quinta-feira, 6 de julho de 2017

1977-07-06 - Eleições no nosso sindicato que alternativa - Sindicato Professores Z.N.

Eleições no nosso sindicato
que alternativa

GUSP comunicado nº 2

    1. A campanha eleitoral no nosso sindicato (SPZN) está a atingir o seu termo. No dia 9 de Julho os professores vão as urnas para eleger não só os corpos gerentes zonais e distritais, mas também a orientação sindical para os próximos dois anos.
Quatro listas, quatro programas de acção sindical (?), quantidades enormes de papel, cartazes, esclarecimentos (?), autocolantes. Mas... os professores, na sua grande maioria, esclareceram-se verdadeiramente? Será que ficaram esclarecidos da mesma forma um professor primário de Baião e um professor do secundário do Porto?

Não temos dúvidas nem aceitamos as ilusões à campanha eleitoral não serviu para relevar a consciência sindical da classe, nem tão pouco para quebrar a letargia e a desmobilização que no seu seio existem. Pelo contrário, as clivagens e a divisão acentuaram-se, o caciquismo político-ideológico pôde mais uma vez aparecer.
Amplos sectores da classe queriam a unidade na acção e nos princípios, mas... quem ficou a conhecer verdadeiramente os factos que impossibilitaram essa unidade?
     2. Em linhas gerais, a situação de desmobilização que apontámos no nosso comunicado nº 1 manteve-se. Os grandes problemas que afligem a classe, em todos os sectores e graus de ensino, desenvolvem-se.
No entanto, e por força das características eleitoralistas do período actual, assistimos a algumas (poucas) sindicalizações e, sobretudo, ao pagamento de quotas atrasadas, às vezes de um ano ou dois!! Fraco sinal de consciência sindicalista!
A ilusão, alimentada pelos sectores mais recuados da nossa classe e aproveitada pela direita, de que a vida sindical e a participação activa de todos na defesa dos interesses sindicais e sócio-profissionais de todos se resumem ao voto de dois em dois anos, é um índice indesmentível de que muito esta ainda por fazer.
Nós, GUSP, não somos contra quaisquer actos eleitorais. O que dizemos é que uma eleição, um voto, terão que ser, o coroamento de toda uma actividade quotidiana, terão que ser a expressão da consciência dos problemas e dos interesses de cada um.
E hoje isto é muito importantes o MEIC não espera pelos resultados das eleições para legislar contra os professores, contra o ensino, contra a Escola Nova e nas costas da classe.
Com as férias, que irão agudizar a desmobilização, novas medidas anti-populares e anti-professores virão com certeza. Os primeiros sinais já apareceram: foi substituído o decreto sobre as colocações (o 672/76) por um outro (o 262/77) que nada lhe fica a dever; os professores primários, por seu lado, tem agora um novo decreto (o 263/77) que regulamenta as suas colocações e que irá trazer muito descontentamento.
E para tudo isto o MEIC não se dignou saber o que pensa a classe! Não ouviu os representantes dos professores como lhe competia.
Os erros administrativos e o peso da burocracia "ancestral", entretanto, refinam-se perante a incredulidade dos muitos atingidos; há professores primários que ainda não receberam o seu vencimento, há colegas no CPES e no ES que ainda não receberam o seu subsídio de férias. O cerco aperta-se cada vez mais sobre nós...!
    3. Mas quem aproveita com esta situação? Quem é que colhe os frutos do eleitoralismo cego, quem continua a servir-se da classe em vez de a servir?
A resposta a esta questão é simples. Uma leitura atenta do programa e dos projectos da lista A (afecta à direita parlamentar) mostra à evidência quem continua a apostar na divisão dos professores sindicalistas conscientes e da própria classe. Essa lista, esse programa, esse programa, esses projectos são o eleitoralismo e a demagogia levados ao absurdo e exprimem uma ingerência inadmissível dos partidos (PPD e CDS)  na vida sindical. Propugnam o "sindicalismo reformista" tão do agrado daqueles para quem os sindicatos e o movimento sindical são o inimigo a abater. Dizem que são pela "unidade sindical" mas preparam-se para levar o nosso sindicato para becos sem saída (ou seja, para a marginalização e para o sectarismo face ao movimento sindical). Agitam o espantalho já gasto e moribundo da "unicidade” e prometem um referendo sobre a adesão ou não à central sindical existente, prometem ligar o nosso sindicato à "CISL, central sindical dos sindicares reformistas" para mais facilmente servirem interesses estranhos (os interesses do imperialismo) aos professores portugueses. Dizem que o direito à greve deve existir mas que deve sofrer as limitações impostas por razões de segurança de pessoas e de bens (?) privados e públicos. Tanta demagogia junta, já há muito que não víamos...!.
Onde está a análise da situação da classe? Onde estão as medidas concretas para lutar eficazmente contra as medidas anti-professor? Este “reformismo” afinal não é mais do que o conservadorismo que a lista A diz rejeitar.
Os professores, a classe no seu conjunto, têm de se preparar para lutar contra as "novas" formas de que a direita se serve para isolar e dividir o nosso sindicato. Temos que estar atentos às manobras, inquéritos, suspensões, referendos, traições que este "reformismo sindicalista" prepara a coberto das eleições. Como?
    4. É necessário que os professores conscientes e progressistas, sejam as das listas C ou D, sejam os que não aderiram a nenhuma lista mas que apoiaram a direcção anterior ou lutaram por um verdadeiro projecto unitário de esquerda, assumam em definitivo as suas responsabilidades, as responsabilidades que contraíram perante a classe.
Os males que afligem os professores do SPZN não se vão resolver com estas eleições. A situação é de tal modo grave que não autoriza ninguém a pensar que o simples voto é a varinha mágica que resolverá os problemas. Quem o dia ser é demagogo. No entanto e, para já, é forçoso votar contra a direita. E forçoso contribuir para um verdadeiro esclarecimento da classe.
O GUSP propõe aos professores conscientes e progressistas, como única solução válida e eficaz, uma mobilização real para os problemas que irão surgir com estas eleições, no sentido da criação duma alternativa que sirva os interesses da classe, mobilização essa que deverá basear-se nos princípios correctos da unidade democracia e autonomia. As condições e as modalidades para essa mobilização, que se quer assente a partir das escolas, deverá ser urgentemente discutida por todos.

6/7/77                   
GRUPO DE UNIDADE SOCIALISTA DOS PROFESSORES


Correspondência ao Apartado 363 - Porto

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