terça-feira, 11 de julho de 2017

1977-07-11 - COMBATER A DIREITA OU SERVI-LA? - MES

COMBATER A DIREITA OU SERVI-LA?

1. A SITUAÇÃO ACTUAL NO I.S.T
No seguimento da RGA de 5/7/77, que levou à impugnação dos resultados da 2ª volta das eleições, realizou-se nova votação dessa volta. Apesar da chantagem feita, pela lista E, num boicote claro às posições da RIA, apesar de todas as outras, que embora reconhecendo formalmente as decisões da RGA, alinharam na prática com as posições daquela, ao demitirem-se da Comissão Eleitoral e ao repousarem a sua participação nas mesas de voto e verificação do processo eleitoral, a mesa da RGA. submetendo-se às decisões aprovadas pelos estudantes do Técnico, esforçou-se para que a repetição da 2ª volta tivesse lugar em condições democráticas, evitando assim o desprestígio dos órgãos de decisão de M.A.

A situação actual da nossa escola está longe de ser clarificada para a grande maioria dos estudantes. Por detrás de todo o processo eleitoral da discussão em torno da impugnação, das citações papagueadas dos estatutos da AEIST, e até mesmo do Código Civil e da Constituição, houve a intenção clara de estabelecer a confusão nos espíritos, legar para segundo plano as decisões das reuniões de massas em favor de “convergências” mais ou menos reaccionárias, conduzir o M.A, a uma discussão interminável sobre formalismos estatutários e evitar que os estudantes do Técnico discutissem e tomassem em suas mãos a resolução do problema essencial que é para estes, a existência de uma direcção eleita democraticamente. Mas se ficássemos apenas por esta visão do problema, ou mesmo se ainda lhe acrescentássemos toda uma série de peripécias de corredores, segundo variadíssimas versões, não teríamos uma visão esclarecida sobre o problema antes aumentaria em nós a confusão e teríamos, quando muito, uma visão parcial e unilateral daquilo que está em jogo.

CARACTERIZAÇÃO DAS FORÇAS EM PRESENÇA
A situação actual da nossa escola caracteriza-se por uma polarização e por uma luta aberta dos estudantes anti-fascistas contra as posições da direita reaccionária, que lograram conquistar para o seu lado alguns estudantes do técnico, à custa de falsas promessas de estabilização da vida académica, de melhoramentos dos serviços da Associação, de um futuro profissional garantido, sem dizer, é claro, que a via escolhida é a submissão integral dos estudantes do Técnico às arbitrariedades da política de Cardia. O atrelamento do M.A. aos órgãos de gestão da escola, da burocratização da AEIST quando não, a entrega da gestão da cantina e secção de folhas ao MEIC, o que aliás este há muito tempo espera sem ter para isso oportunidade.

O PPD. E O C.D.S.
Colegas, as pretensões do PPD e CDS não constituirá novidade também durante o regime Salazar e Caetano, houve vários decretos e tentativas para retirar os serviços da AEIST ao controle estudantil, através da nomeação de comissões de reestruturação. O Movimento Associativo é uma realidade estranha à direita reaccionária esta só poderá ter lugar nele destruindo-o.

A J.S.
A situação actual na nossa escola é também caracterizada pela perca progressiva de importância na resolução de questões fundamentais que se nos colocam, de forças conciliadoras hesitantes no combate aos reaccionários. A política da JS não tem qualquer expressão significativa numa situação em que as posições se encontram extremadas e radicalizadas. A JS, ao pretender colocar-se acima do conflito que opõe os estudantes anti-fascistas à direita reaccionária, ao prosseguir a sua política de avestruz, serve e dá cobertura “democrática”, como se tem verificado, aos objectivos da direita reaccionária, nunca a JS, como juventude do Governo, constituirá uma alternativa clara e autónoma a uma direita que melhor e mais coerentemente, defende os intentos da política reaccionária de Cardia.

A U.E.C.
A UEC, afirmando em palavras que “a direita sempre foi reaccionária e não é no Técnico que o deixará de ser”. pretendendo a sua reabilitação política, através da reintegração dos seus elementos expulsos do M.A.. face aos estudantes anti-fascistas troca o seu apoio a uma lista anti-fascista por uma presumível cedência que a direita lhe daria na sua reabilitação em RGA. A UEC, afirmando que não é administrativamente que se combate a direita, não tens qualquer pejo em ceder-lhe a Direcção da AEIST. A UEC, ao pretender deixar isolados os revolucionários no combate à direita, ao apostar na derrota de uma lista anti-fascista, sonha apresentar-se no próximo ano como única alternativa viável, útil e honesta. Esquece-se, no entanto, a UEC que a ser Direcção no próximo ano (ou no outro, segundo os seus futurólogos mais pessimistas), equivaleria a ser direcção do nada, de um M.A, liquidado, da Associação de uma escola onde todas as conquistas estudantis estariam destruídas, onde a democracia seria uma miragem e a estabilidade uma esperança.

2. A POLÍTICA DO M.E.I.C.
O AVANÇO DA DIREITA
A POSIÇÃO DOS REVOLUCIONÁRIOS
Colegas, a actuação das forças políticas no Técnico não é mais do que um reflexo da sua actuação na sociedade portuguesa.
Num momento em que se assiste ao avanço das forças reaccionárias, em que o PPD e o CDS ensaiam uma vasta manobra visando a substituição do governo PS, por um governo presidencialista ainda mais à direita, no momento em que o governo do Dr. Soares, cedendo em toda a linha às exigências do grande capital e do Imperialismo, prossegue na sua política de recuperação capitalista da economia portuguesa, a nossa escola não poderia deixar de reflectir os efeitos de tal situação.
O controle da formação aos vários níveis dos quadros técnicos e de mentalidades submissas e dóceis que saíssem das escolas para o mercado de trabalho ou para o desemprego, reveste-se de grande importância politica para a organização de uma economia e de uma sociedade submetida à lógica do lucro e da acumulação de capital. É assim que a política de Cardia não pretende ser apenas uma política de destruição das conquistas estudantis, mas também um plano global da reconversão capitalista das escolas é assim que a destruição do M.A. como força organizada dos estudantes, que se tem oposto e se opõe aos seus intentos, se coloca tanto para o MEIC como para a direita reaccionária, como questão de primordial importância.
A política de Cardia de destruição das conquistas estudantis, de elitização do ensino, de cortes de subsídios às AAEES, de fechos de Academias, está bem longe do programa do PS, ou mesmo do seu programa de governo, e bem perto das exigências do PPD e do CDS. A política de Cardia é o suporte do poder de Estado (do tal Estado de direito) ao avanço da direita nas escolas, que, se ontem actuava encostado aos grupos fantoches tipo MRPP-AOC, hoje apareceu abertamente organizada e activa, "roubando" à JS grande parte da sua base de apoio.
Nós os revolucionários, pelos erros que cometemos, pelas hesitações que demonstramos temos também a nossa parte de responsabilidade na situação que vivemos no IST; mas os nossos erros são de uma natureza distinta das dos reaccionários, ou mesmo dos da JS e UEC. Nós os revolucionários temos cometidos erros no combate à direita reaccionária, mas jamais cairíamos no erro de propor para o Técnico uma solução negociada com a JSD e CDS. Nós os revolucionários não negociamos a destruição do M.A., nem cedemos sem luta o campo à ofensiva reaccionária.
Colegas, nesta luta desigual em que estamos envolvidos, não tememos afrontar a direita reaccionária em nenhum campo, mesmo que esta conte com o apoio da política de Cardia, com a conciliação e hesitação de forças como a JS e a UEC, com uma situação política exterior desfavorável ao campo dos revolucionários e ao combate das massas populares.

UNIDADE: MAS COM QUEM?
A unidade que nós, estudantes comunistas do MES, mantemos com a UEDP-UJCR no Técnico é necessária porque reforça a esquerda no combate à reconversão capitalista e à ofensiva da direita reaccionária.
Esta unidade representa mais que o simples somatório de duas organizações partidárias. Através de um programa anti-fascista e de luta, tem-se conseguido unir um largo número de estudantes em torno das nossas posições. Muitos colegas poderio perguntar porque não participa a UEC neste programa. Apesar das profundas divergências que nos separam, nós nunca recusámos a unidade com a UEC em questões pontuais; no entanto, como este processo o tem demonstrado, é a própria UEC que impossibilita essa unidade ao colocar-se no campo da cedência,
Não colocámos a UEC fora deste programa, é ela que se coloca ao substituir o combate à direita pela cedência, e, reforço do M.A., pelos interessas partidários, o debate serio e honesto pelo combate ao “esquerdismo”.
Apesar das divergências estratégicas e tácticas que temos com a UEDP-UJCR, apesar de esta não raramente confundir o inimigo principal (como no caso dos elementos da UEC expulsos do M.A.), a aliança com esta força é necessária, na medida em que ela reforça o campo Anti-Fascista no combate à direita, pela democracia no M.A., pela defesa das conquistas estudantis.

VAMOS ELEGER UMA DIRECÇÃO ANTI-FASCISTA
A questão fundamental que se põe neste momento aos estudantes do Técnico é a da eleição de uma Direcção associativa anti-fascista.
Escamotear esta questão, semear a confusão, como o fazem os conciliadores, quer através do processo de reintegração dos saneados da UEC, quer pelo agitar impotente “não à radicalização de posições" pela JS, é fazer objectivamente o Jogo dos reaccionários. Só a estes interessa que a Direcção não seja de imediato eleita, só estes temem sujeitar-se à votação para repetição da 2ª volta. Com a degradação progressiva dos serviços da AEIST, com a morte lenta das estruturas associativas, sem uma Direcção eleita, estariam criadas as condições para o cumprimento cabal do seu programa de destruição do M.A., de burocratização da AEIST, e de submissão dos estudantes a um projecto político reaccionário para as escolas.
É por isso necessário, que a nova Direcção seja eleita ainda este semestre, que se proceda à repetição da 2 volta entre a lista B e a lista E, em que esta assuma as responsabilidades dos seus actos e das suas posições. Fazer uma nova repetição da segunda volta, apresenta-se, pois, como uma necessidade e como uma exigência dos estudantes anti-fascistas e de todos os estudantes do Técnico.


CÉLULA DOS ESTUDANTES DO MOVIMENTO DE ESQUERDA SOCIALISTA DO TÉCNICO

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