de apoio à sua "reforma agrária" , que nem sabiam ainda quando se realizará.
Quanto ao "projecto Roque Lino", não estão interessados em pôr os trabalhadores a discutir esse problema, para depois, na altura precisa, resolverem o problema em negociata com o governo e a seu belo prazer!

ABAIXO O "PROJECTO ROQUE LINO"!
MOBILIZEMO-NOS PARA APRESENTARMOS CONTRA A BURGUESIA, A NOSSA ALTERNATIVA DE CLASSE!
NÃO CONSINTAMOS QUE NOS UTILIZEM COMO MOEDA DE TROCA!
PERANTE A PERSPECTIVA DA MISÉRIA E DO DESEMPREGO, OS TRABALHADORES EXIGEM PÃO E TRABALHO!

F.U.G.- FRENTE UNITÁRIA GRÁFICA

12/7/77

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