terça-feira, 11 de julho de 2017

1977-07-11 - Podium Nº 111

Este mês no «podium»

10 DE JUNHO VOLTA A SER DIA DE PORTUGAL,
«O dia 10 de Junho será, em 1978, Dia de Portugal — ambicionou o Presidente da República, General Ramalho Eanes no jornal «Comunidade».
A intenção do Presidente da República parece ir no sentido de dar satisfação a um sector da opinião pública portuguesa que se opôs à decisão em causa» (Expresso, 8/6/77).
Para quem tenha dúvidas, «Podium» conseguiu descobrir a que sector da opinião pública o artigo se refere:
«Os grupos políticos de obediência e cumplicidade marxista, fiéis ao desígnio de subverter a independência nacional em favor de uma tutela internacionalista, acharam por bem subalternizar o Dia Nacional e a memória do português que melhor simbolizou Portugal.

Foi preciso que o poder caísse nas mãos de mesquinhos e bastardos, de ineptos e irresponsáveis, de poltrões e traidores, para que se oficializasse a negação nacional, o desprezo pelos vultos da história pátria, o enxovalho ao nosso passado de glória e bem fazer. (O Retornado, 7/6/77).
«A todos os portugueses genuínos da verdadeira cepa lusitana, convocamos para que participem nas cerimónias do Dia da Raça. Mostremos aos traidores e à vil canalha que Portugal ainda não morreu. Viva Portugal Secular, Eterno e Grande» (idem).

COMEMORAÇÕES DO DIA DE CAMÕES
«Ramalho Eanes tio final das celebrações: Se ser reaccionário é ser Português, então paciência; que o sejamos.» («Jornal Novo», 14/6/ 77).
Paciência?! Será esta a teoria do «País real»?

REACÇÕES DO MIRN A PALAVRAS DE SOARES
«O MIRN rebateu publicamente a qualificação de «organização fascista e tenebrosa», entre outras, que constituem o ataque que lhe dirigiu o Primeiro Ministro no decorrer de um comício do PS realizado na Brandoa.»
Segundo aquela organização «a proposta-MIRN ao País evidenciam o seu mais são patriotismo, a sua real natureza democrática pluralista, o seu actualizado sentido social, a sua exigência total de rigor jurídico, e o seu anti-extremismo, embora também o seu mais veemente antimarxismo.» (Jornal Novo).
De reaccionários que esperar senão reaccionarismo? Pides, fascistas e bombistas todos para a prisão!

O MUNDO TEM DOIS DEFENSORES DOS DIREITOS DO HOMEM
Continuando a falar no chefe do governo socialista, em entrevista à «RTP». O presidente da Liga Internacional dos Direitos do Homem, afirmou que o Mundo conta hoje com, dois defensores dos direitos do homem: um o presidente Cárter, e o outro o dr. Mário Soares. (Jornal Novo, 5/7/77).
E esta, hem? Que velhinho simpático não é?!

CARLUCCI PODERÁ DEIXAR LISBOA
Em artigo de 16/6/77 o semanário «Tempo», aflito, referia que o já célebre embaixador dos Estados Unidos em Portugal, «iria ser colocado em Washington em lugar meramente administrativo», o que na verdade, não se coaduna nada com a sua prática política...

CARLUCCI NÃO SAIRÁ DE LISBOA
O «Diário de Notícias» do dia seguinte, porém, prontificava-se a acalmar os sectores que viam com pesar a próxima partida do mais directo colaborador de «um dos maiores defensores dos direitos do homem».
É que no Capitólio «os liberais crêem que Carlucci persuadiu o secretário de Estado, Henry Kissinger, de que Portugal podia ser salvo do comunismo se os Estados Unidos se juntassem aos seus aliados europeus para apoiar as forças democráticas do nosso País».

BRIGADA DA NATO
Na campo de Santa Margarida «estão instalados o quartel-general da Primeira Brigada Mista Independente, vulgar mas impropriamente conhecida primeiro-Ministro, dr. Mário Soares, «Brigada Nato», um batalhão de infantaria, mecanizado, dois batalhões de infantaria motorizados, o regimento de cavalaria e um centro de instrução militar, num total aproximado de 2000 homens.
Actualmente a Brigada conta com cerca de 600 homens, mas poderá vir a ter perto de 3000. Ainda em fase de formação, a Brigada possui já 20 viaturas blindadas M113/Al». (Jornal Novo, 21/6/77).
«O primeiro - ministro Mário Soares, acompanhado pelo ministro da Defesa, coronel Firmino Miguel, visitou ontem de manhã o comando (La Área Ibero-Atlântica, em Oeiras e assistiu a um «brieffing» confidencial. (o Dia, 3/6/77).
Será que a existência de feudos controlados por estrangeiros no território do nosso País, reforça a independência nacional e a defesa perante inimigos externos?

UM ELEMENTO MILITARIZADO PARA CADA 93 PORTUGUESES
«Os efectivos militares e militarizados atingem, actualmente, o número de 101 716 elementos, assim distribuídos: Exército — 40 000; Força Aérea — 10 000; Armada — 15 000; PSP 12 600; GNR — 9600; Guarda Fiscal — 7500; Guarda, Prisional — 450; Polícia Judiciária — 800; finalmente cerca de 3000 agentes distribuídos pelos guardas nocturnos, guardas florestais, etc.»
O Governo parece entretanto interessado em arranjar mais
11   000 Polícias, mais 13 000 agentes para a GNR e mais 800 para a Judiciária.» (Diário de Lisboa, 2/7/77).

QUE VAI A PSP FAZER AO BRASIL?
«A PSP iniciou recentemente os seus cursos no Departamento de Ordem Interna no Brasil, onde irá concerteza aprender os mais ferozes métodos repressivos. Desde a sua formação o DOI/CODI (Centro de Operações de Defesa Interna) é responsável pelo assassinato de mais de 500 opositores à ditadura militar nas suas selas de tortura, e pelo assassinato em combate de mais de 200 militantes revolucionários. Que vai então a PSP aprender ao Brasil?» (Página Um, 16/6/77).

E não esqueça, «a polícia deseja-lhe muito boas férias»!

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