terça-feira, 11 de julho de 2017

1977-07-11 - O Comunista Nº 43 - II Série - UCRP(ml)

EDITORIAL
ALERTA CONTRA NOVOS 22 DE JUNHO

Os primeiros dias do mês viram continuar a desenvolver-se a crise política nas fileiras do Partido governamental, a propósito das posições assumidas pela «Fraternidade Operária» de Lopes Cardoso e Kalidás Barreto, e ainda agora reafirmadas por aquele em entrevista ao «Jornal». Uma pedra não foi, ainda, colocada em cima do assunto, tudo indicando que os dirigentes do PS vão adiando uma decisão para alturas do debate da «Lei Barreto» na Assembleia da República, vendo por onde param as modas até lá, dentro e fora do Partido.
A campanha de «A Luta» e do «Expresso», cada um a seu modo, em torno do futuro da «convergência democrática» entre o PPD e o CDS saiu, em grande parte, furada. Sem que, no entanto, a reunião de Viana do Castelo dos órgãos dirigentes do PPD não tivesse deixado as mãos livres a Sá Carneiro para as negociações com o PS na A.R., confirmando as mais recentes «leituras» do líder do PSD acerca do papel da «convergência».

Por seu lado, a discussão do Plano 77/80, de 13 a 15 mês aproxima-se na AR. O ministro do Plano, Sousa Gomes, de regresso de Oslo, salientou que as «Grandes Opções» do Plano passarão nas bancadas de S. Bento, tudo dando a entender que os arranjos já foram cozinhados nos encontros, há duas semanas, entre o primeiro-ministro e a oposição burguesa.
A principal prova de força entre as diversas facções da burguesia irá decorrer em torno da aprovação da «Lei Barreto» na A.R. entre 18 e 19 deste mês. O social-fascismo concentra aí o principal das suas forças. Pela voz de Vítor Louro renovou das bancadas de S. Bento a proposta de «acalmia política» ao PS, criando um «clima favorável ao diálogo» no período de debate da «Lei Barreto».
Por seu lado, a CGTP marca uma reunião geral de Sindicatos para dois dias antes, a fim de analisar e decidir as medidas a tomar. A Inter repete ao governo as exigências de retomada do «diálogo». Tem na gaveta sessenta contratos colectivos disponíveis para serem usados como moeda de troca nas negociações do «pacto social»-fascista. Alguns Sindicatos, manipulando as reivindicações dos trabalhadores, ameaçam com greves no âmbito da negociação do «pacto» — Têxteis, Químicos e Hotelaria. As moagens realizaram uma paralisação, e a direcção dos Têxteis poderá convocar nova paralisação para o dia 13. Arrastando as negociações da CCT, os social-fascistas têm mantido na manga um poderoso meio de pressão ao governo, abusando das reivindicações legítimas dos trabalhadores, que não têm por intenção conquistar, mas apenas manipular. Num plenário de material eléctrico, no Porto, foi aprovado uma moção, apelando à mobilização geral de todos os sectores atingidos pela Contratação, e os Sindicatos agrícolas da região alentejana manipulados pelos novos senhores dos latifúndios, têm em preparação uma «jornada de repúdio nacional».

A classe operária e os trabalhadores devem elevar a sua vigilância e prepararem-se para a luta contra o «pacto social»-fascista, erguendo a bandeira das suas reivindicações de classe próprias, denunciando todos os novos «22 de Junho» em preparação urdidos pela Inter.

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