terça-feira, 4 de julho de 2017

1977-07-04 - Contra as Reprovações Maciças Provocadas pelos Exames Nacionais Lutemos e Unamo-nos para a Vitória! - FEML

Federação dos Estudantes Marxistas - Leninistas
Organização do PCTP/MRPP para a Juventude Comunista Estudantil

Contra as Reprovações Maciças Provocadas pelos Exames Nacionais Lutemos e Unamo-nos para a Vitória!

1 - Todos os dias pelas 7 horas da manhã, as carrinhas da PSP e os jipes da GNR chegam aos liceus e escolas técnicas do país para depositar os pontos escritos nacionais que foram elaborados nos gabinetes sombrios do MEIC.
Não fora o conhecimento preciso que os estudantes e o Povo tem do carácter reaccionário dos exames e dos interesses que a burguesia e o Governo neles depositam, como instrumento para lançar fora das escolas, reprovando-os, centenas de milhares de jovens, e só o simples facto de serem as forças repressivas do capital, a transportar as oito toneladas de papel que os pontos de exame somara, serviria para nos despertar a atenção no carácter opressivo da escola burguesa, e no facto de ela ser sustentada pelo poder da G3 das mesmas torças que agridem os operários em greve, invadem os campos e as Cooperativas camponesas, defendem os grandes monopolistas e latifundiários privados e de estado.

Com efeito, a juntar aos contos escritos nacionais, e ao arremesso para o desemprego e aniquilamento do futuro das forças mais activas e vitais da sociedade - os jovens depois do celerado decreto das entradas e das saídas, mais conhecido pelo "decreto campo de concentração", a par das restantes toneladas e dos megálitros de tinta de outros tantos decretos reaccionários do MEIC só faltava mais esta de ser a PSP e a GNR a transportar e defender os pontos de exame, para encontrarmos a imagem perfeita da escola quartel: sonho idealizado pelos Hermanos Saraiva e Veigas Simão deste país, construído pedra após pedra (melhor diríamos decreto após decreto) por Sottomyor Cardia. No entanto, pedra após pedra construída, a escola quartel tem sob os seus alicerces um barril de pólvora. Uma grande revolta grassa nos estudantes do Ensino Secundário, e cedo as chamas que ateia, transformarão o sonho dos reaccionários no pior dos seus pesadelos.
2 — O ministro Cardia que havia terminado a sua longa, demagógica e histérica charla à televisão, em meados de Maio dizendo: "nos exames nacionais do ensino secundário... o questionário não será rígido e incluirá perguntas de opção", a bem do "socialismo” entendeu não cumprir as suas promessas.
De resto, os estudantes e o Povo sabem bem que a quantidade de promessas feitas por qualquer ministro do Governo Constitucional directamente proporcional à quantidade de mentiras que adianta. Mas se é mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo, também os estudantes e o Povo sabem que longe de criar a "escola democrática” e de elevar a competência e a ciência", os exames nacionais visam o objectivo preciso, "tout court” de impedir a continuidade dos estudos a milhares de estudantes, de proceder a reprovações massivas, de destruir as forças da ciência e do saber.
Que outro sentido tem, senão esse, o ponto escrito de Português do Curso Geral dos Liceus, feito sobre um texto de Fernando Namora, autor que os estudantes não deram, com perguntas extremamente complexas e subjectivas, abrindo campo a arbitrariedade de quem corrige as provas, em matéria onde, ainda por cima, tão pouco se aplica a famigerada lei da compensações, isto é, das ilusões? E o ponto escrito de Filosofia, e laborado sobre partes do programa onde se passa de fugida, e em que o abominável idealismo do texto base e o conteúdo das perguntas suscita um repúdio imediato dos estudantes e os impede de formular os conhecimentos adquiridos? E o ponto escrito de um infindável rosário cujas contas se encerram na totalidade dos exames elaborados pelo MEIC.
Oito toneladas de papel dos exames nacionais. Oito toneladas de atestados de reprovação e de certificados de desemprego para centenas de milhar de estudantes!
3 - Não seria, porem, possível ao MEIC aplicar a sua política dos exames nacionais, sem o apoio descarado da UE"C" social-fascista. Os filhos predilectos de Barreirinhas Cunhal decidiram fazer uma reunião de bando enfarpelaram-na com o nome pomposo de "Comissão Nacional de Luta contra os exames nacionais", convocaram aquilo a que chamaram uma jornada nacional de luta no Ensino Secundário, e como vissem que a revolta e a luta dos estudantes se desenvolvia impetuosamente, acharam por bem despoletá-la para a trair no preciso momento em que ela se preparava para assumir formas mais avançadas e consequentes. Resultado: aplaudiram, ajoelhados a quatro patas, a lei das compensações elaborada por Cardia. Não há um único estudante democrata do Ensino Secundário que não compreenda neste momento o sentido da expressão Cardia-UE"C": A MESMA LUTA!
Não admira que a UE"C" social-fascista se disponha a assinar de cruz o pacto social. A UEC" é nas escolas o agente directo de política contra-revolucionária ao social-imperialismo revisionista soviético, e sob palavras falsas de "socialismo" e do "comunismo", está apostada, conjuntamente com os partidos do grande capital a criar a mesma escola opressiva, onde se forme a pequena elite capaz de integrar o aparelho de exploração da classe operária pelo capital de estado. A gritaria que eles fazem, sempre que sai um ou outro decreto assinado por Cardia, mais não visa do que impor a negociação de mais um ou outro lugar no controlo da Escola burguesa. Porém, são sempre eles os primeiros a trair a luta, irmanados que estão com o MEIC no projecto de oprimir a juventude das escolas e de atacar os seus anseios e aspirações mais profundas. De resto, os estudantes do Ensino Secundário conhecer-nos bem, particularmente desde o tempo do "companheiro" social-fascista Vasco Gonçalves, que ultrapassou Cardia na sua política reaccionária do ensino, através da nomeação para as escolas de gestores social-fascistas, do apertado controlo do conteúdo do ensino, com as laudatórias às maravilhas do país dos novos czares, e os ataques desmedidos aos operários e ao povo, e a sua cultura, da introdução do "serviço cívico trabalho forçado estudantil", etc.
Tirar as lições do passado - eis o que os estudantes devem fazer, para que a sua luta avance e ouse vencer e para que o plano do MEIC consistente em reprovar centenas de milhares de estudantes seja esmagado. Combater os social-fascistas da UE"C", e a sua peçonha reaccionária e não se deixar cair em ilusões nos falsos amigos dos estudantes e do Povo é, indubitavelmente, a principal lição a tirar da luta.
4 - Duas vias se nos abrem. A primeira é a de vergar face à selecção intensa que se está a exercer, considerar que não se pode lutar contra os exames nacionais, deixar que a burguesia impeça que prossigamos os estudos e nos atire para o desemprego e para a angústia de um futuro incerto. A segunda é a de perseverar na luta, forjar a nossa unidade na base de princípios justos, ousar obter a vitória, colocando os nossos conhecimentos ao serviço do Povo e lutando pela Escola Nova, democrática e popular.
O Comité Permanente do Comité Estrela Vermelha-Ribeiro Santos, Comité Central da Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas, apela às largas massas de estudantes a seguir o caminho da luta e da unidade para a vitória.
Os estudantes do Ensino Secundário devem erguer-se firmemente contra a selecção e contra os exames nacionais e exigir ao MEIC a satisfação das seguintes reivindicações imediatas:
1º - Realização de uma segunda época plena, em Setembro, com exames elaborados por escola a que se possam candidatar todos os estudantes, independentemente do número de cadeiras que lhes faltam para acabar os seus cursos.
2º - Participação das estruturas representativas dos estudantes (Direcções das Associações de Estudantes, Comissões de Luta, Comissões de Delegados de Turma) nos júris de avaliação nas provas de exame.
3º - Participação dessas estruturas e dos estudantes nas revisões de provas de todos aqueles que as requeiram.
Realizar amplas reuniões de estudantes, aprovar nessas reuniões as propostas concretas que permitam avançar na satisfação destas reivindicações, propagandear a justeza da nossa luta junto do nosso Povo, e, apelar à sua solidariedade, fazer nossas as reivindicações da classe operária e do Povo, erguer os órgãos necessários à direcção do combate, desmascarar na luta os nossos falsos amigos, e aquilo que os estudantes do Ensino Secundário têm a fazer.
Se ousarmos lutar, ousaremos vencer!

VIVA A JUSTA LUTA DOS ESTUDANTES DO ENSINO SECUNDÁRIO!
CONTRA OS EXAMES NACIONAIS! EXAMES POR ESCOLA!
CONTRA A REFORMA BURGUESA DO ENSINO DO MINISTRO CARDIA!
POR UMA ESCOLA NOVA, DEMOCRÁTICA E POPULAR!
ESTUDANTES AO LADO DO POVO E SOB A DIRECÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA!

Lisboa, 4 de Julho de 1977

COMITÉ PERMANENTE DO COMITÉ ESTRELA VERMELHA – RIBEIRO SANTOS COMITÉ CENTRAL DA FEM-L

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