quinta-feira, 6 de julho de 2017

1977-07-06 - Paginas Vermelhas Nº 11 - UCRP(ml)

PROLETÁRIOS DE TODOS OS. PAÍSES, NAÇÕES E POVOS OPRIMIDOS, UNI-VOS!

Páginas Vermelhas
BOLETIM DA COMORG DO C.C.

Número 11
6/Julho/1977
5$00

Firmeza no norte da nossa actividade
1 - Com a saída do "Páginas Vermelhas” nº. 10 iniciou-se na nossa organização proletária um profundo debate político e ideológico no âmbito da preparação e realização do VI Congresso do partido Comunista Português.
Dizíamos no último P.V. que esta tarefa constituía o norte de toda a actividade da U.C.R.P.(m-l) durante todo o período que antecede a realização do Congresso. Apelávamos para que todos os camaradas se armassem dum profundo incentivo militante e agarrassem nesta tarefa com ardor revolucionário. Hoje renovamos o incentivo. É preciso que os trabalhos preparatórios do Congresso avancem com resolução e firmeza proletária e sirvam para armar os nossos aderentes com uma base ideológica firme, têmpera e ousadia comunista.

2 - No decorrer dos trabalhos constatámos já várias deficiências, que urge corrigir. Recebemos até ao momento várias propostas de alteração ao projecto de Estatutos Projecto de Resolução sobre a denominação e símbolos do partido; Projecto de Resolução sobre o porte dos Comunistas na prisão e projecto de Resolução sobre a quotização dos membros do Partido. Estas propostas têm sido enviadas no nome do Organismo, o que é correcto. No entanto, chamamos a atenção de todos os camaradas de que uma minoria ou mesmo um único militante (1) têm o direito de apresentar propostas de alteração, devidamente fundamentadas e seguindo a modalidade exposta no P.V. 10 (pág. 5), se não concordar (em) com a proposta do organismo.
Cada secretário do organismo deverá, além das propostas à COMORG do Congresso, enviar um relatório, o mais claro e sintético possível, resumindo as discussões havidas sobre os materiais em questão. Este relatório deve acompanhar as propostas, mas em separado.
Chama-se também a atenção de todos os camaradas, em especial para os responsáveis dos organismos, para que os relatórios e propostas sejam devidamente claros e feitos em papel normal e não em pequenos "papelinhos" e mal expostos, como já tem acontecido.
3 - Camaradas, é preciso corrigir as deficiências! O esforço tem de ser comum em todos os escalões e em todos os camaradas. Com espírito de sacrifício militante, perseverança e dedicação ao partido e à Revolução, o Marxismo-Leninismo, Pensamento Mao Tsétung triunfará.
AVANTE PELO PARTIDO!

Nota: Também os camaradas estagiários podem apresentar propostas individualmente, assim como participar nas votações no Organismo sobre as propostas de alteração. Se algum camarada estagiário apresentar proposta individual, junto à assinatura deverá mencionar a sua condição de estagiário. No entanto, os camaradas estagiários não poderão participar nas votações, nem apresentar propostas para eleger camaradas para o Comité Central.

COMISSÃO DE ORGANIZAÇÃO (COMORG)
AUTOCRÍTICA DA CÉLULA ARMANDO RAMOS
ACERCA DO LIBERALISMO E CONSOLIDAÇÃO NO COMBATE À DESERÇÃO DO EX-MILITANTE MÁRIO
A célula Armando Ramos apreciando a forma como agiu no combate ao acto de traição de Mário, ex-militante do organismo, que se dispos a abandonar a Organização, entende ser seu dever fazer autocrítica do liberalismo que pôs em prática no tratamento daquele acto e propõe que esta autocrítica seja do conhecimento de todos os comunistas, sendo, para isso publicada no "páginas Vermelhas".
A traição de Mário consistiu em mandar uma carta à Organização, por mão doutro camarada, faltando à reunião da célula, em que declarava a sua decisão de se afastar da vida organizativa. Alegava para isso ter dificuldades em acompanhar os outros camaradas e propunha-se entregar os documentos da Organização num encontro que marcava com o secretário da célula. Na sua carta, referia que a sua decisão era segura, e que de qualquer modo colaboraria sempre com a organização.
A célula Armando Ramos incorreu então no primeiro erro: em vez de o suspender imediatamente e recolher os documentos da Organização, levando a cabo o inquérito devido, tomou a atitude de não dar importância a este acto de traição, mas antes, considerá-lo como atitude irreflectida, no género de que "quando escreveu aquilo o camarada não devia estar bom da cabeça", e decidindo marcar-lhe outro encontro, que não o proposto por este, para a discussão com ele. Com esta atitude, a célula tomou o partido do subjectivismo e pôs a nu o espírito de conciliação que a dominava. A célula recusava-se a averiguar se a doença dum seu militante era grave ou não, e ficava-se pelo estilo do "não há-de ser nada". São atitudes como esta, camaradas, que permitem a corrosão do partido. Isto é o contrário da bolchevização, é o amiguismo barato e estreito, que nada tem a ver com o desejo de unidade, e nas nossas fileiras deve ser liquidado.
Mas a célula cometeu mais erros! O segundo foi que depois do Mário ter reconhecido a sua traição e se ter disposto a submeter-se à disciplina da Organização, a célula o aceitou no Organismo, passando uma esponja sobre a sua traição e apagando a gravidade da sua deserção, para nós era indiferente que os elementos fracos tivessem ou não lugar no Partido, mesmo tendo dado provas de traição. Mais grave, ainda, é que o Mário foi aceite de novo na célula, sem mesmo ter apresentado a sua autocrítica, que só nessa reunião foi decidido que ele fizesse.
Mas os erros não ficaram por aqui. A célula propôs também que o Mário fosse sancionado com a passagem a estagiário, isto é, membro pleno da U.C.R.P.(m-l), excepto sem o direito de eleger e ser eleito, por um período de 3 meses, para além do facto de tal ser uma proposta anti-estatutária, o que significa que foi feita levianamente e sem ponderação, o mais grave é que ela é demonstrativa de que a célula não mediu bem a importância da traição do Mário , constituindo esta proposta de sanção, não um meio de educação dos comunistas, tendente ao reforço da sua vigilância e à necessidade de separar o trigo do joio, mas mais um recurso de oportunidade para que o mar não fizesse ondas. Também quando o Secretariado sancionou O Mário, erradamente, ao permitir que ele permanecesse na Organização como militante, com um período de 6 meses sob observação, a nossa posição foi a de aceitar esta decisão duma forma seguidista e tranquila, pois quanto ao essencial, a conciliação com a deserção, a nossa posição mantinha-se, só mais tarde vindo a compreender o que tal significava.
Embora tenham cometido um erro de liberalismo no combate à deserção e traição do Mário, os camaradas do Secretariado, desde o início deste processo nos criticaram, no sentido de assumirmos os mais elementares deveres de comunistas e pormos cobro à conciliação que íamos levando por diante.
Mas a célula viria ainda a cometer outro erro de grande gravidade: quando o Mário a presentou a sua autocrítica, a célula aceitou-a embora a autocrítica não fosse correcta, pois nela era omitida a questão essencial, que ninguém tem o direito de querer abandonar o Partido e que só o Partido decide dos seus militantes. Assim, caindo mais uma vez no liberalismo, a célula revelou-se como um Organismo onde reinava uma paz podre e um baixo espírito de vigilância de classe, e isto, camaradas, só serve o oportunismo, seja de fachada carreirista ou cisionista, isto não tem nada a ver com a defesa dos princípios do Marxismo-Leninismo. No combate às hesitações e desmobilizações hão pode haver fraquezas, isso sim, é pôr em prática os princípios, é lutar pela Revolução, é opor o proletariado à burguesia. Camaradas, com que militantes vamos nós fazer a Revolução?
Que o nosso exemplo pela negativa seja útil a todos os camaradas, é preciso defender mesmo o Partido, cano a menina dos nossos olhos.
A atitude justa da célula teria sido pois:
1º. Suspender Imediatamente o Mário, recolher-lhe os documentos e instaurar-lhe um inquérito.
2º. Com espírito de unidade e firmeza de classe, fazer-lhe compreender o carácter do seu acto e a necessidade de se submeter à disciplina do partido.
3º. Apreciar reflectidamente a sua autocrítica, de modo que a célula pudesse pronunci­ar-se sobre ela com justeza.
4º. Caso a autocrítica fosse sincera e profunda, aceitar o Mário como simpatizante organizado e apreciar com vigilância, e corrigir com espírito de camaradagem, a concretização prática da sua autocrítica.
Só se ele assim procedesse poderia mais tarde ganhar o direito de militar de novo no partido.
5º. Em qualquer caso e devido à gravidade do seu acto, O Mário não tinha lugar no par tido, podendo simplesmente ser expulso ou afastado conforme a sua atitude em relação à Organização.
De facto, O Mário ou qualquer outro elemento enquadrado na Organização, que fizesse igual proposta de desertar, ou se tratava de um elemento ideologicamente fraco, sem compreender os deveres do militante comunista, e por isso, não tinha lugar no partido, ou pelo contrário, sabia perfeitamente o que estava a fazer, tendo uma boa formação e nesse caso, tratava-se duma traição ao Partido e à sua causa, e a si próprio, e a autocrítica imediata dum elemento destes não teria qualquer validade, se exprimisse O desejo de continuar a militar, pois isso seria precisamente apagar a traição, constituindo um acto oportunista.
Ao rediscutirmos na célula, por proposta do camarada controleiro a autocrítica do Mário, ela foi recusada e foi-lhe exigida outra. Aprendendo com os erros cometidos não deixa mos passar em branco as desculpas e hesitações do Mário e desencadeámos o combate de classe contra o seu oportunismo, o que mais uma vez o revelou totalmente como elemento fraco e pequeno-burguês, que apesar de em palavras ter aceite autocriticar-se, acabou por fugir às responsabilidades, mostrando bem que queria continuar do lado do comodismo e da burguesia. Aquilo que aconteceu, e só agora o compreendemos, demonstra à evidência que depois da sua traição, ele não tinha mais lugar no partido, e tudo o que fizemos ao longo deste processo mostra até que ponto estávamos dispostos a pactuar com essa mesma burguesia. Mas se somos comunistas, tiramos as lições dos nossos erros, e no fim, acabamos sempre por triunfar.
Camaradas, através da crítica severa deve-se ajudar os camaradas em erro a cortar as amarras e a tomar-se bons militantes comunistas, mas se isto é verdade, também o é que O partido se fortalece sempre que se depura dos elementos fracos e de todos os oportunistas!
- VIVA A UNIDADE DE AÇO DOS COMUNISTAS!
- EM FRENTE PELO PARTIDO!

24 de Junho de 1977

Auto-crítica do Secretariado do CC
Como os camaradas ficarão ao corrente, ao analisarem a autocrítica da célula Armando Ramos, o Secretariado do C.C. sancionou erradamente o desertor Mário, ex-militante daquela célula, com um período de vigilância durante seis meses. Rediscutindo o caso, o Secretariado contactou o seu erro e propôs à célula Armando Ramos que esta revisse o processo, o que foi feito, e originou a sua autocrítica que noutro local publicamos.
Onde errou o Secretariado?
Um militante do Partido, no caso presente da U.C.R.P. (m-l), que deserta, não está ao nível de militar nas suas fileiras proletárias, mesmo que na ocasião venha a reconsiderar e a autocriticar-se da sua decisão. E isto porquê?
Primeiro: Se se trata dum elemento ideologicamente fraco, que não compreende a gravidade do seu acto, e que portanto, erradamente, poderia ser considerado um acto irreflectido ou irresponsável, neste caso, este elemento não reúne as condições mínimas de militar como militante comunista nas fileiras do partido. Na verdade, todo o militante comunista sabe que do Partido não se deserta; que quando se entra para o Partido, não é para, passar o tempo, mas sim para aí se militar como soldado da Revolução durante toda a vida. Como dizem os camaradas chineses, lutar pela libertação da Humanidade, pelo Comunismo, vale bem esta opção de classe. Daqui se conclui que indistintamente de o Mário compreender ou não a gravidade do seu acto, este deveria ser afastado das nossas fileiras, por não reunir as condições mínimas para aí militar.
Segundo: Se ao contrário, se se trata de um elemento que ideologicamente, devido à sua formação, compreende a gravidade do seu acto e faz portanto conscientemente, este indivíduo é um traidor em potência, um indivíduo que conscientemente escolhe a caminho da burguesia, e como tal, não tem lugar nas nossas fileiras de classe. Mesmo que se venha a autocriticar em seguida, esta autocrítica não poderá ser aceite de imediato.
Tanto num como no outro caso, uma condição do seu novo enquadramento nas nossas fileiras, é a verificação na prática e fora do partido, da sua autocrítica.
Do mesmo modo que não podemos ceder às vacilações, também não podemos cair no radicalismo de não aceitar que esses elementos se reeduquem. Nestes casos e quando um determinado elemento manifesta o desejo de se reeducar, o partido deverá estudar a melhor for ma do seu enquadramento nas tarefas da Revolução, sem no entanto quebrar com os princípios organizativos e a disciplina própria dos comunistas.
O Secretariado não teve os dois aspectos atrás citados em presença aquando da sanção ao desertor Mário, manifestando dessa maneira liberalismo e pouca vigilância proletária.
Corrigindo avançaremos! E o Secretariado, armando-se deste princípio justo, avançará na autocrítica do seu erro, combaterá o liberalismo e armar-se-á dum forte espírito de vigilância, no sentido de melhor servir o Partido e a Revolução.
O MARXISMO-LENINISMO, PENSAMENTO MAO TSÉ-TUNG TRIUNFARÁ!
Secretariado do C.C. - 3/7/977

TRIBUNA DO CONGRESSO
Tese sobre:
A SITUAÇÃO INTERNACIONAL E AS TAREFAS DOS COMUNISTAS
1. A actual situação internacional é excelente para as forças da Revolução a desfavorável para o imperialismo e toda a reacção mundial.
O mundo capitalista tem atravessado nos últimos anos uma crise económica e financeira sem precedentes desde a IIa. Guerra Mundial. Apesar de nos diversos países capitalistas e imperialistas a crise ter evoluído no sentido da depressão, e de um pouco por todo o lado terem começado já a aparecer sinais de animação industrial, tal relançamento económico não se tem transformado em prosperidade como tem acontecido no seguimento das crises anteriores. Deste modo, não se conseguindo restabelecer dos efeitos da crise, o mundo capitalista caminha a passos largos para uma nova crise, agravada pela acumulação da sobreprodução e do desemprego já existentes, pela insuficiência das receitas de Estado em relação às despesas, pela inflação, pela subida dos preços, pelo défice das balanças exteriores, pelo esgotamento progressivo das reservas de ouro e pela desvalorização da moeda.
Com a finalidade de escaparem à crise, os países imperialistas e em particular as 2 superpotências continuam a intensificar os preparativos de guerra. A contradição que opõe os países imperialistas e social-imperialistas entre si e que opõe os diversos grupos monopolistas uns aos outros e a insegurança que reina no mundo, agravam-se de dia para dia.
Agravam-se do mesmo modo todas as outras contradições fundamentais do mundo contemporâneo: a contradição que opõe os países socialistas aos países capitalistas e revisionistas; a contradição que opõe o proletariado à burguesia nos países capitalistas e revisionistas e a contradição que opõe as nações oprimidas ao imperialismo e ao social-imperialismo.
Com o agravamento de todas estas contradições, a velha ordem do colonialismo, do imperialismo e do hegemonismo desagrega-se e a Revolução mundial avança irresistivelmente.
Ao contrário do que se passa no mundo capitalista, minado pela miséria, pelo desemprego e pela ameaça duma guerra imperialista inevitável, os povos dos países socialistas, guiados pelos seus Partidos Marxistas-Leninistas, somam grandes êxitos na Revolução e edificação socialistas, no sentido da consolidação da Ditadura do proletariado, do desenvolvimento planificado da produção, do melhoramento das condições de vida do povo e da consolidação da defesa nacional. Cada vitória obtida pelos países do proletariado no poder, na Revolução e edificação socialistas, é uma derrota imperialista e um grande estímulo para a Revolução Mundial.
A Revolução do proletariado e do povo trabalhador nos países capitalistas e revisionistas tem-se intensificado também de dia para dia. A multiplicação de manifestações, de greves e doutras movimentações de massas, pelo pão, pelo trabalho, pelos direitos democráticos e pela paz, comprovam a determinação dos povos destes países de porem termo à exploração e à opressão imperialistas.
As vitórias alcançadas contra o colonialismo e o imperialismo nos últimos anos pelos povos do Cambodja, Vietname do Sul, Laos, Guiné-Bissau, Moçambique e tantos outros e o reforço crescente das lutas dos povos do Zimbabwe, Namíbia, Timor-Leste, Palestina e doutros povos ainda subjugados pelo colonialismo, pelo racismo e pelo sionismo, são outros tantos exemplos do avanço irresistível da Revolução Mundial anti-imperialista.

O MUNDO ACTUAL É CONSTITUÍDO POR TRÊS PARTES OU TRÊS MUNDOS
2. Nos anos que decorreram desde a IIa. Guerra Mundial até à actualidade, as diversas forças políticas conheceram divisões e reagrupamentos sucessivos e a situação sofreu em consequência alterações importantes.
O esmagamento do bloco imperialista dos fascistas alemães, italianos e japoneses, o enfraquecimento das principais potências europeias vencedoras, a Inglaterra e a França, e o facto de os Estados Unidos terem sido a única potência que saíra consideravelmente reforçada da guerra, permitiram que esta superpotência imperialista tomasse o lugar dos fascistas. Convertendo-se no principal explorador internacional, no principal baluarte das forças da reacção e do imperialismo no mundo e na principal fonte de agressão e guerra.
Intentando apoderar-se das vastas zonas intermédias que o separavam do campo Socialista e liquidar o socialismo, o imperialismo norte-americano intensificou a corrida aos armamentos e os preparativos de guerra, praticando uma política agressora e anexionista por toda a parte, visando não só dominar as vastas regiões coloniais e semi-coloniais da África, Ásia, América Latina e doutras regiões do mundo, mas também os outros países capitalistas e imperialistas cujo potencial era inferior ao seu, rodeando-se de inimigos e criando as condições do seu próprio isolamento.
Nos últimos anos a situação mundial alterou-se sensivelmente.
O fluxo revolucionário dos países coloniais e dependentes contra o imperialismo, conduziu à independência grande número de países colonizados pelas potências ocidentais. Estes países e todos os outros países em desenvolvimento da África, Ásia, América Latina e doutras regiões do mundo, que tendo conquistado a independência política, combatem ainda os resíduos do colonialismo, por uma economia autónoma e pela consolidação da independência nacional, desempenham hoje um papel cada vez mais importante ao nível dos assuntos internacionais.
O campo socialista, criado a seguir à IIa. Guerra Mundial, desintegrou-se. A traição revisionista chefiada por Krutchev, transformou a União Soviética e outros países do campo socialista, de países socialistas em países revisionistas e social-imperialistas. A União Soviética em particular, transformou-se numa superpotência agressora e anexionista que se dedicou à expansão em grande escala do seu armamento e dos preparativos de guerra, rivalizando intensivamente com a outra superpotência pela conquista da hegemonia mundial.
O bloco imperialista ocidental também se desagregou. A política de subjugação e controlo dos Estados Unidos em relação às outras potências ocidentais e ao Japão, originou a oposição destas ao jugo e à dominação norte-americana. De apêndices e executores da política imperialista norte-americana, estes países passaram à conquista progressiva da sua emancipação da tutela ianque, procurando ligações com os países em desenvolvimento com vistas a reforçar a sua oposição ao hegemonismo e forçando-o a abandonar posições e a recuar.
A NATO, aliança de potências imperialistas do Atlântico Norte deixou de ser um braço armado dos Estados Unidos nesta região do mundo, sujeito à sua vontade e à sua política. Transformou-se ao contrário, numa aliança de potências rivais, que embora se mantenham unidas pelo interesse comum de se oporem à expansão soviética e à ameaça do Pacto de Varsóvia, para defenderem os seus mercados no mundo e as suas posições imperialistas, o que prevalece no seu seio é a tendência ao agrupamento da Europa, à sua independência e à do Canadá em relação aos Estados Unidos.
As relações actuais do Japão e dos países desenvolvidos da Oceânia com os Estados Unidos são semelhantes.
Na presente situação internacional, o mundo é constituído por três mundos ou três partes, mutuamente relacionadas e em contradição uns com os outros.
A União Soviética e os Estados Unidos, que se destacam das outras potências imperialistas, quer pelo seu potencial económico e militar, quer pela sua política hegemonista e agressora, formam o primeiro mundo.
Os países em desenvolvimento da Ásia, África, América Latina e doutras regiões do mundo, que durante longos anos foram vítimas da exploração e opressão do colonialismo e do imperialismo, e que lutam pela edificação duma economia autónoma e pela consolidação da independência nacional, constituem o terceiro mundo.
Os países imperialistas que se situam entre o primeiro e o terceiro mundos e que estão sujeitos em maior ou menor medida â política de controlo e à ameaça de anexação por parte duma ou doutra das superpotências, constituem o segundo mundo.

AS DUAS SUPERPOTÊNCIAS SÃO AMBAS O INIMIGO NÚMERO UM DOS POVOS
3. As duas superpotências, União Soviética e Estados Unidos são os maiores exploradores e opressores dos povos nos dias de hoje. A sua rivalidade pela conquista para o seu controlo respectivo dos países do terceiro mundo e também dos países desenvolvidos cujo potencial é inferior ao seu, constitui o foco duma nova guerra mundial.
Elas falam de "limitação das armas nucleares estratégicas" de "redução equilibra da das forças armadas", de "paz" e "desanuviamento" mas na realidade o que pretendem é adormecer a vigilância dos povos e nações oprimidas e dependentes, ao mesmo tempo que intensificam a corrida aos armamentos e estendem a sua rivalidade por todo o lado, do Médio Oriente à região do pacífico, do Mediterrâneo ao Golfo Pérsico e ao Oceano Indico.
Com a restauração do capitalismo na União Soviética, de país socialista, exemplo do progresso, e retaguarda segura da Revolução Mundial, o país de Lenine e Estaline, transformou-se por obra do revisionismo moderno numa superpotência hegemonista e agressora. Em nome da chamada "grande comunidade" muitos dos países do ex-campo socialista começaram par ser reduzidos por ela ao estado de dependência.
Em 1962 a União Soviética apoiou a agressão indiana contra a China Socialista; em 1968 enviou tropas invadir a Checoslováquia; em 1969 agrediu sem vergonha a China Socialista, repetindo provocação após provocação com a finalidade de desencadear uma guerra de agressão contra ela; em 1972 instigou uma guerra para desmembrar o Paquistão; em 1975 fomentou a discórdia entre o povo angolano para tirar partido da situação, intervindo com armamento e soldados cubanos em favor dum dos movimentos nacionalistas contra os outros e reduzindo Angola e o povo angolano, que de armas na mão tinha expulsado o colonialismo português, ao estado de dependência soviética.
Recentemente serviu-se dos mercenários catangueses que já tinham servido o imperialismo americano contra o povo zairense e o colonial-fascismo português contra o povo angolano, armando-os e enviando-os invadir o Zaire, manobra de que saiu derrotado.
A base económica do social-imperialismo é o capitalismo monopolista de Estado. A coberto da bandeira do socialismo, os novos czares russos impuseram ao povo soviético uma ditadura fascista de tipo hitleriano e apoiando-se no crescimento do seu potencial militar, a URSS tem-se preparado por todos os meios para ganhar posições nos domínios imperialistas no sentido de exigir uma nova partilha do mundo.
Superpotência em ascensão, a União Soviética beneficia em relação à outra superpotência da vantagem duma maior concentração de forças militares em pontos estratégicos chave do globo, e da sua superioridade naval, terrestre, no domínio do armamento táctico e duma maneira geral do declínio dos Estados Unidos. Beneficiando ainda duma vigilância menor da parte dos povos em relação a si do que em relação aos Estados Unidos e da existência por todo O lado de partidos revisionistas enfeudados à sua política hegemonista; autênticas quintas colunas que desenvolvem de concerto com a KGB uma acção de penetração e desagregação interna nos países que se lhe opõem, a União Soviética é na actualidade, das duas superpotências, a mais perigosa, o perigo principal para a independência nacional e a integridade da soberania das nações e o principal fautor de guerra.
Os Estados Unidos que depois da segunda guerra mundial se tinham transformado numa superpotência que controlava vastas regiões do mundo, seja as regiões coloniais e semi-coloniais da África, Ásia, América Latina e Oceânia, seja as próprias potências imperialistas enfraquecidas pela- guerra, são hoje uma superpotência em declínio.
Mas apesar disso os Estados Unidos não perderam nada do seu carácter agressivo, nem tão pouco têm desistido de defender as suas posições, a nível internacional e de recuperar as posições perdidas, disputando à outra superpotência a hegemonia no mundo.
Como resultado da sua política de dominação mundial, as duas superpotências com pelem mais de 90% dos povos do mundo a levantarem-se contra elas. Elas são ambas o inimigo número um dos povos.

EUROPA, PONTO-CHAVE ESTRATÉGICO DA RIVALIDADE DAS DUAS SUPERPOTÊNCIAS
4.  A rivalidade das duas superpotências que se estende por todo o mundo no Mediterrâneo, no Médio Oriente, no Golfo pérsico, no Índico e no Pacífico, tem-se feito sentir ultimamente com especial relevo na África Austral e no Atlântico Sul, região estratégica de destaque, seja do ponto de vista do controle de rotas marítimas vitais para o imperialismo ocidental, seja por se tratar duma região rica em matérias primas e relativamente desenvolvida,
Contudo, a ambição da União Soviética e dos Estados Unidos em relação à Europa tem um significado particular.
O volume de investimentos directos privados dos Estados Unidos na Europa Ocidental atingiam 30,7 milhões de dólares em 1972, cerca de 33% do total dos seus investimentos no estrangeiro (94 biliões de dólares). No mesmo ano, o montante dos lucros realizados por estes investimentos eram de cerca de 12,4 biliões de dólares, dos quais 30% (3,7 biliões de dólares) eram provenientes da Europa Ocidental.
A evolução dos investimentos americanos no estrangeiro, cresce significativamente nos países industrializados como o Canadá e principalmente a Europa Ocidental. Os investimentos no estrangeiro previstos pelos Estados Unidos de 1974 a 1980 em relação a 1970, em biliões de dólares, registam um crescimento de 13,3 para 25 na América Latina; de 5 para 13 na Ásia; de 21 para 50 no Canadá; de 20,5 para 92 na CEE e de 2 para 4 na África.
Dos investimentos previstos na Europa, destinam-se à Grã-Bretanha 23 biliões, à RFA 20 biliões e à França 15 biliões de dólares, neste, período.
Os Estados Unidos controlam numerosos ramos de indústria na Europa Ocidental, dos quais 80% da produção de computadores, 90% da produção de circuitos integrados e 40% da produção de automóveis.
A influência dos bancos americanos ria Europa Ocidental é igualmente importante. No fim de 1969, os bancos americanos possuíam 104 sucursais na Europa. Os seus capitais totalizavam 21,22 biliões de dólares e constituíam a maior proporção da totalidade dos capitais americanos no estrangeiro.
A infiltração norte-americana nos países da Europa de Leste é também uma realidade. Ela concretiza-se por meio de empréstimos, pelo aumento do comércio, pela concessão do estatuto de "nação mais favorecida”, etc.
A União. Soviética controla por seu lado a maior parte dos países da Europa de Leste, reduzindo-os a territórios de investimentos, fornecedores de acessórios de transformação, de legumes e de gado. Segundo dados oficiais soviéticos, o volume do comércio exterior da União Soviética com os países do Leste Europeu em 1973 era de cerca de 17 milhões de rublos, ou seja, mais de metade do volume total do seu comércio exterior, o qual se elevava a 31,3 biliões de rublos. Em 1969, a URSS exportou para os países do Leste europeu mais de 9 biliões de rublos como "ajuda económica" o que ultrapassava mais de 50% da sua "ajuda económica total", exterior. Monopolizando a importação e a exportação de alguns destes países, aproveita-se da penúria deles em matérias primas e combustíveis, para lhes vender caro o que lhes comprou ao desbarato. De 1966 a 1970, entre os combustíveis e as matérias-primas importados pela Bulgária, pela Hungria, pela Alemanha de Leste, pela Polónia e pela Checoslováquia, aquelas que provinham da União Soviética representavam as percentagens seguintes: petróleo 93% ferro fundido 97,5% e minerais de ferro 86,8% entre outros. A União Soviética importa 2/3 dos produtos da indústria de construção mecânica e 79% dos artigos de consumo dos países do "COMECON. Muitos dos sectores económicos destes países são quase inteiramente postos ao serviço da URSS, como acontece com o mineral de urânio húngaro de que se apoderou inteiramente; mais de 90% da capacidade naval da Alemanha de Leste e 2/3 do da Polónia e metade dos legumes frescos, mais de 2/3 das conservas de legumes e quase todas as conservas de frutas produzidas pela Bulgária. No período de 1955 a 1965 o revisionismo soviético extorquiu dos países do COMECON, 15,1 biliões de dólares.
Em relação à Europa Ocidental e segundo os dados oficiais, o volume de comércio soviético com a CEE era de 4,5 biliões de rublos em 1971, 3 vezes mais do que em 1958, o que representa 19%; do volume total do seu comércio exterior do mesmo ano e 88% do volume do seu comércio com o conjunto dos países capitalistas, por outro lado a URSS obteve desses capitalistas de 1958 a 1969, empréstimos totalizando 2,1 biliões de dólares e de 1970 a 1973 obteve 5 biliões de dólares da Alemanha do Oeste, da França, da Itália e da Grã-Bretanha, tentando em vão com estes empréstimos, com os equipamentos e a tecnologia da Europa Ocidental, desfazer-se das suas dificuldades económicas, que se agravam, para rivalizar com os Estados Unidos.
A rivalidade militar das duas superpotências na Europa é também significativa. Em 1975 dos 561.875 soldados dos Estados Unidos no estrangeiro, 311.000, mais de metade, estavam na Europa. Estes efectivos compreendiam os 229.000. soldados estacionados na Alemanha Ocidental e os 50.000 homens das três unidades aéreas dos Estados Unidos na Grã-Bretanha, Espanha e Alemanha Ocidental. As forças navais dos Estados Unidos possuíam 300 vasos no Atlântico e cerca de 50 no Mediterrâneo. Nos anos de 1973 e 74, os Estados Unidos reforçaram O seu potencial na Europa, enviando mais de 29000 homens para a Alemanha Ocidental e reorganizando as forças que aí estavam estacionadas enviando unidades combatentes para substituírem as unidades não combatentes e equipando-as com material ultra-moderno. No mesmo sentido, os Estados Unidos introduziram também na Europa novos mísseis de curto alcance para substituírem os mísseis solo/solo de tipo relativamente velho.
A URSS pelo seu lado concentra na Europa de Leste 3/5 das suas forças terrestres e mais de 3/4 das suas forças aéreas. Mais de 3/4 dos mísseis de médio alcance estão directamente apontados para a Europa Ocidental. 3/4 dos principais vasos da marinha soviética e mais de metade dos submarinos de ataque e dos submarinos nucleares equipados de mísseis encontram-se nas águas em tomo da Europa. Os efectivos totais das tropas soviéticas na Europa e as 60 divisões dos outros países membros do pacto de Varsóvia contavam em 1975 com cerca de 3.400.000 homens. De 1968 a 1974 as tropas dá URSS na Europa aumentaram cerca de 20% e as suas forças aéreas tácticas, 50%. Nos últimos anos, as despesas reais previstas para o orçamento militar soviético na Europa, tinham aumentado 10 biliões de dólares.
O potencial militar da URSS estacionado no Leste europeu é três vezes superior ao da NATO estacionado na Europa Ocidental. Na Europa do Norte concentram 45$ dos seus principais vasos de guerra e mais de 60% dos seus submarinos. Na Europa do Sul, a marinha soviética, vinda do Mar Negro a partir de 1964, contava em 1975 com 60 vasos de guerra operando regularmente para fazer frente à 6ª. esquadra dos EUA, em número 5 vezes superiores ao de 7 anos antes. Durante a última guerra do Médio Oriente, a URSS elevou dum momento para o outro a sua esquadra nesta zona para mais de 90 navios. As esquadras russas no Mar Negro, Mar Báltico e Mar do Norte, contavam já em 1975 no total com mais de 1600 vasos de guerra. Nos últimos anos, as forças navais soviéticas têm-se esforçado por alargar as suas forças no Mediterrâneo Oriental para Ocidente, com a finalidade de coordenarem as suas actividades com as esquadras do Norte e do Báltico, alargando o cerco do Norte, Leste e Sudeste europeus, para sudoeste no sentido de agarrarem a Europa numa tenaz. A investida, soviética em Portugal e os esforços de pescarem em águas turvas na Espanha, França e Itália são exemplos de tais intenções.
O interesse particular que as duas superpotências mostram ter pela Europa, confirma a tendência do imperialismo para anexar não 30 as regiões agrárias do mundo, os países pobres, mas também e em particular as regiões mais industrializadas.
A disposição estratégica das forças militares das duas superpotências e as suas actividades no mundo, do mesmo modo que o interesse económico que a Europa lhes tem disputado, mostram que a Europa é o ponto chave estratégico da rivalidade da União Soviética e dos Estados Unidos.
Os imperialistas ocidentais têm procurado invariavelmente empurrar O social-imperialismo soviético contra a China Socialista. Mas a URSS sabe que a invasão da China Socialista se transformaria num Vietname gigantesco do qual não guardaria boas recordações. Actualmente a URSS "simula a leste para atacar a oeste" seguindo a mesma política que Hitler seguiu antes da segunda Guerra mundial.
A evolução da disputa das duas superpotências por todo O globo, seja no Mediterrâneo, seja no Oceano Indico, no Golfo Pérsico, na África Austral, no Mar do Norte ou em Portugal, enquadra-se no contexto geral da sua rivalidade pelo controlo da Europa.

O DESENCADEAMENTO DE UMA 3ª. GUERRA MUNDIAL É INEVITÁVEL
5. "A essência do imperialismo, dizia Lenine, é a rivalidade de várias potências imperialistas que ambicionam a hegemonia".
O desenvolvimento do imperialismo e em particular as crises internas colocam as potências imperialistas perante a necessidade vital de matérias primas e ia exportação dos seus produtos e capitais. For estas razões elas são compelidas a uma disputa encarniçada dos territórios produtores de matérias primas, de mercados para darem saída aos seus produtos e de zonas de investimento de capitais.
Esta rivalidade pelo alargamento das suas esferas de influência respectivas e o desenvolvimento desigual económico e político do capitalismo que implica inevitavelmente mudanças na relação de forças mundial e em particular o declínio das potências mais ricas em capitais, compelem as potências que por uma razão ou por outra se pretendem lesadas na partilha mundial das esferas de influência imperialistas a formularem as suas pretensões a uma nova partilha do espólio colonial e imperialista existente.
Tal rivalidade e tais pretensões resultam inevitavelmente no desencadeamento de guerras imperialistas. Aconteceu assim na Ia. Guerra Mundial. Aconteceu assim na IIa. e está a acontecer O mesmo hoje.
Os imperialistas podem-se pôr de acordo por vezes e podem fazer compromissos de parte a parte com a finalidade seja de enfrentarem o avanço da Revolução Mundial, seja para obterem uma trégua de modo a poderem-se restabelecer e a redobrar de intensidade na rivalidade pela hegemonia do mundo. No entanto tais compromissos e o conluio entre eles são parciais, temporários e relativos e a coberto deles, os imperialistas preparam-se para intensificar a sua rivalidade. Ao contrário do conluio, a rivalidade imperialista é geral, de longa duração e absoluta.
O principal aspecto da política exterior do imperialismo, é precisamente a disputa pela hegemonia mundial, a concorrência e a guerra.
As guerras imperialistas são resultado da rivalidade imperialista pela hegemonia no mundo, são o prolongamento por meio da violência armada da política de pilhagem mundial do imperialismo. Elas desencadeiam-se, regra geral, quando esta rivalidade atinge um estado de desenvolvimento tal, que não pode ser ultrapassado por meios pacíficos.
A confirmar estes ensinamentos de Lenine, o sistema imperialista engendrou já inúmeras guerras e inclusivamente duas conflagrações mundiais.
Na actualidade são principalmente as duas superpotências nucleares que rivalizam pela hegemonia mundial. Elas dividem o mundo em esferas de influência e procedem à partilha e à conquista dos mercados mundiais, porque tanto uma como a outra intentam dominar o mundo inteiro, as contradições que as opõem são irredutíveis e originarão mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, uma nova conflagração mundial.
Os comunistas sustentam que a única forma de se conjurar uma guerra mundial na época do imperialismo, consiste no combate, golpe por golpe, contra o imperialismo, consiste no desenvolvimento da luta revolucionária, na mobilização de todos os povos para a luta contra os planos imperialistas de guerra. A única política correcta de defesa da paz mundial, é a política que se apoia no desenvolvimento das forças dos países socialistas, na luta revolucionária do proletariado e demais trabalhadores dos países desenvolvidos, na luta das nações oprimidas pela sua libertação, na luta dos povos e países amantes da paz e numa ampla frente mundial de unidade contra o imperialismo e os seus lacaios.
para se eliminar a inevitabilidade duma IIIa. guerra mundial, seria necessário eliminar o imperialismo, seria necessário que se realizasse a revolução e não só ao nível deste ou daquele país, mas ao nível de todos os países imperialistas e em particular no próprio seio das duas superpotências.
O desenvolvimento dum amplo movimento pela conservação da paz, que se limita a objectivos democráticos de luta para conjurar uma nova guerra mundial e que não vise derrubar o imperialismo ou que não se transforme em tal, pode quando muito adiar temporariamente o desencadeamento da guerra, mas nunca conjurá-la em definitivo.
Na situação presente os factores da Revolução no mundo desenvolvem-se vigorosamente. Os factores da guerra desenvolvem-se também com grande intensidade. Contudo, se a crise mundial do imperialismo, as dificuldades internas e externas dos países imperialistas e em particular das duas superpotências, os compelem para uma nova guerra mundial, a curto ou médio prazo, a realidade mostra-nos que a Revolução, em particular nos países desenvolvidos, não se concretizará tão cedo.
Mas isto não significa que os comunistas não lutem por todos os meios contra a ameaça da guerra, contra a política agressora e expansionista dos imperialistas, educando as massas, elevando a sua consciência e imprimindo uma orientação justa à luta em defesa da paz mundial e procurando frustrar os planos bélicos dos imperialistas e retardar tanto quanto possível uma nova conflagração mundial. Quando tal conflagração se desencadear, os comunistas combatê-la-ão como combateram a primeira guerra mundial e a segunda.
Os imperialistas e seus agentes têm-se empenhado numa ampla campanha de propaganda baseada no fetichismo nuclear e na chantagem nuclear com a dupla finalidade de dissuadiram os povos de fazerem a Revolução e de alimentarem ilusões de paz com o dito "equilíbrio entre as superpotências", com a dita necessidade de "manutenção das esferas de influências", com as teorias de "soberania limitada” e do "bipolarismo", pretensamente factores de estabilidade e de segurança no mundo.
A chantagem em torno da ameaça de destruição mundial não é uma táctica nova. Os imperialistas utilizaram-na antes da 1a. Guerra Mundial e utilizaram-na também antes da 2a. Guerra Mundial.
Os revisionistas modernos, fiéis à tradição social-chauvinista, desenterraram as teorias Kautsquistas e saltaram para a cena internacional propagandeando o "pacifismo" e a "concórdia" ao mesmo tempo que intensificavam a expansão dos armamentos, os preparativos de guerra e a rivalidade imperialista pela hegemonia mundial.
Krutchev dizia que "toda a 'guerra local', por menor que seja, pode tornar-se numa chispa que acenda a guerra mundial", sustentando que os povos e nações oprimidas deviam renunciar à Revolução e abandonar as guerras justas, que são as guerras civis revolucionárias e as guerras de libertação nacional, porque senão a humanidade seria aniquilada.
A solução seria a "cooperação entre as duas superpotências" para a solução dos problemas mundiais. Krutchev dizia: "nós somos os países mais poderosos do mundo; se nos unirmos em nome da paz, não haverá nenhuma guerra. Então, se algum louco desejar a guerra, bastará que o ameacemos com o dedo para que se acalme."
Os novos czares, hoje, falam de "guerras justas" de "guerras de libertação nacional", quando se trata de semear a desordem no mundo e de pescar em águas turvas, rivalizando com a outra super-potências, mas quanto ao fundo as teorias de Krutchev mantêm-se. Elas continuam a ser a base da política de agressão e guerra das super-potências na actualidade. As conferências do "desanuviamento" e do "desarmamento", as teorias do "equilíbrio imperialista", do "bipolarismo" ou do "guarda chuva nuclear", são os instrumentos propagandísticos de tal política. A coberto delas as duas super-potências lançam-se numa expansão desenfreada dos armamentos e dos preparativos de guerra, numa disputa de gângsteres pela hegemonia do mundo de que resultará mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, uma nova conflagrarão mundial.
A única política correcta de defesa da Paz, não é a sujeição à política de agressão imperialista mas a resposta golpe por golpe a tal política; não é a sujeição a "paz" podre do imperialismo mas a revolução; não é a confiança na "protecção" das organizações internacionais do imperialismo, mas o desenvolvimento das forças revolucionárias do mundo, a unidade cios povos e países amantes da paz, a constituição duma ampla frente mundial de unidade contra o imperialismo e em particular contra as duas superpotências e a preparação dos povos em previsão duma nova guerra mundial.
A tensão internacional é devida à política imperialista de agressão e guerra. Só através da luta revolucionária se pode fazer recuar o imperialismo e aliviar a tensão internacional.
Os comunistas são contra as guerras injustas, espoliadoras, imperialistas, e com batem cano sempre fizeram os planos bélicos dos imperialistas.
De qualquer forma quando apesar de tudo, os imperialistas desencadearem uma nova conflagração mundial, obterão resultados contrários aos seus desejos, mobilizando os povos contra si, e ao fazê-lo, não farão mais do que cavar a sua própria cova, gerando o coveiro que os há-de enterrar.

POR UMA NOVA ORDEM ECONÓMICA INTERNACIONAL
6. Os países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina e doutras regiões do mundo, foram vítimas durante longos anos da exploração e da opressão do colonialismo e do imperialismo. Depois de terem conquistado a independência política, lutam ainda pela liquidação dos resíduos do colonialismo, pela edificação de uma economia autónoma e pela consolidação da independência nacional.
A República popular da China e os outros países socialistas são ainda hoje países em desenvolvimento. Apesar de terem obtido excelentes vitórias na edificação socialista e no desenvolvimento da produção, suportam ainda o pesado fardo do sub-desenvolvimento que lhes foi legado pelo imperialismo. Os outros países em desenvolvimento do terceiro mundo, embora se distingam radicalmente dos países socialistas quanto aos sistemas social e político, estão em profunda contradição com o imperialismo, e têm interesses comuns com os países socialistas e com a Revolução mundial quanto à oposição ao imperialismo, à manutenção da independência nacional e à defesa da paz mundial.
Estendendo-se por vastas regiões do mundo e constituindo a esmagadora maioria da população mundial, os países em desenvolvimento são hoje a força principal na luta contra o colonialismo, o neo-colonialismo e o hegemonismo das superpotências.
Em geral, a burguesia destes países tem um duplo carácter. Nalguns deles, a burguesia nacional e patriótica atem-se aos interesses nacionais e opõe-se ao colonialismo, ao imperialismo e ao hegemonismo, tomando também medidas em benefício do progresso social. Outras vezes, à medida que se agudizam as contradições sociais internas e a nível internacional, a burguesia conluia-se com o imperialismo e aplica uma política anti-popular, anti-comunista e contra-revolucionária.
Os comunistas portugueses solidarizam-se calorosamente com a luta revolucionária dos povos destes países, contra o colonialismo, o imperialismo, o hegemonismo e contra a reacção interna, pela independência nacional e pela democracia popular.
Em relação à burguesia destes países, os comunistas portugueses solidarizam-se com ela na medida em que aplique uma medida progressista, anti-imperialista e anti-feudal, mas condená-la-ão enquanto se conclui com o imperialismo e com as forças do feudalismo, praticando uma política reaccionária.
Nos últimos anos, ascenderam à independência nacional numerosos países até então sujeitos ao jugo colonial. Mas apesar disso, existem ainda países colonizados pelo imperiais, mo. As justas lutas dos povos do Zimbabwe, da Namíbia e da Azânia contra o colonialismo e o racismo, têm alcançado grandes sucessos e a sua libertação está próxima. Os povos dos países da América Latina ainda colonizados pelo imperialismo francês, inglês e norte-americano tem intensificado os seus esforços para ascenderem à independência, à sua luta, tal pomo a luta de todos os povos e nações oprimidas do mundo será coroada de êxito. O colonialismo deverá ser banido para sempre da face da terra.
Enquanto continuam a existir colonialistas e colonialismo, os neo-colonialistas, incluindo aqueles que se dissimulam de socialistas, semeiam a desordem entre os países do Terceiro Mundo e no seio dos movimentos de libertação nacional para os dividir e enfraquecer, intentando controlar estas regiões em substituição dos velhos colonialistas.
Os novos czares russos, em particular, têm-se destacado na prática deste género de manobras. O povo angolano, que conquistara a sua independência-combatendo de armas na mão o colonialismo português, foi vítima dos desígnios pérfidos desta superpotência, sendo por ela reduzido ao estado de dependência soviética. A rivalidade das duas superpotências em África tem-se intensificado ultimamente mas esbarrará contra a determinação e o desejo de independência dos povos africanos.
O povo do Sara conquistou a independência em relação ao imperialismo espanhol. Mas apesar disso, as ambições das classes dominantes no Marrocos e Mauritânia, instigadas pelos imperialistas, tem impedido o povo saraui de usufruir da sua independência, impelindo-o à luta armada pela conquista definitiva e consolidação da sua independência nacional. É do interesse dos países árabes interessados, alcançarem uma solução justa de acordo com o povo saraui, com base na solidariedade anti-imperialista e por meio de consultas amigáveis.
OS povos africanos devem redobrar de vigilância contra a intensificação da penetração imperialista, em particular das duas superpotências, contrariando as suas ambições de dividir para reinar, a via das consultas amigáveis, baseadas na solidariedade anti-colonialista, anti-imperialista e anti-hegemonista, para a resolução dos conflitos legados pela história, ê a única via correcta e no interesse dos povos e países que lutam por se libertarem do imperialismo.
A luta pelo restabelecimento dos direitos nacionais do povo da Palestina e pela recuperação dos territórios árabes perdidos, contra o imperialismo, o sionismo e o hegemonismo, prossegue.
Além da agressão sionista dos israelitas contra o povo da Palestina e os outros povos árabes, o conflito do Médio Oriente, é resultado da rivalidade das duas superpotências pela hegemonia nesta região do mundo.
O social-imperialismo, em particular, tem tomado uma atitude pretensamente de apoio à causa da libertação da Palestina e dos territórios árabes ocupados, mas as suas intenções são de facto intenções de controlo efectivo do povo palestiniano e dos outros povos árabes.
A luta contra o sionismo que não se dirija também contra o imperialismo e, em particular contra o hegemonismo das duas superpotências não será vitoriosa.
Persistindo na luta pela consolidação da sua unidade e no combate inflexível contra os sionistas e os imperialistas, o povo palestiniano e os povos árabes tem sabido também tirar partido das negociações e dos debates na Assembleia da ONU combatendo em duas frentes contra os inimigos comuns.
Em 1975, os países árabes apoiados por todos os países amantes da paz e da liberdade impuseram a participação dos legítimos representantes do povo da Palestina na Assembleia Geral da ONU, em defesa dos seus direitos. Tal acontecimento foi uma importante vitória da causa comum palestiniana e árabe.
Apesar de tudo, a ONU, nas suas resoluções, continua a não deixar de tratar o problema do restabelecimento dos direitos nacionais do povo palestiniano como se se tratasse dum "problema de refugiados".
A luta comummente conduzida pelo povo palestiniano e pelos povos árabes, com o apoio das forças revolucionárias e dos países amantes da paz e da liberdade, pela rectificação da atitude injusta da ONU e pelo reconhecimento dos seus direitos nacionais, é uma luta justa. Contudo, não é justo semear ilusões sobre as resoluções das Nações Unidas.
A vitória da causa do povo palestiniano e dos países árabes reside na sua unidade na luta inflexível contra o inimigo comum e no prosseguimento da luta armada até que os seus objectivos sejam alcançados.
A luta do povo de Timor-Leste contra os invasores indonésios tem também alcançado grandes vitórias. Substituindo-se ao colonialismo português, os fascistas indonésios, que exercem uma ditadura terrorista contra o seu próprio povo, agrediram Timor-Leste com a conivência.do imperialismo internacional e, em particular, da "democracia" portuguesa que nada fez para que tal não se realizasse. Contudo não conseguiram nunca ocupar serão os principais centros urbanos do território maubere, enfrentando a firme resistência do povo, organizado e dirigido pela Fretilin. Apoiando-se nos justos princípios da guerra do povo e prosseguindo no combate contra os invasores e contra o imperialismo, a Fretilin e o povo maubere alcançarão seguramente a vitória.
Escorraçado ultimamente da Indochina pelos povos do Vietname, Laos e Cambodja, o imperialismo norte-americano mantém ainda importantes posições em grande número de países da Ásia, Oceânia e América Latina.
Contudo, a sua hegemonia nestas regiões, que tem enfrentado a firme resistência dos povos, é cobiçada hoje seriamente pela outra superpotência, a União Soviética, que, a pretexto da "amizade" e "cooperação económica", tem intensificado a sua infiltração. Os povos destes países deverá redobrar de vigilância, para que, ao expulsarem o lobo americano pela porta da frente, não deixem entrar o urso soviético pelas traseiras.
A luta da China Socialista e do povo chinês pela expulsão dos imperialistas americanos da ilha de Taiwan e pela reunificação da pátria continua na ordem do dia.
A entrada da R.P. da China na ONU e o isolamento quase total da clique de Taiwan a nível mundial, constituíram importantes vitórias do povo chinês e do socialismo. Apesar deles manterem ainda a sua dominação nesta parcela de território chinês, o povo chinês dirigido pelo glorioso P.C. da China e pelo camarada Hua Kuo-feng, esmagará mais cedo ou mais tarde os imperialistas norte-americanos e os seus Lacaios e Taiwan será libertada.
Depois da ONU ter acordado nos três princípios da independência, reunificação pacífica e da grande unidade nacional da Coreia e de ter dissolvido a chamada "Comissão das Nações Unidas para a Unificação e Restauração da Coreia", o que consistiu num progresso importante para a resolução do problema coreano, a República popular Democrática da Coreia empenhou-se em esforços para fazer progredir o diálogo entre o norte e o sul, mas tais esforços têm sido gorados, a razão de tal insucesso reside na rejeição sistemática das autoridades do Sul e do imperialismo norte-americano, das propostas feitas pelos dirigentes norte-coreanos, o que comprova que não querem a reunificação mas a divisão da Coreia. A pretexto "duma pretensa "ameaça" vinda do norte, as autoridades sul-coreanas adoptaram uma série de "medidas de emergência" privando a população sul-coreana de todos os direitos democráticos fundamentais e instituíram uma ditadura terrorista, massacrando, em grande número, todos aqueles que reclamavam a democracia, a liberdade e a reunificação pacífica da pátria.
As propostas dos Estados Unidos e doutros países imperialistas, que recusam a retirada de todas as forças armadas da Coreia para que se proceda à sua reunificação pacífica, visam perpetuar a divisão e a subjugação do povo do Sul da Coreia ao fascismo e à dominação imperialista.
A exigência da retirada de todas as tropas estrangeiras estacionadas na Coreia do Sul, sob a égide das Nações Unidas, como primeiro passo para a reunificação pacífica da Coreia, é um direito legítimo do povo coreano. Os comunistas portugueses estão com o camarada Kim Il Sung, com o partido do Trabalho da Coreia e com o povo coreano na sua justa luta contra os imperialistas norte-americanos e os seus lacaios e apoiam-nos calorosamente.
Um grande número de países em desenvolvimento da Ásia, África, América Latina e doutras regiões do mundo, apesar de terem alcançado a independência política, continuam sujeitos ao controlo do imperialismo e, em particular, das duas superpotências, que recorrem a processos neo-colonialistas para perpetuarem a exploração destes países.
Por meio da exportação de capitais e das multinacionais, controlam a economia destes países, praticando a pilhagem económica e a ingerência política.
Monopolizando o mercado internacional, elevam os preços de exportação dos seus produtos quando bem entendem e baixam os preços das matérias-primas que provêm dos países em desenvolvimento, arrecadando lucros fabulosos.
A União Soviética, cobrindo-se com a bandeira do socialismo, pratica com redobrada hipocrisia os mesmos processos neo-colonialistas que as outras potências industrializadas.
Fazendo a apologia das chamadas "cooperação económica" e "divisão internacional do trabalho", reduziu os países da sua "grande comunidade" ao estado de dependência, arrecadando super-lucros em grande escala, constituído "empresas mistas" numa série de países em nome da "ajuda desinteressada", que não são nem mais nem menos que multinacionais, visa controlar a economia destes países e praticar a ingerência política.
Vendendo a preços elevados, equipamentos e armamentos ultrapassados aos países em desenvolvimento, exige em troca matérias primas de importância estratégica. O seu forte são as transacções de material de guerra. Aproveitando-se das dificuldades dos países pequenos e médios, vende-lhes armas a preços fabulosos e compra-lhes matérias primas ao desbarato para as vender por sua vez a preços elevados, como fez com os países árabes na última guerra do Médio Oriente.
Para justificarem a sua política de pilhagem dos povos, inventam teorias imperialistas como a teoria da "soberania limitada", sustentando que “a soberania sobre os recursos naturais depende, em larga medida da capacidade de utilização destes recursos pela indústria dos países em vias de desenvolvimento" e que os recursos dos países em desenvolvimento seriam "propriedade internacional".
Os imperialistas, quando se vêem a braços com dificuldades internas, à medida que se agravam as crises políticas e económicas do capitalismo e que se intensifica a concorrência, redobram de habilidades para pilharem os países em desenvolvimento, fazendo com que caia nas costas destes países o peso das crises económicas e monetárias do imperialismo.
Erguendo-se contra a ordem internacional do imperialismo, a fim de defenderem a sua soberania de Estado e os direitos e interesses económicos nacionais, os países do Terceiro Mundo têm conduzido um combate decidido contra a exploração e a pilhagem imperialista.
Depois da "VIa. Sessão Extraordinária da A.G. da ONU", de 1974 ter adoptado uma "declaração respeitante à instauração duma nova ordem económica internacional" e um "programa de acção", apesar da oposição do imperialismo e em particular das superpotências, os países em desenvolvimento têm exigido que se cumpra o que está previsto na "declaração" e no "programa de acção", para que acabem as velhas relações internacionais, baseadas na pilhagem imperialista.
Encorajados pelo exemplo vitorioso dos países árabes, com a utilização da arma do petróleo, muitos dos países do Terceiro Mundo, fazendo valer a sua força, têm empreendido acções afim de controlarem os seus recursos nacionais e a produção e fixação dos preços de matérias primas, esforçando-se por porem termo à dominação e ao monopólio das superpotências.
A adopção pela ONU e a aplicação do novo direito marítimo teve um significado da maior importância para a luta dos países em desenvolvimento, pela defesa da soberania do Estado e do desenvolvimento das suas economias nacionais. Apesar da oposição das superpotências, o estabelecimento duma zona económica de 200 milhas marítimas é hoje uma realidade a comprovar a força do Terceiro Mundo.
O imperialismo e em particular as superpotências não cederão de mão beijada; as suas regalias. Não se trata sequer de pensar-se que o farão.
A importância da luta dos países em desenvolvimento por uma nova ordem económica internacional, para disporem duma independência total dos seus recursos nacionais e para lutarem contra a pilhagem, a exploração e a rejeição sobre eles do peso das crises económicas do imperialismo, tem de significativo que abala toda a ordem mundial imperialista existente e é por, esta razão um contributo precioso para a Revolução mundial do proletariado.
O Presidente Mao disse: "pouco importa, aos povos oprimidos, quais classes, quais partidos ou indivíduos, participam na Revolução, e pouco importa que eles estejam conscientes ou não do que acabámos de dizer, que eles compreendam ou não, basta que eles se oponham ao imperialismo para que a sua revolução se torne uma parte da Revolução Mundial Socialista proletária e que eles sejam seus aliados".
Estes ensinamentos confirmam-se hoje plenamente.

Notícia COMORG
Este número do P.V., cuja distribuição estava programada para o dia 30 de Junho, só é distribuído no dia 7 de Julho. As razões do atraso devem-se a dificuldades que surgiram em relação aos dois últimos pontos da tese "A situação internacional e as tarefas dos comunistas”.
Estes pontos referem-se à caracterização do Segundo Mundo e do seu papel na actual situação política e às tarefas concretas dos comunistas portugueses no domínio da política internacional. O que fora previsto em relação à sua redacção era o mesmo que se previra e fez em relação aos outros pontos a definição das posições do partido sobre cada um deles, os argumentos principais que baseiam estas posições, em suma, as conclusões. Contudo, se em relação aos outros pontos, as opiniões dos militantes da UCRP(m-l) são concordantes de maneira geral, em relação aos pontos em causa, não só não existe um consenso comum na UCRP(ml), como há ainda toda uma série de questões que não estão claramente esclarecidas não só a nível nacional como internacional.
Por estas razões, a COMORG entende que tais pontos deverão ser argumentados, dando uma resposta cabal às objecções que se colocam, o que exige um estudo aprofundado em relação aos países do Segundo Mundo relações económicas, tendência à integração e à desintegração económica e política destes países, relações com o Terceiro Mundo, divisões e reagrupamentos na sua história, estádio actual e tendência para o futuro, etc...
Uma vez que tal não tinha sido previsto, na redacção deste ponto da tese em causa não se teve em conta a necessidade de o fazer. A COMORG entendeu por isso, uma vez que mesmo tendo sido atrasada de uma semana a publicação do P.V., não foi possível fazer-se o que se pretende, o seguinte
1º - Na tese "Sobre a situação internacional e as tarefas dos comunistas" são publicados agora os seis primeiros pontos, que os militantes devem desde já discutir.
2º - Os outros dois pontos serão publicados num futuro P.V.
3º - As propostas de alteração a esta tese não deverão ser enviadas já à COMORG, mas só depois da publicação dos outros dois pontos, porque sem uma discussão do conjunto da tese é incorrecto fazerem-se propostas de alteração em relação a um ou outro ponto.
4º - Para que no seu conjunto os prazos estabelecidos para os trabalhos do Congresso não sejam alterados, a próxima tese será distribuída em 22 de Julho. A tese seguinte será distribuída a 7 de Agosto, retomando-se em seguida a programação prevista - 30 de Agosto, 15 de Setembro, etc...


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