terça-feira, 11 de julho de 2017

1977-07-11 - JUSTIÇA SERÁ FEITA! - PCTP/MRPP

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

JUSTIÇA SERÁ FEITA!

Declaração do Comité Permanente do Comité Central do PCTP acerca do julgamento e absolvição de quatro dos assassinos do camarada ALEXANDRINO DE SOUSA

  1. Com a leitura da sentença que os absolve, terminou hoje a farsa judicial onde, por pressão das massas populares, tinham sido obrigados a comparecer quatro dos assassinos do camarada Alexandrino de Sousa a soldo da U"DP"/P"C”P(R). São eles: Luís Filipe Pereiro, Manuel do Jesus Condeço, Rui Almeida Paisano e Valdemar Madeira.

Tal absolvição, da lavra do juiz Carita Grave, constitui uma grave provocação consagradora por parte da justiça burguesa da impunidade e da protecção para os mais bárbaros crimes e dos mais sinistros assassinos, desde que aqueles e os seus autores tenham como alvo a vida dos marxistas-leninistas-maoístas.
  2. A absolvição dos quatro assassines da U"DP"/P"C”P(R) suscita o mais intenso repudio e enche da mais viva indignação todo o povo português, todas as forças políticas democráticas que, tanto a 9 de Outubro de 1975 como agora, exigiam a punição exemplar dos que cobarde e premeditadamente assassinaram por afogamento o camarada Alexandrino de Sousa e intentaram fazer o mesmo contra outros três jovens comunistas que o acompanhavam.
E não deixa de ser curioso que certa imprensa como "A Luta” que então partilhou desse grande movimento de revolta popular assuma hoje, agora que arvorada em voz oficiosa do Governo, a atitude de provocação e insulto a memória do camarada Alexandrino de Sousa, comum aos pasquins dirigidos pelas forças social-fascistas que conduziram a mão dos seus assassinos.
Não constitui porem, uma tal sentença qualquer surpresa para o nosso Partido. Como poderíamos esperar outra decisão de uma autêntica mascarada judicial que só teve lugar porque isso era uma inequívoca exigência popular, mas desde o primeiro momento montada para ilibar os assassinos da U"DP"/P"C”P(R)? De uma farsa que abriu os seus trâmites com um despacho do juiz Madeira Barbara mandando libertar os assassinos capturados em flagrante delito sob a alegação de que o nosso camarada morreu "porque não sabia nadar"?
Como poderíamos esperar outra decisão da justiça de uma classe que manda em liberdade os assassinos da U"DP"/P"C”P(R) enquanto os militantes do nosso Partido são impunemente baleados - caso da agressão a tiro por parte de brigadas do P"C"P contra o operário dos TLP João Soares Monteiro, a 13 de Março de 1976, em Xabregas? Enquanto abafa, protege e sanciona os mais brutais espancamentos por parte dos seus esbirros da PSP contra os comunistas - como aconteceu na esquadra do Alto do Pina em 21 de Julho de 1976, e em Évora no passado mês de Abril contra o camarada João Reis, membro do Comité Central do nosso Partido?
Para a justiça da burguesia, a legalidade e a sanção do crime, do assassinato e da tortura desde que contra os verdadeiros comunistas cometidos. Um ensinamento precioso este que o juiz Carita Grave hoje facultou àqueles que ilusões tivessem quanto à natureza de classe e aos fins que prosseguem os tribunais do capital.
3. A absolvição dos assassinos do camarada Alexandrino de Sousa tem ainda o inegável mérito de constituir uma eloquente demonstração do que sejam a “democracia" e a Constituição "mais progressista do mundo". Posto que é a sombra tutelar de tão "venerandas" instituições que a U"DP"/P"C"P(R) - bando em nome do qual os quatro social-fascistas ora ilibados assassinaram o camarada Alexandrino de Sousa - recebera este ano, extorquido à bolsa dos operários e dos camponeses, um subsídio de mil e oitocentos contos. Assassinos a soldo, com alforria constitucional e garantia judicial
4. A absolvição dos assassinos do camarada Alexandrino de Sousa, constitui assim um real estímulo e apoio ao cometimento de toda a sorte de novos crimes contra o povo e contra os mais destacados dos seus filhos, como o era o comunista e militante do nosso Partido José Alexandrino Gonçalves de Sousa. Face a uma tal situação, o Comité Permanente do Comité Central do PCTP mais não tem que reafirmar a tranquila mas inabalável determinação dos comunistas portugueses de prosseguirem intransigentemente no seu combate, fiéis ao exemplo de Alexandrino de Sousa e de Ribeiro Santos e de responder golpe por golpe a todos os ataques e provocações do inimigo. Compete-lhe igualmente tornar claro que uma tal sentença absolutória demonstra que os crimes a soldo dos exploradores e opressores do povo é as mãos do povo que têm de encontrar castigo. E é as mãos do povo que o encontrarão. Nenhuma escolta policial do género das, que, nos últimos dias, protegeu os assassinos poderá impedir que como tal venham a ser justificados pelo povo cujo sangue derramaram.

JUSTIÇA SERÁ FEITA!
O POVO VINGARÁ O CAMARADA ALEXANDRINO DE SOUSA!

Lisboa, 11 de Julho de 1977

O Comité Permanente do Comité Central do PCTP

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